Poeta
(Se por um acaso,
Nem todos quisessem)
Viver para sempre
Desprenda-se,
Da ideia de
Céu E Inferno.
Descole-se,
Do Paraíso,
Tártaro ou
Repartição,
Satisfação ou
Punição perene.
O maior triunfo,
Que podemos obter
Com a Morte,
É o fim,
Definitivo,
Da Estupidez.
Quase um Bóson de Higgs
Admito aqui,
Diante deste
Colisor de Hádrons,
Uma ampla pretensão,
De exclusivamente embriagar,
Os espaços vagos
Em minha mente,
Com majestosas imagens;
De um vívido passado,
Prum suposto futuro,
Descompromissado.
Que de anteontem
E do instante-em-diante,
Tudo seja presente.
Distribuo Atritos com Garantia Estendida
Lamentavelmente não acumulo cifrões,
Muito provavelmente por inaptidão,
De resto, tanto acúmulo.
Acumulei...
Saberes, palermices, sabores,
Prazeres, crendices, descrenças,
Compadres, tolices, amores,
Novidades, mesmices, plateias...
Acumulei...
Hematomas, saltitos, cafunés,
Excursões, alardes, historíolas,
Ruínas, empates, calmarias,
Tralhas, capotes, estreias...
Faço tuas as minhas palavras,
Sem risco de devolução.
Mesmo isso sendo o cúmulo,
Sugiro como princípio, uma única encíclica:
Neste parágrafo, sede travessão.
E em negrito maiúsculo sublinhado
ACUMULAI
Após as infinitas milhas alcançadas,
A única distância que realmente importa,
É aquela que percorremos em nosso interior.
Suor dos teus poros borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas,
Histéricas, concretas, poéticas, precisas.
Beltranos Motel
Tinha algo a ver com ductos lacrimais obstruídos e isso se reverteu numa discussão sobre como um obstetra relapso, tratava com indiferença suas pacientes; já naturalmente sensibilizadas, pela condição de estarem gerando vida dentro de si. Aparentemente, o Doutor Sem Tese, havia deixado um equipamento dentro de uma das belas arredondadas mamães, que ali esperara para ser consultada. Enfim, enquanto o Dr. Ciclano, fumava seus mentolados na saleta com sacada ao lado, o aparelho saltou de dentro da acolhedora e aconchegante progenitora, espatifando-se contra o solo. Excomungando todas as coisas vivas e inanimadas o Dr. Cara de Hemorroida, adentrou o recinto e tudo isso acabou rapidamente, num comum acordo entre ambas as partes, diante do juiz de paz. A secretária do consultório, que se apresentou como testemunha do casal, hoje atua no ramo imobiliário, aparentemente aquecido após a mais recente crise financeira. Os condomínios tem nascido como prole de coelho, do Jardim Três Marias até a fábrica de injeção de plástico, na região limítrofe da cidade. A estiagem veio tão cedo quanto a escassez dos derivados de petróleo. O desemprego tornou-se tradição na vida de Aroldo, mas ele iniciou um curso de panificação semana passada e as expectativas são as melhores dos últimos verões.
#E #LÁ #VOU #EU
Ouvi, por vezes, em meio ao azul infinito...
Que as coisas profundas devem ser ditas em poucas palavras...
E com o coração sentido...
Sinto o dia todo aqui e ali...
Todo esse sentimento...
E escrevo meus poemas...
Para dizer que estou aqui...
Posto que nunca estou só...
Nem mesmo quando me abraça o silêncio...
Tudo é na eternidade um pequeno momento...
Sou verso de começos...
Sem princípio, sem fim, sem medida...
Escrevo o que sinto...
Coisas simples, da vida...
Porém, nunca a verdade me deixou...
Simplesmente fantasiar...
Bordando minhas letras...
Sempre posso mais sonhar...
Esse instante existe...
E minha vida por si mesmo se completa...
Não sou alegre...
Não sou triste...
Sou um solitário poeta...
Não tenho vergonha de dizer que estou triste...
Não tenho vergonha de dizer que estou alegre...
Apenas sinto dentro de mim...
E sigo fazendo assim...
Me deixo perder...
Para me procurar...
Pois é me perdendo...
Que sei que vou me encontrar...
E quando necessário...
Enlouqueço como for...
É o meu jeito...
Assim eu sou...
Dizem que os sonhos estão fora de moda...
Cavaram um buraco bem fundo e entraram...
Mas lá vou eu...
Nunca vou deixar de sonhar...
Nunca vou deixar de amar...
Se no meu amanhã o que eu sonhei...
Não acontecer...
Tiro um arco-íris da cartola...
Sem nada temer...
E nisso, sim, acredito...
Maior que todos os ventos contrários...
Diante das dificuldades...
Saberei sempre encontrar...
Minha felicidade...
#CANTEI #PARA #VOCÊ
Cantei uma serenata...
Debaixo da sua janela...
Me transformei em um vento...
Para roubar seu beijo...
Juntei no céu...
Todas as estrelas...
E nessa noite linda...
Enfeitei minha diva...
Dentro do seu olhar...
Eu pude me ver...
