Poesia sobre poesia

Cerca de 23814 poesia poesia Poesia sobre

A chuva 🌧


O céu cinério
derrama sobre a terra
seus versos invernais
lavando da memória
o pó das horas secas
tecendo no barro úmido
o sopro das sementes...


As gotas
bênçãos líquidas
beijam as folhas
com ternura
escorrem como preces
pelas veias verdes
das plantas
até que cada ramo
se curve
em humilde gratidão...


O ar
saturado de frescor
convida à pausa
ao recolhimento sereno
onde o silêncio se aninha
no coração que escuta
o pulsar escondido da chuva...


As gotas da chuva
embalam as folhas
com devoção
cada uma
como um salmo breve
que se dissolve
na penumbra do verde...


Elas deslizam lentas
como se quisessem eternizar
o instante do toque
até se perderem
no ventre da terra
onde a vida adormece
em germinação....


O ar
úmido e denso
inspira o corpo ao silêncio
como se o tempo
tivesse recuado
para que a alma pudesse
respirar consigo mesma...


E, no recolhimento profundo
o mundo parece rezar
com a voz silenciosa
dos versos da chuva...


✍ @MiriamDaCosta

Eu era criança
quando via imagens
quando escutava fatos
sobre o nazismo...


e perplexa
me perguntava
que ser humano
seria capaz
de apoiar tamanha
monstruosidade...


Cresci
e o tempo respondeu
sem piedade
mostrando-me
os rostos
as vozes
as mãos
que repetem
a mesma crueldade
com novos nomes
com velhas violências
com a mesma frieza
disfarçada de discurso...


E assim compreendi
que os monstros
não ficaram no passado
eles caminham entre nós...


✍©️ @MiriamDaCosta

A virada do ano é só um lembrete que o tempo e a vida não param. Não é sobre uma página em branco, mas sobre a continuidade de um livro que estamos escrevendo enquanto o chão se move sob nossos pés.


A verdade é que a vida não espera a gente se sentir seguro ou 'pronto' para acontecer. Ela simplesmente vem.


No fim das contas, a verdadeira coragem não está em desejar que tudo seja perfeito, mas em se manter firme enquanto tudo muda.


Seguimos não porque o calendário mudou, mas porque carregamos vida, sonhos e projetos que são maiores que qualquer data. Parar nunca foi uma opção.

⁠" Essa pequena viagem…
Nunca foi sobre eu e vc…
Sempre foi sobre mim…
Eu me vi tanto em vc…
Que acabei me perdendo...
Então precisei retornar…
E quando me reencontrei…
Eu te perdi".

A Voz que Restou


Aprendi a não temer
as palavras que o mundo lança sobre mim;
há feridas que o tempo leva
antes mesmo que encontrem morada.


Mas você sempre foi diferente.
Há algo em sua voz
que atravessa minhas defesas
sem sequer pedir passagem.


Talvez porque amar seja isso:
entregar a alguém
a única parte de nós
que ainda pode ser ferida.


E você feriu.
Não pela distância,
nem pelo silêncio que ficou,
mas por aquelas palavras
que continuam em mim
muito depois de terem deixado seus lábios.


Eu poderia esquecer
quase tudo o que o mundo me disse,
mas não consigo esquecer
aquilo que ouvi de você:


que já não havia em seu coração
senão desprezo por mim.

Neste Dia Especial, que Deus derrame bênçãos sem medida, saúde, amor e paz sobre cada coração materno. Que nunca lhes falte carinho, força e esperança. E que a vida floresça em seus caminhos como um jardim tocado pela luz do céu.
Feliz dia das Mães!

Jesus, derrama tua misericórdia sobre nós, alivia nossos cansaços e nossas dores.
Que o teu amor nos conduza em cada passo deste novo dia.

