Clarice Lispector (1920-1977) foi uma grande contista, cronista e escritora brasileira. Nascida na Ucrânia, ela veio com a família para o Brasil ainda criança. Começou a escrever aos 10 anos e, aos 22, publicou seu primeiro livro: Perto do coração selvagem.

Com uma escrita singular, Clarice se tornou uma das mais importantes escritoras do Brasil. Ela também é bastante popular na internet, presente em diversos textos e postagens nas redes sociais. Porém, muitos pensamentos atribuídos a Clarice não pertencem de fato à escritora.

Veja a seguir alguns pensamentos que são mesmo de Clarice Lispector e outros famosos incorretamente atribuídos a ela.

Pensamentos que são mesmo de Clarice Lispector

Se eu não me amar estarei perdida – porque ninguém me ama a ponto de ser eu, de me ser.

Se eu não me amar estarei perdida – porque ninguém me ama a ponto de ser eu, de me ser.

Bibliografia: Um sopro de vida (Pulsações). Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele.

Bibliografia: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais.

Bibliografia: Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

Bibliografia: Água Viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica O que eu queria ter sido.

Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Bibliografia: A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica As três experiências.

Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.

Bibliografia: Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.

Bibliografia: A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Esta noite – é difícil te explicar – esta noite sonhei que estava sonhando. Será que depois da morte é assim? O sonho de um sonho de um sonho?

Bibliografia: Água Viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo.

Nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica As três experiências.

Mau é não viver, só isso. Morrer já é outra coisa. Morrer é diferente do bom e do mau.

Bibliografia: Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

É preciso que você reze por mim. Ando desnorteada, sem compreender o que me acontece e sobretudo o que não me acontece.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Mário Quintana e sua admiradora.

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.

Bibliografia: A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nem em tudo eu quero pegar. Às vezes quero apenas tocar. Depois o que toco às vezes floresce e os outros podem pegar com as duas mãos.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho do crônica Delicadeza.

Viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte.

Viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte.

Bibliografia: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Eu tive que pagar a minha dívida de alegria a um mundo que tantas vezes me foi hostil.

Bibliografia: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem.

Bibliografia: A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Tudo o que dá certo é normal. O estranho é a luta que se é obrigado a travar para obter o que simplesmente seria o normal.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Os prazeres de uma vida normal.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Bibliografia: MONTERO, Teresa (org.). Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
Nota: Trecho de carta escrita a Tania Kaufmann, em 6 de janeiro de 1948.

Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.

Bibliografia: A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Declaração de amor.

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.

Bibliografia: A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Sou um coração batendo no mundo.

Sou um coração batendo no mundo.

Bibliografia: Água viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nenhum ser humano me deu jamais a sensação de ser tão totalmente amada como fui amada sem restrições por esse cão.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Bichos (I).

Quando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Escrever.

É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

Bibliografia: A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A realidade precisava da mocinha para ter uma forma.

Bibliografia: A cidade sitiada. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Queria ver se o cinzento de suas palavras conseguia embaçar meus vinte e dois anos e a clara tarde de verão.

Bibliografia: A bela e a fera. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.

Bibliografia: MONTERO, Teresa (org.). Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
Nota: Trecho de carta escrita a Tania Kaufmann, em 6 de janeiro de 1948.

Ter nascido me estragou a saúde.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Crônica Antes era perfeito.

Ser às vezes sangra.

Ser às vezes sangra.

Bibliografia: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Trecho da crônica Eu sei o que é primavera.

Pouco sei sobre o amor. Apenas lembro-me que o temia e o procurava.

Bibliografia: A bela e a fera. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

O mundo me parece uma coisa vasta demais e sem síntese possível.

Nota: Trecho de carta escrita a Tania Kaufmann, em 21 de abril de 1946.

Se eu tivesse que dar um título à minha vida seria: à procura da própria coisa.

Bibliografia: Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nota: Crônica Aproximação gradativa.

Pensamentos famosos atribuídos a Clarice Lispector

Veja a seguir pensamentos atribuídos a escritora de forma incorreta ou sem confirmação de autoria.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar.

Bruna Lombardi

Bibliografia: LOMBARDI, Bruna. O perigo do dragão. Rio de Janeiro: Editora Record. 1984.
Nota: A citação, na verdade, se trata de um trecho modificado do poema Alta Tensão, de Bruna Lombardi.

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

Desconhecido

Nota: Não há fontes que confirmem que o pensamento é de Clarice Lispector.

Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

Edson Marques

Bibliografia: MARQUES, Edson. Mude. São Paulo: Panda Books, 2005.
Nota: Trecho do poema Mude, de Edson Marques, que costuma ser erroneamente atribuído a Clarice Lispector.

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Desconhecido

Bibliografia: RÓNAI, C (Org.) Caiu na rede: Os textos falsos da internet que se tornaram clássicos. Rio de Janeiro: Agir, 2006.
Nota: Trecho do texto Há Momentos, muitas vezes atribuído de forma errônea a Clarice Lispector.

Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.

Ricardo Labatt

Nota: Trecho do texto Rifa-se um Coração, de Ricardo Labatt, muitas vezes erroneamente atribuído a Clarice Lispector.

Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.

Desconhecido

Nota: Não há fontes que confirmem que o pensamento é de Clarice Lispector.

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

Bruna Lombardi

Bibliografia: LOMBARDI, Bruna. O perigo do dragão. Rio de Janeiro: Editora Record. 1984.
Nota: A citação, na verdade, também se trata de um trecho modificado do poema Alta Tensão, de Bruna Lombardi.

No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.

Paulo Roberto Gaefke

Nota: Trecho adaptado do poema O caminho que eu escolhi é o do amor, de Paulo Roberto Gaefke, que costuma ser erroneamente atribuído a Clarice Lispector e ao Padre Fábio de Melo.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.

Desconhecido

Bibliografia: RÓNAI, C (Org.) Caiu na rede: Os textos falsos da internet que se tornaram clássicos. Rio de Janeiro: Agir, 2006.
Nota: Adaptação de uma frase de Adélia Prado, do poema A Criatura. A citação costuma ser atribuída a Clarice Lispector.

Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.

Adélia Prado

Bibliografia: PRADO, Adélia. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.
Nota: Trecho do texto Há Momentos, muitas vezes atribuído de forma errônea a Clarice Lispector.

Eu tenho medos bobos e coragens absurdas.

Tati Bernardi

Nota: O pensamento, na verdade, é de Tati Bernardi. A própria escritora acreditou que a frase era de Clarice Lispector, até que certo dia encontrou a citação no seu computador, em um arquivo de 2005.

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…

Desconhecido

Nota: O popular poema “de trás para frente” pode ter dois tipos de interpretação. Ele muda o sentido quando se lê o texto de baixo para cima, ou seja, começando pela última linha. Ele costuma ser atribuído a Clarice Lispector, mas sua verdadeira autoria é desconhecida.

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