Poesia Completa e Prosa
Quer eu escreva ou desenhe...
Pois escrita são fonemas
O dito é parte da prosa...
Bem como os dizeres são expostos o desenho causa indignação...
Ou...
É uma expressão de irá e ironia
Num fato fatídico a irônica resenha.
No fardo ser rejeito ou expurgo.
Diante das letras a desatino.
A soberba falácia torna se ato de arte...
O artísta é um ator deu uma história dramática.
Toda mancha que esvaeceu da minha boca
Toda a prosa colorida que adquiriram de mim
A realidade é em preto e branco
As coisas sentimentais que escrevi
Nunca significaram muito pra mim
Toda relevância impregnada de momentos vividos
Como tais mortos na limiaridade deles
O sonar dissipado num piscar de olhos
submersos em mentes frias
O sangue lacrimejado róseo era só pra segurar sua mão
E nesse desprendimento em busca do vão
Eu cacei por tanto tempo sua ternura
que acabei perdendo a minha.
O AMOR VOCÊ E EU
Lembro de você menina
Linda e toda prosa
A tagarelar.
Lembro que você dizia
Que comigo um dia
Iria se casar.
Lembro de nós dois juntinhos
Sempre agarradinhos
Em todo o lugar
Lembro que eu prometia
Que jamais iria
De ti separar
Mas a gente foi crescendo
E mesmo não querendo
Tudo então mudou.
Acabei não mais te vendo
E então percebendo
Que o sonho acabou.
Mas aquele amor que havia
Ainda existe hoje em dia
Nada transformou.
Fique então você sabendo
Que eu vivo vivendo
Ainda deste amor.
Vai que a gente ainda se encontre
E você me conte
Que não me esqueceu.
E a gente viva este amor
Que em nós menina
Sempre só cresceu...
E por fim amor vivamos
Como planejamos
O amor você e eu.
Elciomoraes
Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água.
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino.
Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água.
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino
Eu não sei escrever rimas
Nem das pobres nem das ricas
Também não domino a prosa
Ainda que em folha rosa
Costumo falar de bobagens
Mas também de coisas sérias
Repenso nas malandragens
E filosofo sobre as misérias
Contudo não entendi
Porque a escrita é voraz
Falo do que não vi
Rimo com o que jaz
Em outro verso, em outra estrofe
Por ser um jogo sem ás.
SONHOS DE PAPEL
Incrível o desafio que uma folha em branco nos proporciona!
O verso, a prosa, a poesia, o conto, o romance... Infindo sonhos de papel que nos leva a um universo de palavras.
Palavras de amor, palavras de frustração, palavras de saudade, desespero e paixão. Enfim, tantos sentimentos para descrever momentos!
Quem vive nesse mundo se realiza quando escreve, às vezes demonstra o que está no peito, mas também o que não sente assim emprestando um pouco de emoção para quem tem muito a dizer, mas não sabe demonstrar...
Muitas das vezes essa veia de poeta é um pouco melancólica... Isso porque os amores perdidos e não correspondidos, a dor e saudade são os que mais inspiram os poetas.
Na maioria das vezes somos muito exagerados... Se amamos o amor é para sempre, é incondicional, acima de tudo e de todos, mas se não somos correspondidos preferimos às vezes até a morte de tão grande que é a dor... É ferida que sangra... E parece que nunca vai cicatrizar...
Mas, é gostoso ser assim posso sonhar, imaginar uma bela história de amor com apenas um beijo, fazer amor com um toque e amar com apenas uma palavra... Somos intensos!!!
Se você quiser sonhe comigo! Viva esse sonho de papel onde tudo pode acontecer! Tudo é possível! Só depende de você!
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INSPIRAÇÃO (soneto)
Foste a prosa melhor do meu poetar
Ou talvez a desejada... sonho e agrado
Contigo a inspiração me fez apaixonado
Contigo o amor pôde a paixão rascunhar
Chegaste, e o meu querer foi só amar
Queima-me o pensar, tão enamorado
Faz de meus versos um estilo dourado
E da escrita, suspiros, de essencial ar
Poema maior, meu prêmio e alegria
Obra divina, de firmamento delirante
É do teu gosto que alimento a poesia
Sinto-te em cada estrofe, que escuto
Está presente em mim a cada instante
Na criação, na alma, és poético fruto...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
SAUDADE EM PROSA (soneto)
As saudades lá se foram, respingadas
Lá pelo tempo... outra estória e verso
Mesmo assim na memória ficou imerso
Depois de tantas dores, tantas paradas
E o que assemelhava um conto de fadas
Tornou-se à emoção um trovar perverso
E no destino toda um argueiro disperso
De espinhos, nas lembranças poetadas
Então vi, que não adianta de ela fugir
Não tem nenhum contento, ao poeta
Se existe saudade, com ela deve-se ir
Embeber-se! uma estratégica solução
E, tê-la como coautora em sua meta
Pois, sempre a terá na prosa do coração....
