Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
POETAR
Ser poeta é, por sua vez,
questionar os inúmeros “porquês”;
é roubar do tempo a rapidez
e querer o que a vida desfez.
É expressar os gritos da mudez
e fazer ouvir ruídos na surdez;
é ver no translúcido a nitidez
e saborear o doce da acridez.
É tatear o morno da tepidez
e transformar a frieza em calidez;
é despir de pudor toda nudez
e despertar a libido da frigidez.
É desembaraçar-se diante da timidez
e agigantar-se em pequenez;
é fartar-se em plena escassez
e permitir inquietação à placidez.
É tratar com suavidade a rispidez
e converter indelicadeza em polidez;
é fazer da aspereza maciez
e revelar humildade à altivez.
É propor prudência à insensatez
e buscar a cura para a morbidez;
é estar sóbrio de embriaguez
e mostrar-se demente de lucidez.
É dotar a estagnação de fluidez,
e extrair as cores da palidez;
é dar às vontades humanas solidez
e aos corações empedernidos flacidez.
E nas linhas que no papel se fez,
rascunhar, com leveza e avidez,
os desalinhos da alma, de vez,
com todas as certezas de um talvez.
(Selecionada no “5 º Concurso Nacional de Poesia”, da cidade de Descalvado-SP, e publicado na coletânea “Marcas do Tempo VIII”, no ano de 2006)
POR ENQUANTO
Levanto meus pés
Alcanço o teu pescoço
Ah, como quero a tua boca, moço!
Estou sedenta de ti
te quero aquém de mim,
e te querendo assim,
amo-te além de ti!
Além do que tu és
E pelo que não és
Independente de quem tu és
Amo-te por tudo...
Pelos abraços que me destes
e pelos que negastes à mim.
Amo-te pelo teu calar
e pelos gritos de tua alma,
quando, desenfreadamente faz amor comigo
Nada me importa além dos teus braços,querido
Neles cabem todos os meus sonhos...
Então não penso
Sinto...
...E sinto tanto!
E o que tenho, tenho agora
Amanhã não sei se virás,
nem quero saber
... Se não vier,
sofro
Mas sofro amanhã
Então...
Enlaço-te nas minhas pernas
e te tenho.
Enquanto posso...
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
NO TEU COMPASSO
Nem ouço a música
Te sinto
Sinto as tuas mãos
Sinto o teu cheiro
Sinto os teus olhos sobre mim
Mais do que nunca sou mulher,
me sinto mulher,
me vivo mulher!
A dança me enebria,
me intorpece,
me acalma como as palavras de uma prece
Deslizo pelo salão em êxtase dolente
Por esta compasso me deixo conduzir , embalar,
seduzir...
E a música toca
Um jaz,
um blue,
um antigo rock in rol...
E tu me tocas o corpo
Entrego-te a alma,
nas tranças da dança!
Sim, existe a esperança:
escondida no coração ,
nos versos de uma canção
no olhar da criança que
se joga feliz e sem medo
e ri descaradamente do
roteiro previsível da vida.
Sim, o infinito nos convida
com seus passos incertos
a olharmos a vida , o mundo
com mais sentimento
mas apenas temos dois olhos,
e duas mãos onde só cabe
um pouco de céu e imensidão.
Agora que o disfarçado trem
atravessou a neblina da noite
com seus silenciosos versos
estou pronta para a incompreensão
dos desencontros no tempo e espaço,
para o mistério que paira sobre nós.
Tenho olhos enevoados em excesso
no entanto , sei que sinto e assim
escrevo o que extravasa e não cabe
mais dentro do peito. E isso é o que sei:
A vida toda é uma miragem e é o acaso
quem joga os dados no tabuleiro do tempo.
E as nuvens tomaram o céu
invadiram o dia
mergulho na fugacidade e na beleza
das coisas simples da vida ...
Abri aspas :
Só o silêncio.
Fechei aspas
e fui
viver.
Penas?
criei asas e voei
plantando estrelas
para encontrar
a luz .
As vezes canso de tudo,quero parar,
mas aos solavancos ainda vou,
porém vem a vontade deestacionar,
virar uma estátua, que ao tempo se entregou
Janela imaginária
Debruço-me sobre a minha janela imaginária
E deixo-me ir até onde os meus sonhos me levarem;
A vida passa a ter um duplo sentido,
Viver o agora e reinventá-lo...
MULHER DA VIDA
A menina que queria ser bailarina
Nunca deu um rodopio
Rodou apenas na vida
Na via
Nas avenidas
Entre idas e chegadas
Corpos sujos e suados
Se vendeu
Nunca se deu
Não amou
Nem foi amada
Usada como mercadoria
Objeto que já não se atreve a sonhar
A menina que queria ser bailarina
Agora é chamada de mulher da vida
Mas que vida?
Nome tão bonito
Pra quem carrega o peso de olhares
E trás seus pesares cravados na alma.
FOLHAS DE PAPEL
Os meus olhos de menina
Enxergavam arco-íris através de cacos de vidro
Viam gafanhotos vestidos à rigor
Eles estavam sempre prontos pra festa
Em meus sonhos de menina os personagens dos livros ganhavam vida
Era possível sentar para um chá
Dividir uma toalha de piquenique
Em minhas mãos de menina as folhas de papel se transformavam
Em gaivotas que ganhavam os céus
Viravam barquinhos que navegavam em poças d’água deixadas pela chuva
Em minhas mãos de mulher
Basta pena e papel
Pra guardar a vida em poemas.
