Ruas

Cerca de 1929 frases e pensamentos: Ruas

Olinda no coração

Como poderia esquecer
tuas ruas rumo ao céu,
tua brisa em carrossel,
patrimônio em cordel.

Fostes caminho para holandeses,
abrigo para os portugueses,
e para todos, muitas vezes,
lugar de belos prazeres.

Com palavras te lembrar:
praia, orla, sol e mar,
praças, casas, se hospedar,
ladeiras, igrejas, passear.

Bonecos gigantes de montão
no carnaval de tradição,
Olinda tu és o meu pendão,
também estás no meu coração.

Caminhava lúgubre pelas vielas de ruas inaudíveis da cidade a comer pormenoridades e sua face se voltava para o oeste em busca de raio de luz que esvanecia lentamente. O crepúsculo sideral se espraiava em plangentes notas de flauta que um camponês tocava cândido e se fazia em vaticínio a melancolia auroral discrepante do tempo. E se fartavam alimentos na mesa de colinas e ramagens abissais. Eram idílicas todas as cantigas como um lenitivo remédio de dores ocultas que na face eram duras a sorrir tristemente o seu ser descrente que no entanto era intermitente. O fulgor da lua se fazia contigente e iluminava matas escuras onde vagalumes piscavam seu brilho verde na nostalgia inocente dos olhos da infância. A voragem do vento consumia as folhas entregues ao chão e um redemoinho levava lembranças na mente distraída de farta bonança. O veludo silente se descortina no espetáculo estridente de gaitam desafinadas e o tudo era nada se a plateia alheia se achava embriagada de farta colheita que eu peguei emprestada na açucena flor da madrugada em lírio branco inebriada. O venta agora apascentado fazia acalanto nas mãos suaves e as linhas digitais se faziam todas iguais. A apoteose de meu humor grandiloquente alcançava picos de montanha e conquistar o mundo era o mínimo na megalomania de minha engenhosa sina que se fazia em cinsas quando a ludidez voltava à melodia e pequena se fazia muito mais a juntar retalhos na colcha fria que fazia. Eram estados mentais que a ciência desafia a colher a estabilidade do dia em desmesurada alegria. Conter as torrentes da euforia exigia um olhar humilde para si mesmo a despentear os cabelos da lógica. E era famosa em cada estação e imprevisíveis eram sua relação com a primavera. Era necessário um esvair de si para alcansar a poesia de dias impulsivos e incongruentes, mas belos em sua resistência ao alternar estados de humor como duas íris no mesmo rosto. Eis o que está posto. Se sou eu e não o outro. E não há lamento se a mente segue altiva e lança os olhos cativa a espraiar mares de contemplação no ser que não sente mais solidão. E tem um vasto e frondoso coração.

