Se eu Tivesse Asas
Se eu tivesse vivido na antiguidade seria um daqueles que escreveu a bíblia, talvez... ?
"E quando ouvires o estalar da água no encanamento congelada, não assusta-te. Haverá de ser um sinal profundo de reflexão. Perdoa a baixa temperatura e refletes que seria menos avassaladora que um fogo queimando, daquele que arde sem se ver. Pinguis 29-54"
De repente eu não sinto mais nada.
É como se meu coração tivesse decidido se fechar e ponto. Ele já não aperta, já não bate mais forte ao te ver e sequer faz questão de fazer planos para o dia do seu aniversário. E por mais incrível que pareça eu até tento sentir saudade e falta, mas tudo que ele me diz é que não adianta. Que por mais que eu tente, ele não vai mais tornar-se bagunça por alguém que não me doava gratuitamente a mesma importância.
Que seja ansiedade, que seja medo da entrevista de emprego, que seja pelas fobias sem sentido, que sejam os transtornos que o próprio já tem. Mas ele, o meu coração, não admite que o motivo pelo qual adoeça seja por causa de outra pessoa que comete erros como eu e pode ser tão vulnerável quanto. Ele não admite que seja por você.
Te deixou ir. E talvez você ainda esteja aqui na minha mente, admito. Mas, estranhamente, já não encontro o seu aperto no meu peito. Talvez ele tivesse criado paciência um dia. E agora ela acabou.
É inútil tentar imaginar nossa família agora. É inútil pensar em você na forma de futuro, porque em nenhum momento meu coração diz que é você que vale a pena, que é por você que ele vai abrir as portas, que é em você que confiará o transbordar das minhas alegrias.
Acabou. Demorou, mas acabou. É estranho, repetitivo. Mas realmente acabou. Não há sequer um vislumbre do nosso romance que eu sonhava, não há nenhuma importância excessiva que me faça te ligar na madrugada.
De você, a única coisa que há é a informação de passado, a de que o coração também sabe quando NÃO É PARA SER.
Se eu tivesse tido a chance de visualizar o percurso das minhas opçoes na vida, certamente não teria optado por certos caminhos.
As vezes eu penso que poderíamos ter sido se você não tivesse partido meu coração, talvez poderíamos está felizes agora, mas isso não aconteceu. Uma vez me disseram que quem ama não desiste, isso é a pior mentira do século, quem ama também fecha a porta. Você me magoou tanto, que eu nem sei se algum dia me amou. Pois bem, eu não escrevi isso para que você se sinta culpado por desistir de mim, pelo contrário eu estou escrevendo isso para me liberta de você, nada melhor do que uma poema que você não vai ler né? Eu preciso me liberta desse peso que você deixou em mim, não preciso pensar em mais ninguém além de mim. Podem chamar de egoísmo colocar sua saúde mental em primeiro lugar não é? Eu juro que por muitas vezes eu priorizei você, mas agora é a minha vez.
"Se eu tivesse inimigo... Perverso, eu seria... Aquele que tem inimigo, permite o mal dentro de si... Eu permitiria... Algo a mais em comum, além do ódio... Desprovido de amor... Sementes a compartilhar... Tão podres... Imersas no vazio... Tanta dor... Drama ou terror... Pesada colheita... Apenas uma noite... Com toda maldade desejaria... Que tu sejas eu."
Foi como se a faculdade tivesse mudado completamente, mas quem mudou fui eu. Isso faz sentido? Aquela faculdade fazia parte de mim e ao passar por aqueles corredores eu lembrava de tantas coisas! Lembrei de correr por aqueles corredores saindo bêbada do bar no primeiro ano, de beijar meu namorado ali no segundo ano, de rir alto com minha melhor amiga no terceiro ano. Lembrei do tédio de olhar para aquelas paredes segunda após segunda, estágio após estágio no quarto ano. Por fim, lembrei de passar por ali carregada de livros para fazer o TCC no último ano. Foi uma jornada incrível! Eu queria petrificar cada uma daquelas lembranças em mim para elas não se dissolverem no ar. Queria torná-las cláusulas pétreas!
Uma beleza interior que nos faz repensar
Eu estava tranquila, mesmo que meu medo já tivesse diminuído àquela altura, eu ainda tinha muito medo de avião. Disse que o hábito não passa de uma longa prática e assim consegui domar meus medos.
A melhor solução era entender que a única coisa a ser feita seria ter consciência de minhas atitudes diante do medo. Lembrei-me de nunca me tornar uma pessoa paralisada por meus receios.
A vida moderna nos leva a comer rápido demais, sem mastigar direito e sem saborear a comida, no entanto, eu comia com prazer minhas refeições saudáveis e deliciosas.
O amor basta-se a si mesmo, eu dizia a mim mesma, parafraseado grandes sábios, o meu relacionamento comigo mesma era evolutivo, poucas pessoas têm comportamentos tão equilibrados.
Diante dele eu precisava fazer alguma coisa por mim própria para me sentir bem, precisava de avaliação e reflexão, precisava descobrir quem eu era de verdade, precisava pensar no belo e no sentido da vida.
Eu não conto tudo que sofro, sou o oposto de equilíbrio, combino minha vida em altos e baixos, tenho desinteresse sexual passageiro, sou controladora e estou descontente com o rumo da minha vida.
Aprendi a arte de planejar, o futuro daria conta, um passo de cada vez e eu mudaria. Comecei a por cada coisa em seu lugar, desordem no ambiente, desordem na mente.
