Coleção pessoal de ruialexoli

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⁠Sᴏʙʀᴇ ᴍᴜɴᴅᴏS
Fui aquela casa para te ver cantar,
Num timbre sobre o eternamente.
Triste como só tu, em noites de fado.
Bela como só tu, em noites de fado.
Minha donzela que chora,
Sou eu mais triste agora.
Sou o presente acabado
E naquele vagão,
Desapareço pela noite fora.
Não espanto mais que o meu tormento,
Hirto de frio, na estação onde o vagão fez vento.
Aguado que passe a hora,
Entorpecido pela cortante espora.
Sinto o flutuante do chão,
Que pelo meu corpo se aflora,
Enquanto o vagão é o instante,
Eu arrasto o presente momento,
Em que persisto de hora em hora!
Quero levar-te para casa,
Despir-te do triste,
Despir-te do que te cobriste.
Não te quero ver bela só por fora.
Não quero o vento que gela,
Nem janelas abertas, por agora!
Quero o teu corpo nu no meu,
Quero o teu mundo
E lá ser só eu.
Porque exiges de mim ser fecundo?
Só quero o áspero da cova,
A suavidade da lamina num deslize de outrora,
Deslize silente entre o regaço
E o teu olhar ardente,
Ao meu eu por dentro,
O teu olhar atento,
À face e à expressão,
Do que a ti te faço...
Intimista é o momento,
Em que cuido de ti
E tu do meu espaço,
Confias-me a pele do sangramento,
Enquanto o soalho, range por dentro!
Quero!
Quero-te!
Quero-te tanto!
Tanto que existo em muitos mundos
E em todos eles te encontro
E em todos eles nos cruzamos de olhares profundos!
Num foste a moça da praça,
Sorrias ao mais pequeno ar de graça,
Pelo balção da tabacaria,
Onde eu comprava cigarros às oito.
Onde eu não passava sem te ver, um único dia!
Noutro rendi-me às tuas melodias de inverso.
Mundo distante, este!
Em que o fotão viaja ao contrário
E o verso não se escreve, se apaga
E a luz quando se apaga surge do nada!
No mundo onde fui teu motorista,
Guiada na pista de grafeno.
Tu, a mais bela e sedutora violinista.
Meus olhos espelho à mercê do teu batom veneno.
Dia em que nos amámos a mais de mil por hora,
Dia em que a viatura autoguiada,
Perdeu o seu lugar nas pistas ao redor de Aurora!
Só recordo a nossa pele suada,
O rosto com teu olhar ametista e o segredo da espora!
Mas neste mundo,
Neste presente agora!...
Sou contigo,
Sou castigo!
Amor que se chora,
Amor que em mim não sei se mora!
Acordar com o abraçar de pernas,
Cruzadas às minhas duas.
Ásperos afagos,
Tragados de sódio,
Tocados dos lábios,
Trocados suores
E lençóis trancados,
No parar do tempo aos redores da noite.
Saliva matinal mais pura,
Num tête-à-tête de mãos presas,
Contemplando os olhares da nossa loucura.
Planos pra dois onde sois cor,
Planos para depois enquanto sois amor!
Neste vento,
Nesta estação escura,
Passa o tempo...
Passa o agora de hora em hora,
Passa o cortante frio do vento,
Passa o vagão e a demora,
Enquanto a esperança luta contra tudo
O que em mim se aflora.
Luta contra o flutuante do chão,
De vagão em vagão,
Luta com a cortante espora.
Porque não vens viajar comigo mundo a fora?
Porque te prestas a fazeres-me pensar na demora?
Vais-me deixar só de promessas em vão!
Promessas que só podia esperar de mim!...
Porque me fizeste assim?
Agora é tarde!
O agora embarca,
Na barca da carruagem,
Em que vou sem ti.
O meu torso volve na esperança de uma miragem,
Onde não te vi!...
Hora em que não vens
E o meu corpo gela ao ver que não estás aqui!
Parto pra um mundo distante e sem fim,
Onde eu te deixaria ser áspero,
Mas sê-lo ao pé de mim!
E tudo não passa de um sonho,
Daqueles que tiro e ponho,
Sonhos vagabundos,
Á razão de poucos segundos,
À razão de muito te amar,
Em nossos sonhos... sobre mundos!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: carruagem miragem

⁠Wʜᴏ I ᴀᴍ﹖

Um dia ouvi dizer,
Que as pessoas dizem coisas
Sem saber o que dizem.
Talvez o que digo
Seja uma dessas coisas.
Ainda assim digo por dizer
E digo porque não consigo
Deixar de pensar em coisas.

Um dia ouvi na acústica da pedra
E no duro timbre da triste madeira,
Que a vida é feita de pequenos céus,
Que a vida é feita de grandes infernos.
Porque não esqueço a contusão do doer?
Nem o gerúndio imperativo da palavra erguer?
Para mim, tudo é estranho na homilia
E na moral, daquele que não querem ver.

Há muito que os animais falam
E que fabulamos sobre nós.
Por estranho que pareça, ao que parece,
Todos os outros não dizem saber,
Mas há muito, muito tempo,
Houve uma cobra com esse poder.
Envenenou a humanidade,
Com níveis de consciência, na verdade!

Agora que penso nisso,
Há um oculto qualquer no zagão em que me encontro.
Será o odor frutado da Dona Madalena,
Que há pouco subiu a escada dos fundos,
Com um andar apresado sem sequer dar por mim?
Será tudo culpa da palavra de uma cobra, para uma mulher?
Ou do que a mulher quis que o homem sentisse por ela usando a palavra da cobra?
Na verdade, não há que ter culpa alguma,
Nem de pensar por palavras,
Nem de as dizer.
Digo eu!...
Há na palavra poesia, magia, mágoa e fantasia,
Sobre o que na verdade, nada mais é que viver.
Há na maçã o amargo torpe sabor a consciência,
Tal como na Bela Adormecida, incandescência,
Fruto da sociedade que acorda pela manhã,
Tal com em todos nós há um pequeno Peter Pan!

Dante não desceu lá só porque para lá deste zagão,
Há um elevador que dá para lá do rés do chão.
Nem para lá deste rés do chão há fogo,
muito menos à povo a arder!
(a menos que eu queira)
Dante, sem gerúndio para se erguer,
Foi lá porque teve que ser!

E é tudo um vidro líquido para lá deste zagão,
É tudo um diz que tem palavra
E outro que a palavra tem razão.
Visco que cobre de moral a fantasia.
Vidro de manipulada razão à luz da consciência
E é tudo um diz que disse, o que ninguém queria ouvir.

A palavra é o bordo da bola de sabão,
É o limite universal em constante expansão,
É a faca de dois gumes apontada ao coração,
É a força usada pelos vassalos de Deus para expulsar a Eva e o Adão,
É o veneno da cobra que os fez quem são,
É a riqueza dos pobres nos bolsos dos ricos,
É a ferramenta do homem de poder com ética,
É o instrumento de extermínio do homem sem ética,
É o lança chamas do conflito entre rivalidades,
Palavra muda de um poeta morto na voz de um povo,
É um vir a mim de novo.

