Poemas Nordestinos

Cerca de 1661 poemas Nordestinos

Luar do sertão!

Ao anoitece no sertão
que bate aquela frieza
acende a luz do lampião
e o café quente na mesa
um sonzinho de violão
e a lua brilha em paixão
num ritual de beleza.

Inserida por GVM

O valor da chuva!

Quando chove no sertão
vai embora a terra escura
o verde volta pro chão
e abastece a agricultura
tem trabalho pro peão
e o sertanejo em oração
agradece essa fartura.

Inserida por GVM

Sertão verde!

Como é bom ver o sertão
com esse verde abundante
ter colheita em cada grão
como se fosse diamante
ter a água como tesouro
e ver o bezerro virar touro
sem sofrer um só instante.

Inserida por GVM

Sossego.

Por aqui no meu sertão
nunca vi bala perdida
não moro numa mansão
mas a casa é protegida
não tem cerca e fiação
nem câmera de televisão
só tenho Deus na minha vida.

Inserida por GVM

Sem água!

No sertão de água escassa
o verde aqui quase não tem
a chuva é quem ameaça
passa perto mas não vem
mas a fé carrega a graça
sem ajuda de ninguém.

Inserida por GVM

A última fé!

Pelo sertão brasileiro
é seca a perder de vista
completa mais um janeiro
e nada aqui se conquista
só Deus do amor verdadeiro
é quem dá força ao vaqueiro
pra que ele nunca desista.

Inserida por GVM

É que eu sou do sertão!
Sou um fruto travoso demais!
Sou lá de longe do morro seco, sim.
As emoções são quentes por lá.
As lágrimas são mais salgadas.
A sede é incessante no verão.
O bigode delas é de Portugal.
Mas o cabelo é latino.
O agreste é holandês no Brasil.
Mas o sertão é um Brasil espanhol.
O gênio é de drama lá.
Mas o amor é apimentado.
Eu vim para o norte.
Aqui faz calor o ano todo.
Mas também sempre chove forte.
Trouxe minha força de sobrevivência.
Mas aqui o ritimo é de crenças.
Dançam a magia da floresta.
Amam como colhem o açaí.
Adoçam frutos ácidos.
Aqui mudei o ponto de vista.
Não há briga de touros na empoeirada avenida.
Mas sim de araras no céu nublado.
Não falta agua limpa nas torneiras.
Mas falta acesso a muitos direitos constitucionais.
Mas eu continuo aqui tentando sorrir mais.
O desafio é meu como mulher de fibra.
A conquista depende da minha coragem.
Eu vim de lá do sertão.
Aprendi cedo a respeitar pai e mãe.
Mas também a defender minha vida na unha.
Essa cara feia feia de sábado com ar de segunda.
Eu não estou sempre sem ela.
Mas ela não diminui meu caráter.
É que sou brava, mas tambémm justa.
Eu sou sertaneja de raiz numa cidade nutella.
Hoje sou do mato indústrial.
Mas já fui poeira vermelha.
Eu sou seca só de expressão.
Mas de coração não.
No sertão nasceu o meu.
Mas foi no pulmão do mundo que se perdeu.
Mesmo assim, ainda bate em mim uma saudade.
A de ver outra vez minha serra da russa.
Antes de chegar nno alto sertão.

Inserida por SemeadordeSentimento

SOU DE ITAPETIM - João Nunes Ventura.

Sou do Nordeste nasci no sertão
Trago no coração a virtude de amar,
Da terra amada de minha mãe querida
Que meu sonho de vida foi amar você,
De sorriso aberto não nego minha raiz
E eu vivo feliz do meu jeito assim,
Sou do Pajeú a terra do meu desejo
Eu sou sertanejo sou de Itapetim.

Inserida por joaonunesventura

“Sentimentos bons
morrem todos os dias
vítimas da sequidão
de corações “Sertão”.
Uma trovoada de amor,
no solo rachado pela dor,
chovendo até jorrar
pode mudar a situação
e o coração curar
as boas sementes
dos sentimentos lançados,
enfim, brotarão e florescerão
para o “Ser tão” feliz. “

Viviane Andrade

Inserida por VivianeAndradeSantos

Eita vida!

A vida no sertão
é diferente da cidade
não existe discussão
onde há simplicidade
cada amigo é um irmão
e todo aperto de mão
tem respeito e amizade.

