Revolução
Mutação
...E acontece aqui dentro como uma revolução, são outros pensamentos, outros sonhos movidos por essa realidade, e tudo vai mudando, vai movendo os meus gestos, a minha alma.
Revolução às avessas
A difícil tarefa de ser oposição depois de estar no poder coube ao Serra. Imagino como seria diferente se ainda não nos tivesse apresentado seu parceiro e amigo de biblioteca FHC. Todos nós estaríamos duvidosos de votar em Dilma, mas é evidente o desconforto do candidato diante das estatísticas do governo de Lula, numa comparação com o seu governo sociológico, resta ao candidato jogar pôquer com um espelho na gravata, agora é tarde demais.
A insensibilidade do seu governo no trato dos problemas mais cotidianos da vida brasileira, a falta de humildade acadêmica, a vaidade e outros tantos fatores geraram e mantiveram carências seculares que, com pouco esforço, foram superadas pelo governo sindical, ainda que superficialmente. Em nenhum momento delirei a ponto de me sentir satisfeito com o governo petista, mas a trajetória dos acontecimentos está definida, ele perderá.
Quando o PT venceu pela primeira vez, senti uma forte emoção, quem conta idade bastante para ter vivenciado o governo militar, e logo depois, o das oligarquias, sabe o motivo daquele êxtase que tomou conta de mim, afinal, quem poderia imaginar que o povo brasileiro não seria mais uma vez manipulado pelo jogo demagógico, pela força imbatível deste aliado à ignorância do povo?!
Quando vi o operário subir ao Palácio da Alvorada com a faixa presidencial, tal era o simbolismo do acontecimento que me esqueci totalmente de que deveria manter a guarda, afinal, o que era aquele governo? O que fazia um ex-presidente do Bank of Boston e o dono da Usiminas no meio daquela Sindicalhada toda? Como esses personagens e sua turma de empresários e banqueiros foram aliciados ou aliciaram o PT não se sabe, mas que, ali, estava configurada uma situação promíscua, um conchavo de retalhos era evidente.
Depois de passado o entusiasmo, percebi que tinha sido enganado, que minha carência político-afetiva anestesiou meus sentidos, consegui ver que aquilo nada mais foi que um engodo, que a intenção era tomar o poder e não mudar a realidade. Conseguimos fazer um dos homens mais ricos do mundo. Isso sim é revolução! Uma revolução às avessas, dirigida por sindicalistas pelegos e assessorada pela velha elite já conhecida de todos.
ZATJ
Não gosto de política. Já foi a época em que fazer uma revolução realmente mudava alguma coisa. Hoje, meu voto e nada têm o mesmo valor para a sociedade.
Os mecanismos da revolução socialista são lubrificados pelos oleosos processos peculiares a arte da rebeldia.
[...] Vivemos a espera de uma revolução
que caminha a passos largos para o retrocesso:
Avante o libertino progresso sobre a mente fértil [...]
Os socialistas de hoje não estão
interessados na revolução proletária.
Trabalham agora para a sua evolução bancária.
Como acontecia durante a revolução industrial, quando não se podiam importar máquinas junto com mão de obras, hoje não se pode importar computadores juntamente com habilidade, criatividade, desenvolvimento cultural e conhecimento acumulado em milhares de anos: o êxodo desta vez não é somente do rural para o urbano, mas da inteligência dita emocional que sabe conjugar diversas habilidades motoras, sensitivas e criativas num lugar
comum de vivência empírica. Portanto não adianta importarmos toda uma variedade de máquinas para aprendermos algo, se a semente da inteligência emocional não estiver preparada para dar frutos. Podemos colocar uma televisão educativa numa favela, mas isso não terá muito sentido se as pessoas não tiverem motivações em suas vidas para assistirem a televisão
educativa.
A Revolução é dos caminhos mais distantes de ser percorrido, devemos antes perceber as causas para nos alinharmos à caminhada, aceitando a sede, fome, tonturas e discriminações ao longo do percurso.
Ela vestia vermelho quando a revolução estourou
Não existia lua no céu, nem comida nos pratos
O caos se alastrava como inundação
Ela ouviu a primeira bomba explodir
E correu para o banheiro
Prendeu seus cabelos o mais alto que pôde
Passou rímel azul
Usou o resto do seu perfume
E colocou no pescoço o velho talismã
O lenço que a sua avó e a sua mãe haviam usado para cobrir seus rostos
Ela usou amarrado na cintura para esconder as armas que iria usar na luta
E quando pisou na praça não estava sozinha
Muçulmanas, católicas, pagãs, judias e famintas
Todas elas encontraram-se de novo
E sem pedir permissão.
Velho Talismã
Um Poema Revolucionário (Uma Revolução Silenciosa)
Autor: LCF
1
(Quero que fique registado: este poema trará a diferença neste mundo tão homogéneo.
Como o meu melhor amigo disse-me uma vez e eu repeti para ele: “Tu és um ponto negro numa parede branca, esta sociedade.”
Mas depois corrigimos para “Tu és um ponto branco numa parede negra, esta sociedade.”
A ideia percebe-se, não importa a troca da colocação na frase que ocorreu entre aquelas duas palavras.