Embalos de um sábado a noite em Araxá

Em meu estar presente nas ruas e nos lugares em que gostaria de estar tornou-se pouco comum, depois que fui apresentado e apaixonei-me. Tudo tornou-me a ter uma valor absorto entre tantos valores de ser e tempo e espaço,no confinamento de amar e poetar. Despido de qualquer quimera ideológica, me vejo um restício de gente seguindo rastros de saudades delirantes. Velhos amigos sinto falta, mas o tédio não faz morada e então me lembro de que tudo é relativo e vivo a poetar, sentado a beira do caminho, uma vida em desnorteio. Na rua de minha cidade sento-me em algum lugar no alto da avenida mais movimentada e badalada, tenho uma visão privilegiada, olhos de águia e cão farejador que a tudo cheira e investiga, e a denuncia não habitam em mim, não sou dedo duro, a isso eu esconjuro. A alma esta alerta a pouca distancia da rua e de seus desfechos em episódios feito nas telas de tramaturgia na TV . Aos meus olhos repousam na matéria a ser impressa são reduzidos pela efervescência da vida, ali dinamicamente humana , minha vida existência de ser um poeta em uma cidadezinha como Araxá em interior do vasto e rico estado de Minas Gerais. Olho,nas calçadas da avenida top dos fins de semana na cidade nos barzinhos mais badalados pela burguesia, nata araxaense, reina muitas vezes a podridão da discriminação social, já nem é mais racia a muito tempol deu lugar a social ,desde que se tenha dinheiro não importa muita coisa pra aquela gente hipócrita, uma burguesia incógnita que cada vez que mais se distancia dos pobres coitados e mais se sentem melhores . Passeiam enrriquietas as burguesinhas , estacionam perplexas , cabelinhos padronizados salto alto Luiz quinze, o rosto todo borrado, feito Pierrô retrocesso , em pingos de brilhos de meiguisse escondendo a fera que a por dentro delas em busca de fama e dinheiro dos otários que se acham ao melhorarem um pouquinho de vida, conseguindo um empreguinho melhor em alguma grande firma ou coisa e tal. Vejo casais de namorados abraçados felizes para os que vêem de fora e infelizes ao extremo por ele mesmos por viverem de aparência , em suas casas deixaram os filhos pequenos com as avós passando necessidades e saíram para festas de patricinhas que pagam muitas caixas de leite para matar a fome dos que ficaram em casa, isso tudo em nome da ostentação. Os que dirigem seus carrões novos zero quilômetros importados , muitas vezes devem muito mais que ganham a vida inteira, hipócrita bobeira. Uns matando aula com cadernos na mão e cigarrinho na outra logo absorvidos pela corrente humana da avenida . Carros em alta velocidade sem preocupar-se com a gasolida que esta em alto preço, so oque importa aos boyzinhos é impressionar as patricinhas doentes por aparências: marcas, motos , alto-padrão de qualidade, forte, barulho,exatidão,e vencedores é o que elas querem. A avenida é um contra-ponto de tudo dois mundos tão distantes e tão juntos igualmente imundos: o céu que é ilusóriamente céu e é na integra o inferno , e o inferno real que é retratado pela falta de tudo , até mesmo da dignidade humana. Homens e mulheres na captura de um final de semana, ciclistas em aceno de reconhecimento ou desejosos de serem reconhecidos por algum figurão da sociedade local e conseguir na segunda feira um horário pra entrevista de emprego. Cãezinhos bem tratados sob a tutela de madames cheirando forte aromas de mulheres velhas e vira-latas esses sim na maior farra , se lixando pra convenções . O mergulho no formigueiro humano lembra-me a poesia escrita, essa agora que agoniza nas etantes de bibliotecass e ninguém quer nem saber que elas existem quanto mais ler. Vez e outra ouço o garçon: mais dois chopes? Dois é claro! Tarde assim dia atípico final de semana movimentado em Araxá coisa inesperada inexplicável , mas é, e assim nasce mais um verso que tanto sonho em escrever , mas para que escrever versos , se ninguém aqui quer saber de outra coisa agora nessa tarde da madrugada, já são quase quatro da manha e só o que se tem são orvalhos , pingos em gotas caídas de graça do céu , a única coisa de graça nessa noite tão poética e sem nenhuma ternura da parte cidadã, é também esta poesia que entre tanta lama e podridão , fez-se um texto poético a que se retrata a verdadeira realidade de vivenciar os embalos de um sábado à noite em Araxá,só nos vem reforçar a efêmera fórmula milenar de que no meio do mais tenrro estrume dessa vida é que se nasce a mais refinada em encantos flor da poesia.

O GRANDE VAZIO DIGITAL

O mundo digital virou uma Matrix que esvaziou a realidade. As ruas estão cheias de pessoas, mas sinto que falta alma, falta calor humano. Tudo ficou frio, distante e superficial — tanto fora quanto dentro das telas. É impressão minha ou o "mundo real" está desaparecendo?

Lu Lena / 2026

RIO DE JANEIRO

Evan do Carmo

Que poeta passaria sobre ti, adormecido
em tuas ruas estreitas, a um mar imenso?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Sou um renascentista


Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.