Inserida por GVM

No sertão!

A lua cheia quando sai
só se põe no outro dia
assim que a noite cai
no sertão o tempo esfria
bença mãe e bença pai
que amanhã é um novo dia.

Inserida por GVM

No sertão.

Isso é vida de sertão
aqui a seca é massacrante
onde a dor de cada irmão
mina os traços no semblante
quando hoje tem um pão
amanhã ninguém garante.

Inserida por GVM

No sertão é assim.

O sol derretendo a areia
a sola do pé esfolada
o cabra quase se arreia
nessa longa caminhada
são cinco horas e meia
pra buscar uma lata cheia
que não dá pra quase nada.

Inserida por GVM

Chuva na bica!

A seca aqui é traiçoeira
no sertão tem mais calor
falta água na torneira
ligada só sai vapor
a chuva quando ela queira
caia em cima da biqueira
e abasteça meu tambor.

Inserida por GVM

Vem no sertão!

Espero que você venha
tomar sopa de osso buco
tirar leite na ordenha
chupar manga e beber suco
fazer fogueira de lenha
e ouvir muita resenha
no sertão de Pernambuco.

Inserida por GVM

Talvez.

Sertão que te vejo
porque tanta nudez
sem o verde gracejo
que a chuva não fez
meu maior desejo
é ver o sertanejo
sorrindo outra vez.

Inserida por GVM

Retirante.

Ninguém deixa uma região
só porque não lhe quer bem
quando alguém deixa o sertão
já fez de tudo e nada tem
receba bem o nosso irmão
dê respeito ao cidadão
e a terra de onde ele vem.

Inserida por GVM

SERTÃO SECO.

Por aqui só tem verão
a chuva é uma raridade
a água vem de caminhão
nem sempre tem qualidade
e só quem vive no sertão
sabe o que é dificuldade.

Inserida por GVM

É 10 tarefa de melancia doidcha vea

Era época de fartura no sertão da Bahia, o recém inaugurado Perímetro de Irrigação de Mirorós em Ibipeba trazia ar de esperança aos sertanejos e a melancia era a fruta da vez. Enquanto irrigada, era grande, doce e o melhor, tinha preço bom.
É nessa condição que um velho trabalhador rural arrisca e investe tudo que tinha em 10 tarefas de melancia em um lote irrigado.
Começa o plantio... plantação verde que é uma beleza, os “coco de melancia” se apresentavam logo depois e o vei era só animação. E para completar, “tome subir” o preço da melancia.
Todo canto que chegava esse vei falava dessas “10 tarefa de melancia”. Alegre e satisfeito com a situação.
O tempo foi passando e o ciclo da produção foi chegando “na metade”. O plantio era uma beleza, mas o preço... a partir daí começa a despencar como umbu maduro em época de “inverno bom”.
Como dizem que “incutido é pior que doido”, o vei começa a “incucar” com a situação quando ver o preço da melancia baixar e todo canto que chegava falava como uma matraca:
_ É 10 tarefa de melancia, é 10 tarefa... é 10 tarefa!
A situação piorou quando o vei percebeu que a colheita das melancias não dava nem para pagar as despesas. Ai o vei endoidou de vez!
_ Ô jesus, tenha piedade de mim, é 10 tarefa jesus, é 10 tarefa de melancia.
No meio desse “muído”, com tanta “incutição”, o vei travou e num deu mais nada com sua vea. Uma impotência daquelas.
E ai o tempo foi passando e a vea foi coçando, coçando e o vei nada, nem futucar, futucava mais. Ai chegou um dia que a vea num aguentou na madrugada, futucou o vei, alisou e disse no pé do seu cangote com todo carinho.
_ Ô vei, nem uma chupadinha vei? Nem uma chupadinha?
O vei incutido, doidcho e bruto, saltou no meio da noite e respondeu.

_ Ô DOIDCHA VEA, É 10 TAREFA DOIDCHA VEA, É 10 TAREFA DE MELANCIA DOIDCHA!

Inserida por tassiobarreto

Sou do sertão.

Corro campo, cerco gado
bato estaca no mourão
da colheita do roçado
onde garanto meu pão
eu sou nascido e criado
nas entranhas do sertão.

Inserida por GVM