Hoje, pintaria um lindo quadro sobre seu dia,
Talvez não tenha a devida capacidade,
Talvez não tenha a devida honraria,
Pois, pintar sua vida, Marcele,
Requer a atenção e maestria
Dos grandes olhares da poesia,
Sem se preocupar com a vida acelerada,
Usar a mesma concentração de Van Gogh,
Quando pintou a "Noite estrelada,"
De da Vinci, quando pintou" Monalisa",
De Velasquez, quando pintou as ""As meninas"".
Porque você, preciosa filha,
É minha obra de arte,
É assim que te vejo,
Exatamente como Klint,
Quanto pintou o "Beijo".

⁠Tudo o que faço é falar sobre um grande jogo e parecer um figurão, quando não posso fazer nada! Eu nunca faço nada, mas posso reclamar como um profissional. Quem eu penso que sou?! É incrível que eu possa viver assim e não sentir vergonha!

(Subaru Natsuki)

Quem tem o pai presente abriga um firmamento sobre os ombros.
Sua voz é um mapa que atravessa os relâmpagos do caminho.
Seu silêncio revela mais do que os anos conseguem explicar: uma âncora.


Honrá-lo é reconhecer o alicerce que sustenta cada conquista.
Enquanto teu pai caminha ao teu lado, a existência ainda te confia um tesouro.


Valoriza-o hoje, pois o afeto adiado é a única riqueza que o tempo não restitui. Até o amor mais profundo, quando cercado por tanto desgosto, pode chegar ao fim.


De mim, para quem teve um bom pai presente.

Quem só consegue escrever sobre o que viveu limita a própria criatividade ao tamanho da própria experiência.




_KANGAL

Enquanto o desespero consumia tua alma
e a morte já estendia o véu sobre teu caminho,
tu tremias diante da escuridão.


Eu, porém, dancei com ela.


Fitei seus olhos sem desviar o meu,
atravessei seu silêncio
e a distraí o bastante para arrancar-te de seus braços.


Hoje, proclamas tuas vitórias
como se jamais tivesses caído.
Mas nunca venceste a morte;
apenas sobreviveste porque alguém
teve a coragem de bailar com ela
enquanto tu te desesperavas.

Me perguntaram sobre nós, eu respondi: não sei,
acho que foi a distância,
acho que nao
Foi falta do contato físico
Eu acho que não. ou foi rejeição Foi escolha, alguém, parou, para pensar.
Nos distanciamos, e nos perdermos, e agora não nos encontramos, não nos falamos, não sei quem se perdeu primeiro.







Copyright, direitos autorais
Todos os direitos reservados a
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado

Aprendi com a vida a andar com os 2 pés no chão...
Sem divagações lúdicas sobre o " céu" e coisas utópicas tais.
Aprendi que nascemos vivemos e depois morremos e que o " Eterno, nada tem a ver com isso!
Aliás, como assim?
As minhas escolhas, certas ou erradas ,tem lá suas consequências, boas ou ruins...
E o Criador, ou o Eterno, ou qualquer outro pensamento filosófico, espiritual ou religioso nada tem a ver com as minhas escolhas!
Minha vida não está nas mãos de nenhuma "divindade" ou das estrelas, mas sim nas minhas próprias mãos e minhas decisões.

"O espelho apenas devolve a imagem; é o olhar sobre si que revela quem você acredita ser.
Por isso, contemple o seu ser com amor: há em você uma essência divina, capaz de renascer na esperança."

Poema - Idolatria


Na Bíblia já dizia
Sobre a idolatria
Será que existe cura?
Idolatram mais a criatura
Padres, bispos e pastores
Do que o Criador
Seguindo suas religiões
Odiando os próprios irmãos
Chegam até a comparar políticos
Com Jesus Cristo.


A idolatria é cega
Seus ídolos na terra
Podem cometer desvios éticos e crimes
Mas por causa da religião, do gênero musical ou dos times
Tudo será tratado como mentira ou perseguição
O maior exemplo está nas eleições
Maldito o homem que confia no homem
O seu santo nome
Não está vinculado a nenhum lado político
Precisamos de mais estudos bíblicos.

EIS A FRIA.

Eis aqui a fria, já morta, curvada sobre o teu cadáver. Silêncio. Nem a noite ousa respirar.

