Poemas sobre Ruas
Pensando sobre o tempo
Ruas escuras, praças vazias, diminutos veículos circulando nas vias e pessoas mascaradas perambulando em busca da distração, rugas e cicatrizes, o tempo nos engana e eu aqui girando o pedal emocionado, ciente de que o tempo não voltará.
Fábio Alves Borges
Vital necessidade
Distancio-me ao calcorrear nas ruas
percorrendo trilhas vagas e inexatas...
Disperso-me no ativo de cada dia,
doando-me aos devaneios das noites
assim estarei seguro aos teus aportes.
Amparo-me no saber de meus pais
e recosto-me no sorrir dos filhos...
Quando, no aluviar das lágrimas,
rogo que me brilhem os olhos teus
assim o amor haverei nos meus!
O lixo se acumulando nas ruas e promessas são jogadas ao vento...
Salários dignos...
Um sentimento abafado no peito...
E apenas mais um jogo do sindicato...
A população sofre pois a falta de respeito é grande.
O lixo alimenta famílias...!
O lixo trás doenças
Imagina no meio da pandemia mundial...
Todos tem direitos. Mas somos humanos...
Encontrei vestígios de mim
Por aí
Não era seguro andar pelas ruas
Não era bom senso andar distraída
Mas eu deixei-me ir
O corpo levado pela alma acesa
Incandescendo
Puro furor e êxtase
Vontade à mesa
De percorrer entre ideias soltas
E malandras
Que me fizessem crer
Novamente
No poder da andança
Da temperança
Da esperança
Da dança
Ah, dona valsante
Que me abriu os olhos
E as vísceras inteiras!
Ah, escaldante sol
Sobre minhas têmporas
Cheias
De vistas
Revistas
Analistas
Alquimistas
São tudo o que tenho em mim
E eu ainda procuro
- Como ouso?
Eu ainda procuro
Vestígios de mim
… pelo chão.
Caminhava eu sem rumo certo pelas ruas.
Pensamentos povoavam minha cabeça.
Quando de repente, o vento soprou e senti o seu perfume.
Fechei os olhos, e te trouxe pra perto de mim.
Pude ouvir nitidamente a sua voz.
Dizer num sussuro bem baixinho, que saudade!
Senti meu coração bater acelerado, e quase soltar um grito, ao reconhecer aquela voz tão amada.
Mas, não abri os olhos, pra não quebrar a magia do momento.
Foi quando senti um beijo doce, em minha boca, o qual nunca esqueci o sabor.
Não era sonho, ou imaginação, era você amor, o meu amor, e que agora disse bem alto, eu voltei, pois amar você é minha missão, nesta e em todas as vidas que existirem, e além delas.
"Pertencimento"
Já não pertenço às esquinas e esquivas que as ruas do mundo e seu tempo propõe
Eu sigo só, sigo sozinho entre meus devaneios jogando pra escanteio todo anseio de um antigo ter pra ser
Já não pertenço aos olhares dos holofotes que quando se apagam a escuridão é total e solitária para o corpo e a alma e o desvanecimento da vaidade dá o tom do seu real significado revelando-se como um monstro imenso e insaciável, de valores supérfluos
Andei tanto, tanto, percorri milhares de trilhas, subi e desci tantas montanhas, me perdi inúmeras vezes, e aos poucos fui me encontrando e me perdendo no que era antes de pertencer
Não pertenço mais a lugares, coisas, causas, cores... estou em busca desse eu desconhecido que no entorno do tempo ainda pulsa distante mas inquieto
Tornei-me silêncio ininterrupto, continuo no monólogo discreto, eficaz e oportuno, minha maravilha é o dia que entra na noite e a noite que entra no dia, a chuva que cai e o sol que brilha, estou na busca de entender a que mundo eu realmente pertenço.
Mostrarão progressos falsos,
as cidades adiantadas,
enquanto houver pés descalços
em suas ruas calçadas !
Singular
As luzes se apagam
E algo novo eletrifica o ar
As ruas se perdem
Transformam início e fim
Em um só lugar
E a razão se mistura
Com a pureza da loucura
E o coração volta a pulsar
Somos todos livres basta acreditar
Entregues à maré
Nós somos o mar
Enquanto o mundo atropela a vida
Eu giro sem pensar
Numa dança cigana tão singular
E a paz que eu procurava
Agora deixo me encontrar
Sei que ela me leva
Sem destino pra qualquer lugar
Há vê Unidas
Ruas
Por onde
Passa
Ali
Novamente
Passando
Vivências
De vida
Vivida
Vividas
Boas vidas
Jamais
Esquecidas
É como um útero cinza que habito:
ar, água, vias de sangue
circulam entre mim e sonhos.
Ruas se entrecruzam
com alguma surpresa:
trompas.
Na esquina, pode estar
qualquer forma de claustro, desespero,
antes mesmo do fim:
ovário.
A indiferença se disfarça de beleza, proximidade:
religiões, bares, barracas
de comida urbana disputam convivas.