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/02/2020, 11’40” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Prosa Alquímica
O sol põe-se, eu me sento em meditação, procurando a terceira
visão
Um homem, uma face, um nariz, uma boca, três olhos, guri aprendiz,
guri inútil
Longe da aldeia, eu me sento em meditação, sinto o meu corpo
pelas matas, meus pés ajuntados "caminham pelas pedras do remoto
riacho" onde as sereias envocam o meu nome
Nada é o tudo que tenho
Se nada tenho, então nada tenho a perder, pois, já perdi tudo
Em meditação, travo batalhas contra as minhas máculas,
tentando transformar as pedras em ouro
Em meditação, eu abduzo-me mais da sociedade
O coração do poeta
É como o instante
da prosa
Como a vida lá fora
O orvalho na rosa
É como a carícia nas mãos
O pulsar louco da paixão
É como um beijo roubado
O sofrer sozinho e calado
O coração do poeta
É como a noite estrelada
A madrugada fria
É aurora nevoada
Quando rompe a luz do dia
É como amor impossível
O dia triste e insensível
Com um crepúsculo incrível
É como a chama do amor
Como o partir que trás dor
É a primavera sem flor
Em um mundo inteiro sem cor.
Prosa Poética: “O caipira João”
Thaís Falleiros 21-06-2013
Era uma vez um caipira, bem caipira sô
Humilde e tímido
Mas como diria minha avó, bem afeiçoado
Era Bicho-do-mato. Neguinho calado
Mas de um coração que não cabia no peito
Peito esse que nunca ficava gelado
Graças ao coração
Até que um dia o menino envergonhado
Viu-se por uma rapariga muito da metida
Apaixonado.
Ah, a paixão e suas armadilhas!
É perigosa e inimiga numero um da razão.
O menino que sempre gostara de flores
Tirou uma, a mais bonita, do jardim,
Colocou-a num vazo de barro
Pequeno e nada vistoso
Estufou os pulmões e foi lá declarar
O amor que já não cabia no coração.
A moça muito da arrogante
Menina da cidade, estudada e viajada
Achou uma indignação.
Moço pobre me dando uma rosa inda em botão?
E num vazo, de barro, sujo e manchado?
Não podia não.
O moço ficou com as maças do rosto vermelhas
Como essas que vem lá das bandas da Argentina
Lugar longe e frio, onde todo mundo fala enrolado.
E a moça achou engraçado.
Desembestou a rir, até chorar. Não parava mais.
Ah, isso não se faz não moça. O Destino há de me vingar.
O moço foi-se embora com o vazo na mão.
Entrou na sua caminhonete velha que era na verdade de seu avô.
E foi embora para o sítio, lá no meio do mato, com as vacas e os cavalos.
Pois lá ninguém ria de suas fuças. Era seu lugar no mundo.
A moça, poxa, não fez por mal não. Apesar da sua estica
Do seu porte de moça rica, bem vestida e de joias na mão
Ela também havia de ter um coração.
E não é que no meio da noite a danada da inconsciência
Vinha lhe trazer em sonho, o moço caipira, bonitão?
E no dia, cada rosto parecia que era o tal João.
O tempo passou e essa doença não passou não
Nem na moça, nem no João
E a doença era nada mais nada menos, que paixão!
A moça muito da atirada, percebeu logo a sensação
Não perdeu tempo e foi no mato atrás de seu amado
Pedir-lhe desculpas e lhe dar uma explicação.
Mas no meio do caminho, quase chegando no portão
A moça que vinha em seu carro importado
Teve um piripaque e adivinha quem apareceu?
O Jão!
Estava sujo de terra, com cheiro de esterco de porco
Mas não teve tempo de pensar nessas besteiras
Pegou-a no colo com muito cuidado
Levou-a para a sala que estava desarrumada
E lhe fez respiração
Boca-a boca é claro, e a família toda viu
E todo mundo ficou calado.
A moça acordou já no meio da respiração
Que nessas alturas já era na verdade
Só o boca-a-boca. E a paixão virou amor
E o amor virou um casal
A Maria e o João Junior, o Juninho
Que ficou caipira igual ao pai
E ela ficou dondoca igual à mãe.