Entre Estrelas e Espinhas

Vejo prédios, ruas e, ao fundo, barcos. Ao olhar para o horizonte, noto luzes acesas que, no balanço das ondas, criam a nítida impressão de um pisca-pisca sobre o mar.

Mas, observando de outro ângulo, percebi que, quando o vento tocava a água, levantava pequenas gotas, e eu via o que mais parecia uma chuva de estrelas caindo e mergulhando à beira-mar.

Um sentimento de amor invadiu meu peito, e eu me questionei:

— Será que um coração endurecido, um dia, cai na graça do amor?

Uma nuvem passou por mim, como se aguardasse uma resposta.

E, naquele instante, um pensamento surgiu, leve como espuma de verão. Algo veio à minha mente que considero verdadeiro:

No mar de verdades e mentiras, quem não souber saborear um bom peixe acabará envenenado pelas próprias espinhas.

Por ruas e vielas
Ando pensando
O mundo parece está lento
Porque por onde ando vejo vc em todos os momentos…

Ecos de um mundo fragmentado


Tantas rotas, ruas e avenidas,
tanto caminho, tanta trilha a seguir.
O mundo se abre como um campo imenso,
um jardim fértil, mas também espinhoso.


E enquanto o sol insiste em nascer para todos,
cada um prefere caminhar na sombra oposta,
erguendo muros onde poderiam florescer pontes,
rasgando a terra que antes nos nutria.


A sociedade se divide como o tronco partido,
galhos que não mais reconhecem a mesma raiz.
A seiva que deveria circular em união
escorre, perdida, em direções contrárias.


Somos folhas levadas pelo vento do poder,
presas em redemoinhos que não escolhemos,
presas ao solo que comprime nossas raízes,
sem perceber que também somos parte da floresta.


E entre pedras, rios e desertos,
a vida sussurra que tudo é movimento.
Mas nós, reféns de ilusões e correntes invisíveis,
esquecemos que até as águas, ao se dividir,
sempre retornam ao mesmo mar.

Amor não compartilhado é igual trafegar sem o endereço certo, dando guinada por todas as ruas que entrar.

O Vazio das Ruas


Você foi embora.
Disseram-me que estava fora,
Talvez no sítio, em São Bento,
Ou vendendo o apartamento que guardava o seu teto.
Se parti com você em lembrança,
Espero ter deixado algum bem na mudança.


Tive vinte mil projeções na mente,
Escrevendo sobre o autor do meu afeto.
E sou redundante, sim, propositalmente:
Te amo com o afinco dos poetas antigos,
Com a dor sagrada que as mães trazem consigo,
E a paixão urgente de uma menina.


Quem diria que, na minha idade,
Eu seria escrava dessa insanidade?
Um amor que pesa mais que o meu próprio corpo,
Que me carrega, me arrasta, me domina.
Uma loucura sã, impossível de esquecer,
De controlar ou de me perdoar por querer.


Por que, meu Deus, fui escolher você?


Você me bloqueou, me cancelou, seguiu o vento.
E agora as ruas estão vazias de você.
Choro lágrimas de ausência, mas celebro o teu momento.
Se um dia voltar para visitar o teu menino,
Venha conhecer o meu novo canto, o meu destino.


Uma semana antes de partir, te viram passar por aqui...
Achei que te veria caminhando, livre e renascido.
Hoje sinto falta de ouvir-te, do som que se perdeu.
Fracassada por não te esquecer? Talvez.
Mas convicta de que ninguém te amou como eu.