Um dia ouvi dizer,
Um dizer que diz que disse.
Um saber que nada existe,
Na expressão popular que insiste,
Em dizer:
- Tudo isto é triste,
- Tudo isto é fado!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

⁠ᔑᥱꙆƒɩᥱ ᑯᥱ ᙏɩຕ
Se penso em mim e tudo o que sou,
Sei que existo!
Se penso em tudo o que existe em mim,
Sei que no meu mundo me dou,
A alguém que é triste,
Como eu sou!
Se penso no mundo que existe,
Sei que o ser sem fim,
Não consiste, com o quanto me dou!
Não sou triste. 
Muito menos dou de mim,
Tudo o que existe
E se começo a pensar que sou,
Também sinto que não sou,
Aquilo que penso!
Ao mesmo tempo que para tudo minto,
Por fim vou ao nada.
Enquanto escrevo de mim,
Dou e sinto o meu eu que sou,
Aquilo que não sei se minto!
Sem saber se na verdade... há,
Ou não há, arcada...

Ou um final de mim, na curva da estrada! 
Enquanto me afundo, profundo do fim,
Digo e escrevo.
Digo que há,
Uma borracha que apaga.
Uma curva na folha da estrada,
No caminho da periferia para o nada!
Onde só eu fico...
À espera de alguém que folheie,
A folha em branco que sou...
Que a imensidão de mim,
Num rasgo de raiva rasgou,
Amassou, machucou, emendou - rasurada,
A folha onde jazia um derrame de lágrimas chinfrim.
Qua a raiva do pouco que sou,
Jogou para fundo do chão derramada!
E nisto, 
Faço um movimentou ao braço!
E sem jeito,
Tiro um selfie de mim.
Onde existo
E há no pano de fundo
Umas costas,
Voltadas, prás periferias do Mundo!
Um vulto a jusante, 
Na miragem contante,
De um justo Indulto,
Que oculto!
Tão grande é vulto,
Que sepulto a montante,
O que resta de mim!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

⁠o ℜ𝔢𝔦 | ⲉ⳽ⲥⲟⲛ𝖽ⳕ𝖽ⲟ ⲁⲦⲅⲁ́⳽ 𝖽ⲁ⳽ ⳏⲟⲅⲦⲁ⳽

Daqui do ápice do viver,
Os sonhos torpes da razão,
Rugem como as fistulas,
Abertas para o que é dito por dizer.
_Tudo é lindo e perfeito|
_Tudo é sangue e leito|
Não sei porque as dito doer.
Só sei que daqui do alto ruge o que te sinto pra um perfeito entorpecer!

Sei que do rugido
E das suas flavas longas,
_Vêm medos|
_Vêm credos|
Vem esse augúrio entorpecido,
Que dá poder ao ℜ𝔢𝔦!
Não o faz temer os dogmas,
Nem o rugido que se esvai,
Dos destemidos das fistulas pró som das bigornas nos ouvidos!

_A razão não é da mãe|
_A incerteza sem dúvida será, do pai|
Nem o filho do silvo versai
Por entre a rachadura dos ladrilhos,
De onde rugem estilhaços de cansaço
Inconscientes da razão!
ESTRILHOS
E eu frívolo de inconsistências tortas,
Não presto atenção à insensatez de tanto estardalhaço!
𝗧𝗨 𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗣𝗢𝗥𝗧𝗔𝗦
Cordas prá carótida e um nó sem sentido!
Que 𝘦𝘦𝘜
𝗗𝗘𝗦𝗟𝗔𝗖̧𝗢
Nestes sonhos torpes de razão,
Não há espaço pro julgado,
Nem verdade para quem não a quis,
Muito menos linhas tortas,
Nem o adentrar de fistulas mortas,
De onde não cessa o rugir,
Nem o medo de o ouvir.
Ou fazê-lo mais valente |o ℜ𝔢𝔦 | escondido atrás das portas!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

⁠ᴱᶠᵉᵐᵉ́ʳᶤᵈᵃ

Levo comigo a efémera na palma da mão
Ao lago onde a intersecção é onda demais
.../𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑚𝑖𝑚/...
que te trago, que te vais
que é vão, que é vago!
Trago a solidão,
Como quem leva o desdém
prá casa do lado.
Danço contigo pelo fôlego
.../𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑚 𝑚𝑖𝑚/...
haveis encontrado!
Efémera redenção sem estrada;
_sem razão;
_contudo;
_sem nada.
Só uma tentação que em ti dou
.../𝑝𝑜𝑟 𝑚𝑖𝑚/...
acabada!
Que a vida é uma efémera sem sexo...
Não é macho, nem fêmea.
É excesso bissexo.
É uma brisa de vento, um lema.
É um carrego fugaz que se dá no lamento...
Na fricção das cordas de um poema!
Efémera sem tempo para se redimir!
Não sabe sequer que naquela orquestra,
O tempo
.../𝑡𝑎𝑚𝑝𝑜𝑢𝑐𝑜/...
Possa existir!
Fénix renascida das águas,
Onde a amargura e o fogo das fráguas,
Se viu extinguir!
Eu daqui sou só a lente côncava,
A assistir ao temperamento,
Às cinzas que se levantarão com o vento,
À redenção que não se dará na orla dos mortos...
Nem nos constrangimentos tortos.
Diástole que se fará breve,
Mais breve que uma efémera
Na sua última sístole de vida!
Nada mais é que uma Quimera,
Um olhar de ombros pro passado,
De uma volta voltada... prá ida!
E tu passará,
Entre mortos e feridos.
…/𝑒𝑛𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑜 𝑖𝑠𝑠𝑜/…
Empresto a Deus o que se dará…
No silêncio dos meus ouvidos!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: efemérida silêncio

