Ruas
Pela manhã, me vês caminhar pelas ruas, alegre e desajeitado. Pela noite, não me encontras, pois estou escondido dos olhares que me buscam.
Naqueles bares e botecos,bebendo e pensando me vem aquela louca vontade de sair correndo pelas ruas e gritar loucamente o teu nome.
Tarde com céu rosado e chuva fina...
Molhava suavemente os carros,
As ruas, os pássaros...
Menos o meu amor.
Ele se tornava abstrato
Porque nele, a chuva não tocava e nem esfriava.
O tempo parou quando nos olhos você me olhou...
Quando na boca você me beijou e delicadamente degustou.
O guarda chuva que eu segurava joguei ao léu...
Me senti como pássaro colibri, livre e dona de mim.
Dona também do teu coração
Que pulsa em mim com toda exatidão.
A chuva que caiu foi fugaz...
Foi cenário para embalar a nossa paixão
Que é eterna fusão.
As árvores da rua que nos cercavam,
Fotografavam sutilmente as sutilezas dos nossos gestos.
O momento em si, parecia ilusão, devaneio.
Engano bobo, era real...
Era visceral.
Não existia alheio, nem credo, era mais...
Era espiritual.
E hoje é sagrado pelos laços do amor.
E esculpido na pedra do simples pecador.
Nos jardins nas praças públicas nas ruas nas chácaras florescem as mais exuberantes flores: coléus, rosas, ibiscos, manacá da serra, era alemã; são as cores fortes do outono em meio ao azul celeste da bela cidade de São Carlos.
Certo dia estava eu muito angustiado. Caminhei pelas ruas da cidade perdidamente sem destino. Quando não podia mais caminhar, me sentei no banco de uma simpática praça. Ali,parado, olhando para um céu dourado de fim de tarde, perguntei ao vento a razão por eu estar tão triste. Ele, sussurrando em meu ouvido por meio de uma leve brisa, me disse:
- Olhe fixamente na direção daquelas nuvens douradas e me diga o que você vê.
Eu respondi:
- Bom, vejo nuvens douradas.
Ele retrucou:
- Quando pedi para você olhar na direção das nuvens, você se preocupou apenas com o que lhe era mais notório à visão. Contudo, você esqueceu de levar em conta a inúmera quantidade de átomos e moléculas que há no aparente vazio entre você e as nuvens. Essa é a causa da sua tristeza. Você não sabe observar o meio termo da vida.
Vê se você enxerga meus pés alvos nas poças das ruas em dias de chuva gelada...
Parece que não quer saber de nada, só mesmo do seu nariz.
Agora eu já aprendi a lidar com você, fico na minha,
Por sua vez, você fica na sua...
Então eu sigo dando os passos mais largos que consigo, indo além...
Se caso eu não ver o buraco e cair, não se preocupe comigo, meu bem, eu me viro do avesso, mais não me rendo.
Render? Eu nem sei o que é isso!
Não há nada melhor do que andar pelas ruas debaixo de chuva... É uma sensação única... Ao menos por alguns minutos poder esquecer-se de tudo que nos aflige e apenas sentir as gotículas de chuva que chegam para lavar a alma...
Tendo o céu sob os nossos olhares,
percorro calmamente e com simplicidade, as ruas que já foram nossas,
corro
adeado por uma multidão de carros e rostos desconectados.
Busco
uma qualquer lembrança de nosso tempo,
caminho, cada dia mais e mais
o destino é implacável
minhas pernas cambaleantes
não podem ir ao encontro de nossos sonhos.
Quero a vida de qualquer forma
jeito de bem vivida
contradições das ruas e sossego da casas.
Das velas agitadas
lutando por um fio de vida, correndo da morte certa.
Desesperar-me, viver em completo abandono...
completamente no dia a dia das lágrimas jorrradas
a cada dia, inutilmente.
Viver dos sorrisos que brotam aleatoriamente
ocasionalmente, viver e me dou por satisfeito.
LEMBRA
Por todas as ruas,
Onde ando sozinho
Eu ando sozinho, com você.
E você que nem se lembra mais,
Se lembra?
