Poemas Sombrios
Não sei por que tentam excluir nossa cor,
se uma mão branca e a outra negra juntas
fazem sombras iguais como uma poesia de amor!
A Luz que transforma…
Há momentos em que a escuridão parece dominar, envolvendo tudo em sombras densas e impenetráveis. Mas há uma luz que irrompe, poderosa e inevitável, anunciando um novo tempo. Essa é a visão apresentada por Isaías: uma luz que não apenas dissipa as trevas, mas revela a glória do Criador, transformando destinos e atraindo todos os povos para sua fonte. As nações, antes indiferentes, agora marcham em direção àquele que resplandece, trazendo riquezas, ofertas e reverência, reconhecendo a majestade divina.
Este chamado à luz é também um chamado à ação: levantar-se, brilhar, ser um reflexo da glória que vem do Criador. Não se trata de triunfo material apenas, mas de uma renovação espiritual que transcende fronteiras. Os filhos dispersos retornam, reis se curvam, e tudo converge para o louvor do Altíssimo. É uma promessa de restauração e um convite para participar de algo maior, para ser parte de uma luz que transforma o mundo. Assim, fica a pergunta: estamos prontos para nos erguer e deixar essa luz brilhar através de nós?
O melhor da Humanidade…
No abismo das sombras, quando o caos se faz presente,
Surge a centelha humana, de brilho resplandecente.
O mundo se desfaz em turbilhões de incerteza,
Mas o coração desperto revela sua fortaleza.
No grito da tormenta, onde tudo parece ruir,
A mão que se estende faz a esperança ressurgir.
Em meio ao desespero, a bondade é a corrente,
Que une almas perdidas num gesto eloquente.
A compaixão floresce em terrenos de desolação,
E o instinto de ajudar é a mais pura redenção.
Na face do perigo, a coragem se manifesta,
E o melhor da humanidade, enfim, se manifesta.
Pois é no calor dos momentos extremos e decisivos,
Que os atos de amor se tornam os mais vivos.
E assim, na adversidade, encontramos a verdade,
De que a essência humana é, na ajuda, a eternidade.
Estrelas em noites distantes…
Na senda estreita que o espírito escolheu, há sombras densas que o mundo semeou.A quem a luz do alto um dia acendeu, a treva zomba, pois não a conquistou.
Eis que o ódio, qual vento frio e feroz, não surge apenas por serdes errantes; mas, porque ouvistes do céu a doce voz,
sois como estrelas em noites distantes.
Se fostes terra, raiz ou comum chão, os homens vos tomariam por iguais; mas sois do alto, de etérea dimensão, e o mundo teme o que não possui jamais.
Não vos espante o rugir da multidão, nem o peso das pedras que vos lançam.Maior é Aquele que vos deu a mão, do que o abismo e as forças que avançam.
Escolhidos fostes, não pelo acaso, mas por amor que o tempo não apaga.
E quem caminha sob esse ardente abraço, provoca o ódio de quem na treva vaga.
O Cristo, antes de vós, foi rejeitado, a Ele cuspiram, cravaram madeiro.
E ainda assim, Seu amor imaculado triunfou sobre o mundo inteiro.
Portanto, erguei vossa alma ao infinito, não sois do barro que a turba venera.Sois chama viva, sois o inaudito, o céu vos chama, e o mundo vos espera.
Ó, meus demônios, sombras que me habitam,
Formas retorcidas de um eu que não quis,
Vós, que me arrastais para abismos sem fim,
E me aprisionais em celas de aço frio.
Medo, imenso abismo, que me devora,
Onde a esperança se afoga e a razão se perde,
Tu, que me paralisa e me aterroriza,
Transformando meus sonhos em cinzas mortas.
Insegurança, tua voz ecoa em meus ouvidos,
Sussurrando dúvidas e plantando espinhos,
Tu, que me roubas a paz e a alegria,
E me faz duvidar de cada passo que dou.
Mas eu vos desafio, demônios e abismo,
Não me curvarei diante de vossa tirania,
Lutarei contra vós, com todas as minhas forças,
E conquistarei a liberdade que me pertence.
Em minhas veias corre um rio de rebeldia,
Que alimenta a chama da esperança que me habita,
E me impulsiona a enfrentar cada desafio,
A fim de construir um futuro mais bonito.
Ó, universo, testemunha minha luta,
E concede-me a força para superar,
Os obstáculos que se erguem em meu caminho,
E alcançar a luz que me guia.
