Sofá
DEL CASTILHO
Havia um sofá...
Um “so far” na proximidade
Da intransponível solitude...
O toc-toc da Olivetti ou da remington
Para minha inspiração
E uma corda imaginária no teto
Para minha solidão...
Havia horas para se empacotar a vida
E fazer pilhas de paciência...
O gotejar incessante de alguma torneira
No mais profundo silencio,
Passos pelas dependências da minha ansiedade
Fantasmas de mil purgatórios...
Havia o telefone para confidências
De paixões inadimíssiveis
Durante a madrugada...
Havia o corredor que conduzia `suburbana
Sangrenta e insaciável...
Havia a igrejinha onde remiam nossos pecados
A nova América que vestia o nosso país
E um viaduto para problemas sem solução...
VOLTAR ATRÁS
Sinais de que foi feliz:
no porta-retratos
a imagem dela...
No sofá da sala:
numa almofadinha...
“Fui eu que fiz.”
Os dizeres dela.
Na gaveta do criado mudo:
O livro nunca começado...
Por ela presenteado...
Na página da dedicatória...
O amor dela pra sempre marcado.
No solar da porta:
Um tapetinho surrado
Mil vezes lavado
Por ela... pra trás deixado...
Tantos sinais...
Que de desfazer o tempo é incapaz.
E o que ele mais queria?
Era poder voltar, voltar no tempo... voltar bem, bem lá pra trás.
Deus te dá o anzol da fé, mas se você não levantar a bunda do sofá, andar até o rio e pescar o seu peixe, vai morrer de fome. Deus é pai, não babá de ninguém.
Benê Morais
Correndo atrás...
Em cada verso meu, um pedaço de você,
A lareira está acesa, o teu canto do sofá ainda parece aquecido,
Uma banalidade mal resolvida não pode ser o motivo para estragar o que já construímos,
Chove lá fora, aonde esta o meu guarda chuva?
Não a tempo a perder!
Taxi! Taxi! Taxi!
É lindo ver um pai de família adormecer enquanto está no sofá de sua casa, depois de uma longa jornada de trabalho.
Desinibida, bem despreocupada, postura muito atrevida, curvas atraentes, expostas no sofá da sala, demonstrando um olhar sedento, uma aparência naturalmente delicada, protagonizando um momento prazeroso, chamando ainda mais atenção com uma desenvoltura expressiva,
uma exposição de emoções veementes, uma poesia viva, entusiasmante, que encontra morada na mente com tamanha facilidade, uma mulher marcante e bastante envolvente, profunda, sem as amarras de uma eterna superficialidade, uma espécie sadia de loucura.
Euforia e muita vitalidade, uma aventura singular com um sentimento forte de adrenalina graças a sua personalidade e beleza provocantes, arte emocionante de muita jovialidade, inesquecível mesmo que na sua companhia intensa por apenas um breve instante, vencendo a temporalidade.
Hoje sentada no sofá,
tomando café com pão,
sem vontade de fazer nada, pensei...
Putz! Tá dando tudo muito certo.
Ops! Será que tem alguma coisa errada.
A arte não é o bonito que combina com o sofá. A arte é a linguagem de impacto, do falar das emoções e devaneios existenciais presentes na vida que nem toda oralidade e toda sonoridade ainda foi capaz de intuir e submergir.
À Distância de Um Suspiro
Era só uma conversa no sofá. Café na mão, assunto solto. Mas quando nossos joelhos se encostaram, o ar pareceu ficar pesado.
O jeito como ela mordia o lábio me fazia esquecer qualquer frase. Tudo virou vontade de aproximar, de provar, de perder o rumo.
No fundo, sabíamos: se a gente se encostasse de verdade, não teria mais volta.
