Ruas
Durante a madrugada, dois amigos vagueiam pelas praças e ruas, clima frio e chuva fraca que molhava lentamente os asfaltos, os detalhes das pequenas gotas tocando o chão ou cruzando a luz amarelada do poste, era admirada e atacada por elogio e comparações a sensações únicas de prazer em estar se sentindo vivo, a cada toque da gota ao chão um pensamento profundo na imensa solidão compartilhada que se vivia durante aquela madrugada. Sim! Durante aquela madrugada sombria que se assemelhava uma experiência fúnebre, era possível se sentir vivo ao toque da chuva.
Nas esquinas da vida, entre ruas vazias e avenidas apressadas, você passou por mim.
Foi rápido demais para ser esquecido.
Não sei se foi sua beleza, seu perfume ou o silêncio que ficou depois.
Só sei que algo se partiu naquele instante.
Desde então, sigo te procurando em rostos errados e caminhos perdidos.
Alguns encontros não vêm para ficar.
Vêm para doer e nos mudar para sempre.
O mundo se tornou um lugar muito perigoso para se viver,
onde as ruas engolem passos sem eco,
e o ar carrega o peso de olhares que não se encontram.
Sombras alongam-se como garras no asfalto rachado,
e o coração, esse pássaro preso,
bate forte em ritmo de sirene distante.
Mas no meio do breu,
uma vela teimosa pisca,
não para banir a noite inteira,
só para sussurrar:
ainda há luz que resiste,
ainda há quem ouse acender outra chama
com mãos trêmulas,
e sonhar com um amanhã menos afiado.
O maior arquiteto não fez prédios, pontes ou ruas. Ele fez você, e além de você, mais 8 bilhões de irmãos seus, todos diferentes, porém especiais.
Se há trevas nas ruas,
se o céu for um deserto sem o brilho do luar,
e num clarão de luz o teu olhar vier me guiar…
as mais belas palavras são ditas no silêncio de cada olha
"Andando pelas ruas sobre a luz do Luar, me deparei com um casal apaixonado sentado em um banco na praça, parei um instante, sentei-me e fiquei a observá-los... Cara de apaixonados com o olhar sereno e entrecortados. Nenhuma palavra saia da boca deles, também nem precisava, o olhar falava por si só.
Tantas coisas para serem ditas, mas que preferiram ficar ali se enamorando sobre a luz do Luar. De repente, meu celular tocou, acordei para atendê-lo, sentei na beirada da cama e percebi que aquele casal apaixonado éramos nós;
Nesse momento, um sorriso tomou conta do meu ser, voltei a deitar e fiquei ali te enamorando pela noite toda."
Passos perdidos
Pés andas por ruas
Tentam encontrar sua presença
Sentir a singularidade do teu toque
Sentidos da tua alma
Persisto na extensão dos retratos do nosso olhar.
Hoje se comemora o dia em que você nasceu, por isso eu vi tantas flôres abertas embelezando as ruas quando sai para trabalhar.
Por isso ouvi os primeiros cânticos dos pássaros quando o dia ainda estava apenas clareando.
Por isso o sol brilhou intensamente no amanhecer.
Por tudo isso eu calculei que era em sua homenagem.
Parabéns, que da forma como o dia se mostrou para mim, seja para você também, florido, alegre e de muita Luz em sua vida.
DIA TRISTONHO
Hoje é um dia tristonho para o sol distante que componho
Ruas de terra com plantações ao redor sorteiam as pétalas da nostalgia de menino.
O menino chora!
A descoberta nas areias desertas que o banho de água doce deixou.
Experimenta o amargo das gotas que lavam a face.
O menino chora!
A inocência trazida num rosto que mostra em cada sulco as marcas que a vida lhe deu.
Sem ar o menino chora!
Dormindo no carro, escondido na areia, saindo do barro...
O menino chora!
Amargor da angústia, aperta o peito que reopousa no leito.
Deitado reclama do estômago que incomoda.
Sorver o coro angelical numa despedida fúnebre é a cena que a peça nunca quis encenar.
Sabores e sonhos.
Formas e doces.
Temperos da vida. (Júlio Raizer)
As ruas que andei, ladeiras que subi, encantos que vi, momentos que vivi.
Sonhos que dobraram esquinas, subiam escadas.
Da janela velha eu via telhados que guardavam vidas.
Saudades que ficou carrego dentro de mim.
Sheylasouza
Entre Caminhos e Ausências
As ruas se despedem com asfalto desgastado,
fendas que guardam sementes de ventos antigos,
que levaram meus passos além do que os olhos alcançavam —
ruas de calçada quebrada, onde o mato já vem tomando
espaço que outrora foi de gente, de voz, de mão estendida.
Cada beco é um suspiro congelado no tempo,
cada esquina um nó de memórias que não se desatam,
e eu caminho sobre elas como quem pisca em sonhos,
sentindo o eco de passos que não são mais meus,
mas que deixaram na terra um cheiro de café forte,
de panos estendidos no sol, de risos quebrados em gritos.
Mas as ruas acabam onde as estradas começam a correr,
longas como esperanças, retas como promessas não cumpridas,
cobrindo vales e planícies com seus braços de asfalto ou terra,
pulando rios com pontes que gemem ao passar o vento,
escalando colinas com curvas que desafiam o coração.
Elas vão até onde a vista se perde na linha do horizonte,
onde o verde se torna mais denso, onde o som do homem se esfuma,
onde só o bater das asas de aves solitárias
quebra o silêncio que pesa como manta de pedra.
Essas estradas não têm nomes em mapas velhos,
elas são feitas de vontade, de paciência, de dor,
de quem busca o que está além do que se pode tocar,
além do que se pode explicar com palavras comuns.