⁠𝒹𝑒 𝒩𝑒́𝑜𝓃 𝒲𝒶𝓁𝓁𝑒𝓃 𝒪𝒩 ℒ𝒾𝑔𝒽𝓉

𝙾 𝚙𝚛𝚊𝚍𝚘 𝚎 𝚌𝚊𝚖𝚙𝚘 𝚟𝚎𝚛𝚍𝚎 𝚎 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘𝚜 𝚍𝚎 𝚖𝚒𝚖 𝚜𝚊̃𝚘 𝚙𝚛𝚎𝚌𝚒𝚜𝚘𝚜 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚎𝚕𝚎𝚜 𝚜𝚎𝚛𝚍𝚎𝚜 𝚜𝚎𝚖 𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚊𝚍𝚊 𝚝𝚎𝚗𝚑𝚊𝚜 𝚍𝚎 𝚟𝚎𝚛𝚍𝚎𝚜. 𝙽𝚎𝚖 𝚍𝚎 𝚟𝚎𝚛𝚍𝚎𝚜 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚊𝚚𝚞𝚎𝚕𝚎𝚜 𝚚𝚞𝚎 𝚝𝚎 𝚗𝚊̃𝚘 𝚍𝚎𝚟𝚎𝚖, 𝚗𝚎𝚖 𝚝𝚎𝚖𝚎𝚖 𝚊 𝚕𝚞𝚣 𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚞𝚛𝚘, 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚞𝚍𝚘, 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚞𝚛𝚘, 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚊 𝚛𝚎𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎 𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚊̃𝚘 𝚜𝚊𝚋𝚎𝚜 𝚜𝚎𝚛𝚍𝚎𝚜 𝚖𝚎𝚜𝚖𝚘 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚝𝚎 𝚟𝚎𝚛𝚍𝚎𝚜. 𝚀𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚘 𝚜𝚎𝚛 𝚑𝚞𝚖𝚊𝚗𝚘 𝚜𝚎 𝚊𝚝𝚛𝚎𝚟𝚎 𝚊 𝚜𝚎𝚛 𝚚𝚞𝚎𝚖 𝚍𝚎𝚟𝚎 𝚗𝚊̃𝚘 𝚌𝚎𝚍𝚎 𝚗𝚎𝚖 𝚊𝚘 𝚎𝚐𝚘 𝚗𝚎𝚖 𝚊𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚜𝚎 𝚕𝚑𝚎 𝚏𝚎𝚛𝚟𝚎. 𝙴𝚗𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚞𝚗𝚜 𝚟𝚘𝚊𝚖, 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜 𝚊𝚋𝚞𝚝𝚛𝚎𝚜 𝚑𝚊𝚋𝚒𝚝𝚊𝚖 𝚘𝚜 𝚌𝚎́𝚞𝚜, 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜 𝚐𝚛𝚒𝚝𝚊𝚖 𝚙𝚎𝚕𝚘𝚜 𝚜𝚎𝚞𝚜, 𝚎𝚗𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚗𝚘 𝚙𝚎𝚛𝚝𝚞𝚛𝚋𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚊𝚣𝚞𝚕 𝚗𝚊̃𝚘 𝚜𝚎 𝚘𝚞𝚟𝚎𝚖 𝚜𝚘𝚖𝚋𝚛𝚊𝚜 𝚊𝚕𝚟𝚊𝚜, 𝚙𝚊𝚒𝚛𝚊𝚖 𝚊𝚞𝚐𝚞́𝚛𝚒𝚘𝚜 𝚍𝚘𝚜 𝚖𝚎𝚞𝚜 𝚘𝚕𝚑𝚘𝚜, 𝚚𝚞𝚎 𝚓𝚘𝚛𝚛𝚊𝚖 𝚕𝚊́𝚐𝚛𝚒𝚖𝚊𝚜 𝚋𝚛𝚊𝚗𝚌𝚊𝚜. 𝙽𝚊 𝚛𝚎𝚊𝚕𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎 𝚜𝚊̃𝚘 𝚍𝚘𝚜 𝚖𝚞𝚛𝚖𝚞́𝚛𝚒𝚘𝚜 𝚕𝚊́ 𝚍𝚎𝚋𝚊𝚒𝚡𝚘 𝚎𝚖 𝚝𝚎𝚛𝚛𝚊𝚜 𝚜𝚊𝚗𝚝𝚊𝚜. 𝙴́, 𝚙𝚘𝚒𝚜, 𝚙𝚘𝚛𝚚𝚞𝚎 𝚊 𝚌𝚊𝚛𝚗𝚒𝚏𝚒𝚌𝚒𝚗𝚊 𝚊𝚌𝚘𝚗𝚝𝚎𝚌𝚎 𝚗𝚘 𝚙𝚘𝚗𝚝𝚎𝚒𝚛𝚘 𝚍𝚊𝚜 𝚑𝚘𝚛𝚊𝚜 𝚖𝚘𝚛𝚝𝚊𝚜, 𝚊́𝚜 𝚝𝚊𝚗𝚝𝚊𝚜 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚊𝚜 𝚎𝚞 𝚟𝚒 𝚙𝚊𝚛𝚝𝚒𝚛 𝚗𝚘𝚜 𝚌𝚒𝚌𝚕𝚘𝚜 𝚍𝚘 𝚙𝚒𝚗𝚐𝚊𝚛 𝚍𝚊 𝚐𝚘𝚝𝚊 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚊 𝚋𝚊𝚗𝚌𝚊𝚛𝚛𝚘𝚝𝚊 𝚍𝚊 𝚐𝚊𝚛𝚐𝚊𝚗𝚝𝚊 𝚍𝚎𝚜𝚜𝚎𝚜 𝚊𝚋𝚞𝚝𝚛𝚎𝚜 𝚎 𝚍𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚊𝚍𝚊 𝚜𝚘𝚋𝚛𝚊. 𝙾 𝚎𝚋𝚞́𝚛𝚗𝚎𝚘 𝚍𝚘𝚜 𝚖𝚘𝚛𝚝𝚘𝚜 𝚎́ 𝚘𝚋𝚛𝚊 𝚍𝚎 𝙳𝚎𝚞𝚜, 𝚎́ 𝚘 𝚖𝚘𝚗𝚞𝚖𝚎𝚗𝚝𝚘 𝚍𝚊 𝚌𝚊𝚛𝚌𝚊𝚌̧𝚊, 𝚍𝚊 𝚐𝚛𝚊𝚌̧𝚊 𝚎 𝚍𝚊 𝚍𝚎𝚜𝚐𝚛𝚊𝚌̧𝚊, 𝚍𝚘 𝚐𝚘𝚣𝚘 𝚎 𝚍𝚘 𝚛𝚎𝚐𝚘𝚣𝚒𝚓𝚘. 𝙾 𝚐𝚊𝚛𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚍𝚘 𝚐𝚊𝚕𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚎𝚗𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚒𝚗𝚏𝚊𝚗𝚝𝚎, 𝚜𝚎𝚖 𝚙𝚒𝚗𝚐𝚊 𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚗𝚐𝚞𝚎, 𝚊𝚝𝚎́ 𝚚𝚞𝚎 𝚜𝚒𝚛𝚟𝚊 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚌𝚘𝚖𝚎𝚛. 