Som

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O clamor da alma é o único som que anula o ruído ensurdecedor das distrações mundanas.

Puxe o ar até o fundo da alma, que o caos ululante do mundo seja um som distante, pois seu peito é um santuário autônomo onde a tempestade externa não tem permissão para entrar.

Meus silêncios não são ausência de som, são gritos que aprenderam a se comportar para não assustar os que ainda acreditam na leveza da vida. Por dentro, sou um estrondo de vidros quebrados, por fora, apenas a poeira que se assenta após a queda.

Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.

Há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas o peso exato de tudo o que deixamos de dizer para não desabar o teto sobre as nossas cabeças, é preciso aprender a morar nesse vazio sem medo de que as paredes comecem a gritar o nosso nome.

Nem todo silêncio é paz. Às vezes ele é o som mais alto que eu não consegui dar. É o acúmulo de tudo que ficou preso. É o eco de sentimentos sem saída. E o que não foi dito acaba vivendo, pesado, dentro de mim.

O poder do som, já era conhecido pelos chineses a milhares de anos do passado. A tal ponto, que o Imperador mantinha um grupo seleto de fieis afinadores de todos instrumentos, que percorriam todos lugares do reino, afinando pelo diapasão imperial com isto controlava o bem estar, as idéias, o espirito, os pensamentos e as atitudes a favor do império. Logo o som, tons vibracionais é o guia das águas, da vida e do comportamento humano.

O silêncio não é ausência de som,
mas a condição de possibilidade de qualquer sentido.

EU, POEMA DE MIM

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.

Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.

Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.

Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.

Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.

Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.

Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.

E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.

Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

A noite se estende, insônia cruel
A chuva cai mansa, única fiel
Companhia silenciosa, som de paz
Enquanto o mundo dorme, eu sinto a solidão

Gotas no telhado, ritmo lento,
Pensamentos que não cessam.
A escuridão abraça, a chuva sussurra
"Está tudo bem", mas a alma ainda não sacia.
{Saul Beleza)

*O dia depois do campo*

Já me acostumei com o ronco do canhão
e dancei ao som da rajada da metralhadora,
não por gosto, mas porque o corpo
aprende passos até no inferno.

Afiei o sabre pra cortar o catanho do dia,
porque amanhecer também cansa
quando a noite não deixou dormir
só ensinou a sobreviver.

Fingi não ouvir o toque da corneta
anunciando a alvorada que não pedi,
às vezes a guerra acaba lá fora
mas continua batendo no peito

Agora a casa tá limpa, o chá na mesa
e mesmo assim o silêncio vem fardado,
eu tiro o capacete devagar
e lembro que paz também é treino .
(Saul Beleza)

Da ponta da caneta
são escritos Versos Intimistas
para que não me esqueça
ao som de Indie Rock,
para que a gente vire poema.


...


Dividindo o Camboim
de um amor único
Íncubo e Súcubo
em Versos Intimistas
para daqui para frente
viver vestidos de poesias
e sussurros de amor.


...


O vento traz a chuva
que faz dançar
o Capim-Cambu,
A tua alma me chama
por Versos Intimistas
que inflamam na cama
as mais doces fantasias.


...


Palores lascivos só de ler
os meus Versos Intimistas
e de imaginar o quê farei
quando estiver a sós contigo,
Não é difícil de prever que daqui
prá frente é esse o nosso destino.

Voo no som
do coração:
Real tom.

No Parcel do Campo Bom
ouvir do mar o grão som,
a terna música da tua voz
e o coração ajustar no tom.


Desfrutar do teu dom...

Falar é emitir som; comunicar é produzir sentido.

Toda inteligência artificial nasce dos dados de uma sociedade e, por isso, carrega também suas sombras.

Querendo viver

uma vida normal

ouvindo o som

de Miss Anthropocene

na minha sala

ao redor deste

isolamento social,



Parece piada

por aqui eu li

que 'o dilema

é bíblico',

há quem defenda

trabalhar,

há quem defenda

ficar em casa,

e até agora nada

está resolvido;



Apenas o quê

me resta é

ficar reclusa,

dançar a música

na mais plena

figuração

da linguagem,

escrever poemas

sobre a Lua

para não morrer

de doença

ou ir para a cadeia,



Esperando sigo

perguntando

qual será a próxima cena,

porque quem lambe

a borda da taça,

a alma não cala

e não busca

por 'indulgência' barata.

Ó Samir, arquiteto de aço, fogo e som,
Que em Curitiba molda o próprio chão!
Da força bruta das esteiras e tratores,
Aos elos fortes de um sincero coração.
​Nas páginas do tempo e da memória,
Eles de aço, esteiras em movimento,
Trazes na veia o rigor do trabalho duro,
Na precisão do trilho e do instrumento.
Profissional honrado, de palavra e aprumo,
Que do peso da rotina faz sustento.
​Mas a alma, ah, essa canta em outra frequência!
Ressoa na agulha a deslizar no vinil,
Na vibração do Kiss, no rock de outrora,
No brilho da luz que ilumina o Brasil.
Comandante dos graves, mestre do palco,
Na "FLAW'S" que atravessa as décadas com ardor,
Transformas o encontro em celebração,
Unindo velhos amigos em tom de festa e amor.
​E no teu refúgio sagrado, o Bar do Samir,
Onde a brasa crepita e o karaokê ganha vida,
És o anfitrião de riso franco e porta aberta,
Pai e esposo dedicado, de alma aquecida.
Entre a pedra São Tomé e o azul do teu descanso,
Construíste com as próprias mãos o teu jardim,
Acolhendo leais guardiões a rosnar de alegria,
Em um cenário de vida bem vivida, até o fim.
​Criador de imagens, resgatador de memórias,
Guerreiro da rotina e rei da celebração,
Fica registrada aqui a tua justa ode:
A um homem de palavra, arte, garra e paixão.

No primeiro verso se folheia um dia de sol
No segundo a leitura de um dia de sol
No terceiro o som da folha de papel
No quarto as letras do poema no céu
No quinto a boca que declama
No punho a mente clara do poeta
No dia a dia nas frestas coisas
incríveis como letras
como estás