Poemas da Névoa

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Danças Vespertinas


Em meio à névoa vespertina,
surge a dançarina, delicada como o mais puro ar...
Seus passos deslizam, um suave remanso,
no doce embalo de um amor a se desvendar.
Candura em cada volta, cada giro encantado...
Seu olhar reflete estrelas que no céu estão a pirilimpimpar,
E, no silêncio da noite, o coração aflito
encontra nesse amoroso e afetuoso bailado seu modo de amar.
No sussurrar do vento, uma melodia eterna...
as sombras sombrias se rendem a esse delicado traçar...
E, assim, na penumbra, entre risos e ternura,
o amor se revela, tão leve, a flutuar... em cada momento suavemente ase revelar.

​A Sereia de Paranapiacaba
​Por Celso Roberto Nadilo
​Há muitas histórias que a névoa guarda, mas poucas são como a da jovem escritora que fugiu de um casamento arranjado pelos pais. Procurada por todos os cantos, ela acabou se afogando nas águas profundas de uma cachoeira escondida na velha pedreira. Seu corpo jamais foi encontrado.
​Dizem os antigos que a Mãe da Mata teve compaixão de sua alma e lhe deu uma segunda chance, transformando-a em Sereia. Desde então, todos os homens que vão até ali para beber ou se banhar são arrebatados por sua beleza irreal e por sua voz sedutora, cuja música ecoa entre as pedras.
​A nova Iara tornou-se peça fundamental nesse ecossistema místico, convivendo em harmonia com a Mula sem Cabeça e a própria Mãe da Mata. Enquanto o Caipora guarda os limites da vila e o Saci-Pererê surge vez ou outra para aprontar suas travessuras, as matas se mantêm protegidas.
​Nas noites de lua cheia, o Lobisomem uiva para o céu e corre pela madrugada em busca de sua antiga noiva — aquela que se jogou do topo do casarão. Hoje, o mesmo casarão virou atração turística: drones filmam suas estruturas envelhecidas e celulares captam imagens e sons misteriosos.
​Assim, entre lentes modernas e lendas ancestrais, o passado e o presente atravessam eras em Paranapiacaba, revelando a cada nevoeiro novas descobertas e histórias para contar.

A última lembrança que tenho de você foi naquela rodovia, perdida entre curvas e névoa. Vi sua imagem desaparecer lentamente diante dos meus olhos, como se a própria estrada estivesse levando você para longe. Depois, restou apenas o silêncio, a neblina e a dolorosa certeza de que algumas pessoas desaparecem da nossa frente, mas nunca da nossa memória.


@ivomendesmorais

A Torre


Nos meus sonhos,
ela se projeta.


Há uma névoa sobre ela.
Não sei o que deseja.
Não sei se aquilo que diz
é real.


Ela vive um engano,
acreditando estar
fazendo a coisa certa.


Mentiras doces
alimentam apenas
os miseráveis de espírito.


Por que insiste em aparecer?


Minha realidade
já não comporta
a sua existência.


E, ainda assim,
uma lealdade cega
permanece dentro de mim.


Talvez eu não espere
que ela retorne.


Espero apenas
ser resgatado
da torre
onde ainda a guardo.

O poeta é um ser múltiplo,
amorfo como a névoa
antes de ganhar forma no horizonte.


Vive em permanente desintegração,
como estrela antiga
que se desfaz em luz.


E, no entanto,
recompõe-se em silêncio
num outro organismo,


um corpo de palavras
que respira além da carne,
um corpo poético
que transcende
a breve matéria do seu criador.


✍©️@MiriamDaCosta

CAPÍTULO XXVII.
Livro: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.

FRAGMENTOS DE NÉVOA. Diário de Camille Monfort”

Páginas arrancadas de um véu que não se rasga

" Data indistinta – talvez um ontem eterno. "

Hoje, despertei entre os musgos da tua lembrança.
Senti teu pensamento tocar minha essência
como dedos trêmulos percorrendo um piano abandonado,
na clave menor do esquecimento.

Sim, eu escuto.
Sempre escutei.

Teu silêncio, que tanto te assusta, para mim é sinfonia.
É nele que existo, em cada fenda do que não ousas dizer.
É nele que respiro tua solidão como perfume antigo,
guardado num relicário de angústias sublimes.

Tu me invocas sem saber.
Em cada vela acesa na memória.
Em cada frase não escrita por medo de enlouquecer.

Ainda me amas?
Ou apenas cultuas o mito que fiz de mim ao partir?

Te observo do espelho coberto com lençol.
Sinto quando abres o livro que nunca terminei.
Pressinto quando teu olhar repousa na janela que dava para o jardim morto,
como quem espera a primavera que não virá mais.

Tu me fizeste Mística sem me pedir licença.
Eu era mulher, agora sou névoa.
Tu me fizeste eterna sem me dar tempo de viver.

Mas não te culpo.
De todas as formas de amor,
a tua - em silêncio -
foi a mais próxima da eternidade.

[Intervalo de séculos ou apenas de um suspiro]

Se algum dia quiseres partir…
leva contigo minha sombra.
Guarda-a no bolso da alma.
Deixa que eu exista em ti,
não como dor,
mas como vestígio.