𝙿𝚞𝚝𝚛𝚎𝚏𝚊𝚌𝚝𝚊 𝚊 𝚖𝚊𝚌̧𝚊 𝚍𝚘 𝚑𝚘𝚖𝚎𝚖, 𝚍𝚒𝚐𝚎𝚜𝚝𝚊 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚚𝚞𝚎𝚖 𝚊 𝚎𝚗𝚐𝚘𝚕𝚎, 𝚐𝚒𝚎𝚜𝚝𝚊 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚚𝚞𝚎𝚖 𝚊𝚖𝚊𝚛𝚎𝚕𝚘𝚜 𝚗𝚊̃𝚘 𝚐𝚘𝚕𝚎 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚒𝚐𝚎𝚛𝚎 𝚍𝚎 𝚝𝚊̃𝚘 𝚍𝚒𝚐𝚎𝚛𝚒𝚍𝚘𝚜 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛𝚎𝚖. 𝙰𝚕𝚊𝚋𝚊𝚜𝚝𝚛𝚒𝚗𝚊𝚜 𝚜𝚊̃𝚜 𝚍𝚊𝚜 𝚊𝚕𝚟𝚘𝚛𝚊𝚍𝚊𝚜, 𝚊𝚕𝚊𝚍𝚊𝚜 𝚍𝚘𝚜 𝚘𝚕𝚑𝚊𝚛𝚎𝚜 𝚝𝚘𝚛𝚙𝚎𝚜 𝚙𝚛𝚊́𝚜 𝚖𝚎𝚗𝚒𝚗𝚊𝚜. 𝙷𝚒𝚍𝚛𝚊𝚝𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚍𝚎 𝚑𝚒𝚍𝚛𝚊𝚝𝚊𝚍𝚘 𝚗𝚊̃𝚘 𝚝𝚎𝚖 𝚍𝚊𝚍𝚘, 𝚗𝚎𝚖 𝚗𝚊𝚍𝚊! 𝙿𝚘𝚛𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚘𝚛 𝚎𝚕𝚎 𝚖𝚎 𝚚𝚞𝚎𝚒𝚖𝚘? 𝙿𝚘𝚛𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚘𝚛 𝚎𝚕𝚎 𝚖𝚎 𝚖𝚊𝚝𝚘? 𝙾 𝚚𝚞𝚎 𝚜𝚘𝚒𝚜 𝚟𝚘́𝚜? 𝙿𝚘𝚛𝚚𝚞𝚎 𝚜𝚘𝚒𝚜 𝚎𝚞? 𝚃𝚊̃𝚘 𝚎𝚞, 𝚚𝚞𝚎 𝚘 𝚜𝚎𝚛 𝚗𝚊̃𝚘 𝚎́ 𝚜𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚊𝚌𝚝𝚘! 𝚃𝚊̃𝚘 𝚎𝚞, 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚃𝚒𝚖𝚘́𝚝𝚎𝚘 𝚌𝚛𝚎̂ 𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚍𝚘𝚜 𝚃𝚎𝚞𝚜 𝚛𝚎𝚒𝚗𝚘𝚜 𝚜𝚎 𝚟𝚎̂. 𝚃𝚊̃𝚘 𝚎𝚞, 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚝𝚞, 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚊𝚝𝚘𝚜, 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚊 𝚜𝚘𝚒𝚜 𝚟𝚘́𝚜… 𝚎𝚗𝚝𝚛𝚎 𝚗𝚘́𝚜! 𝚀𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘𝚜 𝚌𝚛𝚎𝚜𝚌𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚎𝚖 𝚌𝚘𝚛𝚊𝚌̧𝚊̃𝚘? 𝚀𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘𝚜 𝚍𝚊 𝚟𝚒𝚍𝚊 𝚙𝚎𝚛𝚍𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚘𝚜 𝚘𝚕𝚑𝚊𝚛𝚎𝚜 𝚙𝚞𝚝𝚛𝚎𝚏𝚊𝚌𝚝𝚘𝚜, 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚎𝚛𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚎𝚖 𝚘́𝚍𝚒𝚘 𝚎 𝚜𝚎𝚖 𝚛𝚊𝚣𝚊̃𝚘? 𝙾 𝚙𝚊𝚕𝚌𝚘 𝚎́ 𝚜𝚘́ 𝚞𝚖 𝚙𝚊𝚕𝚌𝚘! 𝙾 𝚊𝚝𝚘𝚛 𝚎́ 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚊 𝚍𝚘𝚛 𝚎 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚘 𝚊𝚖𝚘𝚛 𝚚𝚞𝚎 𝚍𝚎𝚕𝚎 𝚚𝚞𝚒𝚜𝚎𝚛𝚎𝚖! 𝙾 𝚙𝚘𝚎𝚝𝚊 𝚎́ 𝚞𝚖 𝚏𝚒𝚗𝚐𝚒𝚍𝚘𝚛, 𝚞𝚖 𝚑𝚘𝚖𝚎𝚖 𝚖𝚘𝚛𝚝𝚘, 𝚍𝚎 𝚕𝚒𝚜𝚘 𝚎𝚋𝚞́𝚛𝚗𝚎𝚘, 𝚗𝚎𝚖 𝚍𝚎𝚗𝚝𝚎𝚜 𝚍’𝚘𝚒𝚛𝚘 𝚎 𝚘 𝚏𝚊𝚗𝚝𝚊𝚜𝚖𝚊 𝚊 𝚝𝚛𝚊𝚟𝚎 𝚖𝚎𝚜𝚝𝚛𝚊 𝚍𝚊 𝚐𝚊𝚛𝚐𝚊𝚗𝚝𝚊 𝚖𝚊𝚎𝚜𝚝𝚛𝚊 𝚚𝚞𝚎 𝚊𝚐𝚞𝚊𝚛𝚍𝚊 𝚊 𝚟𝚘𝚣 𝚍𝚊 𝚋𝚊𝚗𝚌𝚊𝚛𝚛𝚘𝚝𝚊, 𝚎𝚜𝚜𝚊 𝚜𝚘𝚖𝚋𝚛𝚊 𝚍𝚎 𝚍𝚎𝚜𝚎𝚗𝚐𝚊𝚗𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚏𝚊𝚣 𝚌𝚊𝚒𝚛 𝚘 𝚙𝚊𝚗𝚘, 𝚍𝚎 𝚚𝚞𝚎 𝚜𝚎 𝚝𝚛𝚊𝚓𝚊... 𝚘 𝚂𝚎𝚛 𝙷𝚞𝚖𝚊𝚗𝚘!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: coração fantasma

