Poemas Melancólicos
Antes de você minha poesia vagava
angustiada, dolorosa, melancólica,
inodora e incolor.
Você entrou sem pedir licença,
trazendo consigo cor, cheiro, forma e vida.
As noites antes vazias em meio à multidão
agora estão cheias entre nós dois.
Os fins de semana antes sem destino
agora encontra o caminho do seu carinho.
Você virou motivo de minha poesia
a primeira mensagem do dia
a última mensagem da noite
meu melhor bom dia
meu melhor boa noite
minha mais recente surpresa
dá vida que nos surpreende
pelo pedido bem feito
que tem efeito...
Pedi você, você veio
sossega em meu abraço
me acalmo em seu afago.
Que sorte a nossa!
"Em minha própria companhia
Na caverna da melancolia
Olhei e vi meus sonhos
Se aproximando
Senti um medo estranho
Que congelava minha coragem
Senti saudade, vi que solidão
Fazia parte da minha vaidade
Que receberia apesar do medo
Uma porção de conhecimento
Que traria cada sonho a seu tempo
Que jamais caberia companhia
Dentro desse enredo, só a minha
Gentilmente agradeci a solidão
Amiga minha,
Vem e traz meus sonhos
Faz acontecer minha poesia
Abraço-a então, não reclamo
Deixem que eu pague o preço
De cada verso, com a solidão
E a melancolia."
POETANDO O VENTO (soneto)
Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas
No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha
Em tal prece, murmurando em suas madrugadas
Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha
Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas
Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha
Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas
Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha
Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza
Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha
Em um cântico de misto de tristura e de euforia
E invade, o poema, empoeirado, com sua reza
Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha
O vento, poetando e quebrando a monotonia...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
os olhos gotejam no balde
a liberdade melancólica da lua
sempre só
num silêncio-móbile
que Patti Smith canta:
você seria uma asa no céu azul
em sua escuridão
finally we are no one
pergunto-me se isso não seria o fim do horizonte
Controle
É melancolia que se fala ,
Quando um coração se sente apertado e sem destino,
É desespero em massa ,
Quando não se acha um caminho
Te amar me cega,
Constante e veemente,
No ódio me afogo,
Com o ciúme crescente
Te querer é um vício,
Vigiar é obsessão,
Controlar os seus passos
E esperar a razão
De saber que não era amor,
Sexo,perversão, libertinagem
Uma forma de agradar seus demônios
Que não era amor de verdade
E com isso e café me sustento
Até que a verdade apareça,
Ou que velho Whiskey acompanhe
A bala entrando na minha cabeça
Melancolinear
Tenho os dentes
amarelados
e sempre que posso
mantenho-os todos
na boca fechada
sorrindo sem eles
estilo contido
e me envaideço
de minha proeza
porque não sorrir
nunca matou
ninguém
" Nesses dias melancólicos o que se ouve é um vasto silêncio.
Parece que estão dormindo.
Mas não, é apenas orgulho de falar o que sentem."
Toda dor , sofrimento
Todos os momentos ruins
A melancolia de vários dias
As lágrimas incontroláveis
O desejo de deixar tudo
Uma marca se formou
A partir de dores e horrores
Uma cicatriz , que lembra e diz
Tudo passou , você superou
Vejo os olhos
Vejo o sorriso
Vejo o riso de alegria
Vejo a melancolia de alguns dias
Vejo o perfume mais lindo
Vejo que não vê como vejo
Vejo uma mente relutante
Vejo dentro de mim
Um sentimento lutando para sair
Mas vejo algo o sufocar
É a realidade a me controlar
Dizendo suavemente
Se continuar irá se machucar
Então não luto mais
Apenas escuto a voz do silêncio
É frio aqui , mas eu aguento
LUA CHEIA
Paira no ar uma doce melancolia
Da minha janela, aprecio a lua
Pelo céu vagueia, parece uma candeia
Emoldura a noite, com seu fulgor
Silenciosa se desnuda, me deixa muda.
Tanta beleza e exuberância
Quando ela chega cheia, crepitante
Que as estrêlas bruxuleando se escondem
Deixando-a voluptuosamente
Brilhar sobre a terra.
Face à obra do Criador, minh’alma fluctua !
Foi levado pela melancolia da dor
que eu despetalei a mais bela flor
e ela no adeus do seu findo odor
suplicou-me um derradeiro favor:
para que nunca abdicasse do amor
A ESTROFE FINAL
Para bem longe vou correr.
A essa melancolia não vou me prender,
Pois preciso entender,
Compreender
Que sorrir talvez seja melhor que sofrer.
Domingos Melancólicos
Hoje o dia nasceu torto
Meio turvo e nebuloso
Não acertei o café
Nem sentei pra escrever
Hoje eu mesmo me ignorei...
Da janela da sacada
Olhei pra fora sem ver nada
E olhando pro infinito
Vi um mundo tão vazio
Parecendo a minha alma
Hoje foi um daqueles dias
Em que todas as coisas pareciam tão erradas
Em que nada, absolutamente nada parecia ter sentido
Hoje foi um dia de domingo
Hoje o dia nasceu triste
Meio cinza e esquisito
Fiz arroz e ficou papa
Não liguei televisão
Hoje eu mesmo me boicotei
Na janela do meu quarto
Não abri nem a cortina
E perdido em pensamentos
Vi a escuridão do dia
Refletindo o meu momento
Hoje foi um daqueles dias
Em que todas as coisas pareciam tão erradas
Em que nada, absolutamente nada parecia ter sentido
Hoje foi um dia de domingo
A Melancolia…
É mágoa que assola a nossa alegria;
Tanta vez sem razão, por mal fazer;
Ser desejar que a tal, dá a valia;
Para em nosso Ser, se vir tão meter!
É um mal, que temos que erradicar;
Deste nosso tão curtinho viver;
Devido a ela em nós nada acrescentar;
Que não seja o alegre em nós inverter!
Por isso, vamo-nos afastar dela;
Antes que ela venha connosco dar;
Devido a tanta tristeza em tal ter!...
E viver esta vida curta e bela;
Com um dessa chaga, bom afastar;
Por dela, só sair o triste viver.
Com Alegria;
chororô
o cerrado chora
chororô
chove lá fora!
é chuvarada, sinhô
18horas: melancólica hora
e eu também tô:
- chorando...
pobre pecador!
que no peito vai gotejando
uma tempestade de amor
de chuva e choro infando
lá fora chove, e eu sofredor!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2019
Cerrado goiano
Tenho alma de Outono;
Sim, gosto de dias de chuva cinzentos de melancolia e inspiração!
De cheiro de mato colorido e de brisa levemente fria para refrescar a mente!
Para quê a poesia?
Pra quem são as letras?
Se a métrica anucia
Melancólica a sarjeta
Essa luz que existia
Clareando cada letra
Hoje e um túmulo vazio
Á espera da caneta..
Eu tentei fugir, mas isso soou como uma punição.
Vê-la só me deixou ainda mais melancólico.
E eu me pergunto: "Por que?"
Pensar nisso torna tudo sem sentido.
A paixão tem essa textura melancólica.
Enquanto o amor. Ah, o amor é esse
atrevimento que as pessoas tem em confiar.
CANETAS
Tentei escrever alguns versos
Alegres
Utópicos
Até sobre melancolia
Mas minha caneta teimosa hoje só quer fazer poemas de amor
Que loucura!
Nunca soube que canetas tinham coração.
