Poemas de Ausência
Reflexão
O silêncio não é apenas a ausência de som, mas sim a presença de um espaço para a introspecção e a conexão. Ao cultivarmos, podemos descobrir uma fonte inesgotável de paz, clareza e autoconhecimento para refletir e escrever, tornando-se uma forma poderosa de processar emoções, organizar pensamentos e obter clareza.
Ao caminhar em um parque, sentar ao lado de um lago ou simplesmente observar o céu, sentiremos que a natureza tem imensa capacidade de acalmar a mente e promover uma conexão.
Façamos então, pausas conscientes das telas, das redes sociais e das notícias. Permitindo-se ficar offline por um período para se reconectar com o mundo real e consigo mesmo.
Ausência Silenciosa
Essa falta a qual contemplo
Diante do silêncio medito
Palavras essência de uma ausência
Silêncio que conduz a versos
Singular forma de existir diante do caos.
Espuma de Aço
Passei fome —
como quem mastiga a ausência com os próprios dentes.
Passei frio —
como se o mundo tivesse esquecido meu nome.
Tive medo de dormir,
como se o sono fosse um portal sem volta.
Temi ser incendiado por mãos anônimas,
esfaqueado por sombras sem rosto,
baleado por silêncios armados.
Achei que a qualquer instante
me enjaulariam por crimes que só a miséria conhece.
Achei que o azar me atravessaria como um carro sem freios.
Achei que acordaria num hospital,
com tubos dizendo o que restou de mim.
Tive pensamentos que se transformaram em presságios.
E presságios que bateram à porta como visitas indesejadas.
Coisas que temi… e que vivi.
Nunca imaginei sentir esses medos.
Nunca imaginei que seria a morada deles.
Mas eu os enfrentei —
não com bravura,
mas com a entrega de quem não vê saída.
Fechei os olhos,
não para fugir,
mas para pular.
Como quem salta de um avião sem paraquedas,
mergulhei no invisível,
me entregando a Deus com a fé de um desesperado.
Os dias passaram como segundos —
e os segundos, como preces sufocadas.
Quando enfim toquei o solo,
não havia pedra, nem asfalto,
mas um vazio que me acolheu.
Como se o próprio abismo
tivesse mãos.
Não foi ele que me segurou.
Foi a ausência do medo.
Foi o sangramento interno de um coração que desistiu de resistir
e se dissolveu —
espuma de aço.
Espuma: porque já não pulsa.
Aço: porque já não quebra.
Sem emoção,
mas também sem dor.
Sem esperança,
mas longe do pavor.
Nem vivo, nem morto —
apenas desperto.
Consciência da vigilância
***
Mar calmo não assegura ausência de tempestades inesperadas. Vida de retidão não significa estar livre de tentações imprevistas.
***
O marujo consciente não se deixa iludir pela bonança prolongada. O cristão fiel sabe que cedo ou tarde a tentação aparecerá.
***
Nem tudo o que tem um brilho mais visível é o farol do porto. Nem toda operação de maravilhas é prova de comunhão.
***
Pr. Odair
Paz não é ausência de Guerra
Quando o Diabo te ignora,
não é porque és forte demais,
mas talvez por já estares
preso onde ele te quer: em paz.
Não a paz que Cristo dá,
mas a trégua da estagnação,
o silêncio que embriaga,
a ausência de oposição.
Pois quem caminha com Deus
vai em guerra, não em festa.
A alma justa inquieta a treva,
e a luz jamais lhe é modesta.
A ausência de batalha
não é sempre sinal de vitória.
Às vezes é o esquecimento
de quem saiu da trajetória.
Lê os profetas antigos:
Jeremias, Elias, João…
Foram odiados pelos reis,
mas guardavam a Unção.
Até Jesus, o Cordeiro,
não escapou da cruz amarga.
Por que esperas, então,
que a serpente não te encare com carga?
Quando o inferno faz silêncio,
escuta o que não se diz:
a alma que se acomoda
não precisa ser por ele atingida.
Mas quando te sentes lutando,
ferido, sozinho, provado,
lembra: os céus te conhecem
e o inferno está alarmado.
Guardo tudo.
No escuro do peito.
No canto mais febril da memória.
Onde tua ausência me beija de costas.
Tua respiração ofegante ainda queima meu pescoço.
Teu beijo, aquele, que arrepia a alma,
volta em silêncio nos meus delírios.
Teu toque ainda incendeia minha pele…
mesmo quando não está.
E tua ausência…
ah, tua ausência…
ela sussurra no meu ouvido
com a tua voz.
Com o teu calor que não vem.
Com a lembrança do que nunca nem sequer, começou.
🖤
> “Meu problema nunca foi a falta de amor. Foi a ausência de lugar para existir.”
— Purificação
---
🖤
> “A dor calada é a que mais machuca, porque ninguém ouve o grito por dentro.”
— Purificação
Essa nova geração
Onde a falta de amor
É algo normal
Onde a ausência de carinho
É algo normal
Onde...
Onde...
Onde...
Onde já não há mais nada
Onde tudo se esgotou
Pouco amor se espalhou
E tudo acabou.
Meu problema nunca foi a falta de amor.
