Relógio Parado
Vocês pareciam tão pilhados quanto eu
Ríamos de chorar
O carro parado, rodava a cidade
A mais de 140 km por hora
O vento da madrugada repuxava o rosto desconfigurado
No vidro da janela, o reflexo de mim mesmo
Me acompanhava feito sombra
Agarrado pelos pés de um solo infinito que ruia
Íamos, íamos, íamos e nunca chegavamos
Duas e dezenove, 2:19, três, duas e dezenove
Eita, que p**** é essa?
Diga-se de passagem, mas estavam todos lá
Um a um iam se apresentando
Música, olhares, toques e sorrisos
Complexos, incertos, oportunistas, poderosos eu diria
De fato aquilo tudo era ridículo
Mas foi tudo que ficou, desde o princípio
No primeiro golpe
Fugimos no estalo do recado
Leves, tão leves, que voavam, flutuavam
Não parecia certo, mas era bom
Muito bom pra ser verdade
E não era
REFLEXÕES
Tempo estranho parado em torno de mim,
Mais agitado no meu interior, fervilha pensamentos, momentos, quem sou, onde estou em cada situação em que sou arremetida.
Busco-me no centro de mim mesma, tentando compreender o sentido mais profundo da minha existência, que por vezes se revela em situações difíceis como esta.
Os valores essenciais rondam minha alma.
Envelheci uns 70 anos nesta quarentena. Este mundo todo parado. As pessoas trancadas em suas casas (as pessoas boas, né, porque as ruins estão nas ruas, com exceção de quem é obrigado por causa do trabalho), porra, está tudo fechado. O mundo ficou vazio. Chato. Desconfiado. Tudo é contagioso...
Não estou reclamando do comportamento de ninguém, nem da condição do isolamento. Não, pelo contrário. Acho que é necessário esse sacrifício e é natural que estejam assim com essa neurose. O problema é que não estávamos preparados para isso, principalmente para quem gosta de gente, de contato físico, calor humano. É difícil você ficar em casa preso, com tanta energia pulsando em ti, o mundo lá fora fervendo, as estradas, as ruas, a noite lhe convidando para sair, mas foda-se. As vontades precisam ser contidas, por enquanto (mas se puder vivê-las não hesite). O amanhã é incerto e os desejos não são eternos - assim como a gente também não é.
Texto: SirFoda (Apollo Narciso)
É se jogar no rio parado, e sacudi-lo
É fazer todas pessoas que dançam na festa parar
Tocar no peito e sentir a contração do coração
Fazendo a pressão arterial sistólica aumentar
QUANDO DUAS BOCAS SE ENCONTRAM
São duas almas se comunicando sem sair palavras
São esperanças sendo ativas inconscientemente
É o querer ficar, e esquecer o ir embora
Dizer ao mundo: Pare que daqui eu não quero sair
QUANDO DUAS BOCAS SE ENCONTRAM
Imaginamos logo o fogo se ascendendo
O colchão chamando para delírios
A roupa gritando que precisa ser tirada
Fios de cabelo se alertando fazendo o arrepio aparecer
QUANDO DUAS BOCAS SE ENCONTRAM
Se você ficar parado ,ou de mal com a vida,nada muda,nada acontece.
E preciso tomar as rédeas da nossa vida nas nossas mãos.
Tenha foco,acredite que você tem um poder renovador que modifica o que precisa ser mudado. Aja.
Confie,acredite,entregue, agradeça e viva!
TEU SORRISO ME DÁ PAZ
Fiquei triste quando te vi
Num canto parado
Como se estivesse acuado
Semblante sério, sofrido
Olhando o nada, perdido
Não via mais o brilho
Nos olhos do meu filho
E mesmo sem entender
Sem saber o que fazer
Ajoelhei-me para orar
Mas precisei silenciar
Então, mediante aquele olhar
Triste, parecendo vencido
Deus atendeu o meu pedido
Te vi tranquilo, sereno
E o teu lindo sorriso
Voltou me dar a paz
Que tanto preciso
Sandra Leone
Pegue carona com a felicidade
e permita-se ser feliz.
A vida é preciosa demais para ficar parado
olhando o tempo passar.
