Ruas
Mulheres. Quem são?
Ando pelas ruas e vejo rostos. Sinto o ar se abster do meu corpo assim como as palavras para descrever tais criaturas inacreditáveis. Não as conheço, mas sei que mesmo que sejam estrangeiras, existe uma língua que é universal para compô-las: Mistério.
O clichê, ninguém é igual a ninguém, criteriosamente aqui se aplica. A uma, o poder do olhar, que petrifica o ar, a outra, as mais lascivas e intrigantes palavras, também há aquela que simplesmente surge, sem gesto e sem palavra e zera, faz renascer todo o seu senso de mundo, e claro, as que ninguém sabe o seu poder, até que no segundo seguinte não se consegue mais achar a saída desse labirinto.
E onde estão os outros seres? Tolos, obcecados tolos. Estes espreitam pelas janelas, se armam atrás de muros, mas de nada vale o esforço de evitar a luz. Essa luz inebriante e tênue que atrai antes que se perceba, antes até de surgir, pois só o fato de existir devora, entrega.
Perco-me no nada
e encontro-me no tudo...
Vielas despidas e frias.
Ruas sem gente.
O vazio tem um cheiro próprio
que não desaparece!
Frenesim de viver,
pressa de chegar,
a lugar nenhum...
Pequeno querubim.
Tua beleza e magia
contagiam de luz
a minha essência.
Porque do tudo, onde vivo,
me resgataste!
Porque no nada, me continuo a perder...
Anabela Pacheco
Não sei por que, quando ando pelas ruas, as pessoas que não me conhecem ficam me olhando. Parece que nunca me viram.
E é nas ruas escuras da vida que aprendemos a tomar cuidado com a onde nos pisamos, porem insisto em caminhar de olhos fechados, para não enxergar a dor, o sofrimento a injustiça ao meu redor.
A saudade de você aumentou ao chegar em Minas, Pois foi onde tudo começou, saio pelas ruas lembro de nós de mãos dadas juntinhos iluminados pela lua e as estrelas, então novamente volto naquela praça onde tudo começou sento naquele banquinho em baixo daquela árvore e lembro-me daquela segunda feira de 2015 27 de abril, todos passam e me olham só você não viu, pois a distância impediu. Às seis da tarde daquele dia onde nos encontramos pela primeira vez, ali rolou uma troca de olhares e eu percebi que iria me apaixonar, rolou aquele Beijo quente misturado com aquele abraço apertado sentindo teu cheiro e o teu corpo arrepiado e agora eu posso ver não fico mais um dia sem você, na minha volta pro Rio talvez eu nem volte, partirei pra São Paulo em busca do teu coração, e ao te encontrar não pretendo voltar nunca mais no aeroporto do galeão.
Já era Tarde; os falatórios pelas ruas cessaram,
as passadas apressadas pelas calçadas sequer pareciam ter existido.
O silêncio era sólido, impenetrável, melancólico...
Suas paisagens que um dia foram verdes e das mais belas vistas
tornaram-se apenas outros lugares, afinal de contas,
o que é um lugar bonito caso não existam observadores?
Os ruídos de seus Aposentos eram constantes, quiçá ritmados
Fazendo assim que a solidão viesse a ser um personagem,
Não o típico personagem de diversas falas e reviravoltas,
Mas um personagem que se mostrara sempre presente no seu drama e trama.
Horários e datas já não lhe faziam mais sentido, já que não havia pelo o que esperar.
Abandonara o uso de relógios,
na verdade, sequer lembrava a última vez os usara.
Não obstante, se pegava pensando:
"Relógios só nos são úteis caso queiramos chegar em determinado minuto, segundo."
Apesar de tudo, via uma certa beleza na sua companheira solidão
Junto a ela, seus pensamentos fluíam, não como água no córrego,
mas como a água que atinge o chão e foge em todas as direções e sentidos.
Tornou-se peculiar desde que ficara tão sozinha.
