O Mar. Ao som outoniço do marulho... Marcelo Caetano Monteiro

O Mar.
Ao som outoniço do marulho surdo,
a tarde se desfaz em névoa fria;
e o mar, dentro de mim, profundo e mudo,
recolhe o que perdi na luz do dia.
Ubi natus sum, onde fui gerado?
Que pátria me ficou depois de tudo?
Talvez no sal de um sonho abandonado,
talvez no coração deste mar mudo.
Ó mar, por que me chamas tão distante,
se em cada onda morre um navegante
e em cada espuma um velho amor se encerra?
Não sei se parto ou volto à tua areia;
só sei que a solidão, quando incendeia,
faz do silêncio a última primavera.