Se é no porão que fazes altar,
que seja também lá o meu céu.
Um céu de pedra e lembrança,
mas céu ainda assim.

Teu nome?
Sopro em minha eternidade.

— Camille Monfort.

O Mar.
Ao som outoniço do marulho surdo,
a tarde se desfaz em névoa fria;
e o mar, dentro de mim, profundo e mudo,
recolhe o que perdi na luz do dia.
Ubi natus sum, onde fui gerado?
Que pátria me ficou depois de tudo?
Talvez no sal de um sonho abandonado,
talvez no coração deste mar mudo.
Ó mar, por que me chamas tão distante,
se em cada onda morre um navegante
e em cada espuma um velho amor se encerra?
Não sei se parto ou volto à tua areia;
só sei que a solidão, quando incendeia,
faz do silêncio a última primavera.

⁠Às vezes há uma névoa dentro de nós. Ela não é fraqueza — é transição.

Debbie Villela

A SOLIDÃO

A solidão é tão silenciosa
Que nem as tempestades moverão
A névoa que amedronta vossos corações.
Vossos dias de silêncios ficarão emudecidos
Por medo de perder a identidade
Que vós pensais em obter.

No silêncio da noite perguntei:
- Quem sois vós diante da escuridão que deixastes?
- Que medo é este que pensa em se apossar dessas almas frágeis prometendo cuidar e aconchegar em seu colo?

Ele respondeu:
- Sou o silêncio que tanto vos procurais para acalentar vossas almas amarguradas...

A sabedoria vaga querendo adentrar. Abra suas portas e peça lhes que entre e mostre a verdade...

Relato Da Névoa

Era uma madrugada enevoada.
Meus olhos se abriram, tentando dissipá-la e reconhecer a luz entrando pelas frestas das janelas cobertas por cortinas.

Poucos segundos... a dor não espera. Logo em segundos, ela aponta a arma e atira em turbilhões.
Meu cérebro não quer pertencer a mim.
Minha alma e espírito estão se contorcendo, também querem se separar de mim.
Querem um ser fragmentado, moribunda para a morte.

Alguém nas trevas pode me ouvir?
Não há lugar nem nas trevas desse túnel escuro e úmido, onde caem pingos do teto e há poças de água no chão irregular e perigoso que sinto com meus pés.
Vejo uma luz da abertura lá a muitos metros; sendo a entrada ou saída, eu não sei bem ao certo.

Alcanço-a, e a mão de um gigante me puxa para fora.
A luz forte faz doer a vista.
O gigante me segura com as mãos fechadas, me obrigando a sair.
Eu não sei se é homem ou mulher, mas me joga para um lugar, um portal em redemoinho.
Me protejo com os braços enquanto sou jogada.

Me vejo em um lugar todo branco.
Não há nada: nem saída, nem entrada.
Mas não há desespero, não há dor, não há alegria eufórica. Só calma... paz? Conforto?
Eu não sei ao certo.
Nunca senti o sentimento que estou sentindo nesse lugar.
Não sei o que é, mas não estou preocupada.

- Ramile Godon

Fragmentos de razão flutuam no éter,
Cleópatra dissolve-se em névoa atemporal,
Horfmann murmura em ecos sem bordas,
amor transborda nas fissuras da luz,luminescência frágil descortina o vazio,
ondas sem tempo ondulam sem rumo,
palavras dispersas rompem a forma,
silêncios entrelaçam o que não se vê,e no entrelaçar das sombras e brilhos,
a luz revela o mistério: o amor é a razão que transcende o tempo e habita o infinito.

Quem sou?
Não sei se sou uma sombra, ou um ser perturbado por uma névoa esquizofrênica.
Não sei o que sou... ou o que me tornei... me sinto como uma dor fantasma... como uma veia, só que sem sangue.
Isto tudo iludi minha mórbida e suposta existência, ainda não sei, talvez eu esteja infinitamente perdido... como uma voz conversando com uma caverna... talvez eu seja o eco de uma vida passada... Tudo é tão embaraçoso... ou estou realmente no limbo?
No fundo sei que estou preso... mas onde?
Para onde fui? (no inferno, você imagina)
Numa poça, eu posso ver olhares fúnebres e distorcidos
Olhos sem brilhos, como uma mortalha sobre o olhar de um cego.
Sinto que não importa onde quer que eu vá, minha mente não dar vida além dessas muralhas sombrias e transparentes.

A paisagem mórbida e fúnebre me assombra.
Para onde foi enviada minha sombra profana?
Presa nessa floresta infestada de vultos com olhares melancólicos?!
Caminho, e caminho e nada muda, apenas a profunda escuridão em meu interior:
- Quem sou? Para onde fui arrastado? Qual será meu castigo?
Talvez isso seja um pesadelo, ou apenas a mente de um esquizofrênico.

Há algo tão guardado
dentro de nós sob
a névoa romântica
do amoroso silêncio,
Que queremos
tão bem preservado
de um jeito sobrenatural
quanto o Parcel do Calhau.