VÍCIO DO TEU VÍCIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já me cansa te olhar e só ver sombras,
procurar o teu rosto e me perder
nos escombros de alguém que nunca está;
ou está, mas no fundo nunca é...
Piso em falso nas órbitas do amor
que não sabe trazer felicidade,
cuja flor não supera seus espinhos
nem se livra das grades do pesar...
Vencerei o teu vício de sofrer,
deixarei o meu vício desse vício,
passarei a viver, pois estou vivo...
Eu me canso da espécie de ninguém
sob alguém que me aluga mas não mora;
não me ocupa nem quer desabitar...
SÍNDROME DE DORIAN GRAY
Demétrio Sena - Magé
Digo às sombras que tenho gratidão,
que meu corpo já teve o que pediu,
tive toda paixão correspondida
nos desejos em série que senti...
Mas agora preciso envelhecer
e gozar umas dores mais humanas,
Perecer de uma síndrome comum
ou saber que o que dói não é boleto...
Quero a vida sem graça que não quis,
pra viver um amor que sempre tive,
ser feliz como tantos podem ser...
Peço às sombras meu velho coração,
minha carne se cansa de sentir
sem aquela emoção da qual me lembro...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei
No Reflexo do Outro
Nas sombras da dor escondida, No vazio de mentiras guardadas, Reside a alma ferida, De solidão, traumas, desamparadas.
Se a injúria vem à tona, Olhe para o sofrimento oculto, No desprezo, há uma pessoa Cuja miséria é profundo tumulto.
Inveja é frustração disfarçada, A raiva é ferida não curada. Não se ofenda com o alheio mal, Corrija-se, como um ritual.
Nutra a alma, ao ego deixe de lado, Se precisar partir, vá sem rancor. O amor é chave, prece e recado, Deixe para trás toda dor.
Seja gentil, bondoso, como estrela-guia, Na jornada do coração, encontre paz, harmonia.
Em um campo de batalhas travadas, Ergueu-se um coração de coragem forjada. Nas sombras frias de noites sem fim, Uma vencedora nasceu, firme até o fim.
Na angústia profunda, a dor enfrentou, Jamais desistiu, mesmo quando o mundo tremeu. Sua fé, viva como chama eterna, Rochosa e inabalável, sempre serena.
Entre as cruzes que a vida lançou, Seu espírito se manteve, nunca vacilou. Decepções vieram, mas não a abalaram, Sua calma resoluta, as tempestades desarmaram.
Com a cabeça erguida, seguiu sua jornada, Cada passo firme, em direção à alvorada. Uma nova vencedora, história escrita na luta, Uma vida de fé, que nada machuca.
Que seu exemplo ilumine os corações, De todos que enfrentam as mais duras provações. Que a vitória de uma, seja a esperança para muitos, E que a fé, como guia para outro mundo faça a travessia.
Dissipando as Sombras da Ignorância Através da Meditação
Enquanto a ignorância persistir como uma sombra teimosa no horizonte da consciência, a jornada diante de ti será marcada por incontáveis reencarnações.
Há aqueles que, ao longo de muitas vidas, inadvertidamente cultivaram a semente da ira, permitindo que suas raízes se aprofundassem no solo fértil de seus corações. Sem perceber, alimentaram o hábito da raiva, tornando-se prisioneiros de suas próprias emoções inflamadas.
Outros, escravos dos instintos mais básicos, foram enredados nas tramas do desejo sexual, consequência de hábitos arraigados em múltiplas existências. A sabedoria sussurra que não há momento mais propício do que o presente para travar a batalha contra esses hábitos debilitantes.
A libertação está na prática serena da meditação. A meditação é o melhor caminho para a alma encontrar a saída da roda de sansara. Cada instante de meditação é uma lâmina afiada que corta os grilhões invisíveis que mantêm a alma acorrentada. Assim, a mente, como um jardim outrora negligenciado, começa a desabrochar sob o cuidado amoroso da atenção plena.
Dessa maneira, a luz do autoconhecimento dispersa as trevas da ignorância, revelando um caminho de serenidade e clareza. A jornada, antes penosa e interminável, transforma-se em uma dança graciosa de redenção e despertar.
O amor comum dança em sombras, Sussurra promessas ao sabor do vento. Busca em troca o reflexo de si, Na frágil taça do desejo, se contenta.
Mas o amor divino, eterno em essência, É chama que não se apaga nem vacila. Transborda em dádiva, sem pedir retorno, Imutável farol nas tormentas da vida.
