Poemas de Ausência
O tempo passa e mostra quem realmente se importa contigo e aquela pessoa q antes era tão importante na sua vida mostra q nunca te deu importância
Permita-me participar de suas vidas como se a minha presença significasse tanto quanto a minha ausência.
Tem gente que está longe e faz questão de ficar ainda mais longe. Estar perto não é físico, é presença até na ausência (física). (21/03/2018)
Sem mais...
Em uma cultura que confunde ter e ser, conforto e felicidade chamado, não surpreendentemente, foi eternalizada que o sucesso é a ausência de erros em vez de saber que o verdadeiro fracasso é a ausência de tentativas.
Às vezes um lugar não é bom para você, mas as pessoas que estão ao seu redor fazem com que seja bom. Companhias a gente precisa sempre, como seria se não tivéssemos pelo menos um amigo? Eu sinto falta de ter amizades que eu podia contar em todos os momentos, infelizmente estão bem longe de mim. Só que o mais interessante é que continuam sendo a mesma coisa, porém, em uma longa distância. Só que aí você lembra que não tem eles aqui para te dar um abraço ou um ombro para que chores nele, você lembra que está praticamente só e vê que só tem membros da família para ser seu amigo. Mas é claro que continua sendo muito diferente, porque queremos alguém que não seja da sua família para demonstrar afeto por você e fazer com que acredite que as pessoas gostam de você por quem é.
Saudade nao sobrepõe a vontade de querer perto, nem impõe o desejo das expectativas. Saudade são lembranças boas que ficam para sempre. Saudade é ausência mesmo. Não machuca porque sabemos que são apenas lembranças, não é físico. Saudade é o amor que passou e ficou, é àquele até logo...
O que me aterra nos meus regressos de agora é não ter mais quem espere por mim, ninguém. A casa e os móveis, o ambiente que me faz recordar que algum dia tive alguém que me esperasse com ansiedade, mas "nesse algum dia" não sabia o que era ter alguém. O vazio da minha liberdade total.
Ontem J. veio me visitar. Em conversa reclamou que minha resposta à carta que ele me escreveu fora muito cruel. Fiquei assustada, pois não tive a intenção de magoá-lo, mas disse apenas o que penso sobre a amizade e a sua transformação com a ausência. E estava com razão, tudo ficou confirmado. Onde o amigo de há alguns anos atrás? O que agora tinha na minha frente era um conhecido apenas, que não sabia mais de mim e nem eu dele. Arrastamos a conversa pela noite adentro, o seu reencontro não me deu nenhuma emoção, está morto, ou, estamos mortos um para o outro. Nada fará reviver o que foi antes. Podemos começar uma amizade nova, como se fôssemos estranhos, mas o que passou está acabado, morto.
"Havia tinta, sim. Tinta cor de carmim,e do meu peito eu tinjo as folhas brancas de papel ainda amassadas. Junto à lareira, tento aquecer-me do frio, do gélido sentimento da ausência . Ainda sobre a mesa, a conclusão, de uma enquete de um simples pasquim,em tinta azul: "Não há culpados, sim, a injustiça mórbida da maldade alheia,impetrada contra um amor que não vigiou a si mesmo e deixou-se denegrir pelo tórrido egoísmo de ambos" . Enquanto leio,uso o vermelho para escrever- lhe com a inspiração de um coração que sangra em face da luz,aquela em cujo reflexo, permeia a lenha que queima ardentemente e lança faíscas sobre a minha pele,causando fissuras, capazes de tirar da noite o sono e fazer dormir o dia. O silêncio do lado de fora, da azo aos pensamentos de outrora, enquanto tento mudar o tom da cor das palavras que te escrevo..
Eu queria poder tirar todas as dores e jogar fora, para que existisse espaço para eu colocar só o que é bom e bonito!
O sentimento mais puro é aquele que temos quando não cabe no peito. Chega a doer. Seja pela intensidade ou pela ausência, mas dói. Essa pureza chega a ser um sentimento doentio de alguém que não sabe controlar, os que mais sentem são os que mais sofrem, mas são os que mais amam.
Ela estava ausente. Nada a presentificava onde deveria estar. Nenhum fio de cabelo se movia, nenhuma pálpebra batia, nenhuma lágrima caía. Estava ausente da rua, do trabalho e até do mar que continuava a quebrar nela as suas ondas, como a dizê-la que tudo passaria. Estava fora do seu corpo, a embalagem que vestia a sua ausência e fazia os outros acreditarem que ela ainda existia e andava e comia e vivia, quando apenas sobrevivia a si mesma!
Sempre fui sentimental a ponto de guardar a mistura ao lado do prato para comer por último. O melhor para o final. Tão sentimental que, quando criança, tomava Yakult pelo fundo do pote que era para durar mais. Mantinha o lacre intacto, mordia o fundo, um minúsculo furo no fundo e o minimalista Yakult durava vários minutos até acabar. Lembro uma vez que bebi metade do pote e guardei metade para mais tarde. Logo, sinto sempre que esvazio um cinzeiro. Cada bituca é uma lembrança. Tenho um cinzeiro em casa que guarda bitucas de anos atrás. Um cinzeiro especial, dado por uma pessoa que não me dará nada mais que ausência, então, tão sentimental que sou, guardo.
A pior coisa é ter saudade do que não existiu. Saudade do que foi idealizado, do que poderia ter acontecido...
Se o evento morte realmente interrompesse os vínculos de amizade, não chamaríamos de amigo àqueles que já partiram para outro plano, mas que, em vida, foram nossos grandes amigos. A amizade continua, ainda que não fisicamente materializada.
Há presenças que transformam e presenças que são como ausências. Quando não temos afinidade com uma pessoa a presença dela é como se fosse ausência. Contudo, a presença de alguém que amamos é semelhante a uma brisa paradisíaca, traz paz, serenidade, felicidade. Pessoas amáveis e gentis não tocam apenas nossa essência física, mas sobretudo, nossa alma, nossa mente e coração.
Durante um tempo, achei que a relação complicada com a figura paterna fosse uma experiência apenas minha. Aos poucos, percebi que não. Boa parte dos homens carregam pela vida emoções semelhantes, embora sejam filhos de pais diferentes do meu. O filósofo francês Jean-Paul Sartre, cujo pai morreu quando ele era bebê, dizia ter sido privilegiado pela ausência de uma figura paterna capaz de moldá-lo ou influenciá-lo. Ele julgava ser mais livre que o resto dos homens. Li essa afirmação muito jovem. Achei que fazia sentido. Hoje acho bobagem. Não há pai mais influente que o pai que não existe. Ele deixa tamanho vazio, provoca tantas interrogações, que seu filho pode gastar a vida tentando entender-se. A figura paterna é uma referência monumental. Tão grande que, se não existir, terá de ser criada.
(Ivan Martins, "Amor de Pai", p/Rev.Época)
Tem quem me enxergue de forma melancólica e tem quem me acha a própria melancolia...
Sou apenas os traços de uma ausência que perdeu-se num passado distante e que vez ou outra pincela meu presente, sem deixar esboço, apenas leva o meu melhor, hoje!
