Poemas da Terra
Chuva e Querer
Lá fora, o cinza da tarde se derrama,
Em gotas que batem na vidraça e chamam.
Caxias se esconde num véu de saudade,
E eu aqui, com a alma em tempestade.
Cada pingo que escorre pela telha,
É um eco distante de uma velha centelha.
Um coração que pulsa, meio calado,
Apenas querendo ser amado.
O cheiro da terra molhada no ar,
Me faz a cada sopro mais te buscar.
Em cada lágrima que o céu despeja,
A minha esperança mais lateja.
Que essa chuva lave o que me inquieta,
E traga em seu murmúrio a resposta mais direta:
Que em meio a essa dança de água e chão,
Floresça um amor para o meu coração.
Sou Filho do Ceará
Minha terra, meu Ceará,
Berço onde a vida me viu despertar,
Aqui nasci, aqui cresci,
É minha sina, meu chão, meu lar.
Fortaleza, terra de luz e de sol,
Onde o céu se pinta em azul sem fim,
O povo aguerrido, de fibra e suor,
Luta na raça, sorrindo, até o fim.
Terra de cabra macho, de coração valente,
De gente que cai, mas levanta de frente,
Que enfrenta a vida, sem nunca esmurecer,
Com fé no peito, buscando vencer.
Minha terra tem mais beleza, tem mais calor,
O abraço é forte, tem mais amor,
Tem praias douradas, tem mar a brilhar,
Tem o vento que canta, tem o céu a beijar.
Terra abençoada por Deus, de fé verdadeira,
De um povo guerreiro, alma brasileira,
Que vence no sangue, na luta, na raça,
Sou filho do Ceará, dessa terra que nunca passa.
E por mais que o mundo me faça andar,
É aqui que meu coração vai sempre morar,
Porque amo esse lugar, de sol e esperança,
Meu Ceará... minha eterna lembrança.
(Fortaleza, 24 de junho de 2025)
Furtado, Brunno
Ela dança na terra
com os pés fortificados,
junta tudo o que já possui
e não deseja bens preciosos.
Roubaram minha casa,
nosso Deus foi esquecido,
a mãe Terra aqui sacrificada,
tudo debaixo dos olhos do sicário.
“Sou dessa terra, daqui ninguém me tira.
Tenho raízes profundas, fortes e longas.
Colocam fogo, passam o facão e a motosserra.
Mas eu resisto e renasço sempre, sempre e sempre”
Mundo Azul...
Clareai meus pensamentos
Aliviai a minha aflição, trazei
Paz para a terra, aos a aflitos,
Conforto aos corações;
Imagino um mundo azul,
Livre da poluição, irmãos
Se confraternizando e dividindo
Este chão., Imagino uma terra
Fértil produzindo muitos grãos,
Um mundo sem guerra e sem dor,
Nações apertando as mãos.
Se tudo for um contraste
Cristais,
Brilho do dia
Luz da vida
Diamante.
Luz da noite
De todos os amores.
Alexandrita
Se torna tragédia,
Cedo mais tarde,
Vira esperança.
Volto à terra
Os seres são tesouros
Cheios de brilho,
Mas distantes
Sem valor.
PENSANDO EM NÃO TE PERDER
Autora: Profª Lourdes Duarte
A noite chaga, depois de um dia quente de verão
Sinto que a cada minuto que passa,
A saudade vem como uma tempestade
Atordoando-me e sufocando meu coração.
Tua voz tão linda ecoa como sussurro em meus ouvidos,
E a solidão vem me sufocar nesta noite vazia
quando vejo o tempo passar em vão
Sinto a tua falta a me maltratar.
Fecho os olhos tristonhos , mais uma noite
Que irei te sentir em sonho
Sufocada pela saudade e um desejo que inflama.
Aqui neste quarto, frio e silencioso
Lá fora a chuva cai molhando a terra
E o que sinto, me faz viver pensando em não te perder.
A NATUREZA , MÃE BONDOSA
Autora: Lourdes Duarte
A claridade da manhã
Chega com raios de sol a brilhar
É a aurora que irradia a clarear
Para desejar-nos bom dia,
A desejar-nos muita alegria
Durante o novo dia.
Com o nascer do sol...
Essa luz brilhante,
A irradiar os campos floridos.
É aconchegante, ver nas pastagens
A relva fresca, ainda molhada,
Pássaros a cantar e borboletas a voar.
Mais um dia vai surgindo
O curso da vida vai seguindo
Nessa imensidão dos campos
A natureza tudo envolta
E, junto com o dia, a vida segue
Com o mundo,
Caminhamos nós.
E a natureza,
Como uma mãe bondosa,
Nos presenteia com espetáculos particulares
O nascer do sol, a flor que desabrocha
A água que brota do solo,
O rio que corre
Para o solo fecundar.
E a natureza, essa mãe bondosa,
Essa mãe generosa
Nos dá calor.
Nos dá a chuva.
Nos dá o alimento.
Nos dá todo o nosso sustento.
A nós, basta cuidar e preservar.
A natureza é o maior espetáculo da Terra!
