Coleção pessoal de luca_jordao
A minha desgraça
Não foi ter nascido,
Mas a este mundo
Ter vindo, ter vivido,
E vivendo, ter sentido
Mais do que gostaria sentir!
Amar é um ato de coragem,
Pois você se torna vulnerável
Ao expor seus sentimentos
A pessoas que tendem ao egoísmo
Me sinto uma alma perdida
Neste planeta, vagando a esmo
Em busca de alguma pista
Que me leve de volta para casa.
Que mundo cruel esse a que vim
De homens que creem em inferno
Mas daqui o fazem um;
De homens que culpam a demônios
Por todos os males
Mas são eles o próprio mal.
São da mais alta raça de imbecis,
Destruindo a casa que lhes dá abrigo.
Olho para tudo isso e meu coração
Guiado pela lógica e pela razão
Não consegue sequer compreender
E se sente disperso e distante.
Nem mesmo o amor escapou ileso
Da frivolidade desses homens.
Amam a sensação de serem amados.
Amam ao que o outro lhe proporciona .
Amam a tudo menos a pessoa que a ama.
Amar é um ato de coragem,
Pois você se torna vulnerável
Ao expor seus sentimentos
A pessoas que tendem ao egoísmo,
Que aceitam eles apenas com intuito
De se sentirem bem consigo mesmas,
Os descartando quando não mais lhes agrada.
Queria acreditar que, nós, poetas,
Somos diferentes, mas até nós
Estamos sendo arrastados para a escuridão,
Nos corrompendo e sendo transformados
Nessas criaturas horrendas que aqui vivem.
E assim sigo, perdido, sem saber
Em quem posso confiar meus sentimentos,
Fingindo mentir quando falo a verdade;
Jurando ser verdade o que nunca vivi.
Eu tenho mil faces e, de tanto mudá-las,
Já por tanto tempo, já não lembro mais
Do meu verdadeiro rosto.
Eu vivo numa busca constante
De encontrar a mim mesmo
E de um lugar para chamar de lar.
Pobre poeta e pescador,
Que no mar da vida
Pescou amor e sentimentos,
Mas também dor e sofrimento.
Com seu barco cheio de vaidades,
Esqueceu-se das veleidades
Escondidas no porão,
Carcomidas de solidão.
Mas triste é saber a verdade.
E entre vários raios e trovão,
Veio vindo a tempestade,
Jogando águas na embarcação.
E aqui se vão as saudades
Dando lugar ao terror
E às necessidades
Para não se morrer de amor.
Primeiro, tudo de ruim
Ao mar fora jogado:
As brigas, ciúmes, infelicidades;
Tudo tirado de mim.
Depois se vão
Os versos rimados:
Declamação, declaração.
E se vão também
Os sonhos da realidade:
Desilusão, destruição.
Destituição e desdém
Além da eternidade.
Para não morrer
Nas mágoas que criei,
Vou atirando às águas
Do mar a se revolver
Todo o meu pesar,
Tentando assim me salvar
Do fim que bem eu sei...
Atiro todas minhas idades,
Todo o afeto e carinho
Recebido e dado.
E sem mais agrado,
E sem identidade,
Eu fico sozinho...
... São e salvo, com frio,
Num silêncio profundo;
Navegando pelo mundo
Com o meu barco vazio.
Eu tenho mil faces e, de tanto mudá-las,
Já por tanto tempo, já não lembro mais
Do meu verdadeiro rosto.
Ninguém sabe a dor que sinto em saber que sei o suficiente pra saber o que sinto, e descrever como se não sentisse nada
Há seres que se transformam em grandes pessoas por sua alegria. Talvez eu me torne por minha tristeza
O fotógrafo é um poeta que, sem nenhuma palavra, compõe sua poesia. A partir de sua pena fotográfica, retrata não só os sentimentos do mundo, mas também os de seu interior, ainda que não se revelem
Há sorrisos que escondem tristeza. Assim como, às vezes, alivia a dor quando choramos, às vezes, dói quando sorrimos
Somos como livros abertos.
Estamos ali: se quiserem nos descobrir, folheia-se e lê! Porém, nem todos têm o hábito da leitura; nem todos sabem ou compreendem o significado das palavras nele escritas; e, além do mais, talvez esteja ele escrito numa língua que ainda não aprendeu-se a ler
Não queira que todos agradeçam pelo novo dia, pois pra muitos seria preferível que ele nem começasse
