Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Analogia
Quando o olhar fala
A alma por todo cala
O corpo se veste de alegria
O abraço em laço irradia
Nos fazendo melhores
Imperfeitos e maiores
É o amor em sintonia
Como em uma poesia
Luciano Spagnol
Bloco da saudade
Lá vai o tempo, lá vai
Na mão confete e serpentina
Junto a nostalgia com ele sai
Vão os pierrôs e colombianas
De mãos dadas pela cidade
É bloco, vai menino vai menina
Um dia de folião, outro saudade
Agora olheiro... Vai também o amor
Pelas ladeiras da mocidade
Se perde, se acha, puro suor
Toca o agogô, cuíca, berimbau
Peço passagem ao condutor
Quarta feira não é mais o final
Já passou, passou minha folia de carnaval
Luciano Spagnol
A Sagrada Arte do Ikebana
A flor arrumada
Em ordem e respeito
Faz da arte sagrada
Repousar-se no leito
De uma poesia calada
Nas mãos do eleito...
Que é dos deuses maná
Em refletir o sentimento
Da pessoa que o vivificá
Luciano Spagnol
VETUSTO.
É ali, é lá, acolá, é cá
O tempo nunca foi planejar
É solto no ar, é patuá
Corre pra todos no pedalar
Por obediência o seguimos
E ele sem rima é caminhar
E neste túnel submergimos
Da ingenuidade a vetustez
Um dia aqui outro partimos
A certeza que temos, nossa vez
Nos tornamos memórias
Somos enroupados e nudez...
Luciano Spagnol
Balanço
Um dia se aprende a achar
No outro sabe como é perder
Um dia o silêncio põe a falar
No outro como é escolher
É o fado nos ensinando a caminhar
Nos fazendo dar e receber
E a entender que o que vale é amar...
No balanço do nosso viver!
Luciano Spagnol
A saudade está impressa
Nas lembranças do mar
A vida com a sua pressa
As levou do meu sonhar
As trouxe cá pro cerrado
Estribou no galho torto
O fado pelo fado versado
Fazendo aqui de meu porto
Luciano Spagnol
Coração de renda
Nos sonhos me perdi
Aqui no cerrado goiano
Como pás de moenda
Britei sertão e oceano
Da sorte tive oferenda
Do destino está opção
Se a solidão abriu fenda
O amor coseu emoção
Num coração de renda
Abraço
Dos gestos o mais lido é o abraço
Envolvem a alma em laço
Tem amarração e proteção
Embrulha o corpo de carinho
Nos braços tecem o ninho
Do bem querer, do bem receber
De coração a coração, afeto no viver!
Luciano Spagnol
Dualidade
Oh fado, oh cerrado!
Chorei nostalgias calado
Tortuosa em ti a emoção
Trouxeste comitiva e solidão
Terei lembrança toda vez
Ao ver secura, ver nudez
Dos campos e sua rudez
Ah! Como conter o desejo
E o displicente lampejo
Do ávido adeus, sem pejo
Apenas sonhado despejo!
Oh fado, oh cerrado!
Encantado e desencantado
Magia de mato encurvado
Em ti sou dualidade, atado
Quando eu me for, enfim
Num novo início ou no fim
Terei e não terei saudades, sim...
Oh fado, oh cerrado!
Luciano Spagnol
Tristura
Eu estava a chorar
E na tristura e lágrimas
Pus a alma a pensar
Das angústias e lástimas
E nesta sumarenta dor
Escorrendo em desestimas
O que me alentou foi o amor
Luciano Spagnol
Manifesto
Então soletre-me atentamente
Cada letra o som do meu olhar
Leia-me e guarde mentalmente
Estes versos que querem amar
Por eles os faço solenemente
Luciano Spagnol
Fugaz
Quero o ar do imaginário
Me perdendo na melodia
Quero todo o vocabulário
Das rimas sem melancolia
Que tudo não seja breve
A hora só traga hegemonia
Que a noite e o silêncio seja leve
Quero todo o tempo na poesia
Onde minha alma fique alqueve
Pra cantar-te beijar-te amar-te, ao meu coração alforria.
Tudo é fugaz, a vida mais fugaz ainda... Breve!
Luciano Spagnol
Refundir
Respiro os sonhos, acordado
As dores são suspiros
Inflados no peito, chorado
Que na alma criam giros
Da vida aos quais se é laçado
Criando loucuras e estupidez
Quando vale a pena é ser amado
Mergulhar nesta sensatez...
Se o fato está desgovernado
Refunde como se fosse a primeira vez
Resgatando o bem e a harmonia
Sem nenhuma escassez
Na emoção criando sabedoria
E no amor solidez...
Luciano Spagnol
beijo
beijo inocente
beijo roubado
adolecente
enamorado
beijoca, beijinho
fraternidade
fração do carinho
beijo de amizade
amigo,
doce abrigo
beijo,beijos,beijo
de despedida
lágrimas e cortejo
alma partida
beijo traíra
enganador
beijo cuíra
estertor
beijo
beijemos
gracejo
apaixonemos
desejo
bom mesmo é beijar!
um beijo, mil beijos
afeto, carinho
ensejo
de amor
beijos!
Luciano Spagnol
Eu vivo cansado do mundo,
Eu vivo cansado das pessoas e suas mentes aprisionadas em cavernas escuras,
Deslumbrando, coisas que não estão lá realmente,
São sombras apenas, sombras daquilo que realmente é,
Porque tudo aquilo que é, realmente não é,
Mas, para as pessoas é uma simples mentira,
Fato que não existe!
"Somos tudo num só e nada num todo
O bem e mau que inquieta e acalma
Sacudindo o agitado silêncio da alma."
Preciso
Preciso
Imediatamente preciso
Sentir-te por perto
Sentir teu cheiro
Preciso
Sem perder mais tempo
Preciso
Ver você
Mesmo que só um instante
Mesmo que menos de um segundo
Preciso ouvir a tua voz
Sentir teus cabelos
Embeleza-los com flores do jardim da casa ao
lado
Preciso
Mesmo que o mundo
Se acabe
Ver-te a sorrir
Maior do que esse mundo pensa
Eu vou domando minha loucura
Eles procurando a cura
E eu sou a própria doença
A CANJA
Me arranja uma canja
que de banda nessa banda
voou tentando debandar
se a canja me arrumar.
Quem sabe uma colherada
... De riso carinho e amor
um abraço antes do nada
um jardim repleto de flor.
Me arranja uma canja?
Sim! Uma canja me arranja
... Para fazer do viver
uma canja com você.
D'essa canja, uma colherada
com toque de tamborim
sapateado samba rodada
uma canja, assim para mim.
Antonio Montes
SOB O OLHAR DO GATO PRETO
A tarde se despeja, fastiosa sob um céu turvo...
Sinto a presença do gato preto. Não o vi ainda, mas
trás presságios de má sorte. Sei. Me encurvo...
... Ante os olhos da morte. fria , risonha e aldaz!
E quando a lua imensa toma o céu de loucuras
Ele passeia pelo assoalho de mármore branco
É o antever de todo o despejar do mar de agruras
Fecho os olhos. Luar de sangue, dor e pranto.
E o que me trás, gato preto? À que então, veio?
Vieste de ceifar as almas do mar do norte. Sim!
Vais embora logo. Não o quero ver. Bicho feio!
Mas até quando fugirei da presença do maldito!?
Abro meus olhos. Ei-lo: Quieto, negro e tenebroso.
Apaga-se então, a última estrela do infinito.
