Quintal
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
Sai lá no quintal para ver a chuva de meteoros prevista para hoje.
Além de não ver nada, pude ler a seguinte frase no céu:
-Chuva de meteoros no Brasil, pegadinha do Malandro, ié, ié.
[Invasão]
Sou uma eterna apaixonada da natureza e, no quintal passei a cultivar tomates. Especies: longa vida; rasteiro; tomatinhos cereja e tomate "gaúcho" (uma espécie aqui do RS).
Tirei duas colheitas e estava perto da terceira ...
Na última semana, uma família de insetos (Percervejos) invadiu meu novo plantio, escalou livremente os caules dos tomateiros, atacou e causou uma verdadeira destruição das folhas e dos frutos ainda verdes..
Os tomates não apenas nos alimentam, mas também fazem parte da cadeia alimentar de insetos, pragas e coisinhas similares.
É um círculo inevitável!
Sabe.
O gramado do vizinho pode até ser mais verde que o seu, mas não encaixa no seu quintal... "Então viva a sua vida, esqueça do seu próximo."
Tem umpé de estrelas
florindo lá no meu quintal
tem estrelas vermelhas,
azuis, amarelas, douradas e tem furta-cor
tem estrela que traz a manhã,
vespertinas prateadas de luz
cambiantes de amor
tem estrelas majentas,
cobre e carmim,
tem estrelas de pétalas agudas
tem sois de todas as grandezas,
tem estrelas guias, anãs,
binárias eclipsantes, quasares e supernovas
e tem as que bebem
se embriagam e se despem...
A rosa...
Hoje roubei uma rosa
No quintal do vizinho
Para através delas
Demonstrar todo
O meu carinho
(Autor: Edvan Pereira) "OPoeta"
Girassóis
Abriu a janela para observar.
No quintal havia girassóis para seus olhos se encantar.
No seu coração o sol despontava,
no quintal girassóis ao som do vento dançavam.
Mesmo em dias nublados,
a alegria se faz presente.
A vida é um presente.
Desembrulhe com cuidado.
Sinta amor, deixe - se ser amado.
Ouça a canção que toca dentro de você,
sorria e dance.
Ninguém precisa lhe ver.
Basta ser você.
Abra a janela, deixe o sol invadir.
Dance com as pétalas lá fora, demore- se no que lhe faz viver.
Demore - se em você.
E se quiser, deixe alguém demorar - se em você para ao teu lado, todos os dias, ver o céu amanhecer.
Fim de tarde,
frio de inverno.
Mas ainda faz outono.
No quintal há folhas
a dançar, cores
à variar.
Logo a primavera
virá nos despertar.
Pássaros cantarolando,
fazendo a tristeza passar.
O sol há de brilhar!
Em qualquer estação,
sempre é tempo
para amar.
No fim de tarde
ao teu lado,
ver o céu alaranjado.
Poesia é estar
contigo, admirando
o teu sorriso.
Logo chegará o luar.
Logo as flores a
primavera nos trará.
Fim de tarde outonal
trazendo inspiração.
Acalmando meu coração.
Sementes irão germinar,
bons sentimentos sempre
hão de brotar.
Fim de tarde,
frio de inverno.
Logo a primavera
virá nos alegrar.
Nosso amor florescerá,
perdurará por
quaisquer estações.
Seja no amanhecer
ou anoitecer eu
sempre estarei
com você.
O paradoxo do valente virtual. No seu quintal, paga de leão e faz gracinha. Na rua, pede perdão e vira galinha.
A viola, ah.. aquela viola que sempre está ao seu lado, na sala, na mesa, no quintal, na praia ou na rede, acompanha minhas falas e escritas, quase toca sozinha, fiel na afinação, com a alegria ela soa e ecoa os sons na madeira seca que eu mesmo usinei, já contemplou as estrelas de noite, o brilho intenso do sol e não reclamou da chuva, me ajudou à compor muitas canções e cada ano que passa, o som de seu tampo se refina, adora viajar comigo, um violão feito à mão, minha criação, minha coleção, é como um velho amigo.
Havia um cachorro no quintal. Toda vez que eu me aproximava para alimentá-lo, ele vinha e me mordia. Eu levava petiscos, tentava ganhar sua confiança, mas a reação era sempre a mesma: um olhar desconfiado seguido de uma mordida. No começo, eu não entendia. Por que ele reagia assim? Eu só queria cuidar dele, mas parecia que ele via em mim um inimigo.
Com o tempo, fui descobrindo o motivo. Esse cachorro, antes de estar comigo, tinha um dono que o maltratava. Alguém que não o alimentava direito, não lhe dava carinho, e talvez só se aproximava para punir ou ignorar suas necessidades. Esse passado de dor e desconfiança se refletia em cada mordida que ele me dava, em cada vez que ele se retraía ao menor gesto de aproximação.
Mesmo assim, eu insistia. Dia após dia, voltava ao quintal, levando comida e esperando pacientemente que ele me visse como alguém diferente. Mas nada mudava. Ele continuava me mordendo, como se eu fosse a sombra do antigo dono.
Então, um dia, decidi não ir mais até ele. Resolvi deixá-lo sentir minha ausência, para que ele percebesse a diferença entre o que tinha sido e o que poderia ser. Por alguns dias, mantive distância. E foi só então que ele começou a entender. Senti sua falta e percebi que ele também sentia a minha. Ele finalmente compreendeu que eu não era aquele que o machucava, mas o que tentava lhe dar uma nova chance.
Mas, quando ele se deu conta, já era tarde. O tempo que passei tentando ganhar sua confiança foi também o tempo em que, pouco a pouco, fui me cansando de ser mordido. Agora, que ele parecia querer minha presença, já não sentia o mesmo. Eu não queria mais correr o risco, não queria mais me machucar.
Às vezes, mesmo com boas intenções, não conseguimos consertar as feridas que outros deixaram. A desconfiança, quando alimentada por muito tempo, pode ser mais forte que a vontade de recomeçar. E, assim, cada um seguiu seu caminho: eu, ainda com a lembrança das mordidas, e ele, talvez com o arrependimento de quem demorou demais para confiar.
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