Na vastidão do seu abraço sereno, Não há limites, nem condição. É o céu que acolhe todos os caminhos, A pura melodia de uma eterna canção.
Entre as sombras do adeus, o coração é um poço de melancolia,
Onde ecoam ecos de um amor que partiu, mas ainda se aninha.
No teatro da vida, a cortina caiu sobre o palco do afeto,
E a dor da separação se insinua como um frio inverno repleto.
Oh, homem de coração trespassado, teu peito é um relicário,
Guardando lembranças de um passado que se desfaz no calendário.
A mulher que partiu deixou rastros de saudade e desespero,
E o que resta são memórias que ardem, como brasas no fogueiro.
Ainda paira no ar o perfume da pele que um dia foi tua,
Mas agora, na solidão, a cama é um deserto que insinua
Que o calor humano se dissipou, deixando apenas o frio,
E o eco dos risos passados ressoa como um lamento sombrio.
As lágrimas, silenciosas testemunhas da tua dor,
Deslizam pela face, buscando alívio para a alma que chora.
A cada suspiro, ecoa a melodia triste da desilusão,
Enquanto o coração insiste em bater ao ritmo da solidão.
Mesmo assim, o amor persiste, como uma chama teimosa,
Que se recusa a extinguir-se, apesar da tempestade furiosa.
A mulher ainda vive nos recantos da tua mente,
Como uma sombra que te acompanha, constante e insistente.
Na escuridão da noite, o vazio se torna mais profundo,
E o eco do silêncio é a trilha sonora desse mundo.
Mas, oh homem que ainda ama e sofre na escuridão,
Lembre-se, o amanhã pode trazer consigo a luz da redenção.
Que o tempo cure as feridas e console tua alma aflita,
E que o amor renasça das cinzas, como a fênix bendita.
Pois, mesmo na dor da separação, há a promessa de um novo dia,
Onde o coração poderá encontrar a cura e a alegria.
Na dança suave da vida, um fotógrafo a caminhar,
Entre luzes e sombras, o coração a palpitar.
Um capítulo encerra, um amor que se desfez,
Mas na resiliência encontro força outra vez.
Nas lentes da vida, capturo a superação,
Cada clique, um passo em direção à redenção.
A separação, qual negativo a revelar,
Mas na revelação, a força a desabrochar.
O obturador da dor, em meu peito pulsante,
Cada lágrima caída, uma cena marcante.
A separação, um foco desajustado,
Mas na resiliência, um novo olhar é forjado.
As fotos do passado, um álbum a fechar,
Memórias que persistem, mas o futuro a esculpir.
No estúdio da alma, moldo a minha trajetória,
A resiliência é a luz, a guiar-me com glória.
Entre poses de tristeza, sorrisos ressurgem,
A cada revelação, mais forte me ergo.
O coração, como câmera, guarda o aprendizado,
Na força da resiliência, o amor é renovado.
No tripé da esperança, firmo meus passos,
Como um fotógrafo que encontra em seus traços,
A beleza da vida, mesmo após despedidas,
Na resiliência, a alma se refaz e se desdobra.
Assim, eu sigo, um fotógrafo resiliente,
Clicando a alegria que emerge, mesmo após o lamento.
A separação, uma paisagem no meu caminhar,
Mas na resiliência, um novo horizonte a se revelar.
A Estrada da Superação
Nas sombras da vida, é fácil reclamar,
Mas já pensou, na dor, tentar se erguer?
Ser mais forte quando o vento quer te tombar,
E a luz do invisível buscar e viver.
Já perguntou de onde vem a luz aos cegos?
Já pensou em descer do pedestal do ego?
Humildade abre portas que o orgulho fecha,
E a alma encontra a paz que tanto almeja.
A vida se torna mais leve ao agir,
Cruzando os braços, nada vai mudar.
Pegue a estrada, escolha prosseguir,
Sonhos são sementes que é preciso plantar.
Não tente subir sem batalhar,
Nem implore carinho sem antes doar.
O amor, como a chuva, precisa regar,
E nos gestos sinceros, começa a brotar.
Na busca dos sonhos, não tema o cair,
Cada tropeço ensina a persistir.
A vida é uma estrada a ser conquistada,
Com fé, força e coragem, serás recompensada.
Renascença
Nas sombras fundas do meu próprio ser,
encontrei dores que evitei viver.
