Do Silêncio Não Compreendido Eis que o... Hysheller Policarpo

Do Silêncio Não Compreendido
Eis que o bom rapaz foi ao encontro da moça,
levando consigo não só um presente,
mas o que havia de mais sincero em seu peito.
Chamou ao portão.
E não foi ela quem surgiu,
mas outra presença,
silenciosa… e suficiente para que ele entendesse.
E então soube.
Não por palavras,
pois nenhuma lhe foi dada,
mas por aquela dor que fala sem voz.
Baixou a cabeça.
Recolheu o gesto.
Guardou o presente que já tinha destino.
E partiu.
Na praça, sentou-se em silêncio.
E, dentro de si, perguntou:
“Por que aquilo que é verdadeiro não encontra lugar?”
E o mundo… nada respondeu.
Os dias passaram,
e ainda assim seus olhares se cruzavam.
Mas onde antes havia leveza,
agora havia silêncio.
A moça, em sua própria confusão,
não entendia o que se passava.
E, sem saber, afastou o que não soube ver.
Perdeu… sem perceber.
E o rapaz, mesmo ferido, voltou.
Não por orgulho,
nem por certeza,
mas porque o amor ainda vivia nele.
Aproximou-se mais uma vez.
E encontrou… silêncio.
Então compreendeu.
Que o amor não se força.
Não se explica.
Não se pede.
Se não é visto, pesa.
Se não é sentido, se apaga.
E se não é recebido… se vai.
E assim, o rapaz partiu.
Não destruído,
mas mudado.
Pois há dores que não quebram ,
apenas mostram ao homem
o que ele não queria ver:
Que nem todo amor permanece.
E que, às vezes… amar
é saber ir embora.