Poeta
O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.
Eu sou o cavaleiro da árvore
Eu sou o poeta da campina árida
Eu sou o suspiro em um lugar vazio
Eu sou a fome: quem mais eu sacrificarei em si mesmo?
Eu sou o convidado que você não espera
Eu sou a canção para acordar os mortos
Eu sou a maré que afoga sua mente
Eu sou o trapaceiro: quem mais te traz aflição e riqueza ao mesmo tempo?
Eu sou a lança que ruge para o sangue
Eu sou o lobo vermelho e implacável
Eu sou a tempestade que agita distante
Eu sou o adivinho: quem mais ajusta a cabeça fresca sem vida com fumaça?
Eu sou o conselho que traz a fama
Eu sou a espada que bebe sua vida
Eu sou o corvo em um cadáver
Eu sou a forca: quem mas te traz à morte enquanto te seguro?
Eu sou a chama em cada coração
Eu sou o grito em cada garganta
Eu sou o protetor para cada cabeça
Eu sou o túmulo de cada esperança
“Como dizia o poeta:
As rosas são vermelhas e as violetas são azuis.
Pare de enrolar e aceite logo Jesus..”
A beleza feminina faz os versos masculinos
Se eu fosse um poeta
com certeza agora escreveria um poema,
se poeta conceituado fosse
este poema seria de todos os meus, o melhor!
Pena que não sou.
Se fosse, falaria sobre a beleza que uma mulher pode irradiar.
Beleza tamanha que ao admirá-la
me faz parar de trabalhar e filosofar!
Tenho em mãos uma mera foto
extraída de uma mera revista
Oh, meu Deus. Por que não me fez poeta?
Como queria ter palavras para traduzir isso tudo.
Mas por que tanto encantamento?
São apenas cabelos, olhos,
uma boca, um nariz, pernas, braços e um vestido,
nada de mais nem de menos.
Mas o que acontece
é que certos cabelos, olhos,
narizes, pernas, braços e vestidos
têm o poder de me enfeitiçar.
Estes não são diferentes
são loiros, azuis, macios e estampados com flores.
A sintonia é perfeita,
os encaixes afinados ao máximo.
Parece que a boca vermelha foi feita para os olhos azuis,
os olhos azuis para os cabelos de ouro,
o corpo para o vestido,
tudo isso junto forma um ser divino.
Deus, por que escolhestes a mim?
Por que não o Vinicius de Moraes?
Tivesse ele a honra de admirar essa foto faria um grande poema.
O mundo realmente perdeu uma grande poesia!
O Poeta que ama poemas
Eu e você ardendo em amores
Felizes amantes.
Roupas jogadas ao chão
Meu gosto, teu gosto!
Toma meu ar, meus desejos
Derreta-me em tua língua
E líquida, transbordo o cálice
Ao arranhar da tua boca
Sede visceral...pele na pele
Me perco no teu corpo
Estrada sem fim
Você e eu..você dentro de mim!
Enrosca, beija e enlouqueça
Sob lençóis cúmplices de sonhos
Minha alma te recebe
Sou senhora do teu amor
O PINTOR E O POETA
O poeta tece em palavras
Como o pintor retrata em cores
Uma bela aquarela...paisagem da janela!
Um doce poema. vislumbres da alma...
E assim, sorrateiramente
O poeta vai buscando os versos e as rimas
lembranças de um passado presente
Como tinta fresca, misturada no quadro.
E a arte vai imitando a vida
e a vida inspirando a arte...maravilha!
O poeta escreve nas linhas
...E nas entrelinhas!
O que o pintor pinta na tela.
O poeta se exila no eco de suas próprias palavras, uma trilha enigmática dos seus anseios, na esperança de que algum louco o entenda, mas se não aparecer o louco, ele se regojiza do mesmo jeito.
Patativa do Assaré
Dentre o cultivo de terras
surge o poeta do Ceará
de seus envolventes repentes
o maravilhoso desafio do improviso
o casamento da poesia e da música
o delicioso canto de criação de versos.
Ó ave Patativa
que beleza de canto, de poesia
de fineza, de melodia
de uma oralidade marcante
cheia de significações e sensações.
Entre a voz e a entonação
as pausas
entre o ritmo e o pigarro
a expressão
com perfeição sua ironia, veemência e hesitação.
De sonetos clássicos
à décima e a sextilha nordestina
ora linguagem culta
ora linguagem do dia a dia
emerge a poesia matuta.
Antônio Gonçalves da Silva
agricultor, improvisador
compositor, cantor
poeta popular
nossa ave brasileira.
Como dizia o poeta, a felicidade é um caminho escasso e solitário, se não fizermos por nos mesmo ninguém o fará.
Difícil explicar, mas quando fico pensando em você,me torno um poeta,cada palavra que me vem a cabeça, vem em formas carinhosas para te elogiar a altura. Olhando para você, viro um admirador, sabe porquê ? Porque eu admiro apenas uma beleza, um sorriso e apenas a pessoa mais bonita do mundo que é você …
Poeta
Olhar perspicaz, cativante
Íntimo do silêncio, inspira de palavras
Tenta dar sinônimo a esperança,
Pois são extensas, intensas suas palavras
Essa maneira de questionar essencial
declama esta arte de interpretar.
O anti poeta...
Maldito, anti poeta
De arma na mão
Manchou a palavra de vermelho
Tingiu o sentimento com a cor da dor
Fez sofrer a alma mesmo distante
Alma que tem sentimento chorador alheia
Alma que ora sente a dor e ora
Alma que sem religião apela para uma força maior
Alma que não entende a maldade do falso poeta
E onde está a alma deste desalmado?
Que lhe fizeram de mal que tinha ele de mal?
A resposta?
A resposta fica num tiro de arma de fogo
Dante poeta conseguiu a arma
Caneta com que escreveu a anti poesia
Como? Comprou no câmbio negro...
E se fosse um liquidificador teria feito tanto estrago?
Hipócritas o anti poeta é fruto de vossa ideologia.
Agora faz cara de triste chora
Malditos, maldito, maldição...
Canta, poeta, a liberdade, - canta.
Que fora o mundo sem fanal tão grato...
Anjo baixado da celeste altura,
Que espanca as trevas deste mundo ingrato.
Oh! sim, poeta, liberdade, e glória
Toma por timbre, e viverás na história.
Ora poeta,e quando escrevestes
Não digas somente o quanto é bom amar
O quanto o sorriso dela é parecido com o mar
A poesia é além da felicidade, ela também é dor,ninguém procura uma poesia só porque está feliz
Mas porque querem achar algo que
Toque a sua ferida,doida.
A Defesa do Poeta
Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
dou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.
Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs em ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.
Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
Poeta fingidor
O amor pra mim
Sempre fora uma coisa dolorosa
Complicada e incompleta
Nunca coube em uma prosa
Faz de mim um poeta
Um poeta fingidor
Chega fingir tão bem
Que esconde qualquer dor
Por isso que vai vagando
Sempre em busca do amor
Quando um dia, meu povo
Ele no ar, foi pairando
Encontrou ele, uma flor
E quando encontrou
Não teve pra onde fugir
Findou toda essa dor