Calei segredos, chorei sem som,
buscando abrigo em mim, onde não há tom.
O peito pesado, o passo arrastado,
coração em ruínas, quase calado.
Mas entre os cacos, brilhou uma luz —
não era o fim, era a própria cruz.
Aprendi que cair não é fraqueza,
é parte crua da natureza.
E que cada lágrima que escorreu,
foi chuva fértil que me renasceu.
Hoje ergo os olhos, vejo o clarão,
não sou o mesmo da escuridão.
Sou mais inteiro, mesmo ferido,
pois cada dor me fez sentido.
Aquela Noite
Era tarde, mas o mundo parecia calmo,
a rua deserta, só nossas sombras no asfalto.
Andávamos devagar, como quem não quer chegar,
e as palavras vinham soltas, sem pressa pra acabar.
Eu fumava, como sempre,
ele não — já tinha deixado.
Mas por uma noite, por mim,
ele pegou um cigarro calado.
Entre tragos e risos baixos,
falávamos de tudo e de nada.
O tempo parecia suspenso,
como a fumaça entre nós espalhada.
O cigarro tremia em seus dedos,
mas o olhar... ah, o olhar era firme.
Não era sobre nicotina ou vício,
era sobre estar, por inteiro, comigo naquele crime.
Talvez tenha sido um gesto bobo,
mas ali, eu entendi tanta coisa.
Tem amor em cada renúncia breve,
em cada entrega silenciosa e corajosa.
A brisa levava a fumaça,
mas a lembrança ficou no peito.
Naquela rua, naquela noite,
foi quando tudo pareceu perfeito.
Sob a Luz da Lua Despedaçada – Vinicius M.Tito
Nas sombras da noite encontrei,
A luz que em teus olhos brilhou,
Em meio ao caos me abriguei,
No amor que em ti floresceu.
Era a lua que iluminava,
Minha alma perdida na dor,
Seu sorriso que me acalmava,
Trouxe vida, trouxe cor.
Mas como toda estrela cadente,
Desapareceu num instante,
Deixando-me só, descontente,
Com sonhos quebrados, distante.
Eu me pergunto o que adiantou,
Acreditar no amor novamente,
Se no fim, tudo se despedaçou,
E restou-me a solidão, somente.
Ainda assim, não guardo rancor,
Desejo-te paz e carinho,
Que encontres um verdadeiro amor,
Que te guie pelo caminho.
E enquanto aqui me refaço,
Pedaço por pedaço no chão,
Espero um dia, no espaço,
Encontrar nova direção.
— Que sombras são essas?, perguntou.
Hesitante respondi, quase num sussurro:
— São apenas resquícios do meu passado.
O peso do medo
Dizem que há sombras na esquina,
sussurros frios na neblina,
olhos que espreitam na escuridão,
mãos que apertam sem compaixão.
Tranque as portas, feche o peito,
dobrem-se ao fardo do preceito.
Há sempre um monstro à espreita,
um castigo para a alma imperfeita.
No deserto, a voz bradou:
“O mar se abre a quem rezou!”
E os que duvidam, sem piedade,
são tragados pela tempestade.
Na fogueira, a chama dança,
queima o corpo, apaga a esperança.
A fé impõe o seu decreto:
“Negue-me e prove do inferno certo.”
Coroas brilham, aço brande,
o medo cresce e nunca expande.
Pois só se vê o que convém,
quem dita a lei nos faz refém.
Um novo rosto, um novo nome,
sempre há um lobo em meio ao homem.
Ora justiça, ora nação,
ora inimigo, ora oração.
E assim seguimos, sem acerto,
livres no corpo, presos por dentro.
Grades que o tempo não desmancha,
o medo pesa... e nos amansa.
Além das Sombras de Ontem
Não me julgues pelo ontem,
onde sombras habitavam um passado distante,
como uma saudade que não sabe ser presente.
Não moro mais lá,
meu ser se desvencilhou das correntes antigas,
como a lua se liberta da noite.
Ao meu passado,
devo o saber e a ignorância,
as necessidades e relações,
a cultura que o moldou e o corpo que me guia,
como um rio que aprende a ser mar.
Não sou mais escravo de seus ecos,
nem de suas sombras persistentes,
que tentam se fazer eternas.
Hoje, sou um novo começo,
liberto dos grilhões que já me prenderam,
caminho firme na estrada presente,
sem olhar para trás, apenas em frente,
como um sonho que aprende a ser real.