Foi a ausência de um lugar pra existir.
Amaram o que eu parecia ser.
Ninguém ficou quando comecei a doer.
SOLIDÃO É A AUSÊNCIA DE SI MESMO
Profª Lourdes Duarte
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta,
E vive no absoluto de si mesmo
É o solitário que tem medo de amar,
E o que tem medo de ferir e ser ferido.
É o que se recusa às verdadeiras fontes de emoções
E vive a angústia do mundo que o reflete
Fruto de um coração solitário e triste
É a ausência da essência que adormece.
A solidão é como um cárcere fechado
Que atordoa corações vazios
Ou corações tão grandiosos
Que nele, lugar não termina.
O preço do egoísmo é a solidão
Das pessoas que vivem em seu próprio isolamento
Não compartilham harmoniosamente a vida
E mesmo em meio a uma multidão, sentem-se só
Tristonhos, só e sem chão.
A pior solidão é a interior
É Ir dentro de si e não encontrar ninguém
Lembranças que machucam e ferem a alma
De um ser que ora lamenta-se e chora,
Com a distância que separa de si mesmo.
DESLIZE
Eu da saudade sou quem chora
Da ausência, ilusão, desencanto
Se eu caminho na solidão agora
São motivos de trovar em pranto
A saudade é dor, volúpia ardente
Viva sensação, um remorso vão
Dá-me emoção amarga e quente
Injetada gota a gota no coração
E nessa saudade tão fria e feroz
Da tua privação, a aflição corre
Rimando versos tristes e tão sós
Vivo a suspirar como quem morre
E a lamentar se assim vale a pena
Essa saudade do amor de te amar
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
22/08/2021, 15’18’ - Araguari, MG
Apenas o primeiro ano na sua ausência. Foi um ano diferente, nada foi como antes.
Eu fui morrendo aos poucos, assim como você. Eu morri quando você quando você parou de andar, quando você parou de enxergar, quando parou de me reconhecer, quando parou de falar e quando parou de respirar.
Eu rezei tanto para não estar perto quando sua hora chegasse, mas aconteceu. Quando te carreguei nos braços e senti que você desistiu, também senti a responsabilidade de te manter viva.
Quando tudo o que eu tinha, eram segundos para pensar e agir, senti que o passado, o presente e o futuro deixaram de existir. Tudo dependia daqueles segundos.
Quando apoiei a sua cabeça no meu ombro, enquanto corria para te salvar, também rezava para que sua última lembrança, não fosse minha voz em desespero, implorando por ajuda.
Espero um dia acordar e me sentir mais leve, porquê algumas manhãs, eu tento te achar.
Que o dia de hoje me lembre que quando passamos dos limites, inocentes sofrem.
Que o dia de hoje me lembre de como fui covarde e, ao mesmo tempo, o mais corajoso.
Que o dia de hoje deixe de ser o dia do luto e seja o dia do perdão.
Eu permaneci muito tempo em silêncio. Sinto sua falta.
A saudade à ausência...
Às vezes, precisamos do colo da mamãe
e do papai para derramar nossas lágrimas,
transbordar o nossos sentimentos em momentos
de dores tristezas, abscuro, sombrio, desolado
que sangra ❣o coração❣partido 💔enlutado ❤ ...
O que está,
É somente ausência,
De tudo,
Saudade,
O cantarolar pela casa,
Jamais,
E a gargalhada,
Nunca mais,
Tua Ausência Pesa as Estrelas e a Lua
.
Em mim fala as luzes dos teus olhos
Clara noite que me encontro neles
Algo que nunca tive: fardo deles
Sorvo-os regados de vinhos e fogos.
Se banho em mim tua presença sem te ver
Atentos motivos seguem os teus passos
Por alguns espectros de luz nos espaços
Carrego enfadonho medo por ti não viver.
Ainda que a luz dos teus olhos estendidos
Clareie minha solitária noite escura
Tua ausência pesa as estrelas e a lua.
E mesmo que os sonhos sejam perdidos
Trago tua imagem por cravo escultura
No peito d’alma o coração por ti flutua.
Desabafo, ou poesia
Depois de uma perda grande em minha vida, saber lidar com a ausência, o adeus que queria dar no dia obrigatório do "adeus", da maior dor até então, aprendi a continuar...
As coisas, os sentimentos, momentos "pequenos", até mesmo os grandes, que causou algum desalento, aprendi a superar.
Não tenho medo das tempestades, porque aprendi na chuva dançar!
Reconhecer que sou forte, grandiosa, amada, é o suficiente pra não deixar me abalar.
Eu vivo, simplesmente vivo, porque a vida vai passar, mas hoje sei que não quero deixar a vida se esvaziar...
Talvez há pessoas lendo e pensando que coisa nada ver, porque sim, o ser humano julga assim...
Mas também tem os que sabem que um desabafo se torna uma poesia, bonita para a nossa alma, e o nosso coração!
E para aqueles que julgam superem, pois de vez enquanto expressarei mais amor e gratidão. 🌻
Sua ausência me tira a paz.
te encontro
em sonhos
tão secretos como os segredos da minha alma.
por vontade ou capricho...
me faço ser pra sempre sua.
