Poemas Nordestinos
O pacato cidadão que mora lá no Sertão.
Os calos nas mãos de tanto puxar a enxada.
Da vida moderna não sabe nada.
Levanta o chapéu e da testa pinga o suor.
Pega o lençol e dá nó.
E com a habilidade de uma das mãos apanha feijão.
Olha pro Céu e diz:
“Vixe Maria!” O Sol está no meio do céu! Já é meio-dia.
Em casa o feijão está cozinhado.
De lá do roçado ele sente o cheiro do cuscuz.
Pensando consigo diz:
Ah Jesus! Vou cuidar, ainda tem a carne pera assar.
Almoça o feijão com carne e cuscuz.
Agradece a Deus com muita ternura.
Adoça a vida com um “pedaço de rapadura".
Poeta Adailton
SAGA DE LUZIA-HOMEM
A seca castigava o Ceará
Luzia era a retirante,
Cabocla formosa do sertão.
Numa região quente elegante
Emprega-se numa obra
P'ra contrução d'um presídio
fino e elegante.
SIMPLES ASSIM.
Muita gente da cidade
que nunca foi no sertão
acha que a felicidade
é pra quem tem aquisição
pra se feliz de verdade
basta ter simplicidade
e muito amor no coração.
CHÃO FÉRTIL.
Morar no sertão é ter
ar puro e tranquilidade
olhar pra terra e dizer
meu chão de fertilidade
orar quando anoitecer
e a Deus agradecer
por tanta prosperidade.
É pássaro na minha janela
É flor no meu colchão
É letra e melodia
É festa no meu sertão
É do mar
Da areia
Da lua
Lua cheia
Em cantos te jogo rosas
Em músicas
Fantasias
É meu sol
É meu guia
Nos meus sonhos faz morada
Nos meus versos, poesia...
Tua boca tem mel
Tua voz é sinfonia
Meu sonho
Meu pecado,
Mora em mim...
Noite e dia !
16/06/2020
Seus olhos reluzem
Como brilha o sol no sertão
O calor que neles habita
Invadiu meu coração
Seu sorriso é uma foqueira
Como aquelas de João
Seu beijo é como as cantigas
Que manda embora a solidão
Sua beleza me fascina
Deixa o cabra todo bobão
Seu amor me contagia
Grito isso em todo sertão
Mas a saudade que me habita
Faz tudinho corroer
Ai, quem me dera voltar
Tô morrendo de saudades
Docê.
neuroma
caminho no cerrado entre o aroma do sertão
e os sonhos...
do planalto central, neuroma.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol
a diarista
já o lusco fusco chegando
com sua casca ressequida
o céu do sertão apagando
e as maritacas de partida
pela janela vai adentrando
silenciosa, está tal rapariga
espanando num desmando
sombreando, cheio de giga
tece a noite, vai-se o dia
finca estaca na imensidão
o canto da cigarra anuncia
o tardar, tolda a escuridão
o cerrado a noite cria
a melancolia recordação
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
segunda, outubro, 2019
Cerrado goiano
Enquanto o choro é contido
E o sertão galopeia
Me escondo dentro do escombro
Me molho na lua cheia
Em cada verso que entorto
Desvendo a sua teia
Não tem remorso
Ou pecado
O fogo não titubeia
Sorriso já voa largo
Onde a pupila clareia
Não dá pra pedir socorro
Pra quem no amor se margeia
BRASIL CENTRAL (cerrado)
Ó cerrado! ó sertão místico e mestiço
Ó visão, dum pôr do sol que vermelha
- chão, que a secura está sobre a grelha
E o encanto ao dissonante é submisso
Pois o airoso, onde ao torto parelha
Abre a admiração à surpresa do viço
Da tosca vista de ambiente maciço
O gérmen vivo da variada terra velha
Sempre o constante! azul do céu anil
Sobre o planalto... flores exuberantes
De renovo e de um invariante desafio
Anda a poesia aos olhos sussurrantes
Desse seio onde nasce o feitiço luzidio
Do território central do nosso Brasil!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/03/2020, 10’26” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
SINO DOS PASSOS (soneto)
No sertão do cerrado um sino canta
15 horas, um sino num dobre triste
Canta... evocando os Passos aluíste
Do Senhor. Reclinai-vos é hora santa
Um sino canta... A alma no crer levanta
E ao vento soando em um dobre insiste
O canto solitário, que no tempo resiste
Em prece e o testemunho que encanta
Ao longe, num ar sombrio, arde o sino
Chora, e agradece com seus compassos
E o céu se cobre com o repicar em hino
E nesta hora de fé, ao chão os fracassos
Nossos, e o perdão ao nosso Pai Divino
No campanário, soa o sino dos Passos!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/03/2020, 15’20” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Tudo isso e mais a fome
da cidade e do sertão,
tudo isso e mais o gosto
da pimenta e do limão,
tudo isso, minha gente,
vai perdendo a tradição,
vai ficando na saudade,
na forma de algum refrão,
de algum discurso eficaz
que possa matar a fome
comendo apenas o nome
das comidas de Goiás.
Música Fui morar no sertão
Compositor poeta Adailton
Eu estive pensando
Não faço mais parte dos seus planos
Você me expulsou do seu coração
Larguei a faculdade
deixei de morar na cidade
Fui morar no sertão
Fui morar no sertão(Refrão)
Contive meus sentimentos
Vendi o meu apartamento
E fui morar no sertão
Larguei a faculdade
deixei de morar na cidade
Fui morar no sertão
Fui morar no sertão(Refrão)
Deixei de ser engenheiro para ser vaqueiro
E fui morar no sertão
Larguei a faculdade
deixei de morar na cidade
Fui morar no sertão
Fui morar no sertão(Refrão)
poeta Adailton
NO SERTÃO.
Aqui temos o ar puro
nossa tarde é serena
não precisamos de muro
de TV... nem de antena
cai a noite fica escuro
e todo mundo tá seguro
nem precisa quarentena.
O sol traz a claridade
o dia começa bem
no sertão ou na cidade
no nordeste sempre tem
um cuscuz de qualidade
que alimenta de verdade
e que não falte pra ninguém.
Sertão sossegado.
Aqui tenho meu roçado
onde faço a plantação
do suor vem o trocado
pra nossa sustentação
tenho a família do lado
que por Deus abençoado
sou feliz no meu sertão.
Conto Tião - Um mago no Sertão
"Nosso herói não é filho de nenhum semideus, nem tão pouco foi picado por aranhas radioativas. Ele é feito de verdades ancestrais, de natureza, de esperança. É feito de pé no chão, de lata na cabeça, é feito de Nordeste. Seu nome é Tião e ele é um mago; um Profeta da Chuva. "
Trecho do livro "Lendas de Vó - O Livro dos Contos" por Kate Salomão
No SERTÃO.
Banho eu tomo de bacia
e me esfrego com sabão
de noite o cantar da gia
e na janta tem fruta pão
e eu agradeço todo dia
a Jesus pela alegria
de viver no meu sertão.
Sertão!
Esse é o meu sertão
lugar de rara beleza
do roceiro e do peão
do verde da natureza
quem nasceu na região
ora a Deus em gratidão
pela fartura na mesa.
UM CUSCUZ.
No sertão ou na cidade
o cuscuz é uma raridade
que nasceu na natureza...
não conheço um nordestino
que no café matutino
não sirva um desse na mesa.
