Quintal
Rememorando a infância
Avós na varanda, dialogando, janelas antigas de madeira, pomar no quintal, galo cacarejando, galinhas botando ovos, caquinhos de cerâmica, refugo na cor vermelha e um pouco em cores amarela e preta, badalar do relógio de parede de corda, gatos miando e esfregando nas canelas, Jabuticabeira florida e crianças felizes brincando, comendo mexerica.
Fábio Alves Borges
O Café em Renato
Aroma
De café
Do quintal
Coado
Em coadô
De pano
Chuvinha
Manhosa
Que só
Espiando
O tempo
Passá
Só
De besta
Gosto de infância
E fazia do meu quintal
o meu reino encantado
E do meu pé de mangas,
o meu castelo alado.
Cada galho, era um aposento
cheio de personagens...
Num agrupamento
que se apresentavam um a um para mim.
No meu castelo eram realizados lindos bailes
Com direito a príncipes e reis,
pricesas e rainhas...
Dançando em plena harmonia.
Não existia nenhuma desavença
Acredite, ninguém queria correr o risco
de conhecer o calabouço
e se deparar com alguma doença...
Ficava horas me divertindo
com a realeza...
Até ser despertada
pelos gritos da rainha mãe
Me chamando para ir comprar o pão.
Eita mundo fantástico!
Mundo de criança. Mundo da imaginação...
ÁRVORE DE AZEITE:
Naquele benefício...
um quintal com árvores de azeite
Que nasciam todos os dias
Àquela hora ao nascer o sol
E morriam como tal ao ocaso.
Sobre as rochas em greta
Eu colhia os frutos que comia.
E sobre seu cume que nutria o pinhal
Eu mirava o cordeiro
Que reluzia à boca da noite
Com o olho central que cuspia fogo
Iluminando o benefício.
As árvores morriam
E as aves em bulício calavam ao canto
Sob o cântico de ventura
Da matriarca
Que mistificava o brilhante
Reluzente de da luz.
O VENTO DO TEMPO:
Havia ao fundo do meu quintal
Um lago de águas brandas e cintilantes
Aonde nos meus sonhos de infante
Sob as plumas das aves de cristal
Erguiam-se meus castelos de ilusões
Que hoje são choupanas sem alento
Fazendo-me viajar de volta ao tempo
E ninar com mamãe suas canções.
Hoje, o palor de suas águas me ofusca
Tuas plumas ao infinito se perfaz
Seu cristal a beleza lhe refuta
Contudo, meu coração ao seu ausculta
E o meu sonho de rever-lhe se refaz
Ao lembrar-te em meus primeiros madrigais.
Quintal
sombra da roupa lavada
que o vento afaga
no varal
bacia secando
ao sol
espiando
o menino
que viaja longe
num caminhão
protegido
pelo irmão.
Infância e quintal
sinônimos de poesia.
Sabe.
O gramado do vizinho pode até ser mais verde que o seu, mas não encaixa no seu quintal... "Então viva a sua vida, esqueça do seu próximo."
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
Cada mulher com seu encanto. Mas algumas são interessantes até quando capinam o quintal trajando vestido da bisavó imigrante
Há pessoas que não arrumam o próprio quintal, não por falta de meios, mas porque é mais divertido reformar o mundo pela janela.
As flores
flores do quintal
flores da calçada
flores da janela
flores bem cuidadas
flores amassadas
flores esquecidas
flores belas
flores murchas
flores incompreendidas
eu posso ver,
flores em mim
e flores em você.
A tantas galinhas no quintal que cisca o chão
São tantas galinha que chega ser uma galinhada ciscadeira que cisca cacarejando de um lado pro outro e o galo que longe parece que toma conta e só quem acorda com as galinhas desperta quando o galo canta bem cedinho começa o dia a galinhada inquieta sai pro terreiro cisca cisca atrás de comida pra encher o papo o dia vai passando e o galo cantou cedo na primeira hora do dia pra dizer que ali é ele quem manda se precisa até briga
Mas é tanta galinha que no terreiro parece até formiga cisca o dia inteiro e quando a noite chega é hora de tocar a galinhada pro galinheiro onde todas inclusive o galo dor no poleiro agora só amanhã bem cedo quando o galopante outra vez
O paradoxo do valente virtual. No seu quintal, paga de leão e faz gracinha. Na rua, pede perdão e vira galinha.
"" Então veio o tempo e foi levando tudo
Como o vento varreu a casa, limpou o quintal
e sacudiu o coração...""
" Vejo cachorros latindo
por fantasmas que acham que estão no quintal
vejo comunhão de idéias falidas,
perdidas em boatos e devaneios.
vejo muito por fazer,
porém, poucas mãos empreendedoras.
vejo as incertezas e as criticas tomarem conta,
contra a ilusão que as inverdades impõem.
vejo o caos dos cães
correndo para todos os lados,
atrás de seus medos,
mordem os rabos
pseudo coragem
tenho certeza,
fantasmas não existem...
" Já não há casa
e no quintal, a sombra gesticula dizendo alguma coisa
entender o quê
os porquês?
aves marias, madalenas
mecenas
sondam a vida pela janela
(entrega o vento)
oh! flor bela, que pecado cometi
para sonhar, sonhar
e viver sem ti
não!!
já não há quase nada a ser feito
e o pouco que resta
me presta apenas
para acalmar a solidão...