Mas não faz mal
Tudo terminou como tinha que ser
A moça rica com o homem pobre
Que lhe tratou como rainha do sertão.
Graças ao destino, que vingou o moço
E lhe emprestou a sua mão.
gosto de mim assim
escrita em verso e prosa
diversifico meus ideais
proseio com o meu silêncio
sou tudo o que posso
posso ser o que ainda tenho vontade
sou desenhada com tatuagens
sou meiga e selvagem
sou escrita conforme minha poesia
com tristezas e alegrias
escrevo-me como forma de protesto
a minha vida atesto
é cheia de surpresas e sacrilégios
sou do contra, tudo e todos
sou cheia de sortilégios
consigo o impossível
aqui dentro de mim
me engano e te desengano
fujo rapidamente de mim
coloco a máscara da bondade
com o coracao cheio de maldade
sou imperfeita e raramente feita
de sanidade, e “ quando eu sou boa
eu sou boa, mas qdo sou má
sou melhor ainda”, dentro do significado
que me dou, e esclareço-me
como um tropeço, com ou sem apreço
sofrer é tudo o que mereço
para o meu crescimento espiritual
sou feito um diário, totalmente descrita
com a palavra universal
com o amor intencional
sou um enigma fatal
só decifrará o código
a pessoa que ler o meu coracao!!!
UMA ROSA
Uma rosa é uma rosa
De uma beleza caprichosa
De um perfume em prosa
É comunhão, é jóia preciosa
Uma rosa faz sedução
Em ramalhete e ou botão
É fecho para o coração
Dengosa, alicia a emoção
Tão fugaz em sua real vida
A rosa flor se faz em despedida
Majestosa, torna-se flor despida
Uma rosa sempre uma rosa. Garrida!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2014, fevereiro
Cerrado goiano
A Rosa tão rosa
Que se desdobra em prosa
Da minha vontade incessante
Que busca em ti a todo instante
Como o baile das pétalas ao vento
Um prazer e ternura que são meu intento...
Esta é a minha procura
entre os espinhos de sua clausura
Com toda minha vontade de te invadir
nesse orvalhado respingo de amor pedir
O desabrochar aveludado de tão bela flor
Como é minha rosa que perfuma e dá calor.
Prosa Experimental
'Engolido"
(...)
Vaga a mente numa exaustão profunda e encontra o fim do que parece ser a tolerância, trama o plano de fundo fronteirando o inalcançável, segue o longo, estreito e profundo abismo estendido infinitamente sob o céu escarlate de poeira vermelha vagando com o vento seco levando consigo resquícios de esperança qual clama por seguir adiante e atravessar o desfiladeiro dos cânions abissais que cercam e emparedam-o aos cantos escuros das sombras geladas.
Teme os estrondos longínquos que vagam pela grande vala, das nuvens carregadas em algum lugar a despejar torrentes de águas a escavar e aprofundar valetas no solo que de tão seco não enxarca. Tempestades que ameaçam dar por fim um gole sedento e refrescante engolindo para o fundo dessa garganta todo irrelevante presente, presos, entalados, incapazes de se defenderem do tumultuoso reboliço gélido e embarrado da saliva secular que torna a jorrar dos céus para terra numa faxina destrutiva reiniciadoramente confortável.
O sol lá fora ferve e frita os que vagam num passeio infernal por entre as areias escaldantes e entorpecedoras, passos que levam o ser cada vez mais perto do fim de seus curtos tempos. Enquanto lá em cima desejam o fechar do tempo e o cair da chuva, aqui em baixo só se procura sentir novamente um confortável sopro de vento refrescante. Cansado de olhar para a silhueta das bordas do precipício, vaga procurando por algo caído, folhas, galhos, flores, sementes, qualquer coisa que alimente a esperança desconfiada da remota chance de sair dali, espera que esteja descendo rumo a um lago ou riacho, pelo menos o fim dessas paredes que o engolem mais a cada hora que passa, a cada passo que hora em hora ficam mais insensíveis à caminhada fatídica infindável do vale que engole a todos e digere até mesmo a sanidade.
Restos de carniça, abandonada, esquecida, refugada pelos livres urubus a voar tão alto que daqui parecem moscas no risco de céu que se vê. O derreter paciencioso da carcaça fedorenta vai sendo banqueteada calmamente por vermes lúgubres
habitantes isolados nesta garganta que a tudo abandona
deixa morrer
se findar
acabar
porque ela
final
não possui.
