So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
200mg de Apatheia
No paradoxo das minhas visões,
Entre a fantasia e a realidade,
Não há, nem afirmações,
Nem abraços, na verdade!
Só há nós que se dão nos laços,
À força de algumas vontades.
Quinquagésima mecânica do amor,
Onde há falta de abraços, dor...
Onde há águas de amassos, cor...
Onde há verdejantes regaços,
Mil maravilhas espectrais... flor!...
Se algum um dia eu te quiser dizer
O quão foi importante viver,
Desfeito no bordo da boca,
Derramado ao cabo acabado.
Águas, lágrimas e gota,
Nos braços de quem eu devia ter chorado;
Quão importante a chuva,
cair em terra seca?
- Uva!
Quão importantes os nós,
desfeitos na garganta?
- Quanta!
Quão importante eu,
ser desafio?
- Bio!
Quão importante o barro,
desfeito em cacos?
- Fracos!
Se sou na liga das teias,
Feito de más ideias.
Se outra sorte tu me desses,
Não haveriam caras feias.
Nem liga que me fizessem,
Para que eu tivesse ideias.
Por isso morro por um abraço,
Desfaço-me em mil do laço.
Filho da pouca importância,
Entre si e o seu regaço.
Vivo só em mim, sorvo da distancia!
Vivo à luz do sobreviver
Entre o dia que me deu berro
E a noite em que o berro morrer!
Troco roupas e calçados justos por largos. Meu objetivo é meu bem estar, não atender às expectativas dos outros.
Amarelo Rua a Baixo
Não foi fácil saber quais.
Amarelos que nem usas mais!
Nem descer aquela rua.
Alegre como o campo que não lá havia.
Fôramos apedrejados nesse dia.
Naquele frio,
Que ninguém tinha como nós,
Nem a nossa voz dizia ter sentido.
Mas as gotas do teu cabelo...
Essas sim!
Eram o "mim",
O pouco de ti,
O tudo dos teus e o nada,
Dos empertigados.
(nada que eu quisesse, pelo menos)
No dia em que fomos vistos a passar naquela rua,
Já nos conheciam,
Já lá haviam jardineiros,
Varredores rua a baixo...
Rua a cima!
E os porteiros do Jardim Botânico que nos viam
E os motoqueiros da Telepizza que nos deram!
Mas nesse dia era dia de Janeiro.
Não! Espera!
Era o dia que nos dera, como se fosse o ano inteiro!
Mas chegámos lá.
Ah!... Se chegámos lá, menina dos oníricos amarelos.
Lá a uma estrada,
A um rego de água
E a um caminho âmbar.
E lá alguém passava caminhando menos belo.
Sabendo tudo,
Não querendo dizer nada,
Mas alguém que passava disse:
- Deus vou ajude!
- Deus vou ajude meus filhos!
E ajudou tia!
Ajudou tia!
Tanto que sempre serei a forma da ponta do seu cajado!
Quanto a ti...
Não sei de ti nem pra onde foste!
Apenas deixaste os ganchos do teu cabelo
E a minha gaveta desarrumada.
A saudade da seda molhada
E da gota.
Garota, garota, garota!
É o que vejo agora na refracção da gota!
Três pontinhos.
Não chegam, garota!
Não chegam para cozer a ferida de felicidade,
Exposta pelo teu bisturi... na verdade.
Quando foi o teu estaladiço odor escarlate para depois?
Quando foi?
Quando foi a ferida sangrada pelas danças nocturnas dos dois?
Quando foi?
Pela foz do cais.
Pela voz do Rui.
Pela pedras marginais.
Pelo Porto sem sentido.
Pela cascata de mãos dadas,
No eco das Arrábidas!
Gritos felizes...
Berros no bruto pra escutar no ouvido.
Agora o Cronos,
Olha para o dia da ferida,
Para o depois da felicidade,
Para a parede fria... prá nostalgia
E vê-te a ti, garota,
Vê o teu bisturi,
Vê o corte de felicidade,
O desnorte
E os teus tais três pontos de Saudade!
Saudade, saudade, saudade de ti, garota!
Saudade dos amarelos que não usas mais.
e nada mais é
se não arte
uma bica
e um fim de tarde
em Marte
Não é a minha opinião ser diferente da tua o que te incomoda.
O teu incômodo vem da indisposição em aceitar que eu identifique, enfrente e vença os meus próprios vendavais.
Nara Minervino
Não te inquietes com a tristeza que agora te acometes.
A grande maravilha da vida é que ela, como a gangorra, tanto sobe quanto desce.
Que para ti ou para qualquer pessoa, viver seja, sim, uma coisa boa!
Nara Minervino
Não importa os sonhos que eu tenho. Importa o quanto eu me empenho para vê-los realizados.
Nara Minervino
Descrição
Eu pus no quarteto a rima
Coloquei no terceto um não
No dueto não havia a razão
Apaguei tudo: debaixo, acima!