Ia ser uma tarefa bem mais complicada do que eu achava, a primeira mudança foi cortar o cabelo Chanel curto e desgrenhado, a segunda mudança foi aprender que eu não precisava mendigar atenção, sufocar o parceiro, me desvalorizar, mas minhas emoções me induziam a isso. O problema era eu.
A amizade entre mim e ele não era igualitária, eu o sugava, mas ele agia com desprendimento e leveza, muitas vezes eu sentava sem pensar em nada, eu amava perder tempo olhando para a imensidão do céu.
Eu fazia meu corpo e minha mente refletirem, tinha atalho para o caminho mais curto que saciava meus anseios. Fechei os olhos, relaxei os músculos, tranquilizei a respiração e agradeci por grande aprendizado.
– É só um amigo – disse Rosie.
Se ela soubesse quantos amigos eu tenho, talvez tivesse se dado conta do grande elogio que havia me feito.
E se eu tivesse falado
E seu eu estivesse por perto
Se tivesse escutado
Se eu não ficasse tão quieto
Hoje só resta saudade
De alguém q não tinha maldade
Do homem que só queria ensinar
Hoje ele não pode me escutar
Perdi tanto tempo e não sei porque
te deixei sozinho sem saber
se eu iria voltar pra você
E me esperando se foi...desculpe...
Se eu tivesse alguém por quem me apaixonar
Eu iria, sem pestanejar
Escreveria poemas ao luar
E nela não iria parar de pensar
Todos ao meu redor diriam para parar
"Ela não é tanto de se admirar
Você é muito intenso e irá se magoar"
Ora, pois eu sei o que é amar
E eu faria sem fraquejar
Se eu tivesse alguém por quem me apaixonar
Escreveria canções pra ela
Tão belas quanto minha doce Cinderella
É como eu iria chamar
Quem eu estivesse a me apaixonar
E ela me diria pra parar
"Desculpe, mas é outro que eu estou buscando conquistar"
E todos ao meu redor diriam
"Não era você quem sabia o que é amar?"
Então, se eu tivesse alguém por quem me apaixonar
Eu deixaria pra lá
Se eu tivesse apenas alguns minutos de vida e se a gente não tivesse perto um do outro, eu gastaria esse tempo falando no telefone com você.
Eu sou intenso assim com você, porque imagino a minha vida como se eu tivesse uma doença terminal. Na qual eu poderia partir a qualquer momento. E por não saber a hora da minha partida, eu uso todo o meu tempo para te fazer feliz.
Minha pequena
Ouve minha pequena...
Eu te falaria de outra coisa
Se outra coisa eu tivesse pra falar,
Mas te falo desse amor
Que não posso mais calar.
Ainda que meu grito ecoe
No silêncio do teu coração vazio
Que não aprendeu a me amar,
Eu nunca deixarei de te amar.
Na tua ausência,
Inventarei um falso riso
Que me esconda o triste choro.
Romperei tormenta e solidão
Em busca de águas tranquilas
De pretéritos pensamentos.
Me abrigarei por algum tempo
Na lembrança do teu último sorriso,
Até que eu me encontre em ti.
Farei de tudo um pouco
Nesse tempo que se chama hoje
Pra que tu ainda venhas a me amar.
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Texto: Eu te amei pelos motivos certos
Eu sempre achei que tivesse te amado pelos motivos certos, e acho que realmente amei.
Eu te amei apesar do teu egoísmo disfarçado, porque quando alguém precisava, você acabava estendendo o braço.
Eu te amei apesar do teu estresse diário, porque quando alguém precisava de um ombro amigo, você prontamente cedia o seu.
Eu te amei apesar dos dias ruins, porque você esteve presente em muitos dos meus.
E eu fiquei, eu fiquei porque valia a pena te amar, eu fiquei porque mesmo quando a paixão estava se esvaindo, o amor se sobrepunha e eu tornava a me apaixonar. E quando não, eu lembrava todos os motivos que me faziam ficar, e eu fiquei.
Eu fiquei apesar das mágoas causadas em meu coração, porque sei que tenho minhas falhas e causei algumas no seu também.
Eu fiquei nos dias em que você virou as costas para mim porque, apesar do achismo que não, existe chances absurdas de eu ter feito o mesmo. Não no sentindo de não nos ajudarmos pois, por incrível que pareça, sempre estivemos ali pela outra nos momentos complicados, ainda que em silêncio.
Eu permaneci todas as vezes que você fez eu me sentir paranóica ou vazia, porque eu sei que nunca estive vazia e, por mais que pareça pouco muitas vezes, sempre guardei o melhor de mim para ti, ainda que isso não fosse suficiente.
É muito difícil permanecer quando o mundo todo grita para seguir, para parar.
É difícil quando todos em volta estão contra, principalmente quando a culpa é única e exclusiva nossa.
É difícil cultivar em solo rochoso, mas ainda assim, sou capaz de florescer por você, porque eu sei que apesar de todos os defeitos, eu te amei pela razão certa, e é isso que vale a pena nos dias ruins.
Se naquele dia eu não tivesse te conhecido tudo seria diferente, eu seria mais pobre, não teria conhecido o amor dos poetas, o amor avassalador. Foi bom conhecer você, eu não mudaria nada naquele momento.
Eu poderia falar todas as línguas faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino (I Coríntios 13:1).
