37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias
As vezes,
As vezes vem aquela vontade de voltar no tempo,
de arrumar tudo, ou simplesmente desfazer tudo,
de tornar o presente mais fácil,
mas ao mesmo tempo triste,
por saber que teria algo ali e já não o tem mais,
algo que por sua vez fora tão precioso,
seja de sentimentos bons, que acarretam em memorias incríveis
seja de sentimentos ruins, que nos faz crescer intensamente...
mas ao voltar no tempo e mudar
não haveria nenhuma das duas lembranças,
e isso seria um pouco bom, pois a dor delas
seja de perda ou crescimento já não existiria
e é disso que preciso, disso ou que
as vezes aquela memoria incrível pudesse se realizar novamente
ou aquela dor terrível, pudesse novamente ser superada
e me sentir novamente feliz, amado ou simplesmente realizado.
CADA TEMPO NO SEU TEMPO
As vezes o que precisamos é de esperar, não ficar intediado para fazer ou ter logo o que só com uma determinada idade ou tempo é comum as pessoas terem.
Ter paciência é um dos primeiros passos da sabedoria, pois no decorrer dos dias cada um dos nossos desejos e vontades vão se realizando automaticamente, cada pessoa terá a chance de ter uma família, ter netos, em fim ter uma vida normal, por isso esperar e ser como o rio que devagarinho chega onde quer, calmo tranquilo e não tentar fazer ou ter logo de uma vez o que não é tempo de ter, pois acontecerá o mesmo com o rio que quer chegar com pressa, acaba levando vários entrulhos, lixos, folhagens e barro junto com ele e no decorrer da viagem essa bagunça que acumou o deixa pesado e cansado.
Eu vejo o tempo mudando a vida,
no tempo certo tudo recria.
Se há um tempo pra cada coisa,
porque sofrer pelo o que ainda não há de ser?
Guarde tudo o que a nós pertence, leve consigo todo objeto que lhe aviva a memória.
A nossa vontade vence qualquer período ruim da história.
É verdade! Um tempo vai-se embora, mas para perder-se no próprio tempo e findar-se, dar lugar à "Era do Amor Escarlate."
É difícil pensar
Diante da incapacidade
Me resta o Tempo,
Tempo?
Não tenho Tempo
Não tenho nada
Tão inútil
Só repito palavras
Palavras sem pensar,
Sem perceber
Estou alienada.
Meia noite.
Milhares de pessoas podem estar
Fazendo pedidos agora.
E muitas morreram nesta hora.
O tempo está solto
Voando sem parar
Peço a ele: "Pare agora,
Pois eu não sei voar.
Como te acompanharei
Nesta longa jornada
Não me deixes para trás
Nesta dura caminhada."
Abstrato.
Ele me foi alvissareiro e promissor.
Feliz e inocente.
Espichava as horas para não encolher meus sonhos,
e encolhia sonhos que eu queria eternizar.
Às vezes corria tanto que um dia, atônito,
Percebi que já não era infância.
Vieram então as aventuras e devaneios,
As conquistas e decepções,
Os amores e desilusões.
As poesias e canções.
E numa tarde assim bem derrepente,
Um vento outonal virou a pagina da juventude.
Toquei então com ele vida a fora
Travei batalhas insanas, acumulei vitórias
Mas, tive também que contabilizar derrotas.
Houve noites de aflição.
Mas, houve também dias de recompensa.
E em meios as alternâncias,
nem vi cruzar a grande porta da plenitude .
...E ai já não era mais novidade.
E ele mais uma vez veio brincar comigo.
Arou meu rosto, pôs vidro nos meus olhos,
peia nos meus pés e branco nos meus cabelos.
Me impôs limites e tive que aceita-los.
Me fez ver que os grandes projetos
e os sonhos mirabolantes
Teriam que ser substituídos por outros valores.
E ele me deu, então,
Discernimento e contemplação,
Paciência e aceitação,
Me fez ver através das mais simples coisas
a grandiosidade das mãos de Deus.
Me deu sabedoria para entender hoje,
que os grandes problemas de ontem,
são tolos e irrelevantes.
Diante do sorriso de uma criança.
Ah, abstrato implacável absurdo
tempo levou e me deu tudo.
A Audácia de muitas pessoas me surpreende muito,
Nunca se deve tentar alcançar o futuro mais rápido do que o próprio tempo.
Caso contrário o fim do mundo pode ser seu prêmio nobel.
Mais um dia, mais uma hora, menos tempo em nossas vidas.
Seja nas reflexões vespertinas, no cansaço diário, nas reflexões noturnas...
Perdemos tempo ou nos perdemos no tempo?
Tudo na vida tem seu ônus e seu bônus.
Reflitamos mais um dia...
Podemos desmoronar ao simples toque de uma crítica.
A escancarar nossos defeitos mais íntimos,
colocando o dedo fino no nariz alheio
como dardos venenosos a nos atingir.
Com discernimento e introspecção saberemos nos reerguer.
Temos todo o tempo que não nos pertence,
mas que nos permite viver em paz (ou não) conosco mesmos.
Existem momentos em que nossa mente é atropelada por uma enxurrada de pensamentos.
Nessas horas, acredito que o melhor a fazer é desacelerar o ritmo por um instante, respirar profundamente e observar despretensiosamente o que se passa com tranquilidade.
Tudo acontece ao seu tempo e compreender essa dinâmica é fundamental para nossa felicidade.
Como Vejo
Haverá um amanhã que não estarei mais aqui.