Acreditava que suas observações sobre a vida, depois de adotar a solidão como um mascote,
tornaram-se mais concissas e certeiras, mas quem sabe?
Não havia ninguém com quem pudesse discutir sobre,
Não havia sequer quem pudesse descobrí-la, estudá-la, sentí-la,
Até mesmo adorá-la.
Não esperava por momento algum,
já que achava a transição entre duas eras igualmente importante as tais,
porém, sabia que a solidão juntaria suas coisas e iria embora, não de forma abrupta,
mas juntando as coisas devagar, na medida em que a Vida nasce novamente.
Diretamente das ruas Porto
anda curtir o nosso o som,
isto é rap interventivo
sente o poder da criação.
Te encontro nas ruas até de olhos fechados
Sinto tua presença e a lembrança que eu tenho de você
Me faz querer te abraçar
Querer te encontrar
Das coisas que digo sobre a gente ter coragem
Às vezes me esqueço e quando vejo um outro dia clareou
E eu fiquei aqui
É difícil viver as verdades do mundo
Quando o seu coração não se sente à vontade
Loucura é fazer todo o dia o mesmo percurso, passar pelas mesmas ruas, esquinas e pessoas.
Loucura é ter medo de aventurar-se diante da vida. É querer o mundo, mas não mover um dedo para sair do lugar.
Sim, Deus fez o céu Com ruas de ouro... Mas, não para mostrar que seremos ricos. E Sim, para mostrar o quão insignficante isso hà de se tornar.
O verdadeiro cão de raça
Nas ruas dos subúrbios
Existem vários cachorros,
Desde os bem tratados
Que só comem rações,
E vão sempre ao petshop.
Até os mais maus tratados,
Que só comem nos lixões
E tem as ruas como os seus sexshop.
Os de raças tomam vacinas,
Vira latas! Só nas pracinhas.
Os de raças andam limpinhos,
Vira latas! Todos sujinhos.
Os de raças vivem de dengo,
Viras latas! Quase de vento.
Os de raças morrem de câncer,
Viras latas! Morrem de fome.
Esta luta pela sobrevivência
Mostrou-nos o outro lado da vida,
Antes de qualquer interferência,
Pense na opção escolhida.
Analisando o modo de sustento,
Vemos os verdadeiros cães de raças.
Os vira latas sempre surpreendendo,
Foram eleitos os donos da marca.
A carta
Tenho uma mania nostálgica de ligar memórias às pessoas em pontos nas ruas ou lugares que passo de carro, sobretudo quando estou dirigindo em horários calmos, cujo transito é quase nenhum, tentando me perguntar o que fez aquela pessoa quando passou ali? Faço isso sempre que penso em alguém que se foi para sempre. Porque é como se eu dissesse a mim mesmo, eu passo agora aqui, mas ela não passará mais.
Dá até vontade de escreve uma carta tentando-me desculpar por não ter me despedido corretamente. Por sinal a gente vive tanto em torno do nosso próprio ego que nos esquecemos até de perceber as outras pessoas quando estamos juntos delas.
Fui a mais um desses grandes encontros de” amigos antigos”, nem todos estão afastados lógico, sempre nos vemos, conversamos e temos amizade diária, mas na sua maioria é óbvio que perdemos o tato de como chegar; como diria o poeta: “No rio da vida, passou muito água sob a ponte”, e com as águas, foi embora toda intimidade propícia das grandes amizades. Daí que você descobre que se quiser mesmo vai encontrar desculpas para não puxar conversa com esse ou aquele; percebe que se fizer um esforço vai ter todas as razões para continuar com um grupo seleto aqui ou acolá e não vai perguntar nem como vai para aquele ou aquela da festa. Tem sido assim com todo mundo. Parece que com os anos, certas coisas ainda permanecem presas na memória. Não é privilégio só meu – vejo essa mesma condução com outros tantos amigos... “Se ele não fala, eu também não falo!” Termina a festa e mais uma oportunidade foi perdida. Sabemos que foi maravilhosa, a festa! Mas não conversei com todo mundo. Talvez nem quisesse ultrapassar a barreira daquele meu grupinho seleto.