E o céu — ah, o céu é o mesmo em todo lugar,
mas aqui, longe de tudo, ele parece mais próximo,
mais vasto, mais cheio de segredos guardados nas nuvens.
Nuvens que se transformam em montanhas de vapor,
que correm atrás das montanhas de rocha e pedra,
que erguem seus cumes até tocar a borda do azul,
cubertos de neve branca como penas de cisne,
ou de musgo verde escuro como lágrimas secas.
Esses lugares de difícil acesso, onde os caminhos se perdem,
onde não há trilha marcada, nem som de porta batendo,
onde só a terra sabe o peso dos passos que lá passaram,
onde a quietude é tão profunda que se ouve o coração bater.
Lugares vazios de gente, mas cheios de vida selvagem,
de árvores que conversam com o vento toda noite,
de riachos que contam histórias de montanha para o mar.
Mas em meio a tanta vastidão, a saudade vem como uma onda,
me prendendo ao peito como um frio que não passa.
Queria sentir um abraço quente, aquele que aquece até os ossos,
queria olhar aquele sorriso lindo que faz o mundo parar,
que transforma qualquer deserto em jardim florido,
que faz até as montanhas baixarem a cabeça em reverência.
Essa distância é um rio que não tem ponte,
mas cada estrela no céu é um olhar que me vê,
cada vento que sopra é um beijo que chega até mim,
e eu guardo tudo isso como tesouro no peito,
até que um dia os caminhos nos levem de volta um ao outro.
Não basta 'ir às ruas', é preciso aprender a votar, a debater, a deliberar em prol do futuro do país... democracia precisa de bem mais do que 'torcida' pró e contra, precisa de cidadania inteligente para que os políticos também se tornem inteligentes.
NADA COMO ANTES
De onde eu vim,
Lembro com muita saudade.
Ruas e quintais não são mais como antes.
Por lá eu cresci, vi muitas flores se abrindo
No raiar das manhãs. Quantas vozes eu ouvi.
Atrelado ao ar do lugar, Timbó está incravado em mim.
Suas praças me recordam bem, profundas lembranças
Que o tempo marcou.
Não posso esquecer dos amigos que um dia
Comigo sorriram. Aqueles que foram,
Os que me disseram, os que propuseram, os que se fecharam,
Os que se abriram e aqueles que nunca mais vi.
O lar é o primeiro púlpito do cristão. O amor que habita dentro de casa deve atravessar as ruas, alcançar os vizinhos e incendiar a cidade com o evangelho de Cristo.
AROMAS DE MAIO
Todo vestido de amarelo
Enfeita ruas e avenidas
Florindo o tempo
Maio é o mais tão singelo.
Ainda na alvorada
A alegria enfeita o dia
O céu fica colorido
Com a linda passarada.
Mês das novenas de Maria
Das noivas e das mães
Mês que traz harmonia.
Que nos abençoe Nossa Senhora
Que a nossa esperança
Nunca vá embora.
Irá Rodrigues
Olinda no coração
Como poderia esquecer
tuas ruas rumo ao céu,
tua brisa em carrossel,
patrimônio em cordel.
Fostes caminho para holandeses,
abrigo para os portugueses,
e para todos, muitas vezes,
lugar de belos prazeres.
Com palavras te lembrar:
praia, orla, sol e mar,
praças, casas, se hospedar,
ladeiras, igrejas, passear.
Bonecos gigantes de montão
no carnaval de tradição,
Olinda tu és o meu pendão,
também estás no meu coração.
Caminhava lúgubre pelas vielas de ruas inaudíveis da cidade a comer pormenoridades e sua face se voltava para o oeste em busca de raio de luz que esvanecia lentamente. O crepúsculo sideral se espraiava em plangentes notas de flauta que um camponês tocava cândido e se fazia em vaticínio a melancolia auroral discrepante do tempo. E se fartavam alimentos na mesa de colinas e ramagens abissais. Eram idílicas todas as cantigas como um lenitivo remédio de dores ocultas que na face eram duras a sorrir tristemente o seu ser descrente que no entanto era intermitente. O fulgor da lua se fazia contigente e iluminava matas escuras onde vagalumes piscavam seu brilho verde na nostalgia inocente dos olhos da infância. A voragem do vento consumia as folhas entregues ao chão e um redemoinho levava lembranças na mente distraída de farta bonança. O veludo silente se descortina no espetáculo estridente de gaitam desafinadas e o tudo era nada se a plateia alheia se achava embriagada de farta colheita que eu peguei emprestada na açucena flor da madrugada em lírio branco inebriada. O venta agora apascentado fazia acalanto nas mãos suaves e as linhas digitais se faziam todas iguais. A apoteose de meu humor grandiloquente alcançava picos de montanha e conquistar o mundo era o mínimo na megalomania de minha engenhosa sina que se fazia em cinsas quando a ludidez voltava à melodia e pequena se fazia muito mais a juntar retalhos na colcha fria que fazia. Eram estados mentais que a ciência desafia a colher a estabilidade do dia em desmesurada alegria. Conter as torrentes da euforia exigia um olhar humilde para si mesmo a despentear os cabelos da lógica. E era famosa em cada estação e imprevisíveis eram sua relação com a primavera. Era necessário um esvair de si para alcansar a poesia de dias impulsivos e incongruentes, mas belos em sua resistência ao alternar estados de humor como duas íris no mesmo rosto. Eis o que está posto. Se sou eu e não o outro. E não há lamento se a mente segue altiva e lança os olhos cativa a espraiar mares de contemplação no ser que não sente mais solidão. E tem um vasto e frondoso coração.