⁠𝗥𝗼𝘀𝗮 𝗱𝗲 𝗚𝗮𝗹𝗮

Há um gigante na sala
Que o separa, contudo, do fim.
Há um carimbo que não cala,
Que embala um pedaço de mim.
Houve dias em que um disse: 
Enquanto o outro fala,
Falta um pedaço de mim!
Há um gigante na sala! 

Enquanto o gigante não cabe,
Pensa o outro que fala.
Cismático de tudo o que sabe,
Vê um flamingo rosa de gala.

Dança o gigante na sala.
Imagina o seu semblante,
Pensa-se flamingo de gala,
Chora de cisma constante.

Há um gigante na sala! 
Há um gigante na sala!

Que se diz flamingo de gala.
Enquanto na verosimilhança do ser,
O flamingo voa até ao vulcânico da vala
E gigante encerra o seu entristecer.

Ao mesmo tempo que o flamingo voa, 
Nas torrentes do viver,
O gigante vai lá à toa,
No cerrado do entristecer.

Há um gigante que voa!
Há um gigante que voa!
Há flamingos a dançar à toa!
Há flamingos a dançar à toa!
Há uma voz que soa!
Há uma voz que soa!
Nas velas das maravilhas celestiais do universo, de poupa à proa!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: flamingos maravilhas

⁠ᕈOṈΓO DE ҒUGΔ
A minha objetiva sobre o mundo...
É a do agora.
E agora sou tudo o que me rodeia.
Enquanto vejo o que me rodeia,
A minha consciência rasa,
Extravasa,
Rasga,
E a minha recompensa
Não me é mais recompensada!
A meia-vida não se atinge
E a dose mínima,
É SUB dosada!
- Porque te cinges resignada?
Enquanto não atinjo respostas,
A recompensa jamais será recompensada.
A forma fora de estado,
Transforma-se num gume fino,
Para aqueles que odeiam estar em nenhum lado.
O gume fino não se coíbe,
Do que lhe cabe,
Da pressão que sabe,
Nem do sabor que vive!
A voz não diz!
Vive muda nesse estado.
O gume fino,
Aproveita deste lado,
Para esventrar o ego e tudo o que o vicia.
Atravessa a dura-máter
E acontece algo que eu não queria!
Leva-me o escalpe para servir de assas
E faz voar a fantasia.
Perspetiva renascentista,
Na tábua rasa,
Sem locomotiva que lhe resista!
Sou o humano a olhar para mim.
Nádir chamado pelo zénite.
Equinócio de outono enquanto o dia chega ao fim.
Sobrado plano sem louvor,
Derramado no ofuscante branco,
Sem vida nem amor.
Milmiun, onde um braço estendido e forte,
Aguarda pela minha sangrenta morte.
Explosão de plasma,
Luz que pasma,
Ao som da escuridão!
Lírico poético, quê cético,
De uma morte perpetrada sem razão.
Faço uma viagem ao contrário,
Vejo a granulometria da areia
E atravesso o ferro do pilar pra meu calvário!
A gravilha da estrada,
Outrora calcário sedimentado,
Mora agora no sobrado,
E nas fistulas do betão curado.
E eu só...
Sem que alguém tenha dó,
Sinto-me purgado.
Dos males de mim!
Dos bens de mim!
Tal como o malmequer depois de desfolhado.
Sou despido de tudo o que me rodeia.
Ser humano sem sentimento... desnudado.
Fotão de luz em busca do passado.
Vejo partir o que me rodeia.
Das pétalas sou afastado!
Livre do pecado e da maldade,
Sinto que a vizinha de cima,
Não me viu passar, ainda assim sei
Que lhe perturbei o fumo exalado.
Que lhe apaguei o cigarro,
Que ela ainda não tinha acabado!
Vou deixando este mundo,
Pra viver num mergulho profundo!
Agora que não sinto,
Nem o mundo é só o que me rodeia.
Já não são apenas as paredes do meu quarto,
Nem o enxergão de palha em que me deito farto!
Deixo de ver o segundo
E nesta vista altiva,
Sou a perspetiva estendida,
Sou o corpo de massa zero,
Mínimo, mero, não mais tenho o que quero.
Vejo tudo o que temi!
Vejo tudo o que um dia vivi!
Vejo o elefante morto!
Vejo o homem que o matou!
Vejo a indignação de quem o viu morrer!
Vejo quantos o julgaram!
Mas já não vejo maldade.
E quanto mais longe estou,
Menos vejo a desigualdade.
Não mais sinto o desejo,
De mudar a realidade.
Viajo na espiral do vácuo,
Sem que o meu sangue entre em ebulição.
Sei que ele ficou derramado no sobrado,
Onde já não estou, onde de tão longe nem vejo.
Mas não deixo de sentir a sensação,
Do cordão que me liga à Mãe,
Que dança em orbita com o gigante Pai...
Uma valsa equante!
Da qual eu sou cada vez mais longe...
Menos cavalgante…
Mais distante…
Mas não de pensar.
Ainda há existência em mim!
Ainda há um subconsciente no vácuo sem fim!
Só não sinto mais as fronteiras que nos protegem,
Nem sentimentos de ódio de quem mal me quer.
Não deixo de amar todos aqueles que nos regem,
Os iguais a eu...
Continuo a sentir o púlpito de vida!
A cultura!
Inflação!
A subida!
O bordão!
Porque não sei pra onde vou...
Porque não sei onde estou, nem o que diga!
Continuo a crer na menina escura.
Brilhantes iris sem deferente no oposto equante,
No Ser Humano sem agrura.
Continuo a crer!...
Que não há Humanidade sem transumância,
Que não há bom nem mal,
Nem mundos sem distância.
E daqui do longinco celestial,
Mais perto do zénite,
Do escuro do dia que chega ao fim,
Perto do ofuscante branco
E do braço forte que espera por mim,
Recordo as palavras do épico.
Pragmático poético também ele.
"quê cético"
Longe da jornada de onde eu vim
TU és o outro universo, verso do inverso
dentro do verso que há mim!
And I see the "Pale Blue Dot"

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

⁠𝙄 𝘿𝙤𝙣'𝙩 𝘾𝙖𝙧𝙚!
𝙄𝙛 𝙔𝙤𝙪 𝘿𝙖𝙧𝙚!
Quanto aquele dia de sol...
Quanto aquele si bemol...
Quanto à razão de viver...
Quanto ao doer por saber,
Se serei o que sou contigo.
Uma trégua pro castigo,
Outrora meninice,
De um tal e qual quanto sei,
Se é que alguma vez pensei no que te disse...
Ou se na verdade precisarei,
Do gramado verde e da tolice.
Tal e qual como preciso agora,
Do teu olhar de meninice.
Ver naquilo que pensei
Não sabendo se me lembro no que algum dia eu te disse!
Enquanto penso se a verdade é ser só dois,
Rogo ao senhor da poltrona lá sentado,
Que me devolva a puerícia.
Com a magia do bater do seu cajado,
Rogo um indulto à razão de ser tolice
E dou por ser verdade,
Dou por ser castigo.
Dou a vida à humanidade,
Dou comigo a ser contigo,
Dou comigo a ser julgado.
Luto por ti com um martelo,
Contra a percussão
Do bater de um cajado!
De fronte para o ver:
Quantos de nós crescemos,
De costas viradas para o espelho?
Quantos de nós nos tememos,
Ao querer vermo-nos livres de vãos concelhos?
Sem vísceras que sobrassem,
Nem cargas que suportassem o arriar dos joelhos.
Enquanto no reduto forte de um chão,
Se esparramava um diamante em bruto...
Enquanto nas lezírias solitárias de um colchão,
Se esparramava a esperança em luto...
Enquanto no taciturno da solidão,
Se esparramava um pranto enxuto...
Enquanto outro bater de um outro coração,
Se dava ao luxo de subjugar estatuto!
Uma outra razão,
Sem razões pra dissabor,
Desconhecendo seu amor,
Recruto de pulsões,
Com medo e vergonha...
De ser chão,
De ser forte,
De ser reduto.
Absurdo!
Absoluto!
E nisto...
A flor de laranjeira,
Dá seu fruto.
Dá seu grito ao tempo!
Dá seu tronco,
Ao calor de uma lareira
E lugar...
À Romãzeira!
A Romãzeira cresce ser saber,
Que aquele lugar,
Já deu fruto.
Que naquele lugar,
Já teve luto
E que também ela um dia dará flor,
Cor de laranja!
O tempo,
Lugar ao fruto
E enquanto a gente que passa esquece,
O fruto aquece.
Fende
E revela-se por dentro ao espelho.
Seu escarlate vermelho,
Pende... sobre o gramado verde
E parece tudo uma tolice,
Daquelas que eu um dia disse
E aparecem risos e sorrisos,
Das lezírias caudais
E alegrias causais
Daqueles sentimentos,
Tamanhos tais!
And i don't care,
I won't care,
Fruto, flor e laranjeira,
É tudo arguto da mesma mulher!
If you dare!
I will care!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