Meus passos em andanças variadas,
alguns aqui e outros bem mais acolá,
levam-me a observar discrepâncias
que a vida sempre tece sem parar
Pessoas falando de grandes amores,
outras querendo a bondade exaltar,
algumas impondo-nos suas flores
sem no entanto de nenhuma cuidar
Noto a grande e urgente necessidade
de estar sempre num palco para aparecer
numa mostra de sua interior realidade,
são inseguras, fazem isso para não sofrer
Somos todos poetas Fernando…
No entanto, nem todos os poetas, são poesias…
Nem todos fingem dor em demasia,
para alcançar a alma e trazer calmaria…
Alguns se vão na dor… Outros no temor, refletem o verso em agonia.
Sua própria vida… Seu refúgio, sua alforria…
Que nas palavras encontram a passagem para a utopia…
E do inato se dá o formato: prosa, cordel, crônica, poema, poesia…
E de longe Fernando, nos encaixamos também!
Pois se um poeta somente finge, queria eu fingir além…
E que a dor fingida me fizesse bem…
Mas o real não mente, não distorce, não desmente…
O poeta escreve com alma!
Por mais que finja em sua mente, é inconsequente…
E nas próprias armadilhas cai em ressalva...
(PARA CANDIDO PORTINARI)
A sua lágrima colore duas açucenas. Nas mãos: o mestiço sorrir dos olhos fechados. Colhes as flores que nascem em cima dos túmulos e te alimentas dos vermes expostos aos urubus. De manhã, o suor da capoeira. A tarde, fome na seca. Noite: o sonho. Fantasias um Brasil que existe e crias o surrealismo do cotidiano. Levas a morte às sesmarias desnutridas, cantas os cores de João Cabral de Melo Neto e invades os postigos da grande impossibilidade. Hades ergue-te adorações. Zeus curva às prosopopeias dos teus pincéis. O Olimpo arruína. A Arte é tua filha. A inspiração é tua mãe. O olhar perdido: a vereda do teu coração.
Veranear como pássaro que procura ninho - paz!
GRACINHA
Eu sou aquela caixa d'água a tilintar dentro da noite veloz. Lá fora, o sereno caía vadio enquanto os rumores dos carros mexiam com as luzes dos postes. Tchiqui, tchiqui, tchiqui... Quase sempre, o ventilador ao pé da cama. A cama. A cama. Aquela cama... Na área, o churrasco embalava os nossos estômagos famintos. A fumaça passeava por todo espaço. Chegava na cama. A cama. Aquela cama... Ao meu lado direito, meu mano: pequeno, raquítico, olhos negros, cabelos lisos. No centro, a mana: covinhas amontoadas, coqueirinhos na cabeça, chorinho fácil a descolar na boca. Ao lado esquerdo: vovó. Vovó. GRACINHA. Corpo roliço, cabelo despreparado, pele macia e branca. Sua mão a "irribuçar" os netinhos com colcha vermelha. Sua mão a cantarolar no meu peito. Um dois três carneirinhos. O ronco, o sereno a cair, os rumos dos carros e eu-caixa d'água, eu-saudade, eu-vontade-de-voltar.
Ser mãe
Chegamos ao mundo
Bem pequenininhos
E em nenhum segundo
Ficamos sozinhos
Afinal des do ventre
A ternura e afeição
São marcas registradas
De tamanha perfeição
Quem te abraça é ela
Em seu primeiro choro
E quando ta perdido
Ela te da socorro
Mae é obra divina
Foi Deus quem criou
Pois nada se compara
Em grandeza e amor
Mae é sinônimo de tudo
De bom nesse mundo
Pois ela nao te esquece
Por nenhum segundo.
Pássaros ao entardecer
(Victor Bhering Drummond)
Sim, os pássaros voaram ao entardecer.
E sabiam que eu estaria exatamente ali
Com a câmera a postos à espera de seu revoar.
Buscava só uma casinha amarela, quase bucólica
Uma paisagem pra lá de conto de fadas
Um entardecer que revigorasse meus sonhos quando estou acordado.
Mas eles sabiam que eu precisava além de uma paisagem.
Que seria mais poético e encantador se junto com meus sonhos
Esse bando passasse e levasse junto meus desejos,
Para que além do cenário e do arco-íris, eles se tornassem realidade. (📷 @fabiolieblartndesign | Este cenário existe. É uma estradinha linda em Santa Catarina, ao pé da Serra Dona Francisca, chamada Estrada do Quiriri)
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O tempo
O tempo que te pertence é o tempo do presente,
O tempo que já passou, já flui se esgotou,
O tempo que há por vir, quem garante que virá?...
O certo é que todo o tempo uma hora se extinguirá!
Noite de melancolia
etéreas nuvens vestindo o infinito
um canto ecoa na imensidão
sombras indefinidas vagando pelo azul
um leve clarão de saudade
devagar a divagar a alma flutua
nos versos translúcidos de céu e mar.
