Poemas Bonitos
Sabe o que acontece?
Essa coisa de caminhos.
São infinitos que chegam a não existir.
Só é certo que todos levam ao fim.
Sinto falta
Sinto falta:
Do amor que partiu,
Da luz que se apagou,
Do riso que sumiu,
Nas lágrimas de quem muito amou.
Sinto falta:
Do boa noite sussurrado,
Do beijo roubado,
Do bom dia animado,
Do jeito assanhado.
Sinto falta:
Da companhia nas travessuras,
Ou nos momentos de agruras,
Da cumplicidade no olhar,
Ou no jeito simples de amar.
Sinto falta:
De muita coisa boa,
Outras vezes só de um quê,
Ainda que fosse coisa à toa,
Mas sinto falta mesmo, é de você.
Autor: Agnaldo Borges
03/09/2014 – 00:25
SENTIMENTOS
No silêncio da noite,
A solidão vem de açoite,
E num amanhecer gelado,
Assento-me calado,
E fico a observar a correria,
De uma vida que está vazia,
E virá outra manhã cinzenta,
Trazendo dor no peito,
Dor que me atormenta,
De dia e no meu leito.
E um dia novo virá,
Outra noite aparecerá,
E outras lutas,
Outras disputas,
E atrás daqueles montes,
Outros horizontes,
Novos mares,
E outros ares,
Novos ventos,
Novos sentimentos.
Autor: Agnaldo Borges
16/09/2014 – 01:35
Que tal
Que tal olho no olho,
E deixarmos de lado,
Joguinhos e teatros,
Que tal olho no olho,
E deixarmos de lado,
Todas as poses e retratos,
Que tal olho no olho,
E viver,
E sonhar,
Em ser,
Em amar,
Que tal olho no olho,
E ser verdadeiro,
Ainda que por um instante,
Que tal olho no olho,
Me deixe ser inteiro,
Ainda que me torne distante,
Que tal tomar uma decisão,
Entre o amor e a paixão,
Entre a entrega e a solidão,
Entre o desejo e o coração,
Que tal olho no olho,
Me deixe ser verdadeiro,
E te amar,
Nesta terra,
Neste mar,
Nesta guerra,
Que tal olho no olho,
E também ouvir tua voz,
Sentir teu perfume,
Ah! Que dor atroz,
De ti não ter nem vislumbre,
De ti não ter nem teu olhar,
Que tal começarmos
Olho no olho,
Toque por toque,
Beijo por beijo...
Que tal?
Autor: Agnaldo Borges
17/09/2014 – 01:15
Quisera
Quisera não poder,
Amar-te como te amo agora,
Quisera não te perder,
Em nenhuma hora,
Nem por um segundo,
Quisera eu te deixar,
Mas fazes parte de outro mundo,
E devo a teu amor renunciar.
Quisera eu ser o motivo,
De tua felicidade,
Mas nem vi teu sorriso,
Pra mim restou à saudade.
Quisera eu que o brilho,
De alegria em teus olhos,
Fosse para mim,
Restou-me apenas,
Lágrimas de carmim,
E um coração partido,
Mortalmente ferido.
Autor: Agnaldo Borges
23/09/2014 - 22:45
MAL TRAÇADAS LINHAS
Antes de existir,
Tanta tecnologia,
Era preciso possuir,
Papel, caneta e ousadia.
Geralmente assim,
começavam as modinhas,
E as cartas de amor,
Escrevo-te estas mal traçadas linhas,
Dizia o tal sonhador.
Enviava o envelope,
Por algum menino ou estafeta,
Mandava a galope,
Com rosas ou violetas.
A resposta da donzela,
Aguardava ansioso,
Observando a janela,
Sempre curioso.
Ah! Mas tinha um medo tremendo.
Do pai da jovem e saía correndo,
Pois o primeiro gritava,
Minha filha casará com um doutor,
E o último retrucava,
E serei eu, sim senhor.
Depois de muitas confusões,
Os apaixonados se casavam,
A custa de choro e safanões,
Ambos se amavam.
Então as crianças chegavam,
Os avós se rendiam,
Com alegria esperavam,
E sobre os netos amor derretiam.
E a vida então seguia,
Mas chegou um dia,
Que veio a tal tecnologia,
E uma estranha mania.
As conversas em rodas de amigos,
Hoje são por uma tal,
de rede social,
E aí mora o castigo,
A juventude pouco lê,
Mas tem opinião,
Mesmo que seja a da TV,
Para alguma ocasião.
Escrever até que escrevem,
Com figuras de linguagem,
Erros ortográficos e abreviações,
Claro que há exceções.
Ainda existem papel e caneta,
Mas isso quase não se usa mais,
Restou a ousadia com nova faceta,
Apenas para romances banais.
Hoje se escreve na rede social,
E perdoem-me se pareço banal,
Mas ainda usarei a expressão,
Escrevo-te estas mal traçadas linhas,
Para confessar minha paixão,
E sonhar que um dia serás minha.
Não apenas namorada,
Mas também esposa e amiga,
Amante amada,
Companheira querida.
Perdoe estas mal traçadas linhas.
Autor: Agnaldo Borges
03 e 04/10/2014 - 18:30 - 16:28
PENSAMENTO
Queria por um breve momento,
Me perder em teus braços,
Mas só te encontro em meu pensamento,
E lá te laço e entrelaço.
Queria por um breve instante,
Me desfazer deste doce tormento,
Mas até mesmo meu semblante,
Denuncia você em meu pensamento.
