A chuva 🌧 O cĂ©u cinĂ©rio derrama... Miriam Da Costa

A chuva 🌧


O céu cinério
derrama sobre a terra
seus versos invernais
lavando da memĂłria
o pĂł das horas secas
tecendo no barro Ășmido
o sopro das sementes...


As gotas
bĂȘnçãos lĂ­quidas
beijam as folhas
com ternura
escorrem como preces
pelas veias verdes
das plantas
até que cada ramo
se curve
em humilde gratidĂŁo...


O ar
saturado de frescor
convida Ă  pausa
ao recolhimento sereno
onde o silĂȘncio se aninha
no coração que escuta
o pulsar escondido da chuva...


As gotas da chuva
embalam as folhas
com devoção
cada uma
como um salmo breve
que se dissolve
na penumbra do verde...


Elas deslizam lentas
como se quisessem eternizar
o instante do toque
até se perderem
no ventre da terra
onde a vida adormece
em germinação....


O ar
Ășmido e denso
inspira o corpo ao silĂȘncio
como se o tempo
tivesse recuado
para que a alma pudesse
respirar consigo mesma...


E, no recolhimento profundo
o mundo parece rezar
com a voz silenciosa
dos versos da chuva...


✍ @MiriamDaCosta