Evandro Paulo de Carvalho
Ecos de um mundo fragmentado
Tantas rotas, ruas e avenidas,
tanto caminho, tanta trilha a seguir.
O mundo se abre como um campo imenso,
um jardim fértil, mas também espinhoso.
E enquanto o sol insiste em nascer para todos,
cada um prefere caminhar na sombra oposta,
erguendo muros onde poderiam florescer pontes,
rasgando a terra que antes nos nutria.
A sociedade se divide como o tronco partido,
galhos que não mais reconhecem a mesma raiz.
A seiva que deveria circular em união
escorre, perdida, em direções contrárias.
Somos folhas levadas pelo vento do poder,
presas em redemoinhos que não escolhemos,
presas ao solo que comprime nossas raízes,
sem perceber que também somos parte da floresta.
E entre pedras, rios e desertos,
a vida sussurra que tudo é movimento.
Mas nós, reféns de ilusões e correntes invisíveis,
esquecemos que até as águas, ao se dividir,
sempre retornam ao mesmo mar.
Soneto da Vida Eterna
De passo em passo vou mudando a estrada,
E a cada curva, um novo amanhecer;
A vida nunca é reta, nem traçada,
Mas um constante e belo renascer.
Há reencontros na jornada percorrida,
Há despedidas que ensinam a ficar;
E toda mudança acolhida na vida
É uma nova forma de se encontrar.
O bem não mora apenas na grandeza,
Mas no instante singelo e verdadeiro:
Como num lago em calma, ou na suave certeza.
De ter alguém por perto o tempo inteiro.
Pois quem encontra amor na simplicidade
Já toca, ainda em vida, a eternidade.
