Solidão e Saudade
A folha, o tempo
A filha do vento
A saudade, a dor
Os dias e seu resplendor
A vida e o amor
A estarem juntos
Julgarem mudos
Toda a solidão do mundo.
Eu sinto saudade. Eu a tenho presa comigo, rolando em meus lençóis, no úmido do travesseiro, é ela que me caiu dos olhos.
Em cada centímetro de uma cama vazia, que mesmo eu estando ali, não há ninguém. Falta o seu cheiro no meu edredom.
Tenho saudade de sonhar com você, tudo o que eu queria era que um dia ao despertar eu olhasse pro lado e pudesse te ver.
Eu sinto falta de mim, no canto mais solitário da casa, ali encostada na parede, estou eu, a cama e a saudade.
Repassei algumas fotos. Quanta saudade eu senti.
Eu te mandei tantas, você me mostrou tantas. A gente compartilhou muitos momentos, hoje não compartilhamos nem a saudade. Eu a trago sozinho.
Essas fotos me machucaram bastante. Eram momentos tão banais, que me fazem tanta falta. Eram sem compromisso, era simples, era ingênuo e sincero.
A sua boca tão linda nessas fotos... Eu a beijei diversas vezes. Confesso que ainda beijo em muitos pensamentos.
Me faz muita falta a tua presença. Mas pensando bem, acho que nunca esteve comigo.
Saudade
Transborda em mim uma saudade de não sei o que
Que vem não sei de onde
E me toca, me invade
E penetra escondido
E suga minha libido
E me leva por caminhos
Que não sei onde vão dar
Às vezes parece castigo
E me sinto em perigo
Difícil de suportar
Mas confusa ainda sigo
Uma intuição ou algum sentido
Em busca de um abrigo
Onde eu possa me aliviar
Peço a Deus
Procuro amigo
Que me ceda um ombro
Prá me consolar
Mas sozinha ainda sinto
Com minha saudade a me acompanhar
Querida, os dias não são os melhores sem você mas sigo em frente, mesmo com a saudade apertando e sufocando o meu coração (o qual já não bate tão forte com vigor).
A saudade acabou virando a minha doença e o meu remédio seria você, mas só de lembrar que você se foi, o meu coração transborda de lembranças e escorre nos meus olhos e cada gota que cai é amor que eu sentia e sinto por você até nos piores dias da minha vida.
Ausência
Hoje eu permitirei que a saudade morra em mim
Os teus olhos, agridoce, me engulam de solidão
Porque nada te poderei dar, senão, está dor sem fim
Exausto me vejo na janela, e o quarto na escuridão
Ao fundo, uma melodia ao som de bandolim
Assim, me sinto na tua lembrança e tu na minha emoção
Não te quero ter por apenas te ter, quero ir além
Porém, cada gesto, palavras, suspiros, a alma em convulsão
Então, não diz nada porque o teu silêncio me convém
Os teus abraços em outros braços enlaçaram
Sinto que estas distante e sem uma tal essência
Eu deixarei... tu irás, e as madrugadas companhias serão
E assim, eu serei e você será... ausência!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Junho de 2018
Cerrado goiano
Às vezes me faço ausente
Para descobrir se me desejam presente
Quem sente saudade
Age com lealdade
Não que eu queira atenção
Pois tem horas que até prefiro a solidão
Meu pé costumo fazer raro
Para não vir a ser tachado
Não me julgue assim
Preciso de um momento só pra mim
Sentindo quem sabe o cheiro de jasmim
Quero estar bem atento
Sem um só lamento
Ouvindo apenas o meu pensamento
Mal secreto (soneto)
Se o vazio que sente, na saudade que mora
No peito, e sufoca cada gesto recordado
Cada olhar do passado, que a dor devora
Pouco será a imensidão do vasto cerrado
Pra que se possa ecoar tal tristura sonora
A sensação que chora, e a lágrima da face
Que escorre, e que chameja a toda hora
Na recordação, sem que haja desenlace
Se se pudesse, do ser a ventura recrear
Da alma só felicidade então aí dimanar
Tudo seria melhor neste amor inquieto
Mas, está cólera que espuma, e jorra
Da ausência, e a solidão que desforra
Nos cala, e estampa um mal secreto...
