Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
A insônia e suas carcaças..
Os restos podres que ficam largados para trás pelo chão da noite..
Os amontoados de poeira que levantam com o vento e voltam, subitamente, a cair pela estrada, para que aí permaneçam, derradeiros, até a próxima chuva..
Os pedaços da gente que deixamos para ontem, para que residam no passado, para que morram como folhas secas, inúteis - ocres e frias..
A água por aqui é rara
mas o chão tem qualidade
o poder do sorriso sara
sem medir dificuldade
nem sempre uma vida cara
quer dizer felicidade.
A chuva
A chuva que vai descendo
E pelo chão as águas correndo
A imensidão está escurecendo
Como se estivesse anoitecendo
É uma chuva calma
Como uma suave canção
Que enobrece a alma
E entristece o coração
A chuva tão mansa
Como um sorriso de criança
Ou uma antiga canção
Que a tempo trago na lembrança
Enquanto a chuva vai caindo
As flores parecem estar sorrindo
Os pássaros estão cantando
E as pessoas o amor procurando
Terra boa
Na minha terra tem brincadeira
O chão se cobre com algodão
Daquele pé de paineira
Nosso tão amado ... Barão.
Tem penca de criança na árvore
Tem tampão de dedão no chão
Criança virando kibe na areia
Esse é o meu Barão
De mãe pra filhas essa é minha herança
Corre, pula, brinca, chora
Vai levanta, não faz hora
Que eu seja uma eterna criança
Qual o nome da terra?
É aquela que o boi falô
É Barão Geraldo, nasci nela
E a carrego com muito amô!
Esta é uma história sobre quebrar uma maldição... Esse garoto misterioso enterrado no chão, quem no mundo é ele?
Cada pedaço do seu vitral,
Estilhaçado no meu chão,
Lantejoula colorida acidental,
Cintilada num rasto lacerado de paixão,
Cortante vontade corporal,
Sangra meu coração,
Pátria amada
Pátria amada meu país, minha Nação
Esta terra esplanada neste chão
És um lugar muito abençoado
É um lugar sagrado
Sob o céu azul anil
Pátria amada, oh! Brasil!
Aqui o sol nasce tão bonito
O mar é extenso e riquíssimo
Vasto prado pelo chão
Lugar abençoado por Deus nosso senhor!
Pátria amada, óh! Brasil em cor
Verde, amarelo, branco, azul anil
Pátria amada, oh! Brasil!
Povo forte e guerreiro
É o povo brasileiro
Que não foge à labuta
Seguindo firme sua luta
É o sol, é a enchada
É a luta pela estrada
Madrugada é a canção
O verde esplendor na varanda
O ouro na terra fincada
Na fertilidade deste chão
Há tanta riqueza nesta terra
Tantos verdes debruçado além da serra
As luzes das cidades sob o céu se encerra
Haja luta com paz sem guerra
Haja força, coragem e valor
Para está Pátria amada alcançar primor
Oh, terra abençoada por Deus nosso senhor
Cruzamentos
Que estão logo ali,
Cruzam,
No chão tórrido,
Vindas,
Passadas,
Partidas,
Pedaladas,
Aceleradas,
RUA DOS JUDEUS
Pelo chão daquela rua
Passa um trilho de trem.
Casarios bem antigos
A ruela também tem.
Do passado holandês
A sinagoga se fez
Pro judeu rezar amém.
(Homenagem à Rua do Bom Jesus, a antiga Rua dos Judeus, no centro do Recife, onde judeus se estabeleceram durante o domínio holandês em Pernambuco no século XVII).
Sem Rancor
Ela disse:
vamos dar um tempo,
em seguida formou um temporal.
Ele ficou sem chão, sem teto, sem afeto.
Mas o tempo virou:
ela quis voltar.
Então, o tempo mostrou sua peculiaridade.
Ele disse:
só quero sua amizade.
Sou nordestino meu povo
desses que tem pé no chão
cuscuz eu gosto com ovo
café pra mim é com pão
leite só quero da vaca
fruta gostosa é a jaca
e terra boa é o sertão.
Vivo perdido e triste pela estrada,
sem teto, sem chão e sem paz.
Você se arrisca a ser condenada
por abandono de incapaz.
Pra não ser presa por abandono,
ainda existe uma solução:
você resgatar este cão sem dono
e abrigá-lo no seu coração.
Como a vítima estava na sua tutela,
É idosa e nem sabe mais o que faz,
você será condenada a cuidar dela
a vida inteira e um terço a mais.
- Limoeiro
Entrei em minha casa nova
Com muitas caixas no chão
O logo da empresa no uniforme azul
E no custo de todas as minhas ações
O torcedor entrou no estádio portando sua bandeira
O turista penou para suportar o calor no deserto