Recomecei em mim, outra vez
Quatorze verso é difícil acertar
Nem sempre decassílabos, talvez!
Deixo - os livres sem pestanejar!
Às vezes as tônicas nem soa
Outras vezes leio - as e arrumo,
Os parcos vocábulos que destoa!
Subjugada a desajeitada atenção
Por ventura, arrisco a perder o rumo,
Sem contudo, descrever meu coração!
*Não pretendo envelhecer... tenho certeza que ainda não é o momento,o meu menino interior anda engatinhando,o tempo é o que menos me interessa,sem pressa pra despertar a adolescência,viver um dia após o outro é o que de fato importa.*
AH, O AMOR!
A resposta é "sim"
Para a pergunta que você não fez,
Para a dúvida que te deixa "talvez",
Para as especulações que eu montei.
Sim.
A resposta é "sim".
Nos amamos.
Nos entregamos.
Nos reencontramos.
Sim.
Foi diferente.
Foi caliente.
Foi envolvente.
Sim.
Senti desejo.
Senti remorso.
Senti medo.
Como é cigano o amor!
Como é forte o fervor!
Como indecorosa é a solidão!
Como doída é a paixão!
Nos perigos de desabrigos
Há infinitos esconderijos,
E, em cada canto (in)seguro,
Vi um passado tão maduro!
Seja amor ou solidão.
Seja isolamento ou paixão.
O que estava adormecido
Esteve hoje renascido.
E... agora... eu me culpo!
Sem ter nada a te dizer,
Contigo eu me desculpo,
Por não me ver entristecer.
Nara Minervino.
Numa folha se esconde alguém
Não sei quantificar a descoberta
nem a variedade de toda a planta
mas, sei que encantos tem a terra
e nesta terrra a belezas se encerra!
Não sei dizer o que mais encanta,
se é a flor ou se é o verde da planta
que em folhas trazem mil formas
em tons e mistério que os contornas!
Se eu fosse fazer coleção de tudo
O mosaico colorido seria uma santa
em folha escondendo a libido...
porque foi assim no jardim do Éden
em que Eva revelou à todo o mundo
que nas folhas se esconde alguém!
Maria Lu T S Nishimura
Uma planta de sapatos pra mim
Toda flor que nasce é uma menina
porque o menino não é uma flor!
Menino tem bola e quer ser jogador
e flor combina mesmo com menina...
Meninos podem gostar, mas ser não!
A flor é "a"de menina assim vem o artigo,
mas na sinceridade não quero confusão
se menino da flor quer ser o tal amigo...
que de repente tem um salto no seu pé!
Eu flor sou tão sincera e tenho tanta cor,
que posso colorir menina e menino na fé...
II
Porque na fé tem as religiões e tudo mais,
que de gênero se entendem muito bem
e quem põe oponência em tudo o que faz
é a discriminação no mundo do homem!
Eu também vou usar da sinceridade da flor:
- Sou uma flor menina que ama sapatos!
E igualmente está planta com está flor
tenho a minha coleção de tantos saltos:
- Uns de salto altos iguais desta planta,
outros são baixos do tipo mocassim
mas, todos os pares...Ah... me encanta!
Já pensaram uma planta desse jeito assim?
Vi logo nela como uma planta encantada,
que todas as flores seriam sapatos pra mim!
Maria Lu T S Nishimura
Caipirinha da cidade
Caipirinha da cidade não sou eu
Caipirinha da cidade já morreu
Fui cabloca lá do morro
Da minha origem eu não corro
Da colheita fiz fartura
Trabalhei com compostura
E pra cidade me mudei!
Sei que de caipirinha me chamou
Do meu jeito até zombou
Mas, o tempo passou e aqui estou
Cidadã do mundo é o que eu sou
A caipirinha da roça a vida transformou...
Bati o limão e a pinga e tu o açúcar colocou!
Fiquei doce, doce, e todos gostam assim
Sou caipirinha da roça, sou sim!
Não sou a caipirinha da cidade,
mas em qualquer tristeza boto fim!
Maria Lu T S Nishimura
DE QUANTO TEMPO?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que a vida não é um teatro,
Que as pessoas não são panos de prato
E que há sentimentos sentidos de fato?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que o futuro é agora,
Que a vida não espera a boa hora
E que o tempo passa logo, sem demora?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a fazer empatia,
Para saber que nem toda dor irradia
E concluir que no sorrir não há só alegria?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a amar sem sofrer,
Para aprender a perder e vencer
E crer no dia que vai amanhecer?!
De quanto tempo?!
A vida é uma só!
O tempo também!
Por que uns aproveitam melhor
Todo o tempo que têm,
Enquanto outros sequer enxergam
As oportunidades quem lhes veem?!
Oh, quanto tempo se perde
Desperdiçando-se o tempo que não se tem!
Nara Minervino.
