Poemas Nordestinos
Meu sertão!
Aqui eu tive alegria
mas também dificuldade
tomava leite todo dia
não me faltava amizade
e quando a chuva permitia
o que eu plantava colhia
pra vender lá na cidade.
Sertão esquecido!
A fome e o abandono
a tristeza e a solidão
o desprezo do patrono
sem poder de decisão
terra seca não tem dono
da primavera ao outono
ninguém liga pro sertão.
Não dá mais.
Vou embora do sertão
a sorte não quer mudar
a seca maltrata o chão
não deixa a planta brotar
peço a Deus em oração
que proteja cada irmão
que sofre nesse lugar.
Saudade do sertão!
A saudade hoje é tanta
do sertão em que eu vivia
aquele cheirinho de planta
a fruta boa que eu colhia
o bolinho de mandioca
queijo coalho e a tapioca
e o cuscuz que mãe fazia.
Bucho cheio.
É assim no meu sertão
com tudo que tem direito
uma boa alimentação
do bucho topar no peito
e não tem um cidadão
empregado ou patrão
que não fique satisfeito.
Filho do sertão.
Agradeço pelo que tenho
conquistei por trabalhar
fui embora do engenho
sem ver a chuva pingar
do suor do meu empenho
sempre que posso venho
pro sertão que é meu lugar.
Repartir o pão.
Nem todos do sertão
tem comida ao seu dispor
na mesa de cada irmão
se divide a mesma dor
se puder repartir o pão
dobre os joelhos no chão
e agradeça ao Nosso Senhor.
O teu "amor"
Foi como a "chuva" no solo do meu sertão
Chegou de mansinho
Molhou a terra do meu coração
Perfumou tudo com seu aroma
E se foi...
Deixando saudades do teu amar...
Em mim!
A chuva e o verde.
Quando chove no sertão
o verde é quem predomina
cada semente no chão
uma por uma germina
pra colher na plantação
o melhor de cada grão
da culinária nordestina.
Solidão/PE
A Solidão que descrevo em verso
É o horizonte promissor do sertão
Um espaço bucólico no universo
Que encanta e comove em oração
Terra de gente singela
Que sonha à espera da sorte
Enquanto constrói com cautela
O caminho para manter-se forte
Do menino ao velho sábio
Histórias de fé não faltam por lá
Romeiros em visita incansável
Buscam conforto, entoam cantos como sabiá
Sob as bênçãos da Senhora de Lourdes
Toda Glória para a cidade e seus filhos
Uma grande família e união, suas virtudes
Querem, ó Pai, que lhes indique os trilhos
Na praça sob a sombra e frescor
A boa prosa dura o tempo esquecido
O ir e vir de um povo acolhedor
E o ficar sob o azul mais unido
Com o xaxado é festa, é magia
Com a sanfona é cantoria, é prazer
As carências não sufocam a alegria
Pudera todo filho neste berço permanecer
Não conheço a terra Solidão
Mas de longe cultivo carinho
Imaginando o viver na região
De certo ninguém lá é sozinho
Encerro estes versos com esperança
De um dia todo o povo abraçar
Até lá o meu desejo é bonança
E conquistas possam todos celebrar
Oração de fé
.Fiz aqui minha oração
pra Jesus Nosso Senhor
pra que a seca no sertão
não tire o verde da cor
e que a planta deste chão
brote a flor em cada grão
para o bem do produtor.
Fonte.
Que a seca não amedronte
os viventes do sertão
que a chuva não aponte
para outra direção
a esperança é a ponte
que abastece toda fonte
que alimenta o coração.
Destino sertão!
A seca quando arrocha
não nasce nada no chão
o vento parece tocha
devastando a plantação
a terra vira uma rocha
e a tristeza desabrocha
nas entranhas do sertão!
Meu sertão.
É bem corrida a cidade
com aquela aglomeração
a comida é pela metade
é muita programação
pode até ter qualidade
mas prefiro a simplicidade
de uma vida no sertão.
A vida de uma Baleia
Nasci em um sertão, dentro de uma fazenda, necessidade sempre passei, mas amor nunca faltou pra suprir o resto. Tinha um amigo falador de asas curtas, dois irmãos, um pai e uma mãe. Logo quando nasci me deram um nome estranho, Baleia, nunca intendi o porque, mas gostei.
Já faz alguns dias que saímos da fazenda, acho que papai achou algo melhor, espero que sim. Dias se passarão e comecei a dar falta do meu amigo falador, não o vi mais, acho que o pequeno deixou ele voltar voando para a fazenda, espero que tenha achado o caminho de volta.
Se papai achou algo, achou a quilômetros de distancia da fazenda, nem me lembro mais como voltar a ela. Já estou exausta, minhas pernas doem, as moscas me comem, as feridas de tantas já nem sinto.
Hoje o pai passou o dia a me cuidar, discuti-o em sussurros com a mãe, não consegui escutar, mas vi que ela não gostou nada da discussão. Minutos se passaram, meu pai mandou os pequenos irem na frente com mamãe , pediu que eu esperasse, chegou bem perto de mim, me abraçou e falou soluçando bem baixinho :
-Desculpa.
Uma lagrima caiu em mim, depois, tudo foi ficando turvo, escurecendo, e antes que se apagasse tudo, eu disse:
-Amo vocês.
Milho.
Isso tudo aqui faz bem
no sertão ou na cidade
no brejo faz também
comida de qualidade
porque nosso milho tem
um milhão de utilidade.
Espera.
A seca é uma grande fera
que ataca e não se cansa
pelo sertão onde impera
exercendo sua liderança
o sertanejo se desespera
mas assim mesmo espera
a chuva como esperança.
Vida de sertão.
Aqui bate meu coração
que é feliz a cada cena
no voar de um azulão
no cheiro da açucena
dessa vida no sertão
que é dura mas vale a pena.
Vida de sertão.
Basta um pedaço de chão
e a benção de Nosso Senhor
o apoio de cada irmão
que divide a mesma dor
isso é vida de sertão
onde um aperto de mão
ainda é gesto de valor.
Vida no mato.
O sertão tem liberdade
boa terra dá bom fruto
o respeito e a amizade
é qualidade do matuto
eu mesmo falo a verdade
quando eu piso na cidade
e pra vender o meu produto.
