Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A você, mãe
O brilho deste dia é especial...
Pois é seu aniversário.
É no seu jeito maravilhoso de ser que encontramos a simplicidade do que realmente importa para nossas vidas, você merece ser muito feliz em todos os dias.
Que neste dia o amor e a ternura acalentem seu coração com alegria de quem faz de cada minuto vivido um gesto de confiança e fé na vida!
És uma mãe muito querida.
Mesmo na distância você se faz presente em meu coração. Por você eu disse Sim à vida e digo com muito certeza, mãe, adorei nascer! Gratidão...
Faço votos de saúde, amor, paz, sucesso, prosperidade e proteção divina.
Dedico estas palavras a você, mãe com todo amor do mundo!
AUGUSTO
Incerta é a noite
O dia é melhor para esconder-se
Uivo soturno,
Cão desgarrado
Meu irmão distante
Perambula entristecido
Pela floresta escura.
Não há paz na incerteza
Do pensamento que vaga
Alucinado pelas lacunas da mente.
Onde estão os anjos?
Sujos,
Perdidos,
Fumando cigarros,
Brindando com fadas verdes.
Onde está Augusto?
Silente,
Translúcido,
Ultrapassando as portas da percepção.
entre noites
melancólicas,
ruas sem saída,
dia após dia
cultivando a ferida
aberta,
custou-me,
nuvens
perdidas,
passeios
só,
suor a contragosto,
frio,
no fundo do poço,
raiva cobrindo
o corpo
todo,
contas a pagar,
falta de ar,
febre amarela,
febre do rato,
tifoide,
deixando de lado
o amor
(sopro
cosmo
humano)
disenteria,
erros calculados,
a poesia?
Ela foi levada num dia sombrio,
com seu rosto magro, abatido,
olhos fechados, pele enrugada,
da vida triste acabaram os castigos
Acabaram tristezas, lágrimas mil,
adeus à pobreza e torturas,
nada deixara para ser chamado de seu
apenas uma bíblia de capa escura
Só conseguia viver em oração,
lendo e meditando chorosa,
levou seu segredo para o caixão
e sobre ele apenas uma rosa
o único som que eu escuto
é do eco que as minhas palavras fazem,
sobre o buraco que você deixou
quando foi embora.
- eu não conseguia falar, então eu escrevi, página 14.
Em meio a tantas contradições
Eis que me surge um feiticeiro
Lindo, doce, sensível, sedutor
Incrivelmente encantador
Tudo nele me fascina
Volto a ser menina
Divina, genuína
Seu grande feitiço é o da magia
Transformando assim
Todas as minhas dores
Em poesia
agora
compreendo melhor
as garras dos gatos:
também eu gostaria
de esconder
punhais
por baixo
de um corpo manso
O tempo nos mostra
A hora de parar.
As vezes insistimos
Achando que o tempo está errado
Mas o tempo não erra.
Temos que acreditar nos sinais
Nos toques que a vida nos dá.
As vezes uma presença nos instiga a ficar
Mas os sinais mostram
É hora de parar.
Foi sempre eu, a me esquivar
Foi sempre eu, a correr de ti
Nunca tive coragem de tocar
Nunca tive coragem de te sentir
Quando o mais perto cheguei
Quase desfaleci.
Não vi nada em minha frente
Corri pra bem longe de ti.
Não se pode tocar um Deus
Ou algo assim semelhante
O que é proibido na terra
No céu te vejo distante.