Bem, vamos fazer a diferença… Só que sem dinheiro, a minha opinião vale o que vale, por isso fico-me pelo criticar. E reparem que na frase anterior já procedi a uma crítica…
2
Eu farei um poema em que viver não seja artificial.
Em que as frases “Eu amo-te mais do que tudo na vida!” e “Tu és a razão da minha existência, bebé!” não sejam consideradas como principais.
Em que não mostrarei a “beleza” do meu corpo para atrair fêmeas que se mostrarão “Em promoção!” para mim.
Em que o amor não seja aquilo que todos dizem, que todos afirmem, que todos escrevem, mas sim algo diferente, sentido, sem as mesmas condições.
Em que não terei de dizer que as músicas que correm nestes tempos são, na sua maioria, um desperdício de tempo, de riqueza, uma plena falsidade.
É como ter um alimento podre, não adorado pelos adorados, os do bem, que atrai as criaturas maléficas para uma armadilha. O problema é saber se a dureza desta é suficiente para aguentar tanta selvajaria… São tantas e cada vez mais…
3
Eu percebo que a popularidade seja importante e que é a única forma de mostrares um pouco da tua inutilidade perante um público ao vivo e a cores, no entanto… É o lugar da reunificação das almas que determinarão o teu destino.
É a folha que tens à frente, minha jovem? Não tenhas medo de a ler, é a solução dos teus problemas, para não acabares a servir-me um copo num certo estabelecimento…
É essa moeda que te manipula, rapaz? Se sim, tens duas hipóteses: podes usá-la para te servires de uma roupa mais elaborada; ou deitá-la fora, enterrá-la, e ver se cresce uma árvore a partir desse processo… Por acaso, não.
Porque não me dão as mãos? Esperem, toquem-me com a vossa alma e eu vos direi o caminho a seguir.
Um dia, eu escreverei um poema em que o cartão de crédito não tenha comprado as vossas personalidades.
4
A explosão prossegue, trovões fortíssimos, movimento irregular das placas tectónicas, por favor, alguém que me explique para que serve eu ter sucesso nos Estados Unidos perante tais calamidades?
Não, a hostilidade não pode liderar.
É no limite da minha paciência que me dizem que o entretenimento - a música - contenta as pessoas. Então, não gostam de ser inteligentes? A escrita não vos encanta, a arte não toma conta do vosso espírito com a sua magia? Os trabalhadores, ao Sol, com trapos desconfortáveis, horas sem parar de exercer a sua profissão, não deveriam ser mais respeitados?
Eu não critico a música, eu também a ouço (certas músicas.)
Eu não critico quem tem dinheiro, também gostava de ter mais (mas não exagerar.)
Eu não critico homens, mulheres, crianças ou idosos, também sou uma fragrância, um ser dotado de tudo o que me rodeia (certos seres não critico.)
Apenas digo que certos aspetos deveriam ser melhor controlados, porque infeliz ou felizmente, qualquer coisa tem valor.
E eu espero, um dia, criar um poema em que não tenha de realçar quaisquer pontos negativos.
5
Enquanto o Sol se esconde nas sombras da noite e não regressa, os vitoriosos vão fechando os olhos ao absurdo.
Para não causarem conflitos;
Para não sofrerem pela originalidade que possuem, nunca antes aceite.
Não é a força que nos define.
Não é a riqueza que nos define.
Não é a roupa.
Não é o corpo.
Não é o carinho, a paixão, nem talvez o conhecimento ou a sabedoria.
Porque tudo junto, somos nós, nada em específico nos define.
Mas talvez, no meu caso, os parênteses sejam a minha caraterística principal, o silêncio, o medo de fazer sair a palavra… E as reticências? Devem-se às minhas incertezas…
Contudo, neste poema sei bem o que digo e não voltarei atrás com a minha posição!)
"Lênin tinha um motivo especial em sua revolução... Igualar as riquezas para que todos sejam felizes sem desigualdade, porém o motivo da revolução era que Czar não deixou riquezas, então oque o estado soviético queria igualar, era um vasto império pobre e miserável."
ADEUS AO MISTO
O trem chegou a Urandi,
Fazendo grande revolução;
Era a Segunda Guerra
E a cidade viveu a explosão.
A cidade viu o progresso,
Muita gente casou aqui;
Deixou grande legado
Ou radicaram em Urandi.
A estação do trem
Era muito peculiar;
Ficou longe da cidade,
Era difícil pra acessar.
A estação era bonita,
Valia a pena preservar.
Tinha um curral de trilho
Para o gado embarcar.
Muita gente trabalhou lá:
Abelardo, Antenor, Valtinho.
Recebia muita mercadoria
E tinha produto pra exportar.
De Urandi levava minério,
Mamona, ovo e frango.
Trazia cimento, sal e grãos.
O misto lotava de candango.
O trem de passageiro
Fez história no nosso lugar.
Começou com maria fumaça,
Depois veio o misto até acabar.
Ele descia pra Minas na sexta,
Dia de sábado ele retornava.
Vendia muita coisa no trem
Porque a parada demorava.
Era um transporte barato,
Favorecia muito a pobreza.
Fernando Henrique acabou,
Dando adeus essa riqueza.
