EIS A FRIA. Eis aqui a fria, já... Marcelo Caetano Monteiro

EIS A FRIA.

Eis aqui a fria, já morta,curvada sobre o teu cadáver.Silêncio. Nem a noite ousa respirar.

As mãos que outrora acariciaram o mundoagora repousam sobre a matéria vencida,como se a morte aprendesse,pela primeira vez,o peso da eternidade.

Mas quem morreu?A carne...ou o sonho que nela habitava?

Os astros prosseguem o seu caminho,indiferentes ao pranto dos homens,e, no entanto,há uma estrela que parece deter-separa contemplar teu último repouso.

E será ela, agora,o deslumbre do universo?

Talvez a mortenão seja o apagar da luz,mas o instante em que o infinitoabre, silenciosamente,os seus olhos sobre nós.

Porque toda sepulturaé apenas uma portapara aquelesque aprenderam a escutaro invisível.