(2020, 01 de agosto)
Vai que nessa história de ficar sozinho cê não aguentou
Vai que cê resolveu descontar a saudade no acelerador
Quando lembrou
Que na sua cama cê dormia bem
Só que na minha você nem dormia
Veio furando o sinal
Buzinando pro povo
É que a saudade dói no peito
Mais que a multa dói no bolso
Saudade...
Sinto da tua boca,
Daquele amor tão grande
Que quase me deixa louca!
Saudade...
Daquele imenso amor
De promessas e mentiras
Que tão cedo se acabou!
Saudade...
Daquele beijo
Que tanto me fez sonhar
Saudades de um grande amor
Que jamais voltará!
Saudade...
Daquele beijo
Dado com tanta emoção
Meu amor não volta mais
Deixa-me em paz com a solidão!
Você é a saudade que completa os meus dias. Que faz as minhas horas cheias de você. Que me toma os sentidos, que cura meus vazios e me enche de uma solidão compartilhada, onde só existe você e eu. Porque você é a saudade que me faz bem, que me põe pra dormir e que me acorda. A saudade que me faz sorrir.
►Casa Vazia, Mente Entristecida
Saudade do cheiro doce dela
Sim, confesso que as vezes sinto falta daquela donzela
Mesmo me conformando o meu coração continua me relembrando
Por ela sinto saudade
Pois com ela eu sentia felicidade
Ela aparentemente não era minha "outra metade"
Talvez apenas uma relação que fez parte
Mas sempre irei agradecer pela oportunidade
Por saber que tudo que vivi e passei, foi de verdade
E que, graças a isso hoje possuo essa liberdade
De poder descrever o que passei neste passado
De poder descrever como foi agradável
Mas hoje é diferente, o passado me tornou resistente
Sinto falta dela, mas não loucamente
Me recordo dela uma ou duas vezes em minha mente
Acredito fielmente que hoje me encontro diferente
E quero conhecer uma nova dama, por isso continuo em frente.
Saudade daquela festa animada e agitada
Sim, confesso que apesar de já não ser mais uma criança
Sinto falta daquela festa desorientada
Hoje a pressa das pessoas estão levando elas à loucura
Ah pessoas que por conta disso, perdem a compostura
Eu queria festejar com um sorriso aberto
A vó apertando as bochechas do neto
E, mesmo que o Natal esteja perto
Nada acontecerá, mas bem que poderia
Mas quem sabe, mesmo que nada vá acontecer, eu sinta alegria
Aquela bem pequena e despercebida, quase sem vida
Estranho, mas já consigo senti-la
É bem fraca, eu diria
Então talvez, só talvez, eu esteja preparado
Para passar o Natal solitário.
Não há o que se esperar
Será apenas mais um dia para se passar
Apenas o calendário irá mudar
O vazio ainda está lá a me vigiar
O que eu queria? Uma presença amiga
O que eu temia, hoje é refletida
Que vida sem energia.
Realizar meus sonhos, todos eles
Degustar de todos os prazeres
Escrever descontrolavelmente, enquanto vivo intensamente
Onde nada estaria passando em minha mente
Não me importar com nada, apenas aproveitar a ceia recheada
A família do outro lado da mesa contando piadas
E na rua, aquelas arvores iluminadas
Sinto falta de sorrir até o final da madrugada
Sinto falta da noitada em casa
Sem conversas desenfreadas, somente sincronizadas
E, assim como a transparência da água cristalizada
Termino dizendo que sinto essa falta.
CERNE (soneto)
Do ventre do cerrado ergui meu gemido
Estrugido duma saudade que me eivava
Furtando o fôlego duma dor que escava
O coração já aturado e um tanto dividido
Da solidão a tramontana reviu-se escrava
No cerne da sofrença no peito desfalecido
Que és de tudo escárnio no fado contido
Grito! Que ao contentamento então trava
Que labareda tal me arde no esquecido
Me remanescendo qual tétrica cadava
E me prostrando na réstia do suprimido?
E, se toda sorte aqui me falhe, és clava
A esperança, dum regresso ainda vivido
Factível, sem os que a quimera forjava...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro, 2017
Cerrado goiano
Sempre me pergunto sobre perdas, decepções, dor, tristeza, vazio, saudade, silêncio, arrogância, ruindade, melancolia, rancor, ilusão ou qualquer outra coisa que explique a humanidade, talvez a falta dela. E admito, não é fácil de entender. Quando alguém está com raiva por muito tempo, todo esse ódio começa a mudar o mundo. E isso não é um engano, é pessoal.
