Coleção pessoal de AlexandraBarcellos

Encontrados 17 pensamentos na coleção de AlexandraBarcellos

Ele falava lentamente
Não porque lhe ensinaram
Mas porque era o seu jeito de ser

Não gostava de desperdiçar palavras
Com a mesma velocidade das grandes cidades
Ele amava seguir o compasso
Do seu próprio coração

Liberto e frágil
Forte e cômico

Fazia isso com a mesma humanidade
De quem descobre pedaços de paz
Pelos caminhos das desilusões

No aglomerado do nosso tempo
Não se irritava com o lado de fora
Aprendera a semear seu espírito
Com um pouco de loucura
Tão necessária quanto o ar
Para sobreviver.

Alexandra Barcellos
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Tags: espírito liberto

Hoje é um barco
Que você não insiste mais em controlar
No mar das nossas decisões
Ondas, mergulhos, raios, medos e vontades de ser diferente
Tudo é transporte de emoções
Eu vejo teus olhos procurando horizontes
Eu também prefiro olhar para lá
Nunca seremos lemes
Somos um imenso mar.

Alexandra Barcellos
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Tags: emoções barco

Ela vestia vermelho quando a revolução estourou
Não existia lua no céu, nem comida nos pratos
O caos se alastrava como inundação

Ela ouviu a primeira bomba explodir
E correu para o banheiro
Prendeu seus cabelos o mais alto que pôde
Passou rímel azul
Usou o resto do seu perfume
E colocou no pescoço o velho talismã

O lenço que a sua avó e a sua mãe haviam usado para cobrir seus rostos
Ela usou amarrado na cintura para esconder as armas que iria usar na luta
E quando pisou na praça não estava sozinha
Muçulmanas, católicas, pagãs, judias e famintas
Todas elas encontraram-se de novo
E sem pedir permissão.

Velho Talismã

Alexandra Barcellos
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Resta o lado que ficou
Atravessado primeiro pela metade de nós
Que ficou além da fronteira
Esperando pelo próximo passo

Resta a tênue linha insensível e divisora dos nossos momentos
Alguns passam pela fronteira com olhos curiosos
A maior parte é viajante do tempo
Poucos se arriscam sem nenhuma identidade

Assim nos aventuramos ou não
Documentados e clandestinos
Eu não vejo muita diferença

Cruzando ruas, descobertas, um dia de sol, saudades, um bosque, um vício, estados de sítio, amigos, montanhas, indiferentes, sonhos que não se realizam, outra notícia, dores, casamentos, ganhos e perdas, passarelas, outra notícia, uma avalanche e alguém que deixamos de abraçar, mas não de amar

Existem fronteiras incrivelmente longas
Outras são estreitos lugares do mundo por onde nós temos que passar.

Fronteira - Velho Talismã

Alexandra Barcellos
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Esse lugar se chamava Biblioteca e tinha estantes com livros. Não eram muitos, mas eram o suficiente para quem está aprendendo.
Toninho escolheu um livro cheio de ilustrações e poucas palavras e o levamos para casa. Fizemos uma carteirinha, assim ele poderia pegar um livro por semana e eu também, se quisesse.
Foi o início de uma nova vida.

O Pedido

Alexandra Barcellos
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Nunca existiu nada entre eles

Nada

Só um jeito de se olhar

Perplexo
Perdido
Perfeito

Dois prisioneiros
Unidos por olhares

E um mundo de impedimentos
Duas pessoas e vários compromissos
Nenhuma atitude possível
Somente desejos que se tornam vestígios

Olhares e olhares
Quem nunca falou só com eles?
Você não?
Desculpe-me, mas não acredito na tua versão.

Olhares - Velho Talismã

Alexandra Barcellos
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Tags: olhares perdido

‒ A professora disse que quem quiser se apresentar, no final do ano, na escola, pode. Ela falou que podemos ler uma frase ou um pequeno poema. Eu não sei o que é um poema, mas gostaria de ler com você. O que acha?
Meus olhos encheram-se de lágrimas. Olhei para minha mãe, que nada disse, mas não consegui vê-la. Sentia-me não só incapaz de responder; naquele momento, eu me sentia, como sempre, cega.

