Poesia sobre poesia
Tese sobre o Caos e a Consciência
Antes da inteligência humana, havia o caos — não mero desarranjo, mas um abismo fecundo, um entrelaçar de forças indomáveis e silenciosas que pulsavam sem testemunha. A expansão do universo — efeito da grande explosão — moveu massas, gerou órbitas, incendiou estrelas; e ao longo de milênios incontáveis, dessas forças surgiu uma ordem apenas aparente: uma harmonia caótica, tão tênue quanto ilusória.
Os humanos, criaturas de um lampejo tardio de consciência, acreditam enxergar perfeição onde há apenas fluxo, perceber mistério onde existe apenas processo, e, com vaidade, tentam nomear o que escapa a toda nomeação. A inteligência, ainda jovem, nasce dos erros involuntários do próprio caos, e é com ela que se edifica a pergunta — não a resposta.
A consciência — esse clarão que se anuncia no “penso, logo existo” — produziu infindáveis interrogações. Mas que respostas poderia oferecer a criatura que emergiu de uma ignorância tão profunda? É impossível que uma mente tão jovem compreenda o abismo anterior a si mesma, o princípio inominável de onde tudo se ergueu, o silêncio primordial que, ao se desfazer, fez nascer não apenas o universo, mas também a angústia de quem o contempla.
— Evan do Carmo, 14-10-205
Sobre hoje, no café, e no mundo, escrevo para aliviar a tensão.
O café esfriava lentamente, como se também estivesse cansado de notícias. Ao redor, pessoas falavam baixo, riam por educação, mexiam no celular como quem procura abrigo. O mundo ardia do lado de fora, mas ali dentro o tempo ainda fingia normalidade. Há algo de profundamente humano nesse gesto pequeno de segurar uma xícara enquanto impérios se movem, fronteiras tremem e homens decidem destinos como quem move peças distraídas num tabuleiro gasto.
Vivemos dias em que o poder voltou a falar alto, sem pudor, sem metáfora. A força reaprendeu a se chamar virtude, e a violência se veste novamente de salvação. Enquanto isso, o cidadão comum segue escolhendo o pão, pagando o café, tentando manter a sanidade intacta. O contraste é obsceno: o mundo range, e nós respiramos como podemos.
Escrever, hoje, não é vaidade nem ofício. É necessidade fisiológica. É a forma mais discreta de resistência. Uma maneira de dizer a si mesmo que ainda há pensamento, ainda há silêncio possível, ainda há um intervalo entre o caos e a consciência.
Termino o café. O mundo continua.
Mas, por alguns minutos, a escrita cumpriu sua função essencial:
não salvou nada — apenas **impediu que tudo desabasse por dentro**.
Sobre o piano repousavam partituras de Debussy, Ravel, Satie e Chopin. Velhos companheiros. Velhos conspiradores. Durante décadas acreditara que os filósofos eram os homens mais profundos da humanidade. Depois envelheceu. E envelhecer é uma forma particularmente cruel de revisão bibliográfica.
Descobriu então que os filósofos frequentemente explicavam o sofrimento, mas raramente conseguiam habitá-lo.
Os músicos, não.
Os músicos pareciam conhecê-lo por dentro.
Talvez porque a música seja a única linguagem capaz de dizer exatamente aquilo que não pode ser dito. Do Livro: O Cadafalso de 2026
“O SENHOR o abençoe e o guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre você e lhe conceda graça; o SENHOR volte o rosto para você e lhe dê paz”.
Números 6:24/26
Saber calar o que o coração grita não é sobre omissão ou fraqueza, é, na verdade, uma das maiores demonstrações de força e elegância emocional que alguém pode ter. É a arte sutil de transformar tempestades internas em brisa leve para o mundo. Muitas vezes, a nossa mente e o nosso peito viram um cenário de ventanias, dúvidas e sentimentos que pesam. O impulso natural seria deixar transbordar, mas quem escolhe o silêncio compreende que nem todo mundo está pronto para acolher a nossa chuva. Há um valor sagrado em recuar, em fechar os olhos e permitir que o turbilhão aconteça apenas do lado de dentro.Nesse processo silencioso, a gente se torna o próprio abrigo. Em vez de espalhar raios e trovões por onde passa, quem domina essa arte escolhe respirar fundo e filtrar a própria dor. É como se no aconchego desse isolamento voluntário, o coração conseguisse desacelerar o vento, acalmar as ondas e transformar o caos em aprendizado. Quando finalmente voltamos a interagir com o exterior, o que entregamos aos outros não é o estrago da tormenta, mas o frescor que vem depois dela. Oferecemos paz, maturidade e uma brisa leve aquela que acalma quem está ao redor, enquanto mantemos intacto e protegido o nosso próprio mundo secreto.
