Relato Da Névoa Era uma madrugada... Ramile Godon

Relato Da Névoa

Era uma madrugada enevoada.
Meus olhos se abriram, tentando dissipá-la e reconhecer a luz entrando pelas frestas das janelas cobertas por cortinas.

Poucos segundos... a dor não espera. Logo em segundos, ela aponta a arma e atira em turbilhões.
Meu cérebro não quer pertencer a mim.
Minha alma e espírito estão se contorcendo, também querem se separar de mim.
Querem um ser fragmentado, moribunda para a morte.

Alguém nas trevas pode me ouvir?
Não há lugar nem nas trevas desse túnel escuro e úmido, onde caem pingos do teto e há poças de água no chão irregular e perigoso que sinto com meus pés.
Vejo uma luz da abertura lá a muitos metros; sendo a entrada ou saída, eu não sei bem ao certo.

Alcanço-a, e a mão de um gigante me puxa para fora.
A luz forte faz doer a vista.
O gigante me segura com as mãos fechadas, me obrigando a sair.
Eu não sei se é homem ou mulher, mas me joga para um lugar, um portal em redemoinho.
Me protejo com os braços enquanto sou jogada.

Me vejo em um lugar todo branco.
Não há nada: nem saída, nem entrada.
Mas não há desespero, não há dor, não há alegria eufórica. Só calma... paz? Conforto?
Eu não sei ao certo.
Nunca senti o sentimento que estou sentindo nesse lugar.
Não sei o que é, mas não estou preocupada.

- Ramile Godon