Quintal
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
Se a sua congregação fica no fundo do quintal e não cria ministérios para o rebanho crescer, ela muda para a periferia, onde tudo é mais fácil e não exige sacrifícios para permanecer à frente das responsabilidades.
A sorte pode até cair no meu quintal e trazer alegria repentina; mas, não me esqueço que na minha casa caem chuvas de bênçãos todos os dias como felicidade duradoura dos Céus.
Eclipse Entre Nuvens
Deitados no quintal, num velho lençol,
Esperávamos a lua vestir seu véu.
O mundo em silêncio, o céu tão desigual,
E as nuvens dançando devagar no céu.
Um eclipse lunar — promessa tão rara,
Mas a noite insistia em esconder.
Entre os vãos das nuvens, a luz se preparara,
Mas logo sumia, sem se oferecer.
Tuas mãos nas minhas, frias, caladas,
Teu olhar perdido em sombras e bruma.
E as nuvens, como mágoas mal disfarçadas,
Cruzavam a lua, cobrindo-a de espuma.
Falamos tão pouco, sentindo demais,
Como se a noite soubesse o que fomos.
A lua se eclipsa, e nós — tão iguais —
Nos perdemos em silêncios que não domamos.
O céu chorava em nuvens sem cor,
E eu quis guardar aquele não-ver.
Porque às vezes até o amor mais amor
Se apaga sem a gente perceber.
Pássaro ferido
Um pássaro ferido encontrei
Perdido no meu quintal
Corre prá cá , corre prá la
Mas sem conseguior voo alçar
Pobre pássaro ferido
condenado a viver na calçada
Procuro , procuro
Mas nada de asa quebrada
O que teria feito o pobrezinho
Ficar assim tão perdido
correndo sério perigo
de encontrar pelo caminho
o glutão do gatinho
da tagarela vizinha
Preso na mão o pobrezinho
sinto até as batidas
de seu pequeno coração
Está assustado o coitado
Perdido ali tão sozinho
temendo o cair da tarde
que traz a escuridão
Dentro de mim só emoção
num ímpeto tomo uma decisão
sem asa quebrada
nem qualquer ferimento
talvez tenha sido fraqueza
a causa de ir parar no chão
Ali , bem perto de mim
Uma árvore na calçada
prá onde levo a avezinha
a esperar pela mamãezinha
Que aflita deve estar
seu filhote a procurar
Horas depois ,
nada de pássaro encorujado
do galho da árvore alçou vôo
Ganhou as alturas
em busca da liberdade
duramente conquistada
Editelima/2019
Admirar a natureza verde através da janela, trazer também plantas para decorar o quintal e a casa promove ao ambiente um clima tranquilo e relaxante.
O canto dos pássaros quebra a monotonia e alivia a tensão do dia a dia proporcionando uma vida com mais qualidade mental.
Setembro/2022
No Quintal do meu Pai
Se me perguntares o que sinto
não minto...
É a vontade de chorar meu anonimato
por meu acto...
Se me perguntares o que choro
é o amor duro...
Que mais bem-querer, quero!
Sonhar, amar e sentir esmero
se me perguntares o que sinto
é vontade de não querer te perder
não...sim preciso te merecer
Para eu não desfalecer
meu sentimento teimoso
se me perguntares o que quero
quero chorar...
Não amar
tantas falacias recaidas no meu ombro
eu quero chorar
não gritar
talvez assim matarei nha ilusão de amar
se me perguntares o que quero
é somonte grito ou choro
entusiaticamente sem sentido
nem moral.
Daniel Perato Furucuto
24-06-2015
A RAZÃO DO MEU AFETO
Gosto de quintal,
do gosto da fruta tirada do pé.
Gosto de jardins,
de noites com cheiro de jasmim.
Gosto das lembranças
de domingos de horas sem fim.
Lembranças de um país rural, profundo, ancestral, que ainda vive em mim.
Valéria R. F. Leão
Vou ao quintal
ergo minhas mãos sereno e elétrico
Emano o que sou ao céu azul
e desejo:
Que reverbere a minha história ao universo
e além dele!
A minha história...