_Enzo Ruchell_
Palavra por palavra
Palavra por palavra,
Vou deslizando meus olhos sobre os seus
Improvisando uma poesia sem rima
E te trazendo pra mais perto de mim
Palavra por palavra,
Começo a criar o nosso momento
Suas mãos em meus ombros
E as minhas tateando no ar, procurando por um ponto de apoio que não seja você
Não quero te tocar agora, dispersaria meus sentidos e eu preciso me lembrar de que
Palavra por palavra,
Fui ganhando você
E agora que te tenho diante de mim,
Com mãos trêmulas e coração palpitante,
É você que me ganha
Palavra por palavra,
Seu corpo se aproxima do meu
E a cada verso vamos vencendo as barreiras do entendimento
Palavra por palavra,
E estamos entregues a um beijo
O nosso primeiro
O beijo que prefigura os milhares que estão por vir
Palavra por palavra,
Eu sinto seu cheiro,
Mistura de qualquer coisa com coisa qualquer,
Um inexplicável perfume afrodisíaco que aos poucos começa a me roubar de mim
Palavra por palavra,
Vou amando você
Imprevisível
No silêncio da redoma deste quarto
Contemplo os jornais sobre a parede
As caixas espalhadas pelo chão
Valeu a pena mergulhar nesse feitiço?
A resposta da pergunta é quase um parto
Eu bebo pra aplacar a minha sede
Camuflando as ilusões do coração
Valeu a pena desejar um compromisso?
Você é a solidão que eu descarto
A lágrima que cai do olho verde
O beijo desprovido de paixão
Valeu a pena aceitar o seu sumiço?
O passado chegou como um infarto
Rompendo as fortalezas dessa rede
Fazendo-me soltar a tua mão
Valeu a pena me perder por causa disso?
Porque um menino nos nasceu,
um filho nos foi dado,
e o governo está sobre os seus ombros.
E ele será chamado
Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso,
Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Onde o Mundo Termina, Começa Você
Sobre mapas antigos, procurei caminhos,
mares distantes, fronteiras sem fim.
Mas nenhum deles me levou tão longe
quanto o caminho que encontrei em ti.
Há oceanos entre nós, montanhas e solidão,
mas se o destino é feito de escolhas,
eu escolheria você em qualquer direção,
em qualquer lugar, em qualquer estação.
Se a bússola perder o norte
e a noite esconder toda direção,
não preciso de estrelas no céu,
tenho o brilho dos teus olhos no coração.
Nas páginas abertas da vida,
seu nome eu escreveria devagar.
Porque você não está no meu mapa
— você é o lugar onde quero ficar.
E se o mundo inteiro fosse uma viagem,
eu não precisaria saber onde chegar.
Bastaria ter você ao meu lado,
porque com você, qualquer lugar vira lar.
E se…?
E se eu morresse hoje, o que diriam sobre mim??
Será que fui um bom amigo?
Será que fui um bom filho? Ou se ao menos fui um bom colega?
Não sei, talvez tenha sido, ou não…😕
ANJO DE DOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Sinopse.
Um romance sobre as marcas do passado, os reencontros da alma e os caminhos silenciosos da redenção.
Em Anjo de Dor, a existência humana é apresentada como uma grande jornada de aprendizado, onde lágrimas e esperanças se entrelaçam diante dos mistérios da vida. Através de personagens marcados por escolhas difíceis, sentimentos profundos e lembranças que atravessam o tempo, a narrativa revela que nenhuma experiência é perdida quando conduz ao crescimento interior.
Entre amores interrompidos, despedidas dolorosas e reencontros inesperados, surge a compreensão de que a renúncia pode ser uma das mais elevadas expressões do amor. A alma, em sua caminhada evolutiva, encontra nas provas e nos sacrifícios oportunidades de transformação, reparação e amadurecimento.
Inspirado na reflexão sobre a reencarnação e a continuidade da vida espiritual, o romance conduz o leitor a contemplar os vínculos que permanecem além da existência física, mostrando que antigos compromissos da alma podem ressurgir em novas experiências, convidando ao perdão, à humildade e à renovação.
Anjo de Dor é uma história sobre aqueles que carregam feridas invisíveis, mas descobrem que a dor, quando compreendida sob a luz do amor e da esperança, pode tornar-se uma ponte para a libertação e para a verdadeira paz interior.
08 de Outubro de 2024.
Manhumirim - MG
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Link do autor:
https://a.co/d/01DUdpML
Dizem que o amor machuca, que ele é uma nuvem carregada pronta para desabar em chuva sobre qualquer coração que não seja feito de pedra. E, honestamente? Talvez eles tenham razão. O amor deixa cicatrizes, ele marca a pele da alma com a ferro e fogo, e nem todo mundo é forte o suficiente para aguentar o peso dessa entrega.