Já não mais estava sozinho...
Era amado por você...
Encontrei alegria...
Em seu sorriso apaixonado...
Me coração se fez em festa...
Por ter você ao meu lado...
Quisera eu ...
Já há muito ter percebido...
Que sem você....
Eu não existo...
Como é bom lhe amar...
Minha doce querida...
Agora eu já sei...
A razão de minha vida...
Possa Deus sempre permitir...
Todos os meus dias...
Lhe adorar...
Por toda a eternidade...
Quero contigo sempre estar....
A lua inveja sua beleza...
Quando o violão chora...
Cantando...
Lhe querendo...
Em toda hora...
Esse poeta...
Que faz juras de amor...
Oferta seu coração...
Minha linda flor...
Você é luz...
É raio de luar...
É magia...
É encanto...
Meu sonho...
Faz minha alma voar...
Então querida...
Linda mulher menina...
A você eu me entrego...
Por completo...
Sandro Paschoal Nogueira
#MENTIRAS
Antes eu tive fé...
Deixei escapar em uma esquina qualquer...
Conheci a verdade...
Mas não posso lhe dizer...
Poeta mentiroso...
Que em cada versos existe um pouco de mim...
E onde sonhei viver...
Já não sei se desejo tanto assim...
De rima em rima um pranto...
Alma calma...
Declamando amor, o apego e o sossego que mais se acentua...
Do cisne , um canto de mentiras...
Enquanto a verdade anda nua...
Feliz de quem puder...
Aos domínios do céu o pensamento erguer...
Perdi-me dentro de mim...
Pois sou um grande labirinto...
Passei pela vida...
Por muitos abismos...
Nem todos os senti...
Não tenho o amanhã e nem o hoje...
E para os outros cujo o tempo foge...
Eu o tenho como meu consorte...
Aonde tanta vez a lua me beijou...
É onde tantas encontrei um amor...
Quisera eu lhe falar mais...
Sendo hoje o dia da mentira...
Quiçá depois...
Sandro Paschoal Nogueira
Para o pintor, uma parede branca, suja e esburacada...
Transforma-se em tela e fantasia...
Horizonte e linhas do céu...
Um pouco de tinta...
Um pincel...
Para o poeta...
Um momento...
Palavras ganham novos sentidos...
Em pedaços de papel...
O poeta tece em palavras...
Como o pintor retrata em cores...
A arte vai imitando a vida...
e a vida inspirando a arte...
Sandro Paschoal Nogueira
Amanheceu...
Frio intenso...
Árvores chorando em sereno...
Nem brisa sussurrando...
Em meu jardim só ?
Pensava ele = o poeta triste =
Rumor dos mortos...
Nunca esquecidos...
Caminhando....
E no silêncio presente...
Doce perfume inebriante pairava...
Nem uma abelha zumbia...
"De onde vem esse perfume?"
Indagava para si, tal qual sino silencioso,sem receber afago merecido...
Enquanto no frio agonizava...
Seus chinelos no chão arrastava...
Em penosa caminhada tremida...
Olhos lhe aguardavam...
Todo seus movimentos sentidos...
"O que será que o poeta vai fazer?"
Perguntam os pássaros uns aos outros...
Sussuravam baixinho...
A hora e o momento não pediam...
Alegres gorjeios...
E na aurora que o dia bebia em taças...
Pelo mel no ar ele se guiou...
Cada pétala...
Cada flor ele encontrou...
Estrelas deixadas na madrugada...
Com as quais se enamorou...
Eis que setembro chegou...
Olho-de-boneca floresceu...
O quanto Deus é generoso...
Só para fazer o poeta sorrir...
Plantou orquídeas em seu jardim...
Sandro Paschoal Nogueira
Apito final
Por mais pífio
Que seja
Qualquer coisa que se escreva
Pesadão ou com Leveza
Pode crê tenha certeza
Toca a alma de alguém
Mesmo que confuso
Retilíneo ou obscuro
Uma luz diante ao túnel
Mentes confundir ou clarear!
Agora jaz.
O poeta deve parar!!!
030223
O silêncio não teve mais ser tratado como forma de contentamento da minha parte, uma vez que os meus pensamentos aprenderam a decifrar o manuscrito do seu corpo; agora, revelado perante os meus olhos está o caminho que me leva ao seu coração, que somente em meus sonhos o trilhei, mas em lugar nenhum me levou; vou me declarar, para que a noite não traga mas o silêncio.
A arquitetura é feita por espaço curvas e linhas, criando alegria e entusiasmo com imagens que lembra os poetas, quando se sentem inspirados para mostrar tudo o que é belo.
De uma margem à outra tenho caminhado. Às vezes corro ansiosamente, em busca de novos oportunos parágrafos. Pausando aqui e ali, entre vírgulas que aparecem pelo percurso. Prossigo tentando dizer sempre algo relevante a cada dois pontos e travessões que me dão uma vez ou outra por aí. Suspiro e reflito muito em reticências que me surgem na cabeça de momento em momento. Vou seguindo. Vou indo. Resistindo até que eu aviste um ponto final no fim de uma linha sem saída me cobrando parar.