Queria por um breve segundo,
Ser teu pensamento,
Ser neste átimo o teu mundo,
E não cair em esquecimento.
Queria que não houvesse sofrimento,
Que o amor fosse o único sentimento,
Debaixo do firmamento,
Até o último pensamento.
Autor: Agnaldo Borges
10/10/2014 - 20:30
A LUA
Dizem que em noites sem fins,
Os namorados passeiam,
Por praças ou jardins,
Sem perceber quem os rodeiam.
Debaixo da lua trocam,
Beijos e juras de amor,
Olhares e abraços que provocam,
Em outras faces o rubor.
Dizem que é a lua dos apaixonados,
Ou os apaixonados da lua.
De corações alados,
Com os pés descendo a rua.
Autor: Agnaldo Borges
10/10/2014 - 22:40
DECIFRA-ME SE FOR CAPAZ
Como descrever as cores para um cego,
Ou o som para um surdo,
Por isso decifrar-te me nego.
É impossível e absurdo,
Decifrar as nuances de tua alma,
Ou as mil maneiras de teu olhar,
Como decifrar tua calma,
Ou o teu jeito de amar?
Só posso afirmar,
Deves combater,
Pois tu és guerreira,
Deves também crer,
Mesmo sendo arteira,
Pois tu és mulher.
Decifra-me ou te devoro,
Era o dito da Esfinge,
Por isso faço outro coro,
Consumindo a laringe,
Igual a ti, eras mulher,
Se fores decifrada,
Para outros irás morrer,
Pois fostes eleita amada,
De um campeão,
Pois conquistou teu coração.
Autor: Agnaldo Borges
11/10/2014 - 22:40
Mote: Kátia Krzesik
PERDIDO
Quanto tempo perdido,
Num tempo que não voltará,
Quanto tempo esquecido,
Num tempo que acabará.
Quantas horas perdidas,
Nas horas do dia,
Quantas noites perdidas,
Quantas horas de insônia.
Quanto tempo perdido,
Falaria mais, mas seria perda de tempo.
Autor: Agnaldo Borges
16/11/2014 - 00:07
QUALQUER OUTRO NOME
Se, sinto a tua falta, é saudade,
Se, sinto a tua alegria, é felicidade,
Se, sentir tua preocupação, te darei tranquilidade,
Se, sentir tua tristeza, espero trazer-te a felicidade.
Se, sinto tua presença, encontro confiança,
Se, ouço tua voz, abala meu chão,
Se, encontro teu olhar, vejo esperança,
Se, alcanço o inalcançável, alcancei teu coração,
Se o que sinto tivesse outro nome qualquer,
Ainda assim seria o mesmo sentimento abrasador,
Pelo que és como menina ou como mulher,
Ainda assim seria de ti todo o meu amor.
“Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume.” William Shakespeare
Autor: Agnaldo Borges.
03/03/2015 15:04
Os melhores presentes não vem embalados em caixas.
Pode vir de um olhar,
Ou de uma palavra doce,
Do jeito de se amar,
Ou de um toque de mão,
Ainda que tosco fosse,
De uma simples canção.
Os melhores presentes,
Não vêm embalados em caixas,
Vêm da lembrança de ausentes,
Que dentro do coração encaixa,
Alegrias, ternuras e saudades,
Amores e amizades.
O presente vem de se apreciar,
O sol, a lua e as estrelas,
Ou o céu e o mar,
Os jovens mancebos e lindas donzelas,
A criança a brincar,
As flores em campos ou janelas
A mãe ao filho embalar.
As caixas são apenas embalagens,
Que por mais belas que sejam,
São tangíveis, frágeis e bobagens,
Que rasgam fácil, ainda que protejam,
Os mais belos presentes, intocáveis são,
Entre eles: a pureza do coração.
Autor: Agnaldo Borges
30/06/2015 - 11:14 - com ideia de Kátia Krzesik
Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heráclito, o obscuro.
Somos a água, não o diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos aquele grego
que se olha no rio. Seu semblante
incerto se espelha na água mutante,
no cristal que espelha o fogo tropego.
Somos o vão rio predestinado,
rumo ao mar. Pelas sombras cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória nos imprime sua moeda.
E no entanto há algo que se queda
e no entanto há algo que se queixa.
Até pensei que você era
Meu grande amor...
Nem percebi que a porta
da minh'alma se abriu
E você nunca entrou.
(Do livro "100 Folhas de Amor"
CRIMES
Eu já vivi perigosamente,
Assaltei geladeiras,
Trafiquei guloseimas,
Furtei doces em aniversários,
Matei a fome com sandubas,
Arranquei risos à força de cócegas,
Roubei beijos em quermesses,
Participei da quadrilha junina,
Contrabandiei refri em cinemas,
Mas o pior crime é você quem comete,
Por lesionar meu coração,
Ferir meus sentimentos,
E me torturar com a solidão.
Autor: Agnaldo Borges.
“A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.”
(trecho extraído do livro "Elogio da Sombra", Editora Globo - Porto Alegre, 2001, pág. 81 projeto releituras)
As vezes me sinto um completo fracasso. Daqueles rasos, voláteis e fácies de se converter.
Mas não tenho esperança, continuo achando que sou assim e não posso mudar. Aliás eu sei que posso tudo, todavia me falta mais audácia, como na juventude.
Meu sonho maior
Meu maior sonho
é tão pequeno...
E tão verdadeiro
no almejar,
Que caberia por inteiro
Numa palavra sim,
que viesse do teu olhar.
(Do livro "100 Folhas de Amor")