Escuto falar que devo pedir perdão, hoje, antes de partir.
Perdão porque?
Sempre procurei não fazer nada que merecesse ser perdoado.
Sim, nasci humano e, como tal, algumas pessoas não me entenderam por ser. Da mesma forma não entendi o mundo o tempo inteiro.
Assim, me cobraram, e me cobram um pedido de perdão.
E quantas vezes não te cobrei a recíproca?
Simplesmente reconheço a natureza humana, suas falhas e fraquezas, e me permito a mesma condição.
As vezes, não vale a pena super-valorizar um erro natural da humanidade. Do Ser humano.
Reconheço a suscetibilidade daqueles que estão pós minha ótica, então permito me colocar menor, pois está é, em última instância, o desejo mais escondido daqueles que se sentem injuriados.
Fique à teu julgamento.
Prefiro não julgar.
Quanto tempo ainda haverá para se entender
Que não há blindagem contra o tempo
Não há fuga que fuja do que você é
Houve tempo em que era mais fácil acreditar em Deus. Hoje está mais difícil. Até o Papa, na sua visita ao campo de concentração de Treblinka, fez a pergunta que não deveria ter feito: “Onde estava Deus quando esse horror aconteceu ?
(Trecho extraído da crônica PERGUNTARAM-ME SE ACREDITO EM DEUS… Crônica – Instituto Rubem Alves – Website)
Talvez minha voz seja um pano; sim, um pano que limpa o tempo.
(Em "O fio das missangas". Lisboa: Editorial Caminho, 2003. Fonte Templo Cultural Delfos)
Vida em Morte
O galho corta o tronco forte.
Passos de vida que se encaixam fora da vida.
Esperança num porvir que não se faz cumprir.
Cuspindo respingo de ar em sacos...
E lá se vai um pouco de ti.
Os gestos lentos titubeiam
E param no nada.
Quebra-se a fé, entra-se a dor.
E se vai de pouco, aos poucos,
Sem mais direito por aqui ficar. Ali.
Ou quem sabe aonde irá?
Tua alma em prantos,
Escuta o vazio cruel,
Do teu pedido clemente,
Do teu desejo veemente,
De mais uma chance,
De Deus, puder a ti, perdoar.
E o tempo segue sem respostas.
Cessa o corpo, adormece-se em vida.
Grita num silêncio de uma voz retida,
Que atalha a brisa,
Descolorindo o pôr do sol.
E lá se vai numa lenta despedida,
Ainda dentro da vida em morte,
De lágrimas sinceras caídas,
Sem voltas, em olhar adiante,
De um céu aberto,
Da terra flutuante,
De amores que se deixa,
Da paz que se espreita,
Do tempo que se partiu em ti.
“A sugestão que nos vem da Psicanálise é de que o homem faz cultura a fim de criar os objetos do seu desejo. O projeto inconsciente do ego, não importa o seu tempo e o seu lugar é encontrar um mundo que possa ser amado”.
( em "O que é religião?".)
"Uma lagarta vira borboleta, um velho transforma-se em criança... O tempo completa o seu ciclo, volta aos começos. Assim é o tempo da alma, um carrossel, girando, voltando sempre ao início, o “eterno retorno”. T. S. Eliot estava certo quando disse que “o fim de todas as nossas explorações será chegar ao lugar de onde partimos e o conhecer, então, pela primeira vez”.
(em “O retorno e terno”. 8ª ed., Campinas/SP: Papirus-Speculum, 1996, p. 158.)
Novo Passeio em 02 Mundos
No primeiro mundo somos uma gota
no segundo mundo somos o oceano
No primeiro aprendemos a nos molhar
no segundo aprendemos como chover
No primeiro somos todos pressionados
no segundo como aliviarmos a pressão
No primeiro vivenciamos a escassez
No segundo como propiciar a fartura
No primeiro todos nós somos alunos
No segundo cada um se faz mestre...
O primeiro mundo é denso e sensorial
O segundo mundo é sutil e... imaterial
A densidade de um flui com a emoção
A sutilidade do outro, pela imaginação
O primeiro mundo aprimora o coração
O segundo transmuta sentir em razão
Forjar nesta razão a alma de um poeta
Faz do existir, extraordinária epopéia...
Razão para sentir... sentir para viver
A nascente do sentir flui até o saber
Da nascente ao riacho, ao rio até o mar
O sentir ao fluir, vai ensinando o pensar
Pensar sem sentimento... é tormento
Um barco sem rumo, direção e vento
Raiz de todo o infortúnio e sofrimento
Riqueza dos tolos, coroa de lamentos
Água estéril, infecunda, pura angústia
Mãe da guerra, da doença e penúria...
Quem desconhece estes 02 mundos
Mesmo forte e capaz, vive moribundo
A vida é o grande palco do sentimento
Forjando poetas, sábios e rabugentos.
Cada um se comporta diante da vida
Conforme a razão compreende a lida
Passeio em 02 Mundos
Passeando... percebi que
somos, ao mesmo tempo,
viajantes entre 2 mundos:
Um comum, outro pessoal.
No primeiro somos como
uma gota em um oceano
no segundo somos como
o oceano ... em uma gota
No primeiro, podemos agir
No outro, ponderar, refletir
No primeiro podemos ousar
No outro, meditar e projetar
No primeiro, aprendemos
a consideração aos outros
no segundo, aprendemos a
considerar a nós mesmos.
Nem maiores, nem menores
nem melhores, nem piores
apenas, as representações
dum infinito, feito em gotas
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