​A Sereia de Paranapiacaba ​Por... Celso roberto nadilo

​A Sereia de Paranapiacaba
​Por Celso Roberto Nadilo
​Há muitas histórias que a névoa guarda, mas poucas são como a da jovem escritora que fugiu de um casamento arranjado pelos pais. Procurada por todos os cantos, ela acabou se afogando nas águas profundas de uma cachoeira escondida na velha pedreira. Seu corpo jamais foi encontrado.
​Dizem os antigos que a Mãe da Mata teve compaixão de sua alma e lhe deu uma segunda chance, transformando-a em Sereia. Desde então, todos os homens que vão até ali para beber ou se banhar são arrebatados por sua beleza irreal e por sua voz sedutora, cuja música ecoa entre as pedras.
​A nova Iara tornou-se peça fundamental nesse ecossistema místico, convivendo em harmonia com a Mula sem Cabeça e a própria Mãe da Mata. Enquanto o Caipora guarda os limites da vila e o Saci-Pererê surge vez ou outra para aprontar suas travessuras, as matas se mantêm protegidas.
​Nas noites de lua cheia, o Lobisomem uiva para o céu e corre pela madrugada em busca de sua antiga noiva — aquela que se jogou do topo do casarão. Hoje, o mesmo casarão virou atração turística: drones filmam suas estruturas envelhecidas e celulares captam imagens e sons misteriosos.
​Assim, entre lentes modernas e lendas ancestrais, o passado e o presente atravessam eras em Paranapiacaba, revelando a cada nevoeiro novas descobertas e histórias para contar.