⁠𝗨𝗻𝗰𝗹𝗲 𝗦𝗮𝗺
Ladrilhos é o que vejo!
Ladrilhos é o que ouço!
É o que telinta e parte.
Ladrilhos negros,
Cuja rachadura é arte.
Ladrilhos de cerâmica fina!
Ladrilhos frios na pele quente!
Em mil pedaços ágeis.
Ladrilhos negros...
Porte fino de gumes hábeis.
Ladrilhos em camara lenta!
Ladrilhos em retrocesso!
Like a black playback.
Ladrilhos negros...
Hey bro! Come back!
Ladrilhos que fazem estrilhos
Hey King! Come back!
Do you saw that?!
Do you saw that, King?!
Estilhaços humanos,
A força de cassetete,
Na vós do incólume,
Com quem ninguém sem mete.
Put him in a bunker, just forever!
Daqui não sou nada.
Daqui pouco vejo.
Daqui pouco luto.
Daqui parece piada.
Daqui parece gracejo.
Daqui nem sequer imputo.
(Hey George! Watch that!)
Ladrilhos é o que vejo!
Ladrilhos é o que ouço!
É onde carimba o lacre.
Ladrilhos brancos,
De quem regorjeia o fraque.
Ladrilhos da mais alta costura!
Ladrilhos frios na casa do tirano!
E é tudo um saque,
No pavimento humano!
Tiquetaque ao roque,
No xadrez Republicano
E o peão é que "sufoque"!
Ladrilhos mil onde governa o senil
Ladrilhos que fazem estrago
Na consternação do senado
Forty-One Uncle Sam
Forty-One Finger Points to
Fifty States
For you Unite
Fifty States that open the heaven gates
To George Floyd’s!
There will be a big basketball hoop.
He will enjoy...
And beautiful field.
Forever, and ever!
George Floyd’s fly!
Fly George Floyd’s

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

Amarelo Rua a Baixo

Não foi fácil saber quais.
Amarelos que nem usas mais!
Nem descer aquela rua.
Alegre como o campo que não lá havia.
Fôramos apedrejados nesse dia.
Naquele frio,
Que ninguém tinha como nós,
Nem a nossa voz dizia ter sentido.
Mas as gotas do teu cabelo...
Essas sim!
Eram o "mim",
O pouco de ti,
O tudo dos teus e o nada,
Dos empertigados.
(nada que eu quisesse, pelo menos)
No dia em que fomos vistos a passar naquela rua,
Já nos conheciam,
Já lá haviam jardineiros,
Varredores rua a baixo...
Rua a cima!
E os porteiros do Jardim Botânico que nos viam
E os motoqueiros da Telepizza que nos deram!
Mas nesse dia era dia de Janeiro.
Não! Espera!
Era o dia que nos dera, como se fosse o ano inteiro!
Mas chegámos lá.
Ah!... Se chegámos lá, menina dos oníricos amarelos.
Lá a uma estrada,
A um rego de água
E a um caminho âmbar.
E lá alguém passava caminhando menos belo.
Sabendo tudo,
Não querendo dizer nada,
Mas alguém que passava disse:
- Deus vou ajude!
- Deus vou ajude meus filhos!
E ajudou tia!
Ajudou tia!
Tanto que sempre serei a forma da ponta do seu cajado!
Quanto a ti...
Não sei de ti nem pra onde foste!
Apenas deixaste os ganchos do teu cabelo
E a minha gaveta desarrumada.
A saudade da seda molhada
E da gota.
Garota, garota, garota!
É o que vejo agora na refracção da gota!
Três pontinhos.
Não chegam, garota!
Não chegam para cozer a ferida de felicidade,
Exposta pelo teu bisturi... na verdade.
Quando foi o teu estaladiço odor escarlate para depois?
Quando foi?
Quando foi a ferida sangrada pelas danças nocturnas dos dois?
Quando foi?
Pela foz do cais.
Pela voz do Rui.
Pela pedras marginais.
Pelo Porto sem sentido.
Pela cascata de mãos dadas,
No eco das Arrábidas!
Gritos felizes...
Berros no bruto pra escutar no ouvido.
Agora o Cronos,
Olha para o dia da ferida,
Para o depois da felicidade,
Para a parede fria... prá nostalgia
E vê-te a ti, garota,
Vê o teu bisturi,
Vê o corte de felicidade,
O desnorte
E os teus tais três pontos de Saudade!
Saudade, saudade, saudade de ti, garota!
Saudade dos amarelos que não usas mais.

e nada mais é
se não arte
uma bica
e um fim de tarde
em Marte

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

Menina das Cordas

Cavalgando de adorno a fantasia,
Tal como humano, a folha ao vento.
Sendo o tempo e a memória que não queria.
Puro nó bebendo da claridade
E da epístola, sendo ombros da excentricidade.
Curador de poucas verdades,
Sobeja pra ti os olhos e os tons das vossas bondades.
Clama os reinos e as tábulas, que flutuam hoje nas águas.
Rio de lágrimas, onde todas sois vós vossas majestades.

Deslumbrada e adornada a fantasia,
Plana, como voa o albatroz, pelas plumas da maresia,
Rumo ao mar e ao horizonte da voz,
Onde o clamor do por do sol,
Mergulha sobre a silhueta, doce mel,
Contornando de oiro os tons da tua pele.
Menina, das curvas e dos meus horizontes!
Se eu me apaixonar sem desdém,
Será pelo radiante azul do teu olhar
E pelo que advém, do teu sonhar!

Flauta de cordas e do acordar, fio de cerol.
Medida de pena, grandeza de mol.
Vossas majestades, perdoa de mim minhas verdades.
De fronte, vejo teus doces cabelos de oiro,
Encobrindo os ombros da excentricidade.
Coroa Elfos e cavaleiros de vossas majestade
Mãe terra, tua vida concebida sem pecado.
Chora rios, chora mares, chora alarvidade
Chora se de novo voltares, a parir humanidade!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: menina cordas

200mg de Apatheia

No paradoxo das minhas visões,
Entre a fantasia e a realidade,
Não há, nem afirmações,
Nem abraços, na verdade!
Só há nós que se dão nos laços,
À força de algumas vontades.

Quinquagésima mecânica do amor,
Onde há falta de abraços, dor...
Onde há águas de amassos, cor...
Onde há verdejantes regaços,
Mil maravilhas espectrais... flor!...