O tempo não nos absolve
dessa correria encardida.
Dias nos fazem deixar um pouco do que somos
para trás:
placenta em lixo hospitalar.
PONTO DE PARTIDA
Andava pelas ruas da cidade
De repente ela aparece na minha frente
Entre as colegas me olhou diferente
Uma moça alegre e sorridente.
Graciosa uma jovem estudante
Usava roupa muito atraente
Com blusa bastante transparente
Carregava no cordão um belo pingente.
De olhos castanhos e brilhantes
Serei eu o seu pretendente
Devo ser rápido e eficiente
Contigo quero viver eternamente.
SOMBRAS
Nesse poema trago as amarguras e decepções
Sinto-me um ser vagando pelas ruas na contramão
Cabisbaixo, perdido sem direção envolvido pelas sombras
que se apoderam da minha insatisfação.
Faltam luzes no meu pensamento
deixando os sentimentos presos
a uma névoa, envolto de indecisão
Não sei se são sombras do passado.
Do presente que me causam inquietação
Sobretudo muita desilusão
continuo lutando para um dia fugir
dessas sombras que vivem a me perseguir.
Do futuro nada a dizer
Se do passado não me defini
Do presente não me encontrei
Talvez as sombras continua a seguir.
Idoso é Gente
Boa notícia. O pedido de saída às ruas foi atendido, em tempo para evitar mais estresse em casa.
Diante de muitas reclamações de idosos, para poderem circular na cidade até para se exercitar batendo perna. Foi implantado o rodizio de idosos.
Já que o rodízio de veículos está suspenso foi adotado, também o rodízio de idoso.
Já está valendo amanhã.
É bem simples e uniforme, mas não vai precisar usar roupa esportiva só boné e bengala, quem precisa.
A regra e com final um e dois da data de nascimento, devendo obedecer par e ímpar para andar na calçada e evitar correria e trombada.
Vamos à luta que idoso também é gente que já fez gente e muita gente que não é gente e se esquece da gente.
Caminho a cada momento Olhando
O chão das ruas
Admirando suas cicatrizes.
Lendo as histórias deixadas por pegadas:
Quê sobre à terra partilharam intimidades.
Lágrimas derramadas dentre
Sorrisos rotineiros em orvalho
Transvestidos em lama
Aonde anônimos contextos
Ao pisar em terrenos alheios:
Deixaram seus, pequenos pedaços!
Junto as lembranças de tua partida.
A pandemia chega aos seus últimos dias agora em 22 de abril de 2022. Vozes nas ruas, pessoas nos bares mais relaxadas, o entra e sai dos lugares sem aquele pânico de que tem um vírus a te surpreender tem melhorado o estado de espírito das pessoas.
Neste aspecto, sim.
Mas ainda há uma patologia remanescente na alma das pessoas, surgida bem antes da pandemia de corona vírus.
Ela vai sobrevivendo às pandemias pelos séculos e não se sabe se um dia a humanidade estará livre.
Sabe-se bem quando uma pessoa está em crise disso quando, recebendo carinho, cuidado ou amor, regurgita de imediato.
O que fazer? nada, é só deixar voar, deixar a pessoa bater asas por aí reclamando da forma do amor que recebeu, convencida de que não era amor, recebe patadas pelos ares e volta.
Estou esperando tantas que não sei onde vou acomodar essa multidão...
Era apenas um vilarejo
Onde ouvia-se realejo
Ruas feitas de sensibilidade
Seu entardecer era escrito com amor.
A noite sua brisa já sentia a alvorada.
"Horizontes"
Abandonei as ruas
E apaguei-me as estradas
Esqueci os meus medos
E sabe do que lembrei?
Dos meus sonetos
Noite e dia
Tão diferentes hoje
E semelhantes quando você sorria
Horizontes
Abandonei as sombras
E apeguei-me as luzes
Esqueci o papel e a ceneta
E sabe do que lembrei?
Que sou um poeta
Inverno e verão
Rivais e antónimos hoje
E sinônimos quando você sorria
"Não faz sentido"
Últimopensador
O seu canto me encantou
Eu te busquei em outros corpos,
madruguei pelas ruas procurando a tua,
jurei te esquecer querendo te encontrar,
quis fugir imaginando que ia me achar,
relatei a minha saudade em mesas de bar,
cantei nossa musica pro céu,
pro luar,
aqueci minha alma com teu cigarro,
fumar era um nojo sem o gosto dos teus lábios,
tudo é escuro e sombrio sem o teu olhar,
o castanho dos teus olhos é mais profundo que todo azul do mar.
Talvez quem eu queira
esteja pelas ruas
se perdendo aos poucos
em cada corpo
que o aconchegue
como a sua cama.
que ao mesmo tempo
se assemelha aos meus braços
que o traçava
na saudade da noite.
Tolo é aquele quem tem uma
joia rara nas mãos e sai
às ruas pra catar pedras.
Cata pedras porque é pedra.
Prefere as pedras porque
tem medo das joias.
Não sabe o que fazer
com elas.