Nas cartas de Marco Polo para o monge Sifu, perguntou-se sobre a razão da tristeza. E o velho monge respondeu: “Se você quiser, vai encontrar uma desculpa ou outra para continuar triste. Provavelmente estará certo sobre suas razões. Provavelmente todos estarão certos sobre haver desculpa suficiente para ficar triste a vida toda. A razão sempre existirá forte para aqueles que querem continuar tristes...”
Muito corretamente Sifu queria dizer que se você quer continuar certo sobre suas razões, haverá de encontrar respaldo para tudo. Porque ninguém vai satisfazê-lo nunca. As pessoas não nasceram para preencher nossas vidas completamente. Daí que é apenas opção sua manter-se longe de tudo e de todos. É opção sua, escolher quem ou quais farão parte de sua caminhada nessa vida. Mas, todos, de algum modo com prazo curto ou longo, terão que cuidar da sua própria jornada com ou sem você. Daí elas também terão suas próprias desculpas e suas próprias razões para não falarem como era antes com você.
Por isso pensei na carta que deveria escrever para cada um que deixei passar. Muita gente deixa para sentir falta, culpa ou remorso quando não tem condição alguma de sentir... quando a vida leva essa ou aquela pessoa do nosso convívio. Todo dia criamos a desculpa que amanhã ou depois eu falo. Eu resolvo.
Provavelmente muita gente tem seus motivos para não falar com esse ou aquele. Todos serão válidos, até porque muito certamente eles terão também os mesmos argumentos que você ou eu tenho para não fazer nada a respeito. E assim o tempo passa como um relógio acelerado. O mundo não será o mesmo. Nem eu ou você muito provavelmente passaremos mais mais por aqueles mesmos lugares; não deixaremos mais marcas em lugares ou situações em que ambos estivemos presentes... As desculpas ganharam da gente.
Ah! ...
...Se pudesse
Saí às ruas
Pichar os muros
Com versos.
Contagiar
A alma
Daqueles
Que por covardia
Esconde-se
Não pinta o mundo
Com cores vivas
Nem descreve
Numa tela
A poesia da vida.
Deixando o medo
Ter tanto efeito
Que nem cabe
Num embrulho
Mal feito.
E se afunda
No abismo
Dos sonhos adormecidos
Em passados esquecidos...
'OUTUBRO'
Há multidões em ruas coloridas,
betumes.
Fogos e tantos fungicidas,
artifícios.
Representa-se 'partidos',
'fatias'.
Céus de esperanças,
exageradas mudanças...
País de adornos,
adereços desabrasileirados.
Ilusão paraense,
paulistano,
nordestino.
Covis Inter-raciais disputando palanques,
qualidades,
personagens,
discursos.
Mistura embaída,
bandeiras coloridas...
Subsiste-se eloquente até a data prevista.
Impetuosos nas pranchas de sonhos,
anseios.
Todavia,
são balões que esvai-se no espaço.
Tácitos desesperados,
agora desalentos,
brasileiros,
utopias...
“Primavera chegando, flores desabrochando, espalhando perfume, colorindo, ruas, parques e jardins, dando novo tom aos nossos dias. Venha ser primavera também! Permita que esta estação se instale em você, desfrute da primavera do viver, deixe a alma florir, é tempo de desabrochar as mais belas flores carregadas de carinho, bondade e Amor. Seja flor, espalhe o perfume da fé e esperança, abra os olhos contemple as cores bonitas da vida. acrescente brilho, intensifique as cores, exale perfume de doçura, sorria mais, encante-se, cante, se solte, emane amor. Faça seus dias tornarem especiais, apaixone-se pelo viver deixe o melhor de voce crescer e florescer, ”
"A tradução das ruas em suas esquinas à cada oportunidade e seus suspenses. A cada caminhada o calor do asfalto, suas lojas fixadas e suas casas derrubadas. Oportunidade a cada esquina... A cada entrada... Você, seu objetivo vai te levar as vezes sem procurar o que queria, mas o que realmente queria você por lá. Não imagine, deixe acontecer; pois os mesmos pés que te fizeram ir embora são os mesmos que vão te fazer voltar."