Se algum um dia eu te quiser dizer
O quão foi importante viver,
Desfeito no bordo da boca,
Derramado ao cabo acabado.
Águas, lágrimas e gota,
Nos braços de quem eu devia ter chorado;

Quão importante a chuva,
cair em terra seca?
- Uva!
Quão importantes os nós,
desfeitos na garganta?
- Quanta!
Quão importante eu,
ser desafio?
- Bio!
Quão importante o barro,
desfeito em cacos?
- Fracos!

Se sou na liga das teias,
Feito de más ideias.
Se outra sorte tu me desses,
Não haveriam caras feias.
Nem liga que me fizessem,
Para que eu tivesse ideias.

Por isso morro por um abraço,
Desfaço-me em mil do laço.
Filho da pouca importância,
Entre si e o seu regaço.
Vivo só em mim, sorvo da distancia!
Vivo à luz do sobreviver
Entre o dia que me deu berro
E a noite em que o berro morrer!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: apatheia paradoxo

Turvo Sentido

Quando nos azuis astrais das águas geladas,
O coração não for mais o cavalgar do corcel,
Serei eu nas lágrimas das amenas cavalgadas,
Navarca na luta com a fantasia, ou na rua, menestrel.

Enquanto uns entretêm,
Outros lhes dão sentido.
Muitos riem!
Enquanto os mesmos lhes dão ouvido,
Monocórdico gemido na noite esguia,
Eu no escuro sonho com uma luz que brilha.
Luto ao som da trovoada em noite fria.

Se eu ao menos tivesse sido pardal de gente,
Erigido na mente, renascido diamante do bruto,
Não tragaria de mim constante que se lamente.
Não faria da noite dia, nem da esquiva morte, luto!

Filho do cravo mudo
E da espingarda silente.
De que muitos riem!
Enquanto outros lhe dão com tudo.
Decibel de incertezas turvas no brilho do escuro.
Capitel donde assisto à peça humana no teatro mudo.
E é tudo um drama, onde nada gruda em dia de entrudo!

Enquanto a geada não cresta o fundamentalismo besta,
O arrebatar de um sino toca o feudal preço do cinismo.
Sonho com o fluido escuro que entra por uma fresta,
Sou eu a humanidade que não presta... a sonhar que cismo!

Enquanto o amor for tudo
E tudo o que amei só:
Ridículos riem;
Poucos terão dó!...
E a poucos eu direi,
O quanto eu amei só!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: turvo sentido

𝑶𝒏𝒐𝒎𝒂𝒕𝒐𝒑𝒆𝒊𝒂 𝒅𝒐𝒔 𝑺𝒆𝒏𝒕𝒊𝒅𝒐𝒔

Pele com pele, na pele._________𝗖𝗿𝗿𝗿!
Mel na pele te barro,___________𝗖𝗿𝗿𝗿!
Tua melanina tom pastel,_______𝗪𝗼𝘄!
Nu, minha pele te narro!________𝗕𝗹𝗮́!
Digo-te ao pé do ouvido,________𝗠𝗶𝗮𝘂!
Escrito em papel papiro,________𝗖𝗿𝗿𝗿!
Travesso lascivo deliro,_________𝗡𝗵𝗮𝗰!
Pele de clitoria ternatea,________𝗥𝗼𝗻𝗿𝗼𝗺!
Clímax, libido trago fluido._______𝗔𝗮𝗮𝗵!
Pele com pele, esse sabor a mel..._𝗣𝗮́𝘀!
Esse nosso fel... esse teu abrigo!__𝗛𝘂𝗺!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: lascivo clitoria

Onde Jaz a Borra Fria

Vou fazer um mau negócio,
Mas ainda assim vou fazer
E não sei porquê, é contra o ócio.
Vou pegar na caneca
De café frio de ontem
Que deixei por beber.
Tiro da lapela cem por conter,
Mais um comprimido pra me erguer,
Pra aumentar a dócil doze
Do meu amargo pró renascer.

Vou contra-indicar a indicação
Do concelho médico e a merda de ética.
Aproveitar a deontologia da vida,
Rasgar em mil a bula,
Só para não ter saída.
O traço de ilusão, desfaço
Em pó sem dó nem contemplação.
Vou senti-lo no meu coração,
Bater de mentira e fantasia.
Vou sobrevoar sobre este dia
E o tempo irá pairar sobre mim.

Jogar do bordo da mente que apavora,
Atestado de alucinação.
Arritmia da chuva fria que cai lá fora,
Que cai como lamina na minha audição.
Da guilhotina destravada
Pelo carrasco do desgosto,
Sem saber que ceifa
Do mundo uma alma pelo pescoço.

O beneplácito da justa injustiça...
Pior não é ser mista, é ser zarolha.
O pior é que a cabeça é roliça
E rola o mundo e a visão da vista.
Minhas mãos atadas no grilhão,
Ainda podem sufocar o carrasco,
Só não podem dar mais ao cão,
Um ensanguentado osso
Nem à mulher aquele libido desgosto.

Findo posto, crânio rola
E tudo vejo, tudo sou e me consola.
A cada amasso que levo, tombo.
Crânio estala, escalpe hematoma.
Sinto tudo, parece ate ter visto um pombo!
Mas estalar-se-me um dentre no duro
Paralelepípedo negro de granito.
De tão sarcasmo escarrado que foi,
Não me sinto mal nem aflito.
Só sei que estou para aqui
Olhando para um lado nenhum,
Como quem deita na relva enamorado.

Ainda que corpo já não tenha,
Mesmo assim ninguém me apanha.
Pelos vistos já não estou nem sou,
Sou só coisa pendida com é leve a teia de aranha.
Ai que manha, esta vida!
De invólucro tão comprimida,
Como pra culatra do revolver
Num ápice envolve alma aturdida.

Carrasco por onde andas?
Quero para mim esse capuz preto!
Pois da minha alma é certo
Que ando aqui porque vegeto.
Carrasco... Responde!...
Ou tenho que esbracejar?
E se o faço... sou lagarto a quem cortaste o rabo.
Mais tarde ou mais cedo vou-te apanhar.
Esbracejo, esbracejo, bocejo...
E vejo parede por todo lado.
É que é uma merda de um cubículo
Onde tenho esbracejado.

Tenho quatro paredes abstractas,
Vê lá tu como te tratas.
Que do carrasco precisaste,
Ca porra do amor arrastasse,
Para este findo dia à falta de ética.
Já não mais me faz companhia.
Pois minha alma se repleta,
Da caneca de outro dia onde jaz a borra fria.
Ficou alguma coisa por dizer ao carrasco?
Aguarda que uma borrasca de água se faça,
Tira da lapela mais cem por conter.
Na ética do carrasco há um capuz preto
E na deontologia, lâmina que faz chover!

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: lâmina porra

Escárnio

Por estar fronteiro olho voltado,
Finjo não ver jocoso enfastiado,
Galanteios vindos de dois lustres,
Às minhas madrugadas ilustres.

Atalhar meu perplexo tagarela,
Tácito oco escudado da janela.
Delas faço vénias suas puerícias,
São incautas naturas vãs carícias.