Eu sou jovem, eu sei. Talvez aos olhos do mundo eu ainda não tenha visto nada, mas eu aprendi uma coisa ou duas... e aprendi com você.
Aprendi que o amor não é apenas o frescor de uma brisa, mas também o calor de uma chama. E sim, às vezes essa chama queima quando esquenta demais. Mas é nesse calor, nessa intensidade que consome, que eu descobri o que significa estar verdadeiramente vivo.
Não quero um coração duro ou blindado contra a dor se isso significar não sentir o toque da sua mão. Se o amor é uma nuvem que carrega chuva, prefiro me encharcar ao seu lado do que viver na aridez de uma vida sem nós. Porque, no fim das contas, as feridas e as marcas que o amor deixa são apenas as provas de que fomos corajosos o suficiente para não fugir do fogo.
O amor machuca, é verdade. Mas eu aceitaria cada cicatriz, desde que elas tivessem o seu nome.
Sabe, eu poderia me perder em sonhos sobre como as coisas deveriam ser, mas acordar e ver que você ainda não está aqui faz com que o fingimento perca a graça. Viver sem esse amor é cansativo. O que eu sinto por você não é uma ilusão de uma noite de sono; é a realidade que bate no meu peito toda vez que o silêncio fica alto demais.
Dizem que manter um sentimento vivo é a parte mais difícil de uma história. Mas quer saber? Para mim, o difícil é tentar o contrário. Amar você é a coisa mais natural que eu já fiz.
Eu não sei quando vamos nos cruzar na rua de novo, ou se as palavras vão fugir do controle quando nossos olhares se encontrarem, mas eu precisava que você soubesse disso antes que o acaso decida por nós:
Eu não vou a lugar nenhum.
Eu ainda acredito que podemos ter um novo começo.
Tudo o que eu peço é a sua verdade, da mesma forma que estou te entregando o meu coração. Se ainda existir um espaço aí dentro para nós dois, me diga. Porque, enquanto eu souber que o que temos é real, eu estarei aqui.
percebi que não posso mais guardar essas palavras. Sinto que perdi o direito de opinar sobre nós, sobre como você tem agido ou como tem se afastado, mas a verdade é que o pensamento de você indo embora me apavora.
Olho para trás e vejo o quanto fui descuidado. Você é, e sempre foi, aquela bandeja de coisas agradáveis que eu, por pura distração ou tolice, acabei derrubando. Você é a vitrine de anéis brilhantes que eu deixei escapar por entre os dedos, e dói perceber que a culpa desse estrago é só minha.
Você tem esse dom extraordinário de acalmar meus medos. Se eu tivesse o mínimo de certeza de que conseguiria encontrar meu caminho sozinho, eu não te pediria para ficar. Eu te deixaria ir. Mas a verdade nua e crua é que eu não duraria outro dia sem você.
Por favor, não vá.
Sei que errei ontem, e talvez tenha errado por muitos "ontens", mas deixe-me ter uma voz nisso. Deixe-me tentar consertar o que derrubei. Fica comigo?
O que se passa aí dentro?
O que houve que o deixou tão confuso sobre você mesmo?
Você tem seu universo particular, sua forma de agir, pensar.
Só não esqueça que dentro de cada um também há vida, momentos, cortes e feridas.
O calor que no teu corpo habita, em meu corpo fez breve moradia, e já não mais corresponde com tua saída vazia.
Seu toque, sua pele, seu beijo, se perderam em meio ao gracejo que a vida nos aprontou, como também por sorte e pouco tempo nos transbordou.
Mas a vida é assim, água que não deve ser desperdiçada, areia pisada, doce e marmelada, choro e ventania, água de coco e maresia, verso, prosa e poesia.
Converso sim, mas nem tudo eu conto.
Principalmente sobre minhas conquistas.
Depois que se realiza, eu celebro.
Quem sabe de tudo, inclusive os desejos do meu coração, é Deus.
NÃO É SOBRE VELOCIDADE É SOBRE PERMANÊNCIA. QUEM NÃO PARA, HERDA🌻
#nãodesista #motivacao #reflexao #inspiracao
Chuva em Paranaguá
Cai a chuva sobre os telhados antigos,
molhando histórias que o tempo guardou.
Paranaguá veste seu cinza mais belo,
como quem chora, mas não se apagou.
O cais repousa em silêncios molhados,
barcos dançam ao som do trovão.
Nas calçadas, passos apressados,
corações lentos em contemplação.
As ruas refletem faróis e saudades,
espelhos d’água de um tempo que foi.
O cheiro da terra se mistura à brisa,
e cada gota parece dizer: “depois”.
Depois da pressa, vem a lembrança.
Depois do adeus, a vontade de ficar.
Na chuva mansa de Paranaguá,
há uma paz que sabe esperar.