O amanhã não muda
E amanhã tudo será igual,
O sol no mesmo lugar, a girar sem pressa,
As ruas terminaram nas mesmas avenidas de sempre,
As casas estarão à contemplar, os mesmos turistas,
As crianças à procura do mesmo ideal,
Diversão...
Na esquina um mendigo a cantar em uma viola velha,
As pessoas a colocar níqueis no chapéu, velho e sujo...
O engraxate fofoqueiro a contar a ultima noticia, ao seu pobre freguês.
O ambulante a gritar em um mega-fone suas ultimas ofertas,
A policia em sua ronda matinal,
A cabelereira com meia dúzia de clientes, a esperar por um penteado qualquer,
Os velhos jogando cartas na praça central,
As garotas a desfilar com seu Jeans azul marinho desbotado,
Os rapazes a beber em um boteco qualquer, falando de mulheres e futebol,
Mas num canto qualquer da cidade,
algo de estranho acontece,
Um homen de meia idade, cansado da rotina,
Resolve mudar a vida,
E descobre que só se muda a vida, encontrando-se com a morte,
Do ultimo andar ele olha o céu azul turquesa que se forma,
há anos no mesmo horário,
Indicando uma chuva intensa das três da tarde,
E num ultimo suspiro modifica monotonia vivida por todos.
Uma morte não estava nos planos daqueles seres,
Agora os turistas olham para um cadáver, as crianças experimentam o medo que a morte traz,
As casas se inflam de tristeza, o mendigo toca agora um som fúnebre,
E os níqueis já não fazem parte do show,
O engraxate arrisca um motivo,
O ambulante fecha seu humilde comercio pela primeira vez em 10 anos,
A policia já não sabe o que fazer,
A cabelereira não tem idéias para penteados,
Os velhos adiam sua apostas,
As meninas trocam o jeans por um vestido negro,
Os rapazes trocam o futebol por um sincero pesar,
E o homem de meia idade, agora estirado na rua do sossego,
Conseguiu finalmente mudar aquilo que mais o afligia,
O rotina do lugar em que vivia.
Mesmo que seja só por um dia,
Afinal amanhã tudo volta a ser igual..
Tudo apagado, tudo tão escuro e negro, ao olhar na janela ouço apenas sons pelas ruas, neste momento falta energia na casa também. As pessoas se apavoraram, uns voltam com medo, outros vão em busca de sei lá o que e onde, eles curtem essa história de andar no escuro, outros evitam por medo. Não me falta luz, essa inspiradora que por vezes dá voltas dentro de mim, enquanto ela estiver acessa como a simples chama da vela que me acompanha neste escrito, eu não temerei.
Agora me bateu um medo, pois olhei para a vela, e isso me deu medo, percebi que mesmo essa luz linda tem fim. Mas não é de seu fim que tenho medo, tenho outras velas aqui ao lado, e agora temo apenas em saber que se a chama da vela tem seu fim na última gota de cera, o que farei com a chama que há dentro de mim, será que há muita cera a envolvendo, será que apagará com o tempo. Agora temo esse dia chegar.
Oras, não vou cruzar os braços, pois se é que ela poderá apagar por falta de cera não será, vou à rua, vou a luta, vou aos amores, vou arrodear me desses que tem sido minha cera, vou buscar as mais densas. Os amores mais firmes, as amizades mais companheiras, o trabalho mais árduo e também seus antônimos nas pessoas das decepções, dos falsos, são as inspirações que não permitem minha chama apagar. Here I Go, por que o pavio está aqui dentro de mim, é meu coração e esse anda quente demais para permitir apagar.
