Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A vida
Ela é vista muito bem nos olhos de alguns
Ela é passageira para quem perde tempo
É valiosa para quem sabe viver bem
É significativa quanto é bem expressiva
Viver é ser sábio com arte
E poucas pessoas são os artistas
Mas a vida não é só alegria e nem tristezas
Não é só amor e muito menos dor
Para uns a vida é mais longa
Para outros é mais curta
Uns sabem jogar bem com ela
Outros desperdiçam as oportunidades
De fato a vida é uma só
E deve ser bem vívida
Mais aproveitada
E leve possível
Viva muito bem hoje e sempre
Agradeça a Deus por você existir
Pois mais cedo ou mais tarde
Você prestará contas quem a concedeu
"E homens se perguntam:
__Qual o sabor dos lábios dela?
Ao que os pássaros respondem:
__Eles tem o sabor da fruta proibida que marca com pecado o corpo do amante.
As abelhas contra atacam os pássaros:
__Eles tem o sabor do mais puro néctar, colhido de uma flor virgem e que torna o corpo livre do pecado.
Ao que o sonhador poeta apenas sussurra:
__É O SABOR DO AMOR, ONDE O PECADO E A PUREZA SE MISTURAM E ME TORNAM UM ETERNO APAIXONADO."
Parábola do Homem Sábio
Um dia um homem sábio morreu. No reino dos céus encontrou-se face a face com o Senhor Deus. Este perguntou-lhe:
“Tu, que és sábio e viveste inúmeros anos, diz-me o que aprendeste de realmente importante.”
Respondeu o homem sábio:
“Uma só coisa aprendi de realmente importante: a ignorar os mestres.”
O Senhor Deus olhou-o num demorado silêncio.
Depois voltou-lhe as costas e foi-se embora.
Aquele que tem ouvidos que ouça!
IRA
Surgiu do leito do rio sem margens
Cantando a serenata do silêncio,
Do mar de desejos que a pele esconde,
Trazia sal no corpo inviolável.
Banhando-se no sol da estranha tarde
Cabelo aos pés mulher completamente,
Tatuou nas retinas dos meus olhos,
A forma perfeita da tez morena.
Com a lâmina dos raios penetrantes,
Arando fortemente as minhas carnes,
Espalhou sementes de dor e espanto.
Deixando-me abraçado à sua sombra,
Desceu no hálito da boca da argila
E, ali, adormeceu profundamente.
Pele preta
Quem é esse neguinho
Dos olhos escuros
Cabelo preto
Da pela preta?
Quem é esse neguinho
Que veste bonito
Sorriso branco
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que corre descalço
E sonha com a vida
Da pele preta?
Quem é esse neguinho
Que se sente sozinho
Rodeado de gente
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que parece comigo
Tem o mesmo sorriso
E da pele preta?
Quem é esse neguinho
Da pele preta
Acorda de manhã
Toma o seu café
Já sei, ele chama Tairan.
CANTO DA ESPERANÇA
De João Batista do Lago
A sinfonia da insensatez em toda pressa
Reverbera o prenúncio de toda guerra
Imanência de estados totalitários
Sujeitando a honra de povos na terra
A nota colonizadora é a dó maior
Gerando mortandade com seus fuzis
Prostrando sobre a pátria todos os civis
Famélicos soldados do vão ouro negro
Até quando os senhores donos do mundo
Plantarão toda infinda desgraçada sorte
Subjugando toda uma nação até a morte?
Há de chegar o dia da nova esperança
Há por certo de se compor sinfonia nova
O mundo será jardim de almas crianças
As Maiores Batalhas
As maiores batalhas são travadas em silêncio
na solidão da casa, no escuro do quarto
nos corredores do coração
Guerras insones
diárias,
constantes
As maiores batalhas são travadas sem armas
ou espadas e, com sorte, sem morte
apenas profundos cortes
na alma
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste
Minha mãe,meu anjo carnal
Linda como o amanhecer
Perfeita como o pôr do sol
Cheia de qualidades
Feita com carinho por Deus
Uma verdadeira obra de arte !
Mãe é amiga
Mãe é conselheira
Mãe é companheira
Mãe é guerreira!
Para o amor de mãe não existe barreira!
O amor de mãe é doce
Doce como um mel
Doce como uma jujuba
Mas não é um doce que adoece
É um doce que a nossa alma fortalece!
A mãe ensina
A mãe educa
A mãe quer ver um filho no topo
Está sempre ao lado do mesmo
Independente da situação que seu filho ocupa
Hoje é seu dia
Apenas um dia mais especial
Pois todos os dias é seu dia
Deus lhe criou com bastante carinho
Para ser minha mãezinha querida
Meu verdadeiro anjo carnal
Resistência
Ouvi do meu pai que a minha avó benzia
e o meu avô dançava
o bambelô na praia, e batia palmas
com as mãos encovadas
ao coco improvisado,
ritmando as paixões
na alma da gente.
Ouvi do meu pai que o meu avô cantava
as noites de lua, e contava histórias
de alegrar a gente e as três Marias.
Meu avô contava:
a nossa África será sempre uma menina.
Meu pai dizia:
ô lapa de caboclo é esse Brasil, menino!
E coro entoava:
_ dançamos a dor
tecemos o encanto
de índios e negros
da nossa gente
No deserto das cidades
uns cavaleiros sonham
mas sonham só
seduzidos pela mais valia.
De resto,
lugar nenhum no coração
para encantar Dulcinéias.
Onde o herói contra os moinhos?
Nós, mulheres indígenas,
Somos raiz deste chão
Somos fortes para parir
Cuidar e dar educação
O homem é só semente
Que fecunda e nasce gente.
E mulher, terra pra criação.
Estou atrás
do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra.
Soneto
Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu
Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida
Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
todo dia
uma coisa sangra em mim
entre o abismo e o voo
entre a asa e o salto
eu nunca me matei
todo dia insisto
nesse nascer continuo
poema
ela come tangerina
com centenas de dedos
meditativos
empenhados na função
de descascar, separar um gomo
do outro
mas não mastiga, empurra
com a língua até a pele
descosturar
feito tecido ou papel
e romper
em suco
depois caminha pelos quartos
acaricia os cabelos das bonecas
muda a posição dos objetos
desliza dedos pelas paredes
até que cada canto da casa
cheire como os dias de verão
Precárias formas
escondidas no gelo
para evitar
o predomínio do tempo
sombra sem respostas
o pormenor da voz
pede permissão
para pertencer
à transparência.
Quando perder
O medo de mudar
Encontro meu lugar
Sem querer
Quero mudar
O medo de lugar
Até não encontrar
Até perder
Eu já usei gravata, e até topete
Já joguei fora o meu trompete e os discos do Alceu
Eu já ganhei emprego e perdi o sono
Correndo atrás de um sonho que não era meu
Mas hoje eu larguei tudo e virei poeta
Eu não quero ser atleta, nem médico ou juiz
Eu moro numa ilha e tô me acostumando
Para quem nasceu chorando, até que eu tô feliz
SIMONE
(31.08.2018).
Minhas poesias me levaram ao mar. E as ondas trouxeram uma concha, no qual seu interior se encontrava uma perola. Dialogando com meu ser, perguntava: Afinal, que nome eu daria a ela...?