As mãos que outrora acariciaram o mundo agora repousam sobre a matéria vencida, como se a morte aprendesse, pela primeira vez, o peso da eternidade.

Mas quem morreu? A carne... ou o sonho que nela habitava?

Os astros prosseguem o seu caminho, indiferentes ao pranto dos homens, e, no entanto, há uma estrela que parece deter- separa contemplar teu último repouso.

E será ela, agora, o deslumbre do universo?

Talvez a morte não seja o apagar da luz, mas o instante em que o infinito abre, silenciosamente, os seus olhos sobre nós.

Porque toda sepultura é apenas uma porta para aqueles que aprenderam a escutar o invisível.

TRISTEZA.

Há uma tristeza antiga, obscura e fria,
que desce sobre a tarde, lentamente,
como um sino perdido, cuja agonia
se dissolve no espaço inutilmente.

Não sei de onde ela vem, talvez do chão
onde repousam mortos esquecidos,
ou desse imenso e fúnebre sertão
que guarda os sonhos todos sepultados.

A noite cresce. O céu, desabitado,
derrama sobre a terra um véu profundo;
e o vento, entre os ciprestes fatigados,
parece prantear o fim do mundo.

Há vozes que não chegam aos meus ouvidos,
mas vivem na penumbra da memória;
são nomes, rostos, amores já perdidos,
cinzas errantes de uma antiga história.

E a lua, espectral, sobre o ermo,
contempla a solidão dos caminhos;
seu clarão parece um olhar enfermo
vagando entre sepulcros e espinhos.

Oh, morte! Tu, silenciosa soberana,
que igualas rei, mendigo, sábio e incréu,
quando recolhes a matéria humana,
que abismo abres entre a Terra e o céu?

Talvez sejamos apenas poeira
levada pelo vento dos destinos;
talvez a alma, eterna forasteira,
atravesse outros mundos e caminhos.

Mas hoje, não. Hoje somente a dor
me fala ao coração com voz soturna;
e até o próprio silêncio, ao meu redor,
parece ter saudade da vida diurna.

Se há depois da morte alguma aurora,
se existe além do túmulo outra estrada,
que a alma encontre aquilo que implora
quando a existência termina desolada.

Enquanto isso, permaneço junto ao nada,
ouvindo a noite em sua imensidão;
e, sobre a terra fria e abandonada,
deposito uma lágrima, e uma oração.

Porque a tristeza, quando é verdadeira,
não grita, não suplica, não reclama:
é como uma árvore derradeira
que morre lentamente dentro da alma.

Eu queria saber
Por que é que eu insisto em me perguntar
Sobre coisas que não tem resposta
É como morrer mil vezes
Enquanto se vive uma vida
Que nem chega a ser assim ...
Tão longa
O mundo esconde o valor das coisas
Enquanto a vida vai vendendo
O que não vale quase nada
Até que um dia
Vem o tempo e nos desvenda
A esses e a tantos segredos
Carregados de mais perguntas
Somos cegos
Seguindo os caminhos traçados
Guiados pelas vozes de lobos vorazes
Que a bem da verdade sempre foram
Muito mais cegos do que nós
Não percebem, não sabem
Que aquilo a que se busca
Não se pode alcançar
É como um raio de luz colorido
Caindo do Sol pela manhã
E o azul do Céu, que desaparece
No momento em que a gente o toca
Felicidade, uma ilusão
O brilho da Estrela deixou de estar lá
E a vida não é como se pensa
Durante a guerra sempre os rios congelam
E os seus invernos são mais frios
Parece que foi sempre assim
A vida nos nega um sorriso
Justamente nos momentos
Em que tudo que mais se precisava
Era de um sorriso, simplesmente
Eu queria ter palavras
Pra explicar que não tenho respostas
Tem dias que o que mais desejo
É saber a verdade das verdades
Mas a única palavra que me vem
Me causa o querer e a vontade
de não querer saber mais nada.

Edson Ricardo Paiva.

Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.

Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.

Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.

A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.

O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.

Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.

Edson Ricardo Paiva