Poemas sobre o Silêncio
Kauã Elias 3:1
"O homem que domina o silêncio de uma mesa vazia jamais pagará o preço de tê-la cheia de oportunistas."
"No princípio, o teu beijo era cura — hoje é veneno que me consome em silêncio."
#Binilson Quissama*
MADRUGADA DE NATAL
Ouve -se ao longe gemidos
O silêncio no corredor impera
A vida, a morte em atritos
Mas é o bem que se espera.
Noto pessoas, famílias, fatos
Cada um com seu problema
Somos complexos mas fracos
A soberba: nosso maior dilema.
Do maior ao dito desprezível
Desejamos a mesma sorte
Aqui não existe status nem nível
Toda máscara cai diante da morte.
Levy Cosmo Silva
"Silêncio que arde"
Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.
Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.
Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.
É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.
E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.
Eu Te Amo no Silêncio
Eu te amo.
E escolho te amar no silêncio, porque nele meu amor não conhece rejeição.
No silêncio, posso guardar você sem precisar explicar o tamanho do que sinto. Posso dizer seu nome dentro de mim e imaginar todas as palavras que talvez meus lábios jamais tenham coragem de pronunciar.
Prefiro te olhar à distância.
Não porque queira você longe, mas porque de perto seria impossível esconder o que meus olhos certamente entregariam.
Há uma beleza em você que me desarma.
E quando você se aproxima, tudo aquilo que ensaiei esconder perde o sentido. Minha prudência se desfaz, minhas certezas se confundem e meu coração parece esquecer que prometeu permanecer calado.
Por isso fico aqui, nessa distância pequena para os olhos e imensa para quem ama.
Talvez você nunca saiba.
Talvez algum dia perceba.
Mas existe algo estranhamente bonito em amar assim: sem possuir, sem exigir, sem interromper o caminho de quem se ama.
Eu te amo no silêncio porque ali ainda posso ter você sem perder você.
Mas confesso:
há dias em que o silêncio pesa.
Porque todo amor escondido sonha, secretamente, com o instante em que deixará de ser segredo.
E se algum dia você olhar demoradamente para mim, talvez descubra aquilo que minha boca tanto tentou esconder:
eu nunca estive apenas te olhando.
Eu estava te amando.
Silêncio.
Ele alivia o barulho externo, mas estimula e concentra aquele que é interno.
Podemos ficar em silêncio e eliminar os sons que vêm de fora, mas e quanto ao que pensamos?
Esse é um dos principais motivos que explicam o porquê de ser difícil manter o silêncio: aquilo que pensamos, imaginamos, sentimos, lembramos, às vezes podem ser coisas turbulentas e complicadas de se processar.
E fazer isso em meio à amplitude do silêncio torna a experiência mais densa e profunda.
Nos lembra de quem somos; das nossas inseguranças; dos nossos defeitos; dos nossos fracassos.
Silêncio também é dor.
Silêncio também é espelho.
O silêncio, os pensamentos, os olhares, a postura, aquilo que estiver, ou não, fazendo.
É um teste. Um teste de nós com nós mesmos. Um teste de tolerância própria e individual. Um teste de carregar o próprio peso, sem os outros olhares, sem ninguém observando, avaliando e opinando.
Como você se sente? Bem? Mal? Abra o coração e deixe que os sentimentos mais enraizados saltem para fora.
Está aí. Tudo está aí. Você os conhece, sabe o que significam (ou ao menos o que deveriam, verdadeiramente, significar).
É difícil, duro, cru e por vezes insuportável, mas, também, esclarecedor, maleável, criativo, e, talvez a parte mais importante, necessário.
Onde o Amor Aprende a Olhar
Teu olhar transforma o comum em poesia,
e até o silêncio ganha uma nova melodia.
Há beleza nas pequenas coisas que você faz,
num sorriso tímido,
num jeito simples de falar,
como se o mundo aprendesse
a existir quando você está.
Não é preciso que o céu mude de cor,
nem que as estrelas desçam para impressionar.
Basta você chegar, e sem perceber,
os detalhes esquecidos começam
a florescer,
porque meus olhos descobriram
outra forma de enxergar.
Talvez seja isso que o amor saiba fazer:
Encontrar grandeza onde ninguém costuma procurar.
Fazer de um gesto pequeno uma lembrança eterna,
de um instante qualquer,
uma história completa,
e de uma pessoa,
o lugar onde queremos ficar.
Por isso, quando olho para você,
não vejo perfeição,
vejo aquilo que torna a vida mais bonita.
Vejo seus detalhes,
seus medos e seus sonhos,
e amo até aquilo que você
insiste em esconder,
porque foi em você que
meu coração aprendeu a ver.
Tem coisas que a gente guarda em silêncio por muito tempo.
Pequenas expectativas,
daquelas simples…
mas cheias de significado.
Imaginar o primeiro instante,
o primeiro olhar,
o primeiro sentir.
Como se alguns momentos
merecessem ser vividos
com calma,
com presença,
com verdade.
Mas nem sempre é assim.
Às vezes,
quando a gente chega,
o instante já aconteceu.
E fica uma sensação difícil de explicar,
de ter esperado tanto por algo…
e encontrar ele já vivido,
já ocupado,
já passado.
Não muda o que é.
Mas muda o que foi sentido.
E o mais estranho
é que por fora, nada falta.
Mas por dentro,
fica um pequeno vazio,
de algo que a gente só queria ter vivido
desde o começo.
**O Momento que Não Foi**
Guardei em silêncio
um instante que ainda não existia,
mas já tinha forma dentro de mim.
Não era pressa,
nem era urgência —
era cuidado com o sentir.
