Poeta
Solidão
Mesmo no meio de uma multidão estou só,
Apesar das aparências, eu ando com a minha bandeira branca da paz carregando o significado da minha existência,
A essência da minha alma solitária esta presente na caneta do poeta.
Abelha procurando o alimento,
O ferrão o seu protetor,
Fabricando o mel pro sustento
Do perfume de uma flor.
O beija-flor a flor cobiçou
O pólen vai espalhando
Dele se alimentando
Da flor que se beijou
Da larva até o germe aparecer
Essa metamorfose acontecer
Em borboleta se transformar,
Da abelha, borboleta e beija-flor,
O poeta versos de amor.
Numa folha o seu saciar.
Adicionei mais um pensamento dentro do poço
Que vivo
No fundo do abismo
Adicionei migalhas para mim
E muito para amigos
Me dei por inteira
Até não dar conta
Do peso das minhas costas
Da cortesia paga
Do tamanho da anaconda
Como cobra rastejo pelo chão
Procurando carne para me alimentar
E como uma grande cobra
Traiçoeira
Me detenho com lágrimas
Escritas por mim mesma
Cansei de ser monótona
E fazer sempre o mesmo
Cada dia que passa sinto meu destino em minhas veias
Como se tudo fosse mágico
E belo
Sem dor
Sem frustração
Como se fosse rosas
Eu as cheiro
E sinto seu perfume
De longe
A vontade de conhecer o mundo não se esgota até enfim conhecer
Não sei nem se sei mais escrever
Mas ainda sinto satisfação em fazer
A vaidade que te alimentou
enquanto corrias na primeira fase da pista,
é agora o pesoque te impede
de alcançarnova conquista.
Só há uma atitude humana que me faz duvidar se fomos realmente feitos à semelhança de Deus, é a ingratidão.
FALATÓRIO
Fiquei sabendo por boca de Matilde
Que uma certa pessoa gosta de mim
Que anda dizendo, meio secretamente
Que me tem desejo ardente, e o que faria por este fim.
Não pude acreditar que tão fina dama soubesse que existo
Ela vive em outra esfera, e, que pobre quimera eu poderia supor
Muito menos querer que tão linda mulher me tivesse amor.
Sou poeta andarilho, ando fora do trilho
Nunca quis tal grandeza, que a sorte e a beleza
Me fizessem um favor.
Diz por aí, que daria tudo por um verso meu
Que tamanha tolice, se eu fosse querer
Fazer verso em troca de um simples prazer.
Continuo a negar este vil falatório
Que um ser tão simplório lhe chamasse a atenção
Não será por encanto que serei acolhido
Por uma simples canção.
A vida e tudo em tua volta pode até desmoronar, esmorecer, mas se ainda te restar forças pra cantar, cante e então acharás razão para viver.
Mentes turbulentas procuram a escrita quando não há mais nada a ser feito, talvez seja a melhor descarga mental para o poeta, que sente demais, exagera demais e no poema se derrama mais que demais.
DEVANEIOS
Quem me dera
Da rosa o verso.
Do verso a trova.
De trova em trova
Uma boa prosa.
Quem me dera poeta, escritor, trovador.
Quem me dera
Da prosa a canção.
Canção de rosa toda prosa
Em verso e trova.
Poesia transbordando, arte em ebulição.
Quem me dera a inspiração.
Valéria R. F. Leão
Sou um desmedido paradoxo
em cântico!
Sou um monge descabelado...
Um arlequim tristonho...
Um amante não amado
Um Cristo sem paraíso...
E bandido
SIGO...
Pela vida desamparado
O único remédio que tenho
É o meu verso
E às vezes este mesmo verso
que canto
Me machuca tanto
Feito aço enferrujado
DIA DE PORTUGAL, DiA DE CAMÕES
, Dia de viver estrofes, sílabas, dos versos emparelhados e cruzados em 8 tempos. Distinguido pela sua obra a epopeia Lusíadas
Um expandindo poeta que elevou-se ao mais alto nível da poesia, e rimou como ninguém,passou tribulações, viveu, e nas suas lutas de interiorização manifestou, um nível elevado de linguagem e jogo de palavras, onde a compreensão passa pela separação dos tempos, e continua actual.
Escrevo aqui umas linhas de Luís Vaz de Camões.
-'Das gentes populares,uns aprovam
A Guerra com que a pátria sustinha;
Uns armas limpam e renovam.
Que a ferrugem da paz gastadas tinha
Capacetes estufam, peitos provam,
Arma-se cada um como convinha,
Com letras e tensões de seus amores.
Agora escrevo eu:
Há Guerras que se vem
E outras que não se sentem
Começaram nos Céus
Entre Lúcifer e Deus
As nossa lutas internas
E batalhas externas
São uma constantes
Nada é como dantes
Bem Haja
Pertences ao teu ser e divide-se em dois
Proclama no desespero do teu silêncio, a lágrima escondida
Feres a ti mesmo, como feres ao pai.
Que o desejo de me encontrar perdida em lágrimas forje mais um dos belos sorrisos
O poeta jamais deixará de ser um sofredor rico, rico de esperança, ganhas o tempo com palavras doces e estimuladas, contenta-se o fraco.
Limita-se a amargura destinada ao coração...
O atraso constante de idéias não poetizadas me coloca na cara um sorriso único de alegria,
que saudade do tempo em que eu nem percebia e mesmo assim, sorria.
Cativeiro das Palavras
Nunca sei o que escrever.
As palavras chegam sem aviso,
como pássaros desorientados
que pousam no peito
e logo se lançam ao vazio,
deixando o silêncio
como única companhia.
Sempre há dúvida.
Onde estão as inspirações?
Onde se esconderam os sorrisos
que um dia iluminaram o caos?
Talvez seja apenas questão de tempo,
tempo que não há,
tempo que se dissipa
como névoa em manhãs febris.
Mostre-me as lágrimas
que tais sorrisos trouxeram consigo,
como marcas discretas
nas dobras da memória.
Entre tantos sentimentos vazios,
confusos e desgastados,
é difícil encontrar algo verdadeiro,
algo que não se dissolva
na vastidão dos dias incertos.
Demônios Internos
Não há demônios sob a cama,
nem monstros à espreita
nas frestas da escuridão.
Procure-os dentro de si
e os encontrará,
enraizados na alma,
como raízes densas
de medos nunca podados.
Eles se alimentam
do silêncio amargo
das noites insones,
bebem das culpas
que se ocultam
nas sombras da consciência,
crescendo nas rachaduras
dos segredos sufocados.
Não há monstros lá fora,
não há presenças que assombrem,
apenas os fantasmas
que nós mesmos criamos
com os escombros
das verdades que tememos.
Eles não gritam,
não quebram portas,
não urram no escuro.
Sussurram
na voz da ansiedade
que ecoa dentro do peito,
esperando que um dia
tenhamos coragem
de encará-los
sem medo do reflexo.
