Poemas da Névoa

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"A imaginação não é um país de névoa, de criações vagas e incertas. É fonte de vitalidade, energia, movimento..."
Emmanuel

(Roteiro / pelo espírito Emmanuel; [Psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Brasília: FEB.)

Névoa,

À medida que a bruma abraça o rio!
Dedos da aurora tecem franjas de luz
pela água adentro...

-- josecerejeirafontes

Lua Serena

Já era quase dia
E a lua
Ainda brincava com
A rendada névoa alva
Que pouco a pouco
Dissolvia-se
Nas cores ígneas
Da manhã

Quem sou?
Não sei se sou uma sombra, ou um ser perturbado por uma névoa esquizofrênica.
Não sei o que sou... ou o que me tornei... me sinto como uma dor fantasma... como uma veia, só que sem sangue.
Isto tudo iludi minha mórbida e suposta existência, ainda não sei, talvez eu esteja infinitamente perdido... como uma voz conversando com uma caverna... talvez eu seja o eco de uma vida passada... Tudo é tão embaraçoso... ou estou realmente no limbo?
No fundo sei que estou preso... mas onde?
Para onde fui? (no inferno, você imagina)
Numa poça, eu posso ver olhares fúnebres e distorcidos
Olhos sem brilhos, como uma mortalha sobre o olhar de um cego.
Sinto que não importa onde quer que eu vá, minha mente não dar vida além dessas muralhas sombrias e transparentes.

A paisagem mórbida e fúnebre me assombra.
Para onde foi enviada minha sombra profana?
Presa nessa floresta infestada de vultos com olhares melancólicos?!
Caminho, e caminho e nada muda, apenas a profunda escuridão em meu interior:
- Quem sou? Para onde fui arrastado? Qual será meu castigo?
Talvez isso seja um pesadelo, ou apenas a mente de um esquizofrênico.

Olhar distante...

Quisera eu poder dissipar
Essa névoa que envolve tua alma
Que eterniza a efemeridade do tempo
Nas horas de solidão entre ti e o mar

Sei bem, nada posso ou espero
Se o temor me faz companhia
Se as ondas se quebram em silêncio
Se me vejo teu inverso, em agonia

Então,
O que mais tenho a dizer-te?
Vai! Arranca de mim a última lágrima
E deixa-me ir, contigo...

FASCINA-ME

Fascinam-me as imperfeições de teu corpo,
A nevoa de teus cabelos
A profundidade de teus olhos
A perfeição de tuas mãos
A suavidade de teus dedos

Fascina-me-me o ardor de teus beijos
A tocar-me os seios com a delicia
De teu hálito

Fascina-me sentir teu corpo junto ao meu,
Tornando-nos um só,
Fascina-me-me ter teus dedos em meus lábios,
Ao provar-me o desejo

Fascina-me apertar-me com teus braços
E o entrelaçar de teus quadris
Fascina-me ver o reflexo de minha vorácia
Através de teus gemidos...

Contudo, Fascina-me ouvir teus sussurros ao meu
Ouvido, enquanto me fazes apenas tua.
Num momento sublime, onde não há
Duvidas apenas o espetáculo
De te- lo meu.

(Marta Freitas)

⁠Há momentos em que a alma almeja o refúgio do silêncio, onde as interrogações se esvaem como névoa ao romper da aurora, e as respostas moldadas pela mente perecem em sua efêmera fragilidade. O ato de viver, por um ínfimo e plácido instante, encontra repouso. É nesse delicado interlúdio que concedemos ao coração, com sua sabedoria atávica, o privilégio de sussurrar o que sempre soube, mas que os ruídos do mundo abafavam. E ele sussurra, com a leveza de uma brisa acariciando as copas das árvores, revelando mistérios que só o silêncio é capaz de desvelar.

É na quietude do cosmos que captamos a voz de Deus, sutil como um eco longínquo, porém tão inabalável quanto uma montanha. Mesmo quando o intransponível se ergue à nossa frente, e os olhares ao redor nos envolvem em incredulidade, é Ele quem nos sopra ao ouvido: vai, avança, e concretiza. Pois, quando até o último vestígio de fé em nós mesmos se rompe, Deus permanece crente, sustentando-nos com a esperança que já não conseguimos vislumbrar.