Eu sabia exatamente
como seria o primeiro toque,
o primeiro olhar,
o primeiro respirar daquele espaço.
Mas o tempo…
ah, o tempo não pediu licença.
Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali,
já tinha sido vivido,
já não era mais começo.
E o mais estranho é que, por fora,
nada faltava.
Mas por dentro,
ficou um vazio manso,
daqueles que não gritam,
só permanecem.
Não é sobre quem esteve,
nunca foi.
É sobre o significado
que morava ali antes de tudo.
Sobre o que eu esperei sentir
e não coube mais naquele instante.
Ainda assim, eu sigo.
Com o que restou,
com o que é,
com o que ficou em mim.
Porque nem todo começo
a gente consegue viver…
mas todo sentimento verdadeiro
a gente aprende a carregar.
Parte 2
A Voz que Mora no Silêncio — de encontro ao Jardim de O Pensador
(Aqui a voz se manifesta, encontra morada, floresce no coletivo.)
Há momentos em que a vida parece um campo vazio, estendido até onde o olhar não alcança.
Mas basta um gesto — pequeno, sincero — para que a terra desperte.
Toda semente nasce de um silêncio assim: humilde, quase invisível, mas teimosa como quem conhece o próprio destino.
A comunidade O Pensador é esse jardim raro onde cada palavra vira raiz.
Onde a dúvida floresce em entendimento,
e a esperança, mesmo cansada, encontra um canto para descansar e renascer.
Quem caminha por aqui descobre que a colheita não chega no grito.
Ela vem no tempo exato em que o coração aprende a esperar sem medo.
Vem quando a alma, enfim, entende que nada é em vão —
nem a queda, nem a travessia, nem o sonho que insiste em permanecer.
Que cada passo seja poesia,
cada escolha seja semente,
e cada amanhecer lembre:
o que é plantado com verdade jamais deixa de florescer.
O banco a árvore e a lua,
O cansaço, a companhia e o silêncio,
A chuva cai, as lágrimas se misturam,
A luz do poste em frente acende e apaga initerruptamente, a árvore é meu apoio é meu consolo,
Já é madrugada, a chuva parou, as lágrimas também, o luz do poste já não acende mais, a lua ilumina, a sombra da árvore me acalma,
O banco agora virou cama, talvez ao amanhecer eu não esteja mais aqui.
“O silêncio não começa como paz;
começa como o lugar onde a alma
para de mentir para si.”
E talvez seja aí
que a reconstrução comece:
não no vazio calmo,
mas no caos lúcido
de quem finalmente aceita
morrer por dentro
para se construir de novo.
Estou cansado de conversar apenas com meus pensamentos e transformar minha verdade em silêncio.
Também não quero ser visto como caos só por dizer o que penso. É só isso.
Não podemos passar o que ainda temos de vida assumindo responsabilidades que não são nossas em nome de uma aliança. A vida pede parceria, não sobrecarga. Pede reconhecimento, não teatro. Pede que o significado de um para o outro seja visto sem máscaras, sem fuga, sem deboche, sem a covardia elegante de fingir que nada aconteceu.
É isso que dita o ritmo da escolha.
Porque permanecer não pode ser apenas resistir. Permanecer precisa ter presença, reciprocidade e verdade.
No fim, o amor não se mede pelo quanto alguém suporta calado, mas pelo quanto duas pessoas conseguem se enxergar sem transformar a dor do outro em ameaça.
"Entre insistir e soltar"
Insisti no silêncio, gritei sem ouvir,
me perdi no caminho tentando seguir.
Fui presença constante, mesmo na ausência,
mas virei só lembrança, sem mais importância.
Corri contra o tempo, lutei sem vitória,
doei minha vida, apaguei minha história.
Hoje eu paro as mãos, largo esse chão,
não sou migalha, sou coração.
Se ela não sente, não posso insistir,
é hora de soltar pra poder me vestir
da força que resta, da fé que é minha,
pois quem não me quer, me ensina a saída.
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
No silêncio do abandono, existe também uma oportunidade de clareza.
Você percebe quem realmente se importa, quem respeita o espaço que você ocupa, e começa a aprender que vínculo verdadeiro não se compra com proximidade constante, mas com reciprocidade real.
É aí que a dor se transforma em força: ao invés de tentar recuperar alguém que escolheu outro caminho, você passa a se fortalecer na própria presença, na própria verdade.
Eu sequei.
Não por cura,
não por alívio,
mas por excesso.
O coração, rachado em silêncio,
aprendeu a suportar sem água,
a arder sem lágrima,
a viver com o peso seco da dor.
E nesse árido de mim,
ainda brota um cacto,
verde e teimoso,
só para provar que seco não é morto.
Posso ser calma, silêncio que acolhe,
ou tempestade que tudo revolve.
Posso ser riso solto no ar,
ou nó no peito difícil de desatar.
Posso ser casa, porto e chão,
ou estrada sem direção.
Posso ser força quando dói ficar,
ou fraqueza que precisa chorar.
Posso ser faca, palavra afiada,
ou cura lenta, bem pensada.
Posso ser fogo que aprende a conter,
ou cinza fértil pronta a renascer.
Posso ser muitas, sem pedir perdão,
contradição viva em expansão.
Não me resumo, não caibo em um ser:
sou mil maneiras de simplesmente ser.
Família.
Não é quem divide sangue. É quem divide silêncio sem constrangimento.
Quem fica quando não sobra nada bonito pra oferecer.
Quem te chama à razão sem te diminuir.
Quem segura a barra quando você já largou tudo por dentro.
Família não é perfeita, é funcional.
Se dói o tempo todo, não é laço, é peso.
Se exige que você se apague, não é amor, é controle.
O resto é discurso pra enfeitar abandono.