De nereidas trajadas ousam ensaiar
O meu fronteiro voltado pro mar.
Sou injusto inauguro cem na vida.
Nereu em turba vulga nereida garrida.

Árduas por mim velejaram tal a afã,
Que vísceras trópicas alastram piã.
Sujeiras imperativas vossa libido eros,
Que importa a mim se um e um é zeros.

A sobeja supera excedente mínimo,
Em vós Minerva admiro o acrónimo.
Apego-me ao asco julgo-o plagas vossas,
Nós nobres patrícios gozamos das nossas.

Pobre idílio meu não evoca sufrágios,
Só verde salpicando de tardo adágios.
Quotidiano rural que de cabal não cabe,
Mito de Zeus sem ética de que se gabe.

Vivo coral sou de espelhos que te espelhas.
Mãe de Braga por um canudo vê fedelhas,
Na pátria retórica trovam outras histórias,
Bem-ditos dizeres que de vós faz simplórias.

Do quotidiano sepulcro jazo vivo e a andar.
Desde que li gregório suco puro quis vomitar.
Brando digo lado-a-lado com o inimigo,
Estarei eu exacto limitado lobrigado comigo?

Cã minha cariada lucidez não é com certeza
De omnisciente, nem exórdio olhar de clareza.
Não há curso que me diga nem polpa que toste
O tártaro cuspo obliquo pra que não mire hoste,

Na verdade, não estou fronteiro, não olho voltado.
Púlpito verdades eloquentes temo não ser tocado,
Temo demasiadas barreiras sou homem galego,
Dúbio de mim, estimo que não instiguem mais degredo.

Quando me intitulei ser sabendo da sensibilidade,
Não esperei despudor nem ambíguo de humanidade.
Curso rio da mesma veia que em vós algoz se ateia.
Orgulho-me de vis incubada ser mãe de mim e não freira.

Se sou nada e ao nada reduzido estou vou ser bicho.
Não porque mo disseram, mas porque bicho vive no lixo.
Sou sentida hipérbole de mim ser humano em auxese,
Coo o estranho sem maldade fico aturdido com lustres.

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: escárnio sufrágios

Fogo-fáuto

Como eu queria ser o desumano vagabundo a sobrevoar sem norte, sem medo, o mundo.
À sorte o meu lugar de não saber se atravesso o ser da pedra que sou e desmereço,
Barão fino puro o traço da goela ao laço, dádivas, duro dizeres trovas e apanhares sovas.
Do desgosto que foi do outro morte só por selo, trovador e fogo posto, finado em fim de Agosto,
Que do meu jazido brotem noites de fogo-fáuto que eu o verei de azul do alto,
Desde que sobrevoe o mundo desumano e vagabundo, deixem-me pérfido morar no fundo.
Pela minha cadaverina fecundo o solo onde amarei de novo, serei broto, povo e Papaverina
E ao meu lugar vou ousar ser bela sem que ninguém me atropele... ali irei ser flor a brotar.
Hei-de ser pelas mãos de quem amar deslumbrando de mim e do o meu encanto.
Nada posso contra o querer, sou de novo vagabundo, sobrevoo sem medo nem norte o mundo
Não vejo mar nem o azul do fundo, vejo purpura, cor de encanto e de novo morro pro mais belo acordar.

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: fogo-fáuto papaverina

Viva Lá Vita

O valor da minha vida é um peso desconhecido,
Da minha própria não meço pois sei o que é ter que a ter sido,
Que a vida vale o valor do amor e o preço de o ter vivido,
Vale a minha dor pelas amostras que te dei depois de ser esquecido.

Mas ouvi dizer da vida que pelo cano se mata.
Que pelo desengano o cravo vermelho vaia o tirado.
Tirano a quem o diabo passou rasteira à força da chibata
Lhe foi finda a vida à cabeçada, caído da cadeira forrada de napa.

Oh vida quanto valor tendes
Pra chuva que do vapor pendes?
Oh vida quanto valor tendes
Pro vento e para as palavras que trago cá dentro?
Oh vida quanto valor tendes
Pra luz que auguro tirar-nos do escuro?
Oh vida quanto valor tendes
Pra flor que de ti ceifo e ofereço ao meu amor?

Produto da equação sem diferença nem matemática,
É o grito do Ser que faz estremecer toda a galáxia.
Pergunta errante a quem navegou miríade de anos luz.
Vida que me seduz a ilusão de criar unidade de medida,
Deslumbro a aurora sei que vivo num núcleo sem saída.
Esfera do mundo onde tu vida deixaste por todos os lugares,
Aurora boreal centelha nuclear que separas a morte do imaginar.
Vida, fractal infinito que redopia no tecido espacial,
Viver que me permite falar de ti mesma e ao mesmo tempo ser
A mim próprio digo aquilo que não podia dizer sem viver.

Foi chuva que me deu a parra da uva e o vinho.
A vontade de ser eu a redopiar sozinho,
Pelas ruas do pender à sorte de tostão ter,
Que me fez ver o quanto a vida podia valer.

Foi vento que me segurou na estrada do verter,
Atento e sem contratempo à sorte do escolher,
Se as palavras que trago cá dentro são morte
Ou escritas frases que ditam as alegorias do viver.

Foi luz que trouxe a mente da outra ponta norte,
Que me ofereceu a mais humilde água-forte,
Que guardo para não desvanecer do por do sol,
Porque a vida é maior valida se for a ver o sol nascer.

Foi flor que ainda vive nas veias do meu amor,
Que ceifei da vida pro saber como dar valor à minha dor.
Orquídea, antúrio, cravina, gerbera ou girassol,
Vida é deixar florir a flor onde se alimentará o caracol.

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira

Encrespado Aureolo

Bloco de vida coisa que é dura.
Costura de agulha sem ter saída.
Nó de tristeza, embelezas a natureza,
Agarras-te aos vãos das manhãs,
Pois tecidos te envolvem a beleza.

És o ar rarefeito no meu peito,
Sabor a café e saliva que rejeito.
Musa toda assim delicado deleito,
És quem os meu olhos saboreiam,
Pele quente que ferve como efeito.

De leve suspeitas da mocidade,
Sinto encrespado aureolo que sabe,
Ao toque do lábio seco de inverdade.
A tensão sobe para mil sem fim
E eu no teu ventre afundo de mim.

Minha morte lenta meu medo cerrado,
Onde me enrolo, me excedo, me advenho.
Meu respirar venta no teu corpo molhado
E a cadência do teu coração tenta,
Percutir o auscultar do teu afago.

Que é ser só breve este momento,
Não pequei ao tragar-te o rebento.
Em ti eu sou a ternura do castigo,
O som que salivo e estremece por dentro,
O intimo ardor que partilho contigo.

Tragarei de ti inacabados amanheceres,
Tal como a agulha costura os doces plangentes,
Que a tua natureza pura de incastos prazeres,
Debita em mim dos teus segredos vigentes,
Que curo com a dura doçura de a mim tu te cederes.

Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Tags: encrespado aureolo