O pedido

Alexandra Barcellos
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O mar era o amigo e o inimigo
O mar era o caminho dos nossos dons.

Cadu e as histórias de Bantu

Alexandra Barcellos
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A saudade me acompanhou como uma velha amiga que nada diz por entender como ninguém o que você sente.

Cadu e as histórias de Bantu

Alexandra Barcellos
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As estrelas são cristais do céu.

Alexandra Barcellos
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Música para quem ama o Blues
Era o que ele tocava
No bar decadente do centro da minha cidade

Pela porta da frente escapavam sons e ritmos
Ora do saxofone, ora do piano
O seu Blues misturava-se aos tiros trocados entre
traficantes e policiais
Cortava lentamente os gritos de todos os dependentes
Preenchia os buracos do asfalto e da desesperança vigente

Ele tocava com a alma e a sua música navegava
Como tábua de salvação por aqueles quarteirões
Entrava pelas frestas da minha velha janela
E conversava duas vezes por semana
Com a minha solidão.

Blues - Velho Talismã

Alexandra Barcellos
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Sou eu a cidade sem paz
As incertezas do dia a dia
Luzes
Lutos
Folhas que caem

Sou eu o milagre que nunca acontece
Só tenta
Só reza
Um dia essa dor vai terminar

Sou eu refletindo nos vidros urbanos
Correndo
Gritando
Ligando
Esperando ouvir (em meio ao caos) a voz de quem eu amo.

Cidade sem paz - Velho Talismã

Alexandra Barcellos
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A saudade é uma velha cadeira de balanço
De qualquer idade
A saudade é o pão que eu não fiz
Por você não estar aqui
A saudade é a letra da MPB
E do Jovanotti
A saudade nem nota que eu existo
Habituada em ser ausência
Nunca chega a ser dor
Ela é pior do que isso
Quando eu acordo
Sem te ver de novo.

Saudade - Peixes da Terra

Alexandra Barcellos
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Você não está aqui
Há mais de 138 dias
Mas o seu jeito sim
Ecoa pelos cantos
Mais extremos dessa cidade
Mergulha nas águas
Que antes banharam nossas árvores
Elas também perguntam
Quando irão ver você
Enquanto eu caminho
Torcendo dia e noite
Por você.

Alexandra Barcellos
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‘Eu nunca fiz isso antes’ é algo poderoso
Um portal
‘Eu nunca fiz isso’ é um voo no vácuo do espaço
Para a imensidão do viver
Um farol no breu
O antes impensado deságua sobre nós
Com a força irresistível de outras possibilidades
Um prisma infinito
Então você acredita na vida após a morte
Porque pode mergulhar de novo em si mesmo
Para nadar ao encontro desse calafrio
Agora eu faço o que eu sempre quis.

Alexandra Barcellos
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Ele não conhecia as cores
Vivia num lugar que semeava a escuridão
Era levado por vozes entrecortadas
Sombras dançantes de árvores fossilizadas
Eu descia dos longos troncos das sequoias do norte
E tentava segui-lo de longe
Era uma batalha tentar encontrá-lo naquele lugar
Eu gritava pelo seu nome
Que ecoava em submundos divididos
Por todo tipo de escolhas
Eu tinha medo das pessoas que pensavam em
suicídio
E atravessava a rua ao pressenti-las
Aproximando-se com seu ponto final cravado na
pupila
Um dia, finalmente o reencontrei
E aquela foi a última vez que nos vimos
Ele havia se tornado um pássaro estranho
E o seu espírito não reconhecia mais o meu
Separamos as nossas solidões e eu voltei para as
sequoias
Que sabiam me presentear com todas as cores do
sol.

Alexandra Barcellos
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Tags: árvores pássaro

Desertos do mundo inteiro
Apossaram-se de mim
Pedras eternas mergulharam
No meu coração errado
Desencontradas elas vivem na solidão
Do que não me pertence mais
O antes do ontem jaz agora
Sob a desabada ruína
Do que um dia eu amei
Enterrado na loucura irreversível
Por eu nunca ter compreendido
A alma devastada
Que sempre habitou em você.

Alexandra Barcellos
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Tags: desertos pedras