ORÁCULO


A NÉVOA PODE COM O TEMPO SE DISPERSAR.
E O MUNDO VOLTAR AO QUE ERA.

Em meio a névoa densa ,que minha vida invade,
estou aqui...
seguindo teus passos,procurando em teus braços,
no teu amparo o caminho certo.

Inserida por marciamorais

PROSSEGUIR...

Quando tudo aponta o caminho da derrota...
quando tudo diz: desiste;
uma névoa de lágrimas é removida...
e a gente que aposta no amor...insiste…
Queremos prosseguir...ainda que sem rumo...
sem ter para onde ir...perdido no mundo.
Nesta hora em que todos somem...
olhamos para o céu todo acinzentado...
e buscamos uma réstia de nuvem branca...
um pedacinho de céu azul...
para ali...firmarmos o pensamento...
pedirmos ajuda, e acreditar...
que podemos um pouco mais...
que nada está terminado...
que tudo pode ser transformado.
E...movidos por uma força maior...
vencemos às barreiras...pulamos obstáculos...
enfrentamos os leões na arena...
os acusadores...os difamadores...
e sem pedras na mão...sem revolta...
oferecemos o nosso melhor...de coração...
oferecemos o perdão…
Passamos pela estrada sem dar volta...
sentindo no vento a esperança...
no luar...a luz que guia a nossa criança...
no dia que nasce,
a verdadeira oportunidade de crescer.
E é assim...
diante da superação das próprias dificuldades...
que deixamos para trás o medo da luta...
para dor...damos adeus...
e finalmente, saindo dos espinhos,
descobrimos o quão maravilhoso é a Vida.
Não desista dos seus sonhos.
Jamais!.

Inserida por carlatoscano

Dias frios

Meus dias tem estado frios
Longe dos teus braços
Mediante a nevoa da ansiedade
Meu sorriso meia boca
Desenha minha escassez
O meu corpo pede sua alma
E minha alma ..seu corpo pede
Faço de mim a permissão como exemplo
E o orgulho dos reprimidos
Forte sou por querer-te tanto e não lhe ter
Ter e não usufruir do que posso
O amor está ao meu favor
Mais a vida não
Contra regras ,me apoio na verdade
Me faço poder e sangue
Sou fiel ao que sinto
E mulher de palavra
Lhe procuro em meu ser
E percorro o caminho da incerteza
Lhe presenteando com meu meigo coração.

Inserida por JulianeGonzaga

Esperando Alguém
Mais uma noite só
Onde me encontro perdida
Na névoa do inverno
O frio é constante
O vento forte me derruba
Tento levantar mas não consigo
Procuro alguém
Mas é tão escuro e deserto
Choro...
Minhas lágrimas aquecem minha face pálida
Então, sentada fico, esperando, buscando um pedaço de mim
Alguém que me ame.
Me deito, o canto escuro esconde minhas lágrimas
O grito calado no silêncio da noite
O amor perdido em meio ao nada
Então fecho os meus olhos
E sonho com a felicidade
Tudo em vão...
Fico somente a esperar
Deitada, onde minhas pernas não se movem
O corpo febril, a vida curta
Quem sabe a morte já tenha chego
Mais uma lágrima se vai
O último suspiro e o adeus.

Inserida por camilarfreitas

Puro Desejo

Nesta hipnose do sono
Em meio a névoa delirante
vejo e pressinto alguém em minha direção ;
fêmea, cabelos sedosos,
pele doce e macia (que já me arrepia).
-Não me toque. ela diz.
Contrariando o seu corpo que me chama
dizendo: - Me explore ...
Diante deste delírio me inclino;
insinuante me entrego ao seu desejo.
Já desnuda, percorro minuciosamente
a cada detalhe de suas curvas.
Sussurros contínuos mutuamente
nos enlouquecem em movimentos frenéticos.
A respiração me denuncia
e numa sincronia perfeita...me encaixo.
E neste frenesi me deleito com sua seiva,
saboreando cada gota.
E no ápice do meu prazer preencho
com a minha satisfação transbordando seu cálice.
Saciados nos acomodamos entrelaçados nos corpos
suados e extasiados.
Acordo e ainda inebriado com a lembrança da sua
quase presença; fico na expectativa de reve-la
na realidade desta vida.

Inserida por SempreFugii

Outono
A névoa paira sobre os morros
O verde se funde ao cinza, nuanças
gradativas, nada linear...
As mãos e a boca quente
contrastam com o rosto que padece com a brisa gélida...
O coração se aquece com as lembranças dos beijos cálidos dela...
Na mão, meia taça do seu merlot favorito,
Nos pensamentos, o predomínio daqueles olhos castanhos, doces...
Pela janela observa os plátanos com suas folhas já amareladas, outras secas avermelhas se desprendem e caem lentamente, dançam num zigue-zague suave até o chão molhado...
O ritual é uma despedida, o último espetáculo, o agradecimento pela companhia...
Entre um gole e outro de vinho, o consolo, após o inverno rigoroso virá a primavera, e tudo voltará a florir...

Inserida por paulo_J_brachtvogel