⁠Aceitar-se é de vital importância para ter paz interior.
A névoa mental que te atormenta é você quem a colocou lá.
Abra a janela da alma e deixe o sol entrar!

A Névoa da Ignorância

Em campos largos, sem fim a vista,
Caminha a alma, cega, distraída.
Os olhos não veem o sol que insiste,
Escondido entre a névoa da mente adormecida.

A ignorância veste-se com um manto sutil,
Mais leve que o vento, mas denso no espírito.
É como um eco, profundo e infantil,
Que grita certezas sem nenhum critério.

Não se conhece o que há além do espelho,
A verdade oculta, a dúvida sem fim.
E quem permanece ali, preso no seu brilho,
Desconhece o mar calmo que existe.

Mas há quem busque, quem queira enxergar,
Rasgando a neblina, arriscando o olhar.
E ao levantar o véu, o mundo se faz inteiro,
Revelando-se ao fim como um fogo verdadeiro.

Quando o dia finda, e a mente se esvai,
Em névoa de cansaço, onde a força cai,
Em ti encontro abrigo, um porto de paz,
Meu amor, meu refúgio, que o peso desfaz.


Não exijas de ti, o brilho constante,
Permita que o descanso seja o teu amante.
Meu ombro é teu travesseiro, meu abraço, teu lar,
Onde a alma cansada pode repousar.


Em teu silêncio, escuto a tua voz,
A essência que amo, mais forte que nós.
Cuidarei do teu ser, com ternura e fervor,
Até que a luz retorne, com todo o seu fulgor.


Nosso amor é a força que nos faz seguir,
A calma que acalma, o dom de existir.
E mesmo no cansaço, que a vida nos traz,
Meu amor por você, sempre, sempre me satisfaz.

Há um vinho perdido, soterrado num fiapo de névoa fora da criação.
Não é uva, não é sangue é memória de um tempo anterior ao tempo.
Os astrólogos disseram que quem o encontrar sentirá o gosto de tudo que já foi sentido.
E também o que jamais deveria ser.

Os reinos em guerra não o buscam por sede, mas por fome de trono.
Querem o cálice, não o conteúdo.
Querem ser os que ditam o silêncio.
Não beberão, mas farão com que outros se curvem ao aroma.

A Rosa Inteira
William Contraponto


Na névoa fria da ignorância, broto,
um livro aberto é sol no meu jardim.
A mente é chão, mas só floresce o roto
que rega o verbo e poda o próprio fim.


A chama pensa antes de queimar,
e o vento sussurra ideias no grão.
Quem teme a dúvida, deixa de andar,
preso no espelho da convicção.


Sabedoria é faca de dois gumes:
corta ilusões, mas fere o coração.
São pétalas que o tempo não resume
sem se perder em busca de razão.


A rosa só é rosa inteira e viva
se guarda em si perfume e cicatriz.
O fruto nasce onde a raiz cativa,
e o pensamento é chão que pede bis.


Quem colhe cedo, perde o maduro;
quem crê demais, não vê o entrelinha.
O tempo ensina em passos tão obscuros,
mas cada luz é dúvida que germina.

Inspiração ...


O silêncio da manhã se desdobra, sem pressa.
A névoa se ergue sobre o campo úmido, um véu branco
que se desfaz ao primeiro toque de luz.


O olhar se detém na textura da casca antiga:
rugas de tempo e resiliência.
Cada fissura guarda uma estação,
uma tempestade vencida.
A seiva que sobe é a persistência invisível da vida.


O café esfria na xícara
maas a mente desperta
As ideias não chegam como raios,
mas como marés suaves
Vêm do fundo, trazendo pequenos detritos,
até que surge a clareza.


Há beleza no inacabado:
no rascunho, no instante entre intenção e gesto.
Respirar fundo,
Afrouxar o controle.


A inspiração não é evento,
é estado de escuta.
É notar o que quase ninguém vê
o som de uma chave girando,
o azul preciso de um céu de inverno,
o cheiro de chuva tocando a terra seca.