(Estrofe 1)
Quero sair pelas ruas do mundo
Sem colocar hora pra voltar
Deixar o tempo falar mais profundo
E o meu peito aprender a escutar

Ver a beleza escondida nas folhas
Ouvir o vento contando quem sou
Cada caminho guarda memórias
Que o coração nunca abandonou

(Pré-Refrão)
E quando a noite me beija devagar
Um novo sonho começa a acordar

(Refrão)
Eu vou flutuar no escuro
Onde a luz me encontra e diz quem eu sou
Sentir a brisa da noite no rosto
E viajar na vida que o tempo deixou
Eu vou, eu vou…
Entre a noite e o infinito, eu vou

(Estrofe 2)
Quero tocar o silêncio das águas
E me banhar de sentido e razão
Ver as estrelas pintando estradas
Que só se enxergam com o coração

Cada paisagem me chama pra dança
Cada sorriso me pede canção
Viajar é renovar a esperança
Que nasce forte dentro da mão

(Pré-Refrão)
E quando o dia vier me encontrar
Eu sei que a noite vai me acompanhar

(Refrão)
Eu vou flutuar no escuro
Onde a luz me encontra e diz quem eu sou
Sentir a brisa da noite no rosto
E viajar na vida que o tempo deixou
Eu vou, eu vou…
Entre a noite e o infinito, eu vou

(Ponte – mais suave, estilo MPB intimista)
E se um dia eu perder o caminho
Eu me encontro no som do luar
Pois a vida é só um passarinho
Aprendendo a voar

(Refrão Final – crescendo emocional)
Eu vou flutuar no escuro
Onde a luz me encontra e diz quem eu sou
Sentir a brisa da noite no rosto
E viajar na vida que o tempo deixou
Eu vou, eu vou…
Entre a noite e o infinito, eu vou
Eu vou…

Se eu pudesse aliviar a mente e escolher um novo caminho, talvez não andasse mais por estas ruas. Elas parecem frias demais agora. A vida perdeu parte do brilho que um dia teve, e o mais estranho é que tudo isso aconteceu diante dos meus olhos, lentamente, sem que eu percebesse.

Às vezes temos tanto a fazer, tantos deveres, tantas expectativas, e ainda assim encontramos maneiras de estragar aquilo que mais importa. Procuramos respostas dentro de nós mesmos, mas é difícil encontrar algo quando nem sequer sabemos ao certo do que somos feitos.

Por aqui, a busca por compreensão parece inútil. A solidão se tornou uma sombra persistente, dessas que permanecem mesmo na mais profunda escuridão. Ela caminha ao lado de cada pensamento, de cada lembrança, de cada silêncio.

Aqui não existe sentido na busca por apoio ou compreensão, a solidão é como uma sombra que assombra na maior de todas as escuridões. O que resta é encontrar o final até que o final esteja aqui.

Os maiores campos de batalha não estão nas ruas, mas dentro da mente. Quem aprende a administrar seus pensamentos transforma cicatrizes em sabedoria e dificuldades em combustível para crescer.

Fugiu numa noite gélida,
Logo caiu nas poções encantadas,
Não imaginou as ruas tão violentas,
Mais uma usuária viciada.

SUAS: Farol de cuidado
Nas ruas apressadas das cidades,
nos silêncios escondidos dos lares,
há mãos que se estendem sem exigir nome,
há portas que se abrem para acolher.


O SUAS nasce do princípio
de que a dignidade não é privilégio,
mas direito tecido na esperança
de um país que aprende a cuidar dos seus.


Ele caminha ao lado da infância protegida,
da mulher que busca recomeços,
do idoso que carrega histórias,
da família que enfrenta tempestades.


Nem sempre foi simples sua trajetória.
Entre desafios, escassez e incertezas,
permaneceu firme como quem sabe
que a solidariedade também é política pública.


Em cada CRAS que orienta,
em cada CREAS que ampara,
vive a certeza de que ninguém
deveria enfrentar a dor sozinho.


Porque cuidar é um ato de coragem,
e garantir direitos é semear futuro.
O SUAS é a voz que diz, em meio às ausências:
"Você importa. Sua vida tem valor."


E assim segue, discreto e necessário,
costurando vínculos, reconstruindo caminhos,
fazendo da proteção social uma ponte
entre a vulnerabilidade e a esperança.