Desprovida de fim serpenteia a eterna víbora por entre o quente e desértico solo, rico em ausências e espaços, imensidões vazias que põe qualquer infeliz vivente à condenação de ser devorado mais pelo tempo que pelos vermes. Vastidão isolada de qualquer presença, tendo o uivar dos ventos no alto das entranhas como companhia, o aguardar paciente das aranhas em seus emaranhados nós tricotados com exímia destreza milenar, calmamente a espera de um inseto qualquer que por azar o destino lhe finda a vida neste fim de mundo enrolado numa teia tendo suas últimas lástimas ouvidas por um vagante tão azarado quanto ele que de tando andar no fundo do abismo já alucina e ouve lastimando a pequena criatura que alimenta o predador com suas energias, lembranças, sentimentos e sonhos nunca alcançados.
(...)
Esvai-se o tempo paralelo aos precipícios
seus passos ressoam pelas paredes e correm para longe
ouve-se nada
De olhos escancarados e pernas bambas
cai
fita o esvoaçar das areias no céu crepusculoso
esfria
A noite vem chegando aos poucos
sua anunciação provoca espanto
medo
A possibilidade cada vez mais real daquela garganta vir a tornar-se
a sua tumba
seu eterno descanso
repouso
sem lamúria
de um cadáver que aos poucos derrete
calmamente
sendo apreciado com elegância pelos vermes
de outrora
e sempre
A noite
sem os ventos
traz o ensurdecedor silêncio
que até conforta
O céu
super estrelado
surge na fenda
que se estende por cima dos olhos
Como se estivesse frente a frente com um rasgo na imensidão única do espaço, numa brecha para as estrelas, distantes luzes a vagarem violentamente pelo negro esplendor entre as galáxias emaranhadas nas teias do cosmo. Leve, separa-o do chão flutuando hipnotizado pelo infinito espaço celeste conduzindo seu espírito elevado para além do cânion , para além do vale, percebe-se afastando de si seu mundo deixado para traz, pronto para abandoná-lo à própria condenação. Vai para o eterno abismo escuro onde o mundo ainda está a cair, cercado por distantes pontos de luz flutuando no vazio.
Torna-se ausência...
some
Enquanto seu corpo o perde de vista mergulhando entre os astros, deixa de sentir, morre o tato, olfato e paladar. Como uma pedra qualquer, ignora sua dureza e passa a afundar na areia levando consigo a insensibilidade fria para o passeio petrificado de quem nunca sai do lugar. A partir de agora é vaga lembrança de si, aos muitos esquecida e mil vezes fragmentada em poeira de olvidamento.
(...)
O vendaval o desperta, caído, esgotado, já havia desistido de manter-se em vida. Caído aguardava esvaziar-lhe os pulmões e findar-lhe as batidas cardíacas gritando aos ouvidos; 'estais a viver', insuportável verdade que lhe implica a inspirar novamente o escasso ar empoeirado da vala, a garganta seca que lhe engolira já não se sabe quando e porque. Deitado observa o cair dos grãos de areia e alguns galhos velhos, as nuvens correm de um lado para outro sobre a poeira enlouquecida, cada vez menos se ouve o coração que a pouco ensurdecia-o pois trovões rolam das alturas como despencar de imensas pedras.
Dá um pulo e põe-se de pé quando muito próximo o chicotear de um raio lhe arranca a alma do corpo por um instante, acerta em cheio o solo que cospe para cima estilhaços e deixa um rasto de fumaça a vagar perdidamente pela ventania. Tentando esfregar os olhos cheios de areia para entender o que acontece ao seu redor, avista um javali apavorado fugindo em sua direção, foge do temido gole titânico da garganta abissal, uma onda de água barrenta carregando pedras, galhos e tudo o que houver na caminho; carcaças, aranhas, sonhos de um inseto, esperança de um vagante perdido.
Engolido é, o caldo lhe arrasta moendo sua sanidade rumo a longa digestão em algum lugar do bucho deste gigantesco demônio do serrado, tudo some, se finda, acaba. Liquidificando e varrendo suas entranhas num gargarejo infernal o monstruoso cânion solta murmúrios assustadores de enfurecimento ouvido pelas estendidas planícies. Aridez que ansiava à meses por algumas gotas tem agora o solo lavado e levado com as enxurradas seus pedaços de qualquer coisa que por aqui para sempre se perde.
Caem ao longe raios sobre o resistente mato seco que rapidamente se torna uma roça de altas labaredas erguidas contra as nuvens, labaredas que parecem alimentarem-se da chuva, enquanto o vento lhes dão força para seguir devorando o restante do que estiver sobre o solo estalando um pipocar diabólico e apocalíptico neste agora caótico recanto abandonado.
(...)
