Poemas Sombrios
Não é...
Enigmático, por vezes fragmentado,
mesmo nas sombras insisti em bater do jeito mais bonito,
vibra cada vez mais ao apontar a luz no horizonte,
o coração não é só um músculo.
Doces e limões
Como um tolo vivendo atrás de sombras, perdi o juízo por acreditar no teatro produzido pelo falso amor.
No mundo obscuro desse amor, as fantasias de viver um sonho sem fim foram o ponto máximo, mas as dúvidas eram transparentes assim como a tormenta era de se desgastar os olhos.
O essencial foi ignorado, as decepções hoje andam com pernas de pau gigantes no picadeiro da vida, já a vingança se mantém oculta no meu coração amargo.
Entre doce e limões carrego no peito a saudade e as lembranças do que foi bom e do que foi ruim.
Amar nas sombras
Não tente explicar aquilo que você ainda não viveu, a experiência grita mais alto e desmascara os sem noção,
me chamam de antissocial só porque eu gosto de ficar em casa a sós pensando nela,
só um pouquinho de você aqui eliminaria o meu silêncio e abriria enormes sorrisos,
uma rede, duas árvores , um livro e a paisagem do vale a frente, é esse o retrato que me faz lembrar de como você é perfeita e doce na sedução através da saudade.
Tribulações
não poucas vezes, são luzes
que se disfarçam de sombras
e oportunidades oferecidas
ao teu espírito como guias vitais
no destrinchar dos teus
mais nobres
talentos!
Meu retrato adulterado pelo que a pintura antiga escondia nas sombras um novo indicio de reverberar o que me faltava no dia a dia;
Mas a juventude que nos anseiam é a mesma que recordará um sentimento esquecido ou eternizado para felicitar a nossa história;
Dê-me a mão vamos seguir entrelaçando no melhor que a vida tem a nos oferecer, deixe que eu amar-te-ei para todo sempre;
O Porão Onde Florescem as Sombras.
Parte II.
(por: Joseph Bevouir , com evocação de Camille Marie Monfort).
Camille Monfort caminhava entre as frestas do tempo, onde as sombras ainda tinham perfume de primavera. Seu rosto era um véu de silêncio, e nos olhos trazia a vertigem do que já não podia ser dito.
No porão da consciência aquele lugar onde a memória se torna eco floresciam suas dores, tênues e luminosas como astros mortos.
Primavera de solidão ainda…
Não te ocultes, Camille.
Tu és o espectro ferido que caminha entre palavras caladas, entre os nomes que não ousas pronunciar, entre os sonhos que se dissipam antes do amanhecer.
És, ao mesmo tempo, o que foge e o que acusa.
És o reflexo e o estilhaço.
És o outro sempre o outro quando julgas não ver a tua própria pálida nudez.
Mas ainda assim te vês, refletida nos cacos do espelho que quebras todos os dias com teus próprios dedos.
E nesse gesto de quebrar o espelho há uma prece muda, uma súplica às fronteiras do infinito mental. Camille não temia o abismo, pois era nele que repousava sua lucidez. Tocava o indizível com a mesma delicadeza com que se toca o rosto de um anjo moribundo.
O tempo, para ela, não era uma linha era uma espiral. E em cada volta dessa espiral, ela renascia mais perto da verdade e mais distante de si mesma.
O amor, para Camille, era uma ruína sagrada; um templo onde só os que sangram podem entrar descalços.
Assim, no silêncio que antecede o último pensamento, ela compreendia:
que toda luz é filha das sombras,
que todo encontro é também uma despedida,
e que a alma — oh, a alma! — só floresce quando se aceita o escuro porque é dela se sentir melhor assim.
Camille Monfort, a que tocava o invisível, a que habitava o porão onde florescem as sombras,
sabia que o infinito não está nos céus mas no espelho trincado da mente humana fora e em si.
Foi nas sombras dum olhar vazio
Que eu vi muitas vezes abrigo
Minutos que eu desejei fossem intermináveis
Pura ilusão...e também, puro amor meu.
Hoje, és apenas um sopro na minha poesia
És memória que faz parte de mim
A vida tem os seus desígnios
E pôs-te fora do meu caminho
Afagando a minha alma com um sonho lindo.
Alma que resoa nas sombras da minha vida.
Adiqueri experiência num apse do meu apogeu...
Apocalipse de outras auroras.
Me torno entorpecido por claras lembranças.
Calida floresta no resquícios dos devaneios...
Exalto que a superfície é calma clara até ser obscura por suas atitudes.
Vejo que mundo está mais obtuso...
Pois tudo que acha se tornou assombroso...
Num ambiente onde tudo é muito atroz...