Depois de acordarmos
sempre ainda meio vivos
um pouco ensonados
é mais ou menos fácil
entrar na vida
depois dessas coisas
Prometemos várias vezes
que não trocaríamos o amor
por jogatinas de pingue-pongue
e quando finalmente percebemos
que o ás do pingue-pongue
é exatamente
a medida certa do amor
ajubilamos na gargalhada
que só pode ser
que afinal, sempre foi
nós dois acreditamos nisso
a herança de Deus para nós
é claro que sei dizer palavras calmas
e amar devagar os que chegam a meu lado
e recordam o meu nome de todas as maneiras
com que ao redor da vida o foram construindo
é claro que sei inventar cantigas breves
das que à meia-noite perdem as notas mais vibrantes
quando fogem precipitadamente dos nossos bolsos
é claro que sei voltar a casa e abrir a porta
e fingir que tudo está perfeito sobre a mesa
e os objectos guardam os lugares de sempre
e eu continuo na moldura com um riso de quinze anos
tropeçando no teu ar sério quase a sair do retrato
é claro que sei passar os dedos devagar pelo teu corpo
nas noites em que chegas e dizes já não chove
como se colocasses no meu colo uma prenda de natal
e pudesses apagar a tempestade
no brevíssimo instante em que a vida se resume
aos nossos olhos tentando
acreditar que é cedo
é claro que sei esperar por ti
sabendo desde sempre que não vens e mesmo assim
escolho sem sobressalto a música perfeita
de te acolher no sono com o enevoado rumor
de todos os encontros improváveis
Para amar,
Para me namorar,
Para me gostar,
Tem que gostar,
Tem que amar,
Tem que entender e ser entendido,
Tem que ter um pouco do mundo em um só sorriso,
Tem que saber aguentar as chuvas e os sols,
Tem que haver amor e amizade,
Tem e tem que haver opiniões e conversas misticas,
Tem que ter encontros de apaixonados,
Tem que haver a chama do desejo,
E a descoberta do pesadelo,
Tem que estar pronto para conhecer todas minhas faces,
Tem que ser apenas você,
Para eu poder nós reconhecer.
Um dia cheio de alegria
e ternura pra você...
e o mais importante:
a Presença de Deus
em cada minuto...
Seja luz...
Seja amor ♥️
O que se passa aí dentro?
O que houve que o deixou tão confuso sobre você mesmo?
Você tem seu universo particular, sua forma de agir, pensar.
Só não esqueça que dentro de cada um também há vida, momentos, cortes e feridas.
O calor que no teu corpo habita, em meu corpo fez breve moradia, e já não mais corresponde com tua saída vazia.
Seu toque, sua pele, seu beijo, se perderam em meio ao gracejo que a vida nos aprontou, como também por sorte e pouco tempo nos transbordou.
Mas a vida é assim, água que não deve ser desperdiçada, areia pisada, doce e marmelada, choro e ventania, água de coco e maresia, verso, prosa e poesia.
Reflexos
Vi Mariazinha
no fundo do poço.
Joana se aproxima
e joga a corda.
O mundo aplaudiu
ao ver Mariazinha
ser salva.
Mas o que Joana
queria mesmo,
era ver Mariazinha
enforcada.
Áureos tempos aqueles
quando na manhãzinha goiaba
colhíamos no cerrado gabirobas
ainda vestidas de orvalho.
Pés e patas competiam no capim
pródigo de carrapichos.
Gestos elásticos ultra-rápidos
assustávamos insetos e aves.
Um séquito de suaves súditos
nos seguia em semi-adoração
nós, os príncipes daquele feudo.
Depois, o asfalto rasgou o campo.
Cogumelos de concreto brotaram.
Cresceram as crianças e a cidade.
Anãs ficaram as árvores aos pés
de edifícios colossais. Sumiram
pássaros gabirobas araçás.
Fim de passeios e piqueniques.
Só ficou a fome funda das frutas
no vão sem remissão das bocas .
Pesado é o coração
do escombro de teus sonhos
e dos mortos que em teus ombros
repousam imortais.
O amor de ontem
é cinza feita chumbo.
Cicatrizes e rugas
lavram a tua carne
de aflições temperada
e a vazante das veias
irriga-se
de subterrâneas lágrimas antigas.
Se a religião e a filosofia, e todas as outras certezas do mundo nada fazem senão me distanciar de minha própria natureza, fico com a poesia,
Que faz de mim o próprio barro confuso que sou.
Aprendi a evoluir, quando me deparei com a contemporaneidade...
Aprendi a evoluir, quando tive que sepultar minhas lágrimas...
De todas as dores que eu vivi, e em todas as agruras que suportei, uma coisa aprendi:
Essas coisas passaram...
Eu passarei...
Estava aqui a pensar, se a semântica já consegue descrevê-la....
Será que cabe na nomenclatura o castanho dos teus olhos , e a alegria que sinto em vê-la ?