Do jeito que eu fui, tão dedicado, meu amor,
Vejo com saudade,
A rua, a cerca,o espinho, a flor.
Tantos gestos fizprá lhe falar, lhe ver sorrir,
Você selembra?
Ainda ando sozinho,
Eu já nem sei se ando,
Eu ando sonhando como você.
E você que nem se lembra mais.
Se lembra?
Do jeito que eu sou,tão complicado, meu amor,
Fico encabulado, quando vou pegar uma flor,
E há tantos gestos mais,
Pra lhe falar, e essa canção
Prá você lembrar.
Um tempo descolorido passou varrendo as ruas e os ares afastando o pouco de alegria que ainda havia contido no sorriso de cada ser. Um tempo que talvez já existiu, num ano passado ou que algum dia já esteve desencantando a nobre magia que pairava e por qualquer acaso sumiu com o primeiro orvalho que congelou.
Certa noite me sentir só, em uma triste solidão...
Andando pelas vagas ruas e querendo apenas um belo e simples coração.
Me sentei na calçada e me peguei olhando para o céu. Pensei comigo... As estrelas são lindas, vivem sozinhas, com milhares de Km de distância uma das outras. Mas elas são belas vivem só, mas nem por isso deixam de mostrar seu brilho.
Claro, sofrer faz parte da vida, mas nunca deixe que seu sofrimento ofusque o seu brilho.
Seja sempre a estrela mais brilhante e a mais linda, pois assim, estará rodeado de pessoas que te ama.
Eu acredito em você. Agora vá fazer o seu trabalho que é ILUMINAR O MUNDO.
Encontro
Ando pelas ruas
Ando pelas praças
Ando pelas florestas
Ando pelo caminho
Encontro-me com o infortúnio
Com a decepção
Com a bela ilusão
Com a dor
Com o pranto
Um encontro vero
Deveras... Tino... Macabra...
E agora?
Sou eu o quadro da ilusão.
O que é lutar pela sustentabilidade? Sair nas ruas em passeatas de bicicleta sem roupa ou trajando se de comida? Francamente não acho que ideias que afrontam os princípios morais vão resolver alguma coisa.
“Revivendo a pureza primitiva da Boa Nova, o Espiritismo traz Jesus de volta às praças e ruas movimentadas do mundo, a fim de conviver com os padecimentos ultrizes que vergastam as multidões atônitas da atualidade.”
O LADO DO VELHO MENDIGO
Eu ando pelas ruas sem saber como vim parar aqui.Sou um velho, sou negro, sou pobre, sou como todos os que vêem por ai, com a vida desgraçada. Acabei de acordar de um longo sono, de uma vida inteira. Sento-me encostado na parede, com a cabeça entre as pernas, murmurando coisas que nem eu mesmo entendo. Dentre os murmuros, pensamentos ficam claros.
- Eu jurei nunca me arrepender - Murmurei.
Um homem apareceu na minha frente e me disse:
- O que você fez de tão grave para se arrepender ? -
- Me arrependo do que não fiz. Não do que fiz. -Sussurro.
O homem me perguntou com certa ironia: - O que não fez? -
- Eu não sei, eu não lembro! Pare! -
E então me levanto, e empurro o homem que tanto me faz perguntas. Continuo andando pela cidade de São Paulo e respondendo a tantas dúvidas, conversando, desabafando.
As pessoas passavam pela calçada e me olham de uma forma tão estranha, mas eu não quero entender a razão.
Afinal, o que eu fiz para que a sociedade me encare de tal forma? Eu só estou conversando com a unica voz sincera que resta. Seria eu um maluco ?
O LADO DO CIDADÃO.
Um mendigo negro andando pela rua , encosta em uma parede suja, e senta ali mesmo , no chão. Coloca a cabeça entre as pernas e se levanta rapidamente como se alguém estivesse falando com ele. Ele começa a conversar sozinho, a desabafar, a pedir para algo ou alguém parar de fazer uma coisa.
Ele continua andando e conversando com o vento.
- Eu acho que vou atravessar a rua, seria ele um maluco? -