Que nunca nos falte a sensibilidade
de reconhecer sua importância:
pois uma sociedade se revela, sobretudo,
na forma como acolhe quem mais precisa.

As Antigas Ruas de Pedras Lavadas


As antigas ruas de pedras,
as casas com cercas de ripas,
cobertas de rosas da roseira
que se alastrava
e se emendava com a da vizinha.


Colorindo.
Perfumando.
Um tempo que deixou saudade.


Na lembrança de um menino
que pensava como quem amava.
Inspirando versos.
Cresceu.
Tornou-se poeta.


Hoje ele vê
nas ruas antigas enfeitadas de roseiras
ruas de pedras lavadas
que ainda inspiram poemas.


Tempo de um tempo
onde ser criança
era viver a beleza encantadora da vida.


O menino cresceu
sem perder a essência.
Hoje é romancista. é poeta.


Marcio Melo

⁠se ela me purifica
o que será de mim sem sua luz?
quando ando pelas ruas
e em cada esquina
há uma venda
e neste comércio
a alma é o negócio
não a vejo
não sinto seu esplendor
se ela me purifica
por que recebo o açoite
pela mão de quem se diz pastor?
promessas de um céu
em troca de metais produzidos
pelo trabalho de pequeninas mãos
e onde estão as minhas mãos
nesta hora?
entre o bolso e a prece
entre a sanha e a pressa
de erguer-se a mais um clamor
se ela me purifica
e perdoa os meus desvios
os desvarios
os devaneios
e os anseios
de quem deseja ter fé
e a cada esquina ainda encontra o mercador
disposto a traficar crenças
com a promessa do paraíso-além
porque aqui na carne
no corpo
na face
é só inferno e pronto!
– apenas isso se tem…
[se ela me purifica
a chave vive na dor]

Toda cidade guarda em suas ruas
aquilo que um dia foi apenas sonho
de seus primeiros habitantes.

Meu nome é Marcos Kamorra.


Tudo começou nos tempos em que eu era MC nas ruas. Precisava de um apelido que impusesse respeito, que carregasse aquela energia de quem não baixa a cabeça, de quem encara o mundo de frente. Escolhi “Kamorra” inspirado no significado informal em espanhol e português: briga, confusão, atitude de rua, aquela postura de guerreiro que não leva desaforo pra casa. Era perfeito pro rap — forte, direto, marcante.


Passei anos rimando com esse nome, batalhando em duelos, construindo minha identidade nas letras e nas quebradas. Kamorra era o cara que lutava, que resistia, que enfrentava tudo.


Mas um dia, por acaso, me deparei com um termo hebraico antigo: “Mi Kamocha” (מִי כָמֹכָה), que significa “Quem é como Tu?”. É uma frase do Êxodo, um louvor à singularidade absoluta, à ideia de que não existe ninguém igual, de que cada um carrega uma essência única, irrepetível.


Na hora, senti um choque. Era como se duas partes de mim que sempre existiram se encontrassem: o guerreiro da rua, cheio de garra e atitude, e o buscador que entende que a verdadeira força vem de ser fiel à própria essência, de ser único no mundo.


Aquele apelido de batalha ganhou um significado muito maior. Não era mais só sobre brigar com o mundo — era sobre lutar POR si mesmo, pela própria verdade, com coragem e princípios.


Aí tomei uma decisão que mudou tudo: registrei “Kamorra” como meu sobrenome oficial.


Hoje, quando alguém pergunta de onde vem meu nome, eu respondo com orgulho: vem da rua e vem da alma. Vem da atitude combativa que me forjou e da revelação de que sou único, como ninguém mais.


Kamorra não é só um nome. É minha história inteira: do MC das batalhas ao homem que escolheu ser rei da própria verdade.


Sou Marcos Kamorra.
Guerreiro.
Único.
Incomparável.


#Kamorra #FilosofiaKamorrista #Autenticidade #Singularidade