O meu canto;
o meu caminhar
e o meu sonho!
E mesmo que não tenha dado nada certo
eu segui em frente e pra cima
eu fiz o melhor de meu caminhar
e de meu cuidado ao mundo!
-Se dependesse de mim
este mundo estaria coberto de jardins!-
Eu levei a bandeira
d´Aquele que veio antes de mim
e que batizava com fogo
eu segui adiante
não envergonhei
a Confraria do Fogo
da qual pertenço!
Havia um poço
Nos fundos de algum quintal
Onde existiu um olhar
Com ar bem mais moço
Existia um varal
Pra pendurar
Esperanças ou promessas
Que pra bem ou pra mal
Nunca mais houve outro igual
Essa pressa apressada em viver
Transforma tudo em lembrança
Enorme saudade
Essa coisa disforme
Sem nome
Do fundo do coração
Envio aos Céus uma oração
desde o começo
A vida correu
Ao avesso
E o poço estava lá
Meu moço olhar envelheceu
Desilusão acima de tudo
E eu me iludo
Hoje, ao nível do Mar
Não sopra o vento
E assim tudo navega
Ou se vive à deriva
Sem lágrimas
de maneira alguma
Não existe uma brisa para secá-las
Hoje, assim como ontem
Quase ninguém escuta
Aquilo que fala o coração
A melhor maneira
de viver como não se quer
Começa em fazer e fazer e fazer
Aquilo que quer
da maneira que convier
Nos fundos de algum quintal
Um poço secou
E se olhar direito
Talvez o olhar que existiu
Jamais tenha sido
do jeito que a gente viu.
Edson Ricardo Paiva.
Soneto
Um menino está brincando
Solitário no quintal
Todo dia para ele
é sempre igual
Faz brinquedos com as tralhas
Que vai juntando pela vida
Nunca foi primeiro em nada
E nem nunca teve nada de primeira
Nunca teve segredos
Mas guardou no coração o medo
de viver na eterna solidão
Encontrou somente a companhia
Quem lhe atirasse as migalhas
Que houvessem restado ao fim do dia
Eu gostaria hoje
de possuir um grande quintal
onde pudesse plantar tomates,
alface e abacates
Um lugar onde a gente pisasse
e isso não fizesse mal
Queria plantar também
Amor, harmonia e perdão
Fidelidade, fé e compaixão
Eu queria semear amor
e poder distribuí-lo
diminuir a dor do Mundo
Queria plantar maçãs
e distribuir a comida
Que alimentasse as almas e os corpos
das pessoas que também quisessem
A todos ver e ser vistas como irmãs
Queria hoje
dividir todas as conquistas
Mas não gostaria de conquistar nada
Que não pudesse ser compartilhado
Ao longo dessa estrada
de onde nada se leva
Queria saber fazer
Brotar a luz
Onde existe apenas treva
Se eu tivesse apenas um quintal
Creio que seria suficiente
desde que houvesse mais gente
Que compartilhasse da vontade
de viver e fazer valer
uma vida onde tudo
Fosse constituído
Pura e simplesmente
da verdade que a tudo supera
E que todos os dias em nossas vidas
Fossem constituídos
Somente de primaveras.
Eu tenho um pé de acerola no quintal. Todo dia ele amanhece carregado, eu vou lá e colho o máximo que posso. Amanhã vai estar cheio de novo. No dia que eu me cansar e parar de colher, ele vai parar de amanhecer carregado. As coisas são desse jeito.
Eu conheço um mendigo chamado João. Sempre que o vejo eu converso com ele. Se eu lhe oferecer alguma coisa, ele aceita. Se eu não oferecer, ele não pede nada. Ele é mendigo há muitos anos e me contou que no início usava a voz pra mendigar as coisas na rua. Um dia ele percebeu que as pessoas não estão tão preocupadas umas com as outras como dizem estar. Então ele se cansou de acreditar e parou de mendigar. Continua mendigo, mas só pra si mesmo, pois compreendeu, após a passagem de anos, que a vida o esqueceu no dia que ele se esqueceu da vida. As coisas são da maneira que são.
Edson Ricardo Paiva.