Tudo nela se encaixa com harmonia,
Com beleza e com sabedoria.
E a natureza vai seguindo seu curso...
Toda ela em equilíbrio,
fauna e flora se completando.
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO MAR
Autora: Profª Lourdes Duarte
Como um fantasma que refugia-se na sua sombra
Rugiu-me da solidão do meu eu que me atormenta
Contemplo o mar revolto e as ondas que vão e voltam
Sei, que nunca voltarei no tempo, pois o tempo não volta.
Observo as ondas nas pedras se encontrando
Como minha vida batendo de frente com a solidão
Refugio-me nas sobras da minha existência
Querendo lavar a alma nas ondas do mar revolto.
Percebo que além da Terra, além do mar
No trampolim da vida, nuvens nebulosas podem mudar
Senti que nem tudo está perdido, ergui a cabeça...
Mergulhei no mar da vida para lutar,
Contra meus fantasmas a me atormentar.
Joguei o chapéu na areia e mergulhei no mar,
Lavei minha alma, libertei-me da solidão
Renovei minhas forças, outra vez... busquei
Coragem para fazer de um simples detalhe
Uma imensa razão de viver e vencer a solidão.
A SUPERLUA AZUL
Autora: Lourdes Duarte
Depois de uma tarde sereníssima
Sob o céu limpo e encantador
Surgiu a lua cor de prata
Suave com seu manto cobrindo a terra
E no espaço, bela, flutuou, a superlua azul.
Quando as eminências se azularam
Logo ao cair da noite
Com seu brilho fosco ou prateado, entre as nuvens,
Se confundiu com a luz crepuscular
Por traz das colinas verdejantes
imperando sua beleza ao despontar.
.
Uma bela lua, que encantou a todos
Como uma canção que desnudava a alma
A lua desceu a terra como um véu de noiva
Inebriando os corações enamorados,
Que esperavam vê-la azul como um manto,
Mas surgiu dourada e bela a iluminar.
Lua nova, lua cheia ou quarto crescente
Em todas suas fases tem mistérios
O que importa é que do alto do céu
Exuberante impera sobre a terra,
Azul ou prateada, em forma de coração
ou arredondada, sempre Linda! Linda
Se recebe grande recompensa quem salva vidas nesta Terra, quanto mais receberão aqueles que ganharem almas para Deus e os levarem para Eternidade.
Anderson Cássio de Oliveira
O mundo se despedaça
E os imbecis de todos os credos
ideologias e raças
Se digladiam por ignorância,
E por pirraça...
Sumirão na estrada, oh sim!
Para que um dia
Na Terra injuriada
A paz se faça.
Até os girassóis adoecem e caem
feito botões de rosas sobre a terra.
E porque eu que sou mais frágil
feito de solo e sentimentos não
cairia sobre a seiva
e brotaria numa outra atmosfera.
Escrever nunca agarrou tanto minhas mãos,
Como raiz em terra boa,
Escrever ânsias que já foram tão escorregadias,
A mente continua dando letras, palavras, frases,
Como frutas no pé,
Sou dessa terra,
Sujeito na-bra-ne,
De nativo guardião,
De branco ultramarino,
De negro uterino do mundo,
Sou a única fonte,
Para matar a sede,
Dessa terra que germina,
Todas as belezas e mazelas,
Eu sou essa própria terra,
Uma vez adorada, Brasil,
Terra que exalta a meritocracia
Finge que não sabe o passado que tem
Diz que é só trabalhar pra ser alguém na vida
Mas nós só começa do modo ninguém
Já pensou se certa feita,
num futuro não distante,
em um mundo inconstante,
não tiver mais natureza,
sem riacho e correnteza?
E se todo rio secar?
E se água acabar?
O que você vai beber?
A do mar não vai poder.
Só nos resta preservar.
Terra gentil.
Celestes sinfonias...
Terrestres espetáculos....
Acrobacia das folhas...
E lá se vão Bailando as flores...
Germinando frutos...
Um Sol...
Um sopro....
Uma ventania...
Pássaros no céu...
Gorjeiam na migração....
Confisca-se o tempo...
Não admitindo obrigatórias paradas...
Numa estação...
Ônibus e trens lotados...
Segue seus roteiros...
Uns acordaram cedinho...
Outros voltando pra casa...
Uns em busca de trabalho...
Outros em fadigas....
Enalteceu o véu...
Tramelas semi condutoras...
Abrem-se as janelas da terra...
Terra que faz...
Que germina...
Que cuida..
Que nos dá sem cessar...
Ela é assim...
Gentileza é seu nome...
Assim como fruto que caiu aqui...
Apodreceu e a chuva levou suas sementes...
Em algum lugar dessa terra...
Nascerá uma nova planta em outro lugar...
Não falo de perfeição...
Esse Deus que é desconhecido aos olhos humanos...
Ele vive aqui...
Aí...
Em todo lugar...
Ele quer fazer morada em nós...
Basta fechar os olhos e respirar...
Tão absoluto...
Basta enteder a natureza...
Não tão só perfeita...
Ela é a Realeza..
Realeza de um Rei...
O dono e autor da terra...
E de toda essa lei...
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