A névoa desce,
abraça o asfalto frio,
Onde a visão se rende
ao infinito que não se vê


Estrada molhada,
pista que se esvai,
Onde o verde ao lado,
em bruma se retrai


​Lá na frente,
luzes tímidas a surgir,
Guiando o passo
que insiste em prosseguir


Não importa o destino,
nem o que se perdeu,
Só a jornada
que a neblina te deu


​Um convite ao silêncio,
ao caminhar calmo e lento,
Onde a pressa não existe,
só o presente momento


Entre o céu e o chão,
um véu a cobrir,
Seguindo em frente,
sem saber o que virá a seguir

Fragmentos de razão flutuam no éter,
Cleópatra dissolve-se em névoa atemporal,
Horfmann murmura em ecos sem bordas,
amor transborda nas fissuras da luz,luminescência frágil descortina o vazio,
ondas sem tempo ondulam sem rumo,
palavras dispersas rompem a forma,
silêncios entrelaçam o que não se vê,e no entrelaçar das sombras e brilhos,
a luz revela o mistério: o amor é a razão que transcende o tempo e habita o infinito.

⁠A angústia se instala no peito,
Um peso que sufoca, que aperta,
Uma névoa densa que cobre o horizonte
E a alma se perde na solidão.

A depressão, vil companheira,
Sombria e implacável em sua dança,
Cinzas que se acumulam no coração
E diluem as cores da realidade.

Mas em meio à escuridão que domina,
Há uma chama tímida, uma centelha,
A esperança que persiste, que insiste,
Guiando para a luz no fim do túnel.

Nas cinzas do que fomos, o inverno se fez morada, aconfiança, como névoa, sumiu na encruzilhada.
Onde havia o toque, resta o rastro do abandono, e a alma, exausta, já não encontra o seu sono.
É um luto sem corpo, um adeus que não se disse, como se a vida, num sopro, de mim se despedisse.
A ferida não sangra, ela gela o que resta de luz, ea memória do teu beijo é agora a minha cruz.
O silêncio é o carrasco que aperta o nó no peito, transformando o nosso ninho em um vazio estreito.
Trair foi o punhal que não matou o meu pulsar, mas condenou meu coração a nunca mais saber sonhar.

Contra a Corrente


No tempo em que tudo escorre,
em que laços se desfazem como névoa
e palavras duram menos que um clique,
há quem fique.


O mundo ensina a ir embora.
Ensina a trocar,
a substituir,
a não insistir.


Mas dois passos seguem no mesmo ritmo
sobre a calçada da realidade.
Sem espetáculo.
Sem promessas gritadas ao vento.


Apenas presença.


Braço que envolve.
Mão que permanece.
Silêncio que entende.


O amor, quando amadurece,
deixa de ser chama inquieta
e vira brasa firme,
aquecendo sem alarde.


Num mundo líquido,
permanecer é rebeldia.
Caminhar junto é resistência.


E enquanto tudo ao redor se dissolve,
há quem transforme o tempo
não em desgaste,
mas em raiz.

Quando o caminho se apaga na névoa,
meus passos são só ecos na estrada,
meu coração vira bússola,
e o sol, meu único mapa.


Giro como folha ao vento,
leve, sem rumo, sem chão,
o horizonte é um abraço,
o céu, minha direção.


Não há norte nem sul,
só o pulsar deste coração,
que bate em ritmo de uma dança de luzes,
que se perde no seu jeito.


As sombras são companheiras,
me prendem, me falam sutilezas,
sigo fios dourados, que tecem meus passos.


Esse mundo é um carrossel,
que meu eu, criança teme,
mas me deixo levar no vento,
onde o sol está quente e lento.


E quando a noite chegar,
meus dedos desenham constelações no escuro,
cada estrela, um verso esquecido,
um mapa de luz que não sei decifrar.


Olho o céu, na tentativa de ler suas estrelas,
mas elas piscam em código antigo,
sussurros de outras vidas,
e eu, apenas um eco perdido no vento.


Me torno silêncio e preces,
um corpo que se dissolve na sombra,
oferecendo ao infinito
o pouco que me resta de fé e esperanças.


Sigo o rumo da lua,
ela me chama sem palavras,
e eu navego em seu brilho prateado,
até que a madrugada me devolva ao chão.⁠

O poeta é um ser múltiplo,
amorfo como a névoa
antes de ganhar forma no horizonte.


Vive em permanente desintegração,
como estrela antiga
que se desfaz em luz.


E, no entanto,
recompõe-se em silêncio
num outro organismo,


um corpo de palavras
que respira além da carne,
um corpo poético
que transcende
a breve matéria do seu criador.


✍©️@MiriamDaCosta