Aonde está sua opinião e apenas um fluxo de um pesadelo.
Aonde nada mais será feito ou importante.
Eis que eu aqui
Calado, esquecido
Perdido e desarvorado
Eis que eu
Escondido às sombras
Nas penumbras do passado
do qual eu me escondia
Sem nem saber
Que o presente também sabia
Brincar de pique-esconde
E mais do que todo mundo
Sabe onde procurar
Por certo
Apesar de distante
Diante dos resultados
Agora a gente também sabe
Que ele esteve sempre perto
Pois
Perante a rapidez da vida
Não havia como estar tão longe
ou se esconder
da hora de ir embora
quando a mãe chamar
Só agora a gente vê
A inútil futilidade
do lugar onde se esconde
Eis-me aqui.
Edson Ricardo Paiva.
Existem sombras conspirando,
Elas vivem o Mal premeditando,
Seres encarnados se alimentando
Seguem regando a tristeza alheia
E críticas antecipadas reverberando.
Essas sombras querem roubar-te
De ti mesmo e da tua juventude;
Querendo que você se abandone,
Deixando todo o teu conhecimento,
Impedindo assim o teu crescimento.
Não permita que essas almas penetrem
Dentro daquilo que você fez de melhor;
Acredite que Deus é, e sempre será maior,
Ele é justo, misericordioso e educador,
Ele sempre irá te afastar do [pior...
Inveja? Se você acredita nela, ela te pega.
Mau olhado? Mande pro buraco.
Fofoca? Mande ela de volta para a toca.
Depressão? Faça ela virar causa pró-nação.
Se sombras procuram cavar a tua cova:
Transforme todas elas em poesia
Você é nascido das letras, não te esqueças!
Nada te censura, e está para nascer o que te sufoca!
As Caviúnas com graça
o caminho enfeitam,
As suas sombras fazem
artes de muitas luas,
Te amar com poesia
silenciosa faz parte,
Você não quer outra
coisa comigo que
a não ser compromisso.
Quero te amar
Desejo te entregar ao meu lado mais sombrio
afogando-te em um rio de humilhação profunda
elevando-te aos céus, num delírio divino e, simultaneamente
rebaixando-te ao patamar vil da mulher descartada
mas ao lançar meu olhar
quero presenciar o desvario, a insanidade das gargalhadas incontroláveis tuas, com o rosto encharcado de lágrimas douradas do meu eu mais sádico.
Para ousar, precisamos saber. Para querer, precisamos ousar.
Precisamos querer para possuir império. Para reinar, precisamos manter silêncio.
O quê é amor? é algo que nos faz fazer o impossível, acreditar em promessas loucas, atravessando qualquer barreira pela frente só para salvar o amor da sua vida, e você ainda tem coragem de dizer que o amor não existe.
Ao anoitecer
Adormecem, pois a ardente luz renasce,
Cortes de dores na alma, existe cura?
Com seu brilho, a obscuridade enfraquece,
No entardecer, uma nova marca escura,
Escuridão e o vermelho presente em mim,
Minha essência igual este céu carmim;
Astro que distancia-se a novos minutos,
Sua proteção atrofiando, quebrando,
Escurecendo, faz surgir pesadelos mútuos,
Sangue escorre dos meus olhos, andando,
Seguido com negrume da noite a adentrar,
Não peça permissão, afinal a deixo entrar.
amar é se colocar nas trevas se isso significar que seu amado esteja esteja na luz.
ela esta sob a luz de uma nova estrela...
quanto a mim ? estarei a amando sob as sombras
Ao soar os rugidos do céu...
Um anjo cai...
Com o rastro de suas penas...
Esmaecendo pelo caminho...
Adquirindo o negro do seu interior...
Ao soar os rugidos do céu...
Um anjo cai...
Junto com ecoar de um som...
Anunciando o início de uma nova era...
De trevas e solidão...
Ao soar os rugidos do céu...
Eu caí.
Álibi
Cortina de seda e de renda
estampada e dourada,
moldura de cela
com grades e janelas,
guardando em sepulcro
uma imensidão de vidas roubadas.
Quadrado fechado
sem claraboia
ou paredes laterais.
Corpo caído ao léu
cansado.
No céu que é chão
deitado sozinho,
na cama que é céu
delirante de febre.
Da escrita que é túnel pra fuga de dentro de si
pra escapar dos golpes da sorte
da vida severa daqui.
Espelho quebrado
na serena noite
que traz-me os sonhos,
e a luz que agora vejo
no escuro
que ilumina-me os olhos.
Do peito ferido e aberto
das sombras e vozes que atormentam o dia
das lágrimas caídas dos olhos e que hão de secar um dia.