🦋 OS OLMOS
Andam pela luz do vento
Sem correr no tempo parado
Num mundano contemplar
Enche a boca num calão perverso
Para não chegar à alma
Profeta da essência mais mortal que os anjos
Que imita um mestre já morto
Mudo esse o seu mundo
Num rio que corre sem correr
Achado instinto de um dom
Sofridão que verte intensamente
A solidão sem poder ver a luz
Entre uma caixa deixada sem almas
De um poeta mudo, amordaçado na carne
Pela lua cheia entre as folhadas dos olmos
Onde se esconde com medo mas não dos lobos
Há em mim um místico sentimento 🦋
De felicidade nesta tela pintada pela natureza
Vista por fora e sentada me encontro
Olhando por dentro sentindo-me a flutuar
Nas cores que vejo e revejo na tela
Deixo-me voar por entre montes e vales
Caminho de terra batida na branca geada
Onde o Inverno morre despido
Pela intensa neblina na serra de Bornes
E em cada degrau me há-de levar ao céu.
Do Outro Lado
Aqui estou eu, parado no escuro.
Cansado de viver sozinho.
Agora vejo o tempo passar.
Olhando por essa janela embaçada.
Esperando a chuva passar.
Meu coração está aqui.
Ainda bate forte por ti.
Eu vou esperar.
Não ligo para o que foi dito.
Porque do jeito que estou, eu não quero ficar.
Eu espero o que for preciso.
Todos os dias.
Até essa tempestade passar.
Eu não posso ir até você chegar.
Você vê o caminho que eu não consigo enxergar.
Vou esperar você bater na janela.
Você é a melhor que já tive.
Você não pode ter ido longe demais.
Aqui estou eu, preso entre céu e inferno.
Arrume sua alma a pedido do amor! Guardar sujeira na alma é ficar parado no tempo passado, tempo impossível de se viver.
O medo de arriscar é o que te impede de evoluir, é o que te faz ficar parado no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, sentindo as mesmas sensações, no mesmo ciclo vicioso de uma existência pomposamente cansativa
Eu só queria ter meu tempo,
E com ele a leveza do vento,
Meu lar,
Meu momento,
Parado no tempo,
Entre meus livros,
Reflexão...
Um freio nesse mundo louco,
Uma taça de vinho,
Um disco na vitrola,
Nada para dar bola,
No oitavo andar do meu apartamento,
A leve brisa,
A rede balança,
Meus cabelos em quase uma dança,
O cheiro de banho tomado,
Ninguém do meu lado,
Meu espaço,
No Amor da minha companhia me enlaço...
Hoje quando saí do banho, me permiti ficar alguns minutos parado antes de pegar a toalha para me secar, apenas sentindo o vento frio bater no meu corpo, nada saudável mas de alguma forma reconfortante, meu corpo esfriando até chegar na temperatura do meu coração, ele por sua vez agora não queimava mais minha carne, o exterior expressando o interior, se tornando um só... Acho que foi aí que eu finalmente entendi a tua paixão pelo inverno.
O nosso contato teve a intensidade esperada vindo de elementos tão opostos, envolvida por uma inesperada calmaria.
Saíam faíscas e nevascas do nossos encontros de olhares,
Nosso abraço era o encaixe perfeito, eu te esquentava e não sei se foi logo no primeiro ou se aconteceu gradativamente mas, eu te derreti. Você, me refrescava, como um banho de água gelada no deserto, você me dava férias daquele inferno constante.
Eu era fogo, você, gelo.
Eu era gargalhada, você, meio sorriso.
Eu cantava alto, enquanto você sussurrava no meu ouvido.
Eu brilhava e quanto mais brilhava mais queimava, quanto mais queimava mais brilhava e cego pela minha própria chama de vaidade, eu te queimei... muitas e muitas vezes. Você se encolheu, eu me aproximei segundos antes de me afastar correndo, levando meu fogo pra longe de você, ciente que minha aproximação te tornaria cinzas.
Quando você me procurou, sufocada na própria tempestade, não encontrou o calor necessário, o tempo já havia transformado metade de mim em gelo, hoje também confesso que o encontro de nossas partes frias acabava apagando as faíscas que haviam me sobrado.
Hoje, você permanece em uma busca constante de alguém que te aqueça, como um iceberg em torno de ti crescendo sem parar. Eu, sem precisar queimar mais ninguém, as vezes neve, as vezes fogo, permaneço brilhando.
Uma vida esquecida
Eu conheço o vidro franja por franja
meticulosamente
à porta parado um homem oco
franja por franja no espaço
meticulosamente oco uma porta parada.
Um relógio dá dez badaladas ininterruptamente
dez badaladas por brincadeira dança
um homem com pernas de mulher
e um olhar devasso no Marte
passo por passo uma criança chora
uma águia e um vampiro recuados no tempo.