Escorrem violentamente as turvas águas barrentas
por dentre a garganta cada vez mais larga
avermelham as terras baixas e formam um gigantesco lago sujo
como sangue coagulado
pus
pedaços
hemorrágica manifestação barrenta de um fim de mundo.
Lá no meio daquilo tudo
secretado
expelido
abortado
de sua paranoica semi-existência
o vagante perdido
se encontra.
Rascunho
Toda prosa dissertada
Nem tem trevas
Ou descobrir rimas desbotadas
Providencio versos as favas
Faço versos de manhã
Faço a tardinha
Risco palavras , rascunhos
Rabiscando feito criancinha
E assim vão-se passando
Na beirada de um remanso
Riacho sem fonte
Sem caras e inatingíveis afazeres
E tem que ser a próprio cunho
Digitar
Só mesmo quando terminar
Minha inspiração só flui em rascunho
( VIII Coletânea Século XXI )
( Prêmio Revista Poesia Agora julho/ 2018)
Prosa de mãe e filha,
É tão pequenino,
Ainda não sou capaz de sentir,
Mas algo pulsa dentro de mim,
Cresce, mexe,
Mexe e cresce,
Descobri!
Afagos na barriga sem fim,
Quarto rosa?
Amarelo? Lilás?
Eu não sou tradicional,
Talvez erva-doce,
Ou leve tom chá,
Tudo deve estar pronto
Para o seu nascer,
O novo despertar.
Arcos? Lacinhos?
A hora do banho,
Quem irá me ajudar?
A vovó, atenta,
Aos primeiros passos
À mamãe de primeira viagem
Aconselhar.
Vem o embrulhinho
Como um pacotinho
Trazido pelos braços do pai,
Chora criancinha, faminta,
Já sabendo aonde poderá se alimentar.
Mamãe, os meus pequenos olhos estão abertos,
Nada dispersos
E mesmo sem muito enxergar
Conheço o seu cheirinho,
Em seu colo eu quero me ninar.
Eu estava acostumada
Com a água morna,
Lugar em que me carregava
Antes de eu chegar.
Portanto, não se desespere se eu estranhar.
Deixe-me assim, embaladinha,
Toda rosada,
Ainda em posição fetal,
Há nove meses
O seu corpo era a minha casa,
Já vou crescer,
Cresci!
Faço pirraça, subo nos móveis,
_Filha, desça daí!
Perdeu os primeiros dentes,
Farei um cordão,
Nossa, como está comprida, menina!
Mãe,
Quero mochila nova,
Compra um caderno?
Um quarto de princesa?
Um livro encantado!
Quero uma festa.
O dever será em casa,
Vêm as amigas!
Filha,
Você se lembra daquele dia?
Boa noite, mamãe,
Não tranque o portão,
Volto tarde!
Cuidado filha,
Não se demore demais,
_ Esse é o meu namorado!
Mas já?
O nome dele é João,
E o que faz?
Ah, mãe, ele surfa.
Tudo acabou...
A fase da desilusão.
Filha, isso passa.
_ Ele partiu o meu coração.
Mamãe está aqui.
Mãe, ligue para os salgados,
Por favor!
A festa de colação.
_ Que orgulho, querida!
Marcha nupcial,
Papai me leva no altar.
Estou aqui, minha filha,
Para o que precisar,
A casa vazia,
Álbuns para recordar,
E mais tarde mesa
Cheia de bolos, doces e gostosuras,
O primeira neto está por chegar.
Qual será o nome?
O que iremos aproveitar?
Boa noite, vovó,
Até mais, mamãe!
Eu ligo pra senhora
Pra marcamos o jantar!
"(A)doravelmente teimosa ela toda prosa que encanta com sua musicalidade,
(M)ais que especial este riso fácil aliado ao modo irreverente de brincar,
(A)nda toda prosa com o que lhe faz feliz quando manhosa não esconde o choro do que entristece,
(N)otas musicais compõe o dom que ela possui de encantar e gritar as coisas boas da vida.
(D)iante todas circunstâncias ela exclama todo talento que possui de nos cativar em liberdade.
(A)qui me despeço em um singelo verso a quem possuo muito carinho."
Ps. Para minha adorável amiga!
Amanda Gomes
Canto as dores
Canto o riso,
Canto as flores, o mar.
Sou canto em versos
Prosa,
Sou pedaços em cantos
Sou em todo canto pedaços.
Pois, pois...ensinaste-me
Que quando se quer
Susbstitui
Arranja-se jeitos de jeito
Valeu,
Aos cegos precisa-se
Mostrar o caminho
Onde pisar
